Um Pequeno Favor
1 Capítulo Único
— Preciso de um favor seu, Âmbar! — Era, inconfundivelmente, a voz do professor Birch no celular, às oito da manhã de sábado.
— Bom dia pro senhor também, professor — Respondi sem nem ao menos tentar disfarçar o fato de que estava dormindo.
— Eu te acordei? Desculpe. Achei que levantasse cedo para os seus treinos. De qualquer forma, preciso que venha me ver.
— Mas professor, eu estou em Mossdeep. O senhor precisa, necessariamente, da minha presença aí e agora? Que favor é esse?
— Eu adoraria dar mais detalhes, Âmbar, mas com os times Aqua e Magma por perto nunca me sinto seguro. O que posso te adiantar é que preciso que você viaje para mim e entregue um pacote a um amigo.
— O senhor não pode pedir para a Jaspe?
— Âmbar, é feio tentar atrasar os rivais! De qualquer forma, a viagem é longa e receio que apenas o sua Wailord possa aguentar.
— Eu vou ganhar alguma recompensa?
— Escuta aqui, seu moleque! Você só está aí porque eu resolvi te dar aquele Torchic, se não fosse por mim você...
Desliguei o telefone antes que ficasse surdo com toda aquela gritaria. Olhei pela janela do hotel em que me encontrava. Havia me programado para treinar mais um dia e viajar até o meu oitavo ginásio pokémon, mas aparentemente precisaria rever meus planos. Tomei um rápido banho, saí do quarto, paguei minha estadia e me encaminhei ao centro pokémon.
Estávamos treinando havia dias. Ouvi boatos de que o líder do próximo ginásio usava pokémons de água e gelo, então certamente teria problemas em enfrentá-lo. Todo o meu time estava aos cuidados da sempre atenta Enfermeira Joy, que me recebeu com um olhar preocupado.
— Âmbar! Que bom que veio cedo, não sei o que fazer com seu Blaziken, ele se recusa a parar de treinar!
Sorri. Blaziken foi meu primeiro pokémon. Estávamos juntos há muito tempo. Ainda não tinha aceitado que não participaria a próxima luta. Sua reação era bem compreensível para o lutador nato que era. Acompanhei Joy até o lado de fora. Diferente dos centros no continente, a pequena ilha reservava um espaço onde os pokémons podiam descansar fora das pokebolas. Isso só era possível graças ao pouco movimento de treinadores.
Blaziken estava socando o ar furiosamente quando cheguei. Armaldo aproveitava a sombra de uma árvore, enquanto Swellow, em um dos galhos, apenas observava. Wailord nadava pelas redondezas, Tropius estava deitado no sol e Linoone dormia próximo a parede. Não era o time mais poderoso ou unido do mundo, mas eram meus amigos. Assim que me fiz presente Blaziken interrompeu seu treinamento solitário e veio em minha direção, seguido dos demais.
— Bom dia, pessoal — Falei, enquanto me aproximava do mar para que Wailord também pudesse me ouvir. — Tenho notícias boas e ruins.
Eles me olharam preocupados. Prossegui:
— As ruins é que não treinaremos hoje e talvez nem enfrentemos o desafio do ginásio tão cedo. As boas é que viajaremos até Littlerot para ver o professor.
Todos pareciam confusos, especialmente Blaziken.
— Ele me pediu um favor, não sei bem o que é. Desculpem. Voltem para as pokébolas, partiremos agora, você não precisa Tropius.
Uma a uma fui utilizando as pokébolas para guardar meus amigos. Tropius apenas me esperou. Subi no dinossauro que devia ser pouco maior do que eu, me despedi de Joy e logo senti as imensas folhas que serviam de asa começarem a bater. Tropius voava velozmente para um animal que devia pesar pelo menos cem quilos.
Precisava praticamente atravessar o continente para voltar até em casa, a viagem certamente levaria algumas horas. Me perguntava o que poderia ser tão importante assim para que apenas eu pudesse fazer isso. A verdade é que muito se ouvia falar dos times Aqua e Magma, mas nada se via de fato desde o incidente com Kyogre e Groudon. Talvez nem existissem mais, visto que seu plano maior fracassou.
— A verdade é que transformar o mundo num oceano imenso ou extinguir por completo a água do planeta eram duas ideias completamente retardadas e eu gostaria que uma delas tivesse dado certo apenas para ver como esses babacas reagiriam, mas divago.
Tropius ignorou meu falatório e apenas continuou sua trajetória. Essa mania de falar em voz alta costumava me deixar em situações constrangedoras, mas meus amigos me compreendiam. Ou fingiam, pelo menos.
