Um Plano Irrecusável
18 Fim dos Segredos
Notas iniciais
Marinette terminava de atender um cliente na padaria, já colocando os croissants que ele tinha pedido em um saco de papel.
— Pode ir, filha, nós damos conta agora. — Falou Sabine.
— Têm certeza? Eu posso ficar, não tenho muita coisa pra fazer e…
— O movimento a essa hora é mais tranquilo, pode ir. — Garantiu-lhe Tom.
— Então tá, qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, é só me gritar. — Eles riram.
— Você e o Adrien não vão sair hoje? — Marinette estranhou a pergunta da mãe. Ainda não havia contado sobre o que tinha com Adrien. Até porque era tudo muito recente. Foi então que sentiu o coração acelerar. Tinha a tarde livre e um total de nenhuma desculpa para não contar a Adrien sobre seu pai.
— Não… Ainda não. Vou falar com ele. — Disse com pouco entusiasmo na voz. Sabia que o garoto não reagiria bem àquela notícia.
A azulada foi para o quarto e escreveu em seu diário, algo que tinha esquecido de fazer há mais de um mês. Tanta coisa tinha acontecido… Sentiu que precisava registrar tudo para que se lembrasse no futuro. Começou falando sobre seu namoro falso com Chat Noir. Parecia que tinha passado tanto tempo, mas fora há apenas algumas semanas. Já estava sentindo falta das tardes de filmes com seu parceiro e de suas conversas na varanda. Nem notou o quanto demorou para contar os detalhes desse acontecimento. Sentia que precisava registrar tudo e, a cada momento relembrado, um sorriso formava-se em seus lábios.
Depois começou a falar de Adrien, do quanto tinham se aproximado depois que ela "terminou" com Chat Noir. Lembrou do dia em que foram ao cinema quando já era tarde da noite e sorriu. Depois disso, aproximaram-se ainda mais e ela pôde perceber que ele não a considerava mais só uma amiga. Estava tudo indo tão bem. Chat Noir tinha dito que já estava gostando de outra garota, então ela não se sentia mais culpada por não retribuir os sentimentos do parceiro. Porém, a pedido dela, ele não parou com os trocadilhos e piadas durante as batalhas. Aquilo fazia parte da personalidade dele e ela não conseguia imaginar uma batalha em que não recebesse uma cantada péssima do parceiro, mas sabia que ele não pensava mais em Ladybug daquela forma, como tinha dito em sua varanda uma vez. Por um momento, até desejou saber quem era a garota que tinha roubado o coração de seu gatinho.
O sorriso dela se desfez quando lembrou do dia em que descobriu a verdadeira identidade de Hawk Moth. Fechou o diário e olhou para o celular. "Tem que ser hoje. Preciso contar para alguém sobre isso, não aguento mais guardar pra mim", pensou, olhando para uma foto dela e de Adrien em seu celular. Sentiu um aperto no peito ao imaginar a tristeza no olhar do garoto quando descobrisse que seu pai era Hawk Moth.
Seus pensamentos foram interrompidos por uma mensagem em seu celular.
Oi, desculpa não ter aparecido ontem, como você pediu. Acabei esquecendo…
Sorriu. Era Chat Noir.
Oi, está tudo bem. Até eu esqueci que tinha combinado com você. Pra falar a verdade, eu apaguei depois que cheguei do aeroporto! Só acordei hoje de manhã kkkkk
kkkkkk
Então, você conseguiu resolver aquele problema? Se quiser conversar, já sabe.
Ela leu a mensagem e hesitou por alguns instantes. Não tinha resolvido o problema de Hawk Moth, mas estava mais tranquila em relação ao dia anterior. Agora sabia o que deveria fazer.
Na verdade não, mas vou resolver agora.
Obrigada, gatinho!
***
Adrien lia as mensagens sorrindo. Era tão bom poder conversar com Marinette como Adrien e como Chat Noir da mesma maneira. Lembrou que, ainda na época em que o herói fingia namorar a menina, ele tinha medo de que, quando tudo terminasse, não conseguisse mais conversar com Marinette.
A garota, há algumas semanas, agia de forma bem diferente com os dois. Para Adrien, era muito mais simples falar com ela quando estava vestido de Chat Noir e, naquela época, ele não entendia o porquê. Mas agora sabia que a garota era apaixonada por ele. Não por Chat Noir, como pensou uma vez, mas por Adrien. Isso o incomodou um pouco no início. Praticamente todas as garotas que conhecia eram suas fãs ou eram apaixonadas por ele, e se aproximavam com esse objetivo. Mas, ao ter a oportunidade de conhecer Marinette enquanto fingiam namorar, ele pôde perceber que ela não era assim. Ou melhor, não era mais. Ela mesma lhe confessou que antes imaginava Adrien como um príncipe perfeito, mas que se arrependeu disso. Disse que tinha entendido que ele era um ser humano como qualquer um. Tinha defeitos, cometia erros. Mas o problema é que ela pensava que tinha percebido isso tarde demais. Marinette contou que achava que ele já estava com outra garota e que nunca teve a chance de dizer que o amava.
