Notas iniciais
Olá! Aqui está o terceiro capítulo. Espero que gostem!

O olhar de preocupação de Adrien deu lugar a um sorriso determinado. Marinette fez o mesmo e, após o loiro confirmar que estava com os olhos vendados, ela pegou a caixa dos miraculous de seu esconderijo. Abriu e, sem demora, colocou os brincos.
— Já pode abrir os olhos. — Disse e Adrien o fez, encontrando em suas mãos o anel que já não usava há quase quatro semanas.
Os dois kwamis surgiram e abraçaram seus portadores.
— A gente vai ter que matar a saudade depois. Há um novo vilão atacando a cidade. — Afirmou Marinette.
— O Hawk Moth voltou? — Disse Tikki.
— Tudo indica que é um sentimonstro, mas talvez o meu pai esteja envolvido nisto. — Adrien pontuou, ainda sentindo-se um pouco aflito ao dizer "meu pai" ao invés de Hawk Moth.
— Bom, então o que estamos esperando? — Foi a vez de Plagg. Adrien e Marinette trocaram olhares determinados.
— Tikki, transformar!
— Plagg, mostrar as garras!

***

Em poucos minutos, Ladybug e Chat Noir se encontravam em um telhado próximo ao local em que o novo vilão estava.
— Não acha melhor ir direto na origem do problema? — A azulada perguntou, um pouco receosa. Sabia o quanto tinha sido difícil para o loiro saber que seu pai era Hawk Moth e, agora, tudo indicava que teria de lutar contra Nathalie também.
— Mas… vamos deixar o vilão atacando as pessoas? — Chat Noir falou, mesmo sabendo que o poder de Ladybug consertaria tudo ao final da batalha. Não sentia-se pronto para enfrentar Nathalie. Eles não eram muito próximos, mas mesmo assim isso o incomodava.
A garota o encarou, percebendo sua aflição e tocou seu ombro. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, o loiro a interrompeu.
— Mas realmente não faz sentido ficar lutando contra ele se pudermos… cortar o mal pela raiz. Nossa! Foi uma frase bem clichê, não é? — Ele disse e sorriu, encorajando-a a fazer o mesmo. Marinette sabia que aquilo seria complicado para o loiro e que ele estava se esforçando para mostrar-se bem.
— Não precisamos lutar com ela agora. Se você quiser esperar um tempo pra…
— Não, não. Vamos logo. Uma hora ou outra vai ter que acontecer mesmo… — Ela assentiu, sentindo a tristeza transmitida pelo olhar dele.
— Ladybug, Chat Noir! Ainda bem que chegaram! — Eles ouviram alguém gritar, mas já estavam um pouco distantes do local do ataque do sentimonstro. A mulher encarava os dois heróis, confusa. Por que eles estavam indo para o outro lado?
Logo, Ladybug e Chat Noir estavam na mansão Agreste, entrando pela janela do quarto de Adrien. Ao chegarem ao escritório, a azulada olhou para o quadro de Emilie.
— A Nathalie com certeza mudou a senha, ela não seria tão descuidada. — Falou Marinette.
— Não custa nada tentar, não é? Qualquer coisa, eu conheço alguém que pode destruir tudo o que toca. — Ele falou, com um sorriso de canto.
Ladybug colocou a senha do quadro, que surpreendentemente lembrava de cor. Não esperava que o antigo esconderijo fosse abrir com a mesma senha que usaram há quase um mês. Mas foi o que aconteceu.
— Ela não mudou a senha? — O loiro disse, tão surpreso quanto Marinette.
Ainda atônitos, entraram no elevador, sem nem perceber que havia outro andar além do covil de Hawk Moth, que guardava o corpo de Emilie Agreste.
— Bom, temos duas hipóteses aqui. Ou a Nathalie está nos aguardando no esconderijo do Hawk Moth, ou cometeu o deslize de não mudar a senha, o que eu acho bem improvável. Mas, de qualquer forma, nos encontraremos com ela no covil. — A azulada falou, enquanto ainda estavam no elevador. Mas, ao chegarem ao local, não havia ninguém.
O covil estava exatamente igual à última vez que haviam estado lá, como se ninguém houvesse entrado ali depois daquela batalha. Os dois olharam para todos os lados, mas realmente não havia ninguém no local.
— Ok… ou ela pode ter tido a ideia extremamente óbvia de que desconfiríamos dela e deve ter arrumado outro esconderijo, mas onde? — Falou, mais para si do que para Adrien.
— Ou então a Nathalie não é a Mayura. — Ela o encarou, não dava para descartar aquela hipótese, mas era bem difícil de ser verdade. Para a azulada, parecia estar claro que Nathalie era a pessoa que Gabriel mais confiava para guardar o seu segredo e para continuar sua "missão", mas Adrien parecia não acreditar nisso. Ou talvez não quisesse acreditar.