Littlerot era uma cidade pequena. O professor Birch costumava dar pokémons a novos treinadores uma vez por ano, e isso atraía muitos jovens, é verdade. Em todas as outras épocas do ano, porém, a cidade era quase deserta e parecia estar morrendo. A verdade é que os poucos jovens que ainda não tinham abandonado a cidade em uma louca jornada pokémon sonhavam em fazer isso um dia. A maioria nunca retornava. Eu certamente me sentiria culpado se não estivesse voando em um dinossauro de dois metros que faz fotossíntese.
Assim que chegamos soltei meus pokémons das pokébolas, com exceção de Wailord, obviamente. Não que eles reclamassem de estar presos ou algo assim, apenas tinham uma boa relação com o professor e gostavam de vê-lo. Por vezes me via obrigado a deixar algum deles no laboratório, então até mesmo Armaldo aprendeu a apreciar a companhia do especialista.
Tão logo abri a porta e Linoone já correu para dentro. Desviei da entrada e por uma fração de segundo não fui pisoteado pela minha própria equipe. O professor, que estava em um computador, sorriu e logo correu para nos receber. Cumprimentou animadamente cada um dos meus pokémons antes de estender sua mão para mim.
— Âmbar, fico contente que resolveu vir.
— Eu tinha escolha?
— É claro que não. Me acompanhe.
Saímos os dois pelos fundos, onde ficavam alguns pokémons soltos. O professor parecia me guiar até uma pequena cabana, mais afastada. Meus pokémons aproveitaram para interagir com os demais, apenas Blaziken e Swellow me acompanharam.
— Mas o que é tão importante que o senhor não podia me falar por telefone, professor?
— Envolve um pokémon muito raro. Temo que se for descoberto pode atrair problemas. Sabe, Magma e Aqua.
— Mas de que tipo de pokémon estamos falando?
— Você verá.
O professor abriu a porta e entramos no que parecia ser um pequeno viveiro. O local, ligeiramente amplo, estava ocupado por apenas um casal de Blazikens sentados próximos à parede dos fundos.
— Âmbar, eu recebo treinadores do mundo todo em meu laboratório.
— Sim, sei disso.
— Pois bem, acontece que recebi um garoto aqui tempos atrás. Seu nome era Hermann, e mal falava nossa língua. Ele me deixou seu Blaziken para cuidar, mas eu não fui muito bom nisso. — O professor coçou a cabeça, visivelmente constrangido — ele acabou procriando com uma das minhas Blazikens. Até aí não haveria nada de errado. Até que o ovo chocou.
Nos aproximamos calmamente, para demonstrar que não queríamos fazer nenhum mal ao casal, que nos olhava desconfiado. Ao ver o bebê Torchic nos braços da mãe compreendi perfeitamente o que impressionou o professor. Os pais eram Blazikens perfeitamente normais, o bebê, no entanto, apresentava uma coloração completamente diferente. Ao invés das penas vermelhas trazia o corpo coberto de penas douradas, e nas asas e cabeça algumas penas alaranjadas. O filhote brilhava perto dos pais, que agiam com total indiferença.
— Uau, um Torchic bem estranho, não? Por que ele nasceu assim?
— É o que você vai descobrir.
— Cara, você é um professor renomado e manda um garoto fazer o seu trabalho?
— Eu devia confiscar seus pokémons e garantir que nunca arrume um emprego nesse continente, garoto. Você vai transportar esse Torchic até um amigo meu. Ele é não apenas um cientista renomado como especialista em pokémons do tipo fogo. Já conversamos por telefone, mas ele gostaria de ver o Torchic.
— E precisa da minha Wailord porque a viagem é longa e perigosa, não é mesmo?
— E porque não posso simplesmente abandonar o meu laboratório e viajar para Kanto. Eu tenho compromissos aqui.
— Kanto!? Quer que eu viaje até Kanto!?
— Não faça esse escândalo, apenas até Cinnabar. É uma ilha próxima de Johto. Veja como um aprendizado. A região tem pokémons completamente diferentes e meu amigo é líder de ginásio, pode até aproveitar para desafiá-lo, caso queira participar da liga de Kanto uma hora dessas.
Não precisei nem ao menos me virar. A súbita elevação na temperatura me fez perceber que meu Blaziken gostou da ideia. Um especialista em tipos de fogo, talvez fazê-lo lutar em casa o animasse e serviria como desculpa para não colocá-lo contra pokémons de água em Sootopolis.
— Eu já comentei que acho essa ideia absurda e que o senhor pode estar me mandando para a morte certa?
— Sim, já. Vou providenciar uma pokébola para o Torchic e você pode partir imediatamente. Falei para o Professor Blaine que você chegaria entre amanhã ou depois.