Não demorou muito para que ele conseguisse ligar os pontos. O garoto que Marinette gostava era Adrien e a suposta namorada dele era Kagami. Lembrou que na época tinha sido um pouco estranho saber disso, principalmente dessa forma, mas sentiu-se feliz ao descobrir que Marinette o amava e mais feliz ainda quando notou que estava começando a amá-la de volta. Naqueles encontros no período do falso relacionamento da garota com o herói, eles se aproximaram tanto que ele acabou percebendo que estava muito preso a Ladybug. Ali à sua frente estava uma garota incrível e que conhecia seus dois lados: o modelo famoso e o super-herói. Era incrível poder conhecê-la, mas teve medo de perder isso quando o namoro falso chegasse ao fim. Afinal, Marinette e Adrien mal tinham conversado depois do dia em que ele tomou o sorvete dos apaixonados com Kagami, e Marinette, com Luka.
Mas felizmente eles voltaram a se falar e conseguia encontrá-la durante o dia, no colégio, e durante a noite, em sua varanda. Não foi muito difícil perceber que desejava mais e mais a presença dela porque não queria que ela fosse apenas uma amiga.
Recordava com carinho cada beijo e cada momento que haviam passado juntos até ali, e esperava que colecionassem muito mais. Porém, há uns quatro dias, a azulada tinha ficado um pouco diferente. Parecia distraída demais, como se… estivesse escondendo alguma coisa. Eles mal tinham conversado.
Como Adrien, perguntou algumas vezes o que estava acontecendo, mas ela nunca lhe contava. E então recebeu uma mensagem no número de Chat Noir. Ela contou um pouco, mas sem revelar nomes. Marinette parecia muito mal com aquela situação e ele se sentia péssimo por não conseguir ajudá-la e por não saber o que era. Ela ainda não parecia confiar muito em Adrien.
Porém, para a felicidade dele, a menina tinha acabado de mandar uma mensagem para Chat Noir dizendo que resolveria a situação que tanto a afligia. Mas ele ainda se sentia um pouco mal por Marinette não confiar nele para falar sobre aquilo.
Seus pensamentos foram interrompidos pelo toque de notificações do seu celular, no número de seu alter-ego.
Oi, gatinho.
"Ladybug?", pensou, ao ver o contato da parceira.
Oi, Bugaboo. Tem algum akuma atacando a cidade? Nem liguei a TV hoje ainda. Onde é?
Não, sem akumas no momento.
Ele releu, confuso. Ladybug só lhe mandava mensagem quando acontecia alguma coisa.
Preciso falar com você, me encontre na Pont des Arts em cinco minutos.
Ok…
Enviou a mensagem, ainda surpreso. O que será que ela queria lhe contar com tanta urgência?
Ainda um pouco confuso e pensando nas possibilidades, ele se transformou e saiu pela janela, se certificando de que não tinha sido visto.
***
Pousou na Pont des Arts, mas não encontrou Ladybug. As pessoas que passavam até chegaram a lhe perguntar se algum super vilão atacava a cidade. Mas ele logo encontrou a parceira no topo de um prédio, um pouco distante dali.
— Achei que tinha levado bolo, Bugaboo. — Disse, rindo, e sentando-se ao lado dela em um telhado. Mas a garota tinha um semblante sério. Então, pelo visto, o assunto não era muito bom. — Qual o motivo do nosso encontro? — Resolveu perguntar de uma vez e a garota suspirou. Por um momento ele achou que tinham descoberto sua identidade de alguma forma e que precisaria devolver o miraculous.
— Eu descobri quem é o Hawk Moth. — Ela falou, calmamente, como se aquilo fosse uma conversa rotineira. Chat Noir levantou-se de súbito.
— O quê? — Quase gritou — Caramba, isso é… caramba!
— É… — Disse ela e levantou-se também, ficando de frente para o parceiro.
— Como você descobriu? Quando? Ele não sabe que você sabe, não é? Ah, o que eu estou perguntando? Quem é ele? — Falou rapidamente, lembrando de Marinette. Ela costumava falar assim de vez em quando.
Ladybug soltou outro suspiro.
— Já suspeitei dele, mas acabei rejeitando a possibilidade depois que ele foi akumatizado.
— A gente o conhece?
— É o Gabriel Agreste. — Ela falou de uma vez e notou que Chat cambaleou para trás com a informação.
— Mas…
— Sim, eu sei que ele foi akumatizado e que pensamos que não era ele, mas, de alguma forma, ele se transformou em Colecionador apenas para nos despistar. Li o livro dos guardiões e isso é realmente possível.
Ela conseguia ver o peito de Chat Noir mover-se com a respiração acelerada.
— Você tem provas? — Ele disse em um sussurro. Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo de novo, mas, diferente da última vez, não parecia uma possibilidade. Ladybug tinha certeza dessa vez.