*

Nathalie observava os heróis pelas câmeras com um sorriso no rosto. "Tudo está saindo como o planejado", pensou e logo deu continuidade ao plano, preparando seu próximo passo.

*

Adrien e Marinette se entreolhavam confusos, mas a azulada logo reagiu indo para o elevador, e ele fez o mesmo.
— E agora? — O garoto indagou.
— Vamos voltar para o local da batalha. As pessoas devem estar se perguntando por que nós fomos para o lado oposto ao invés de ajudá-las. Podemos continuar nossa… investigação depois. — Ele assentiu, um pouco contrariado. Marinette parecia ter certeza de que Nathalie era Mayura, mas ele não estava tão certo disso.
Novamente, o elevador passou direto pelo andar secreto onde Emilie se encontrava sem que nenhum dos jovens notasse.
Para a surpresa dos dois heróis, encontraram Nathalie com uma expressão confusa no escritório.
— Ladybug? Chat Noir? O que estão fazendo aqui? O Gabriel voltou? Porque eu vi no noticiário que um vilão novo está… — Ela foi interrompida.
— Pode parar com a encenação, Nathalie. Nós sabemos que está envolvida nisso. — A azulada falou, com um tom que assustou Adrien.
— Ei, espera. A gente não sabe se ela… — O loiro tentou falar.
— O quê? Eu não estou entendendo, Ladybug. — Nathalie continuou, apontando para a televisão, que transmitia ao vivo o ataque. — Eu estava trabalhando quando vi que tem um novo vilão e…
— Olha, ele está sendo controlado pela Mayura. — Chat Noir sussurrou para Ladybug, percebendo o símbolo azul da vilã ao redor dos olhos do sentimonstro. — Se a Mayura está o controlando, então… — Foi interrompido novamente
— Vamos! — Marinette falou, jogando o ioiô pela janela e o amarrando em um poste para pegar impulso. Adrien também saiu dali, sentindo um alívio tomar conta de seu peito. Se Mayura controlava o vilão enquanto Nathalie estava em casa, então elas não podiam ser a mesma pessoa.

*

— Eles caíram! Não achei que seria tão fácil… — Mayura falou de seu esconderijo, desligando o holograma e o aparelho de transmissão de voz ao seu lado.
Aquilo havia sido arriscado e, por um momento, imaginou que Ladybug descobriria tudo. "Então ela realmente desconfiava de mim…", pensou, observando, pelas câmeras, os heróis afastarem-se da casa, indo para o local de ataque de seu sentimonstro. Eles só não esperavam que um akumatizado também os aguardava.

*

— Olha! É a Ladybug e o Chat Noir! — Uma criança gritou, apontando para os heróis, e muitos cidadãos comemoraram.
Logo, a batalha começou. Era incrível como os dois ainda tinham uma sincronia perfeita, apesar de já estarem mais de um mês sem lutar contra vilões.
Notando finalmente em seu corpo a adrenalina que tanto sentia falta nos últimos dias, Marinette lutava contra o mais novo sentimonstro se perguntando o que aconteceria em seguida. Iriam atrás de Nathalie, sua principal suspeita, ou apenas lutariam contra os sentimonstros que ela controlava, como faziam antes? Precisava falar sobre isso com Adrien mais tarde.
Finalmente encontraram o objeto em que o amok estava e a azulada o quebrou.
— Tchau, tchau, peninha! Miraculous Lady… — Ela foi interrompida.
— Espera! — Chat Noir gritou. — Ainda não acabou. — Disse, olhando para o vilão que surgia de dentro do sentimonstro adormecido no chão.
— É um…
— Akuma? Mas como? — O loiro falou, sem acreditar.
Antes que pudessem dizer qualquer coisa, o akumatizado tentou atingi-los com um raio. Chat Noir estava tão atônito pensando no possível retorno de seu pai que Ladybug precisou puxá-lo com o ioiô para que não fosse atingido.
Logo, iniciaram a batalha com o vilão, apesar de ainda estarem com inúmeras dúvidas dentro de si.
Embora estivessem extremamente surpresos e um pouco cansados por conta da batalha exaustiva com o amok, os dois também conseguiram derrotar o akuma.
— Tchau tchau, borboletinha. Miraculous Ladybug! — Ela gritou, jogando o objeto dado por seu talismã para cima. — Agora acabou, não é? — Disse em um tom cansado e o loiro sorriu.
— Zerou! — Disseram juntos, fazendo seu conhecido cumprimento com as mãos.
As pessoas que assistiram à batalha aplaudiram os heróis e agradeceram. Em poucos segundos, alguns repórteres surgiram.
— Ladybug e Chat Noir! Quanto tempo! Todos estão com a mesma dúvida: por que vocês e os vilões sumiram por quase um mês? — Perguntou uma jornalista, mas, antes que eles respondessem, foram bombardeados com mais perguntas.
— Esse vilão que enfrentaram hoje parecia mais forte do que os outros. O que aconteceu?
— Vocês vão voltar definitivamente?
— Ainda não sabem quem pode ser Hawk Moth?
— E os outros heróis? Eles vão voltar, agora que o Hawk Moth sabe as identidades deles?
Iriam tentar responder pelo menos uma daquelas perguntas, mas antes que o fizessem, ouviram os bipes que indicavam os poucos minutos que lhes restavam antes de se transformarem de volta. Instintivamente, colocaram as mãos sobre seus miraculous e todos entenderam que deveriam aguardar até a próxima batalha.
— Prometemos responder vocês em breve. — Disse Ladybug.

***

— Então ele não levou o miraculous da borboleta! Não dá para controlar um akuma de muito longe. Lembra da Startrain? — A azulada falou, entregando um cookie para Tikki. Adrien também entregou um queijo da padaria para Plagg.
— Mas ele pode ter voltado ou estar perto da cidade, não pode? — O loiro perguntou, aflito. Não sabia se ainda estava pronto para aquela batalha.
— É até possível, mas como que ninguém ficou sabendo?
— Bom, então temos duas hipóteses aqui. — Disse, repetindo o que ela havia dito mais cedo e a garota se aproximou. — Ou meu pai voltou para a cidade sem ninguém saber, o que é improvável, ou então ele deixou o miraculous com outra pessoa, o que eu também acho improvável. Meu pai não é muito de confiar nas outras pessoas… — Falou, percebendo que tinha acabado de introduzir aquele assunto.
— A não ser que essa pessoa seja a Mayura. — "E lá vamos nós…", Adrien pensava. Ela percebeu a impaciência na expressão dele. — Eu sei que você não acha que é a Nathalie, mas vamos tentar pelo menos não descartar essa hipótese por enquanto.
— Mas a Nathalie estava em casa na hora em que a Mayura controlava o amok!
— Eu sei, mas… — Ela não conseguiu terminar de falar, pois não sabia como convencê-lo. Tinha que admitir que foi totalmente inesperado encontrar Nathalie em casa enquanto Mayura atacava. Tudo se encaixava perfeitamente. Se ela não era Mayura, quem seria?
— Se querem minha opinião, e eu sei que não querem… — Plagg disse enquanto comia um pedaço de queijo — Ela realmente parece ser a maior suspeita.
— Nossa! Você falou de alguma coisa que não fosse camembert? O que aconteceu nessas últimas semanas? — Adrien indagou, arrancando risadas de Tikki e Marinette.
Antes que qualquer um deles dissesse algo, Sabine bateu à porta.
— Marinette? Adrien?
— Oi, pode entrar, mãe.
— Nossa, estava tudo tão silencioso aqui que pensei que tivessem saído… — Os dois colocaram as mãos na nuca, nervosos.
— Quê? Não, a gente estava…
— Saído? Não, nós estávamos… — Os dois falavam ao mesmo tempo.
— Estudando para o teste de literatura!
— Assistindo a um filme! — Eles se entreolharam após dizerem desculpas diferentes.
— Ah, entendi… — Sabine disse, lançando um sorriso malicioso para a filha. Quando Marinette percebeu no que ela pensava, corou de vergonha. — Tudo bem, deixo vocês sozinhos. Tranco a porta? — Adrien finalmente notou o que aquelas desculpas esfarrapadas pareceram aos olhos da mãe da azulada e também enrubeceu de vergonha.
— Ai meu Deus! Mãe! — Marinette falou, totalmente constrangida.
— O quê? Eu só queria dar privacidade à vocês e… — Percebendo a vergonha de Marinette e lutando contra a sua, Adrien se pronunciou.
— O teste é sobre um filme inspirado em um livro que estamos estudando… — Ele percebeu que aquilo não adiantou muito e Marinette continuava corada. A cena era muito engraçada e ele se segurava para não rir. — E… nós já terminamos, não é, Marinette? Eu já vou.
— Já? — Sabine falou e Marinette se perguntava o mesmo.
— É, já está meio tarde… Não quero que a Marinette se atrase, como sempre. — Ele sussurrou as duas últimas palavras para Sabine, que riu. Marinette deu uma cotovelada leve no braço do namorado.
Logo, a azulada estava na frente da padaria com Adrien.
— Ai que vergonha! — Disse assim que fechou a porta e o loiro riu.
— Foi muito engraçado! Você tinha que ter visto a sua cara! Daria de tudo pra voltar no tempo e tirar uma foto.
— Quer falar do quê? Você parecia uma pimenta ambulante de tão vermelho. — Adrien fez uma careta, mas logo voltou a rir e dessa vez foi seguido pela azulada.
O conhecido carro cinza se aproximava e, como havia pessoas por perto, apenas acenaram um para o outro, como se fossem velhos amigos.

***

— Como eu senti sua falta, Tikki!
— Eu também! — A kwami falou, abraçando a bochecha de sua portadora.
— Sério, tinha horas que eu começava a falar sozinha até que lembrava que você não estava por perto. Uma vez isso aconteceu na escola e acharam que eu havia batido a cabeça quando tinha tropeçado na escada mais cedo. — Tikki riu e Marinette fez o mesmo. — Eu fui parar na enfermaria, Tikki! E pra convencer todo mundo de que eu não estava meio doida? Que na verdade eu tinha esquecido que a minha amiga, que é uma criatura mágica que me dá poderes, não estava mais por perto e por isso que eu estava falando com uma bolsa? — As duas riram novamente.
— É muito bom estar de volta. — A kwami falou e azulada sorriu, a abraçando novamente. Era tão bom vê-la de novo, receou que isso nunca mais fosse acontecer. — Mas ao mesmo tempo isso não é uma coisa boa. Pensei que os vilões não iriam mais voltar…
— É… pelo visto vamos ter bastante tempo juntas para matar a saudade. — Ela sorriu de novo, mas com inúmeras dúvidas em sua mente. Será que Gabriel tinha voltado? Será que descobrira uma forma de controlar akumas à distância? Será que tinha deixado o miraculous com outra pessoa? Se sim, quem seria essa pessoa? Nathalie? Será que ela era a Mayura? Mas, se não fosse ela, quem poderia ser? Onde se escondia? Por que Gabriel tinha confiado à essa pessoa o seu miraculous? Por que o vilão daquele dia tinha sido mais forte do que os antigos?
Eram muitas perguntas sem respostas e isso a preocupava.

Notas finais
Aaaaaa eles voltaram! Gente, não sei vocês, mas eu ri muito com a cena da Sabine encontrando a Marinette e o Adrien no quarto kkkkk Bom, vou postar o próximo capítulo depois de amanhã. Obrigada por ler!