Apenas suspirei. Eu parecia ter certo magnetismo para essas situações. Olhei para Blaziken e Swellow, que pareciam empolgados com a aventura.
— Bom, parece que não temos escolha... — Sorri para os dois, que pareceram retribuir, não sei, não sou muito bom em decifrar sorrisos em bicos.
Saí da cabana e reuni meu time. O professor e dois assistentes entraram com três pokebolas. Mesmo assim, voltaram com as roupas ligeiramente chamuscadas. Parece que os pais não queriam liberar a criança. O professor me entregou uma pokébola ligeiramente diferente das comuns. Apresentava uma cor cinza, com uma espécie de estrutura metálica ao redor. Ao ver meu olhar intrigado, explicou:
— É um protótipo desenvolvido por Bill, o mesmo criador do sistema de armazenamento de pokémons. É uma bola de transporte. Só pode ser aberta e fechada pelo equipamento certo, mas permite que você carregue quantos pokémons quiser. Blaine possui uma máquina para libertar o Torchic, não se preocupe.
Me despedi do professor um tanto quanto contrariado. Ter meu rumo interrompido tão perto de conseguir minha oitava insígnia era, no mínimo, frustrante. Peguei a minha pokedex e chequei o mapa. Precisaria rumar para o nordeste, cruzando Johto inteira para, depois alcançar Cinnabar. Wailord precisaria nadar realmente rápido.
Sem perder tempo, subi em Tropius e voamos até a praia mais próxima. É bem verdade que eu poderia tentar voar até lá, mas temia que Tropius não aguentasse uma viagem tão longa. Provavelmente precisaríamos parar algumas vezes para que descansasse, e o caminho era quase que unicamente oceano. Não poderia haver paradas. Wailord seria mais rápida e tranquila. Liberei o imenso pokémon na água e Tropius me levou até as suas costas.
— Wailord, tenho uma ótima notícia, minha amiga. Você poderá ficar fora da pokébola por bastante tempo.
Ela soltou um barulho que parecia demonstrar satisfação.
— Preciso que me leve até Cinnabar, em Kanto.
A satisfação rapidamente se tornou um lamento.
— Eu sei, eu sei. Acontece que o professor tem medo que peguem no Torchic dele. — Ri sozinho do trocadilho infame — e por isso precisamos transportar ele em segurança. Mas anime-se! Talvez possamos enfrentar uns pokémons de fogo quando chegarmos.
Wailord parecia ser a mais pura expressão de conformismo. Ela não queria fazer uma viagem longa daquelas, mas não tinha muita escolha. Saímos rapidamente em direção nordeste. Eu nas costas da grande baleia azul que raramente passeava, mas quando o fazia atravessava o mundo.
Me acomodei como pude sobre aquele corpo escorregadio. Logo ela começou a nadar rapidamente na direção indicada. O oceano geralmente estava cheio de tentacools, mas Wailord simplesmente ignorava. Seu imenso e pesado corpo simplesmente os repelia. O trajeto até começarmos a ver a costa de Johto era demorado. Apenas oceano ao redor. O céu azul, a água limpa, a brisa fresca. Nenhum sinal de embarcações, pessoas ou barulho de qualquer espécie. Apenas Wingulls nos acompanhavam ao longe. Tentacools abriam caminho para passarmos. A tranquilidade era ótima.
— E você não queria vir, né?
Wailord soltou um barulho, satisfeita. Não imagino como seja o interior de uma pokébola, mas aquele era o seu habitat natural, certamente que preferia estar ali. Após algumas horas viajando em mar aberto pudemos avistar enormes rochedos ao longe. Se estivéssemos no caminho certo e eu soubesse usar um mapa, aquela devia ser a ilha de Cianwood. Nunca estive em Johto antes e não sabia bem o que esperar. Certa vez enfrentei um treinador que dizia ter vindo de lá. Segundo ele a região era similar a Hoenn, mas com menos ilhas. Eu, particularmente, nunca achei que Hoenn tivesse muitas ilhas, mas enfim.
Passamos pelos rochedos e pude ver, ao longe, a cidade de Cianwood. Não era muito grande e as casas se concentravam todas na beira da praia, próxima a um rochedo. Fico imaginando quem foi o gênio que pensou "Porque não construo uma cidade entre o rochedo gigante e o mar?". Se a cidade quisesse crescer mais precisaria explodir as montanhas ou secar o mar. Finalmente alguém que poderia querer apoiar o time Magma.
Mais a frente havia a costa do continente, com muitas árvores. Segundo meu mapa havia mais uma cidade por ali. Azalea, o nome. Não pretendia parar por ali, mas queria ter visto a cidade. Curiosidade mórbida, talvez? Quem sabe não resolvesse passar por Johto após enfrentar a Elite de Hoenn...
Ainda filosofava sobre o que faria após a liga de Hoenn quando percebi uma pequena e veloz embarcação saindo do continente. Um barco pequeno com três pessoas a bordo, vestidas de preto. Até aí nada demais, podiam ser mergulhadores ou algo assim. Ao passarmos, porém, colocaram seu barco lado a lado com Wailord e pude reparar que vestiam um uniforme. Botas e luvas brancas, roupas pretas e um grande "R" vermelho no peito. Um dos homens gritou:
— Entregue o pokémon raro e prometemos não te fazer mal algum, moleque!
Subitamente percebi o que se passava. Certamente era uma organização criminosa que, de algum modo, ficou sabendo do Torchic. Resolvi me fazer de desentendido.
— Que pokémon raro? É apenas um Wailord, moço!
— Não banque o engraçadinho! Sabemos que o professor Birch está mandando algo para Blaine!
— E quem são vocês?
— Somos da Equipe Rocket e o chefe tem interesse nesse pokémon. Entregue-o agora ou seremos obrigados a usar a força.
Rapidamente o homem abriu uma pokébola. De dentro dela saiu um Rattata. Não pude conter minha primeira reação e gargalhei alto na cara do sujeito.
— Cara, eu to aqui, navegando em uma baleia de quase quinze metros e você pretende me parar com... isso!?
— Seu moleque! Você vai ver só!
Enquanto eu continuava rindo as presas do Rattata começaram a brilhar de forma muito intensa, e, muito rápido, ele pulou em direção a Wailord, provocando um ferimento realmente sério. Pego de surpresa, meu primeiro impulso foi em mandar Wailord atacar, mas seria uma péssima ideia. Eu poderia acabar caindo em alto mar, ou até me machucar. Também não podia mandar Blaziken, que seria a melhor escolha, pois o cenário não era o melhor para um pokémon de fogo. Mandei Swellow sair da pokébola.
Não sei como funcionam essas coisas, mas acredito que eles possam ver o que se passa. Swellow já se posicionou em meu ombro e focou seus olhos naquele Rattata do barco que nos acompanhava. Eu certamente devia parecer a pessoa mais maneira do mundo estando sobre uma baleia imensa com um pássaro de mais de meio metro no meu ombro, mas se aquele desgraçado não tirasse seus vinte quilos de cima de mim logo eu o levaria para enfrentar sozinho todo o ginásio de Mauville.
Para minha alegria, Swellow levantou voo, ao que ordenei:
— Rápido, aproveite o pouco espaço do barco e use suas asas para um ataque potente!
Sem perder tempo, Swellow subiu aos céus e com um poderoso mergulho acertou o focinho do pequeno Rattata com sua asa. O mesmo foi levado a nocaute imediatamente. Sem perder a pose, o Rocket revelou seu segundo pokémon e, ao que pude notar, seu último. Um Zubat.
— Você só pode estar de brincadeira, né?
— Calado!
O Zubat tentou usar seu ataque supersônico, mas acredito que o ambiente aberto dificultou as coisas, pois não surtiu efeito. Swellow rapidamente atacou com sua asa e, antes que o Zubat pudesse se recuperar, deu um ataque rápido. O esquadrão da equipe Rocket parecia bufar de raiva.
— Isso não vai ficar assim, garoto!
O barco desviou sua rota e seguiu veloz. Pensei comigo mesmo que seria extremamente fácil derrubar aquele barco e prender os três, mas senti pena. Deviam estar começando e não tinham culpa. Percebi também que, com a distração da batalha, praticamente havíamos atravessado Johto e eu já podia ver, ao longe, uma ilha vulcânica. Certamente Cinnabar. Pelos meus cálculos chegaríamos ao anoitecer.
Infelizmente sou ruim em matemática e, quando chegamos, a madrugada já ia alta. Procurei o centro pokémon e descobri, estupefato, que a família Joy era intercontinental.
— Boa noite, em que posso ajudar?
— Olá, estou chegando de viagem, tive problemas no caminho e acho que meus pokémons precisam descansar. Especialmente a Wailord.
— Oh, você é de outra região? Cuidarei deles sim, sem problemas. Tem lugar para ficar? Nós temos um convênio muito bom com um hotel da cidade. Viajantes passam a primeira noite gratuitamente.
Se por um lado eu era o tipo de cara que simplesmente era mandado atravessar o mundo e ainda era atacado no meio do caminho, por outro eu também podia ter sorte de vez em quando. Agradeci e fui até o hotel, próximo ao centro pokémon. Passei uma noite tranquila e, logo cedo, peguei meus pokémons no centro. Perguntei a sempre solícita enfermeira sobre o professor Blaine. Ela sorriu e me indicou onde ficava o seu laboratório, seu ginásio, sua casa e sua barbearia. Devido ao horário ele poderia estar em qualquer um dos quatro. Confesso que senti um pouco de medo da quantidade de informações que aquela moça possuía. Seu sorriso gentil subitamente me pareceu um tanto quanto psicótico.
Saí de lá antes que ela pudesse descobrir algo sobre minha vida. Apesar de ser cedo, preferi ir diretamente ao laboratório do professor. Era mais fácil esperar por lá, onde ele poderia ver o Torchic. Caminhei por algumas ruas e não tive dificuldades em ver o grande prédio onde funcionava o centro de pesquisas da ilha. Aparentemente trabalhavam com a revitalização de fósseis através de uma forte linha de pesquisa no DNA pokémon. Pedi por Blaine e fui informado de que ele já me esperava em seu laboratório. Segui por um corredor e entrei na sua sala. Era um local amplo, muito claro, com máquinas estranhas. O professor era um homem em idade avançada, com uma careca reluzente que ele parecia querer compensar com o bigode vasto e branco.
— Você deve ser Âmbar.
— Exatamente, o professor Birch me mandou para entregar o Torchic.
— Claro, claro.
Retirei a bola de transporte da mochila e rapidamente entreguei para o cientista. Subitamente me veio uma dúvida.
— Professor, por acaso você não poderia ter recebido o Torchic via transferência por computador?
— Sim, poderia, mas o professor Birch me afirmou que os times Magma e Aqua tomaram controle de todo o continente, por isso ele se mantém escondido em seu laboratório subterrâneo, treinando soldados para a revolução. Não é essa a situação?
— Acho que o professor está... exagerando um pouco...
Concluí que o Professor Birch perdeu completamente o juízo. Blaine colocou a bola de transporte em uma máquina, que a abriu revelando um apavorado Torchic brilhante. Não havia parado para pensar nisso, mas era a primeira vez que se separava dos pais. Os olhos do professor demonstravam um fascínio fora do comum.
Com cuidado, pegou o Torchic nos braços e o segurou, como um bebê. Em pouco tempo o pokémon parou de tremer.
— Após alguns anos cuidando de pokémons do tipo fogo você aprende que deve tratar eles muito bem. Meus cabelos que o digam.
Sorri. O professor tranquilizou o Torchic e o soltou novamente.
— O que vai fazer com ele? — perguntei.
— Pegarei algumas amostras do DNA. Pelo que Birch me falou e pude perceber, ele é exatamente como qualquer outro Torchic. Sua única diferença está na coloração das penas. Nosso laboratório é muito sofisticado nesse tipo de pesquisa. Inclusive fomos os pioneiros na revitalização de fósseis.
O professor ia explicando enquanto separava seringas e outros apetrechos de laboratório.
— Mesmo? Um dos meus pokémons é um fóssil revitalizado.
Fiz com que Armaldo saísse da pokébola. O inseto de um metro e meio se apresentou, animado. Blaine sorriu ao vê-lo.
— Não sei bem porque, mas todos os pokémons antigos pareciam ser parte rocha. A única exceção conhecida é Mew.
— Mew?
— Um pokémon ancestral. É possível que tenha dado origem a todos os demais. Tentamos recriá-lo nesse laboratório uma vez, mas... as coisas não saíram muito bem.
Talvez se eu tivesse permanecido na escola ao invés de partir em uma jornada pokémon eu soubesse dessas coisas. O professor recolheu algum material genético do Torchic e disse que começaria as pesquisas. Avisou que precisaria do Torchic no laboratório durante a tarde, mas que eu poderia ficar no hotel mais uma noite por conta do laboratório e levá-lo na manhã seguinte.
— Muito obrigado por tudo, mas antes de ir embora tem mais uma coisa que eu gostaria de pedir, professor Blaine...
— O que é?
— O senhor é o líder do ginásio?
O professor me olhou com o canto do olho e apenas sorriu.
— Sim, sou. E estarei no meu ginásio ao fim da tarde, se é um desafio que procura.
Concordei com a cabeça e saí da sala, acompanhado de Armaldo. Aproveitamos para visitar os outros laboratórios, onde os cientistas se mostraram satisfeitos com meu pokémon e, inclusive, o fotografaram. Havia um mural no laboratório com diversos treinadores ao lado de seus pokémons revividos. Meu retrato ficou entre o de um garoto de boné e roupas vermelhas com um Kabutops e um cientista de meia idade e cabelos compridos com um Omastar.
Saí do laboratório e fiquei passeando pela cidade. Apesar de estar em uma ilha vulcânica possuía um clima agradável. Uma brisa fria vinha do leste para o oeste. E ao redor da cidade, na grama alta, era possível ver pokémons do tipo fogo e alguns que se criaram a partir do lixo dos laboratórios. Não eram exatamente bonitos.
Ao cair da noite, me dirigi ao ginásio, que ficava ao pé do vulcão. Entrei, imaginando que Blaine já estaria lá. Qual não foi minha surpresa ao me deparar com uma grande biblioteca e mini laboratório dentro do prédio. Blaine lia um livro de charadas, ainda vestindo o jaleco e com aspecto tranquilo.
— Bem vindo ao ginásio de Cinnabar. Como sabe, eu sou Blaine, líder do ginásio. Gosto de pokémons de fogo pelo modo como trabalham e transformam o ambiente ao seu redor, criando e recriando uma realidade. Essa ilha inteira é resultado da atividade do magma do vulcão. Nada me fascina tanto quanto o fogo.
— Eu sou Âmbar, do continente de Hoenn, e gostaria de desafiá-lo para uma luta!
— Ótimo, vamos para a arena.
— A arena não é aqui?
Blaine riu.
— Não se deve lutar perto de livros, Âmbar, pode danificá-los. Me acompanhe.
O líder saiu pela mesma porta que eu entrei. O acompanhei e percebi que nos encaminhávamos ao vulcão. Havia uma entrada na rocha, revelando o que parecia ser uma caverna. Seguimos por um corredor iluminado com tochas e chegamos a uma arena de rocha. Era um tanto quanto estreita e as laterais abertas demonstravam um poço de lava. O calor era imenso.
Blaine me guiou até o meio da arena e começou a falar.
— Antes de mais nada, vamos as regras. Tire seus pokémons da pokébola.
— Professor, tem certeza? Meu pokémons são pesados...
— Não se preocupe com isso, apenas faça como eu.
O professor abriu o jaleco e retirou quatro pokébolas. Peguei meu pokédex e comecei a verificar seus nomes: Nintales, Rapidash, Arcanine e Magmar. Todos apenas do tipo fogo. Imitei o professor. Soltei um por um: Blaziken, Swellow, Armaldo, Linoone, Tropius e Wailord.
Mesmo com todo o peso a arena não se moveu. Respirei aliviado. O professor, então, começou a explicar.
— Serão lutas de um contra um, até que os quatro pokémons tenham ido a nocaute ou um de nós desista. São permitidas substituições. Você, porém, só poderá usar quatro, dos seus seis pokémons. Só poderão voltar para a pokébola os pokémons nocauteados. Escolha seu time.
— O líder do ginásio está simplesmente impondo regras e me impedindo de usar todos os meus pokémons, pode isso, Armaldo?
O inseto me olhou com ares de quem diz “A regra é clara”. Sem outra opção, comecei a refletir.
— Tropius é do tipo planta, não seria uma boa ideia mandá-lo. Eu poderia me valer dos ataques do tipo metálico e rocha do Armaldo, mas ele sofre demais com ataques de fogo. Acho que não vou poder usá-lo também.
Triste por não poder usar todas as minhas opções, virei para Blaine.
— Muito bem, meu time será Blaziken, Swellow, Linoone e Wailord.
— Ótimo.
O time adversário acompanhou seu treinador até um lado da arena, enquanto eu voltava com os demais para o outro lado. Wailord se arrastava sofridamente ali. Era meu pokémon mais poderoso quando levava em conta a vantagem de tipo, mas sua locomoção estava muito prejudicada.
Blaine mandou seu Ninetales por primeiro. Resolvi começar com Swellow. Os dois pokémons começaram a se analisar no meio da arena. Ninetales começou a balançar suas nove caudas, lentamente, de um lado para o outro.
— Swellow, talho aéreo!
Seguindo meu comando, Swellow voou em alta velocidade, passando extremamente perto do Ninetales de Blaine. O próprio ar se encarregou de ferir a raposa, que ainda balançava suas caudas. Distraído por esse estranho movimento, Swellow abaixou a guarda e recebeu um ataque rápido certeiro, que o fez cair no chão. Levantou-se rapidamente e ordenei que executasse um ataque de asa. O pássaro voou rápido e acertou em cheio. Ao se afastar, porém, foi afetado por um uivo estranho, que parecia ter atordoado seus ouvidos. Mandei que executasse outro talho aéreo, mas ele pareceu não compreender bem. Voou rapidamente em direção ao adversário, mas errou o alvo e caiu no chão, se ferindo. Ninetales aproveitou a falha para usar seu lança chamas. Swellow estava muito ferido. Com dificuldade levantou voo novamente. Reunindo suas forças, voou ainda mais rápido e concentrado do que antes, executando um talho aéreo tão certeiro que nocauteou Ninetales.
Blaine recolheu seu pokémon e enviou Rapidash. A distancia que nos separava me impedia de ouvir seus comandos, eu apenas torcia para que ele também não pudesse me ouvir. Chamei Swellow de volta, para que pudesse se recuperar um pouco. Enviei Linoone no lugar. Os dois pokémons eram extremamente velozes e rapidamente se encontraram no centro da arena. Nenhum dos dois parecia ser bom em fazer curvas, o que tornaria a batalha interessante. Orientei Linoone para usar um ataque de areia. Um giro rápido no chão de pedra foi o suficiente para irritar os olhos do imponente unicórnio de fogo, mas não o suficiente para impedi-lo. Aproveitando a vantagem de tamanho e a proximidade, Rapidash simplesmente pisou fortemente em cima de Linoone. O golpe foi forte e certeiro. Linoone então utilizou suas garras para atacar, e Rapidash, por não estar enxergando muito bem, errou ao tentar esmagá-lo novamente. Mais uma vez Linoone usou suas garras para atacar, mas dessa vez Rapidash se jogou contra ele. Ambos se machucaram com a manobra. Ordenei que Linoone recuasse, mas ele apenas me olhou. Ordenei que recuasse novamente, mas ele começou a bater na própria barriga. Me desesperei, mas ele estava convencido do que fazer. Começou a bater cada vez mais rápido e ritmado, como um tambor. Suas garras o machucavam e as batidas eram fortes. Ele sofria com aquela música absurda. Rapidash tentou correr em sua direção para outro ataque direto, mas errou novamente. Linoone terminou sua música, olhou para mim, e partiu em direção a Rapidash, a toda velocidade. Uma cabeçada certeira na barriga do adversário. Esta cambaleou, ofegante, mas pisoteou Linoone mais uma vez, que não resistiu e desmaiou.
Recolhi Linoone para a pokébola e enviei Blaziken. Seus punhos e pés rapidamente incendiaram. Estava ansioso para lutar. Correu em direção ao Rapidash, que já mal conseguia se manter em pé devido aos ferimentos e, com um chute flamejante, derrubou o adversário.
Blaine enviou seu Arcanine. Aparentemente Magmar era seu pokémon mais forte. Eu mantive Blaziken. Primeiro porque ele queria lutar, segundo porque Wailord era minha carta na manga. Era um pokémon forte, bem treinado e que venceria sem problemas. Enviá-lo para lutar antes dos demais seria desonesto. Arcanine chegou ao centro da arena e ficou analisando. Blaziken começou a se concentrar e forçar seus músculos. Parecia até mesmo ter aumentado de tamanho e potencializado seu ataque e defesa. Arcanine, por outro lado, ergueu o que parecia ser uma parede invisível entre os dois.
Blaziken partiu para um soco flamejante, que Arcanine recebeu sem se importar ou sentir muita dor. A parede amorteceu quase todo o impacto. Como contragolpe se valeu de uma poderosa rajada de fogo, elemento natural de Blaziken. A cena se repetiu por mais três vezes. Blaziken tentava usar socos e chutes, mas a parede invisível erguida por Arcanine o protegia. Ele, por outro lado, tentava usar rajadas de fogo, que machucavam, mas não eram capazes de derrubar seu oponente. Em uma mudança de estratégia, Arcanine correu para longe e voltou a correr em direção a Blaziken com toda sua velocidade. Subitamente, jogou seu imenso e pesado corpo sobre a leve ave. Blaziken até tentou segurar o corpo, mas ambos rolaram para longe. Arcanine terminou de pé, quase sobre Blaziken, que estava ajoelhado e ofegante. Percebendo, porém, que a pouca distancia entre os dois parecia ter quebrado a barreira de antes, saltou com toda a força que suas pernas ainda mantinham e, com um soco certeiro no maxilar desprotegido do pokémon lendário, o nocauteou.
Blaziken aterrissou ofegante. Enquanto Magmar se dirigia até o centro da arena, ordenei que voltasse, o que fez sem reclamar. Wailord se arrastou até o centro da arena. Eu precisava terminar logo com aquilo.
— Wailord, não perca tempo! Use logo sua bomba hidráulica!
Blaine estava sozinho do outro lado da arena, mas parecia sorrir. Armaldo e Tropius pareciam apreensivos. Eu sabia que Wailord tinha vantagem, mas Blaine era um líder de ginásio e eu não sabia o que esperar do estranho pokémon de fogo. Blaziken ainda ofegava, cansado. Swellow mal conseguia voar, descansava no chão.
No centro da arena, Magmar foi mais rápido que Wailord e imitou o estranho golpe de Ninetales. Emitiu um som confuso, um tanto quanto agudo. Wailord pareceu perder um pouco a noção de onde estava ou do que fazia. Tentava se arrastar e eu percebia que estava se machucando. Quando percebi, Magmar emitia um estranho brilho nas mãos. Pulou em direção a Wailord e desferiu um soco carregado de energia elétrica. Aquilo me chocou completamente. Um pokémon de fogo com golpes elétricos! Percebi que Blaine sorria. Gritei por Wailord, mas no seu desespero ela só conseguia se machucar. Era um pokémon grande e forte, mas não sabia quantos daqueles golpes ela ainda poderia aguentar. Um brilho forte acompanhou o segundo soco. Wailord gritou. Pareceu recuperar a consciência e soltou uma poderosa bomba de água certeira no pequeno adversário. Mesmo visivelmente fraco, porém, desferiu um terceiro soco eletrificado contra minha pokémon, que desmaiou.
Magmar parecia ter enfraquecido bastante com o ataque de Wailord, mas ainda estava de pé. Eu ainda tinha Swellow e Blaziken, ambos feridos. Armaldo e Tropius pareciam implorar para entrar na luta, mas a regra era de quatro contra quatro. Eu suava pelo calor da caverna e pela tensão da batalha. Jamais esperaria esse resultado. Considerando que Blaziken havia lutado há menos tempo, enviei Swellow. Já ordenando o uso de um ataque rápido. Pássaros também possuem um fraco com eletricidade, mas era minha única escolha. Com o pouco de forças que tinha, Swellow deu uma violenta cabeçada na barriga do oponente. Ao fazer isso, porém, começou a queimar suas asas. Aparentemente o corpo de Magmar queimava incessantemente. Não bastando isso, Swellow, que já estava cansado, recebeu um soco carregado de eletricidade, que mesmo em situações normais o deixariam muito ferido. O recolhi para a pokébola e olhei para Blaziken. Éramos só nós dois novamente.
Reunindo todo o seu fôlego, ele correu até o centro da arena. Magmar novamente começou a emitir aquele estranho som, mas Blaziken pulou alto, surpreendendo a todos. Caiu na frente de Magmar, dobrando completamente os joelhos até quase tocar o chão. Quando seu oponente olhou para baixo só teve tempo de ver o punho subindo em um soco tão violento que tirou ambos do chão. Blaziken caiu e se ajoelhou. Eu estava certo de que aquele fora seu último golpe.
A tensão era imensa. Magmar começou a mover os braços, tentou se levantar uma vez mais. Tentou duas vezes. Mas acabou cedendo.
Corri para o centro da arena e verifiquei que Blaziken estava bem. Completamente exausto, mas bem. O recolhi de volta para a pokébola e pude ver que Blaine se aproximava sorrindo.
— Meus parabéns, Âmbar, estou impressionado. Faz anos que ninguém consegue derrotar meu Magmar. Todos os treinadores chegam esperando encontrar apenas pokémons flamejantes e sempre são pegos de surpresa. Você reagiu bem e escolheu seu time com inteligência. Merece a insígnia do Vulcão, da região de Kanto.
Peguei a insígnia ainda tremendo de emoção. Foi uma batalha intensa. Estava exausto. Saímos da caverna e antes que pudéssemos pensar em qualquer coisa, percebemos fumaça vindo da direção do laboratório. Blaine começou a correr e logo fui atrás, ultrapassando ele e o deixando para trás. A idade não perdoa ninguém.
Havia, de fato, fogo nos laboratórios e os bombeiros já estavam lá combatendo as chamas. Ninguém sabia ao certo como começou. Aparentemente havia sido um incêndio criminoso, mas ninguém sabia bem o motivo. Quando me alcançou, ofegante, Blaine apenas reuniu fôlego e disse:
— O Torchic!
— Você acha que ele seria capaz de começar um incêndio desses!?
Me dando um tapa na cara e apontando para uma janela na lateral do prédio, disse novamente:
— Estão roubando o Torchic!
Foi então que percebi os mesmos homens da equipe Rocket fugindo por uma janela lateral que dava acesso ao telhado do prédio adjacente. Sem perder tempo, liberei Tropius e montei em suas costas. Começamos a voar e perseguir os ladrões, que pulavam de telhado em telhado em direção à praia. Se chegassem lá estávamos perdidos, pois Wailord não estava em condições de persegui