Ela lhe estendeu um celular e rodou o vídeo. Nele, Gabriel parecia conversar sozinho em seu escritório. Falava que ainda não tinha akumatizado uma garota e que, como ela era próxima do filho, poderia usar isso para akumatizá-la.
— Não sei se o Plagg te contou, mas os kwamis…
— Não aparecem nas câmeras. — Ele completou, ainda incrédulo.
— Então por isso eu tenho esse outro vídeo.
Ela apertou o play e imagens de um local escuro repleto de borboletas brancas encheram a tela do celular. Ao fundo, via-se uma espécie de janela, fechada naquele momento. Depois, a pessoa que filmava entrou em um elevador que a levou para o escritório de Gabriel Agreste, em frente ao conhecido quadro de sua esposa.
Adrien sentiu um misto de raiva e tristeza tomar conta de seu peito. Seu pai realmente era o vilão contra quem tanto lutava.
Percebendo a surpresa no olhar do parceiro, Ladybug começou a falar.
— Eu já sabia disso há alguns dias, mas não consegui contar para ninguém. Foi bem diferente da última vez, eu estava lá, eu vi o olhar dele. Eu o ouvi falar com o Nooroo, o kwami do Hawk Moth. Eu fui até o esconderijo. — Ela sentiu um nó formar-se na garganta — E não consegui fazer nada.
O loiro mal escutava o que Ladybug dizia, de tão atônito. Nunca imaginou ser esse o seu sentimento quando descobrisse a identidade de Hawk Moth.
— Posso… ver o vídeo de novo? — Ele disse, ainda com a voz fraca, e a garota atendeu a seu pedido.
Era tão estranho ver o pai daquela forma. Claro que Gabriel costumava ser frio com quase todo mundo, mas Adrien nunca chegou a imaginar que ele fosse um super vilão que se aproveitava das emoções negativas das pessoas para akumatizá-las com o objetivo de conseguir duas jóias, de conseguir poder.
Ele rodou o outro vídeo, que mostrava o esconderijo de Hawk Moth. Nunca imaginaria que aquilo estaria bem debaixo do seu nariz o tempo todo. Porém, dessa vez, algo além das borboletas chamou sua atenção.
— Como… você gravou isso? — Chat Noir perguntou.
— Com o celular. — A azulada respondeu, confusa.
— Não, não é isso. Você… foi até a casa dele?
— Sim. — Disse impaciente, não entendendo aonde ele queria chegar com aquela pergunta.
— Mas… você foi sem a máscara?
— Quê? Eu não estou entendendo, Chat. — Falou, realmente confusa. Imaginou que, assim que contasse, Chat Noir sugerisse que reunissem a equipe e fossem atrás de Hawk Moth.
— Você foi vestida de Ladybug ou não? — Ele quase gritou.
— Não! Por que isso importa? — Ladybug gritou, mas sua pergunta foi ignorada.
— Mas… ele sabe quem é você? Como você foi até lá? — Ela respirou fundo.
— Eu conheço o filho dele. Pronto! Está feliz? — Revelou, gritando.
— Você… conhece o filho dele? — O loiro disse, incrédulo. Quer dizer que conhecia Ladybug por trás da máscara?
— Chat, qual é o seu problema? Precisamos resolver essa…
— Espera, vocês estudam na mesma escola? — Falou, não acreditando nos seus próprios pensamentos. Sua mente parecia estar a mil por hora.
— Chat, o que você… — Ladybug parou de falar quando o loiro se aproximou e tocou as mãos dela.
— Marinette? — Ele falou, deixando o coração da garota acelerado. A azulada soltou suas mãos e se afastou. O que estava acontecendo? Como ele tinha chegado àquela conclusão?
— E-eu n-não sei do que você está falando. A gente precisa ir atrás do…
— É claro! Como não percebi? Por isso você ficou toda estranha naquele dia! E por isso fechou a porta e perguntou se tinha alguém em casa! E eu achando que você tinha outras intenções… — Ela arregalou os olhos e Adrien sentiu as bochechas queimarem ao lembrar daquele dia — Q-quer dizer, não que eu ache que a gente não vá… Mas é que… Sei lá, a gente estava se beijando, aí do nada você fechou a porta e perguntou se tinha alguém em casa. Queria que eu pensasse o quê? Não que eu não queira… Mas, sei lá, foi estranho. Quer dizer, a gente está se aproximando muito e nos beijamos algumas vezes, várias vezes, e está sendo muito bom, mas pular de uma coisa para outra assim do nada? Pensei "será que não está muito rápido não?" e achei que não estávamos prontos para…
— Chat, do que você está falando? — Ele ficou em silêncio durante alguns instantes, enquanto Ladybug o encarava com um semblante confuso. — Como assim eu fechei a porta do seu quarto e a gente se beijou? Mas o que… — Ela ficou pensativa durante alguns segundos. — Não acredito! Adrien?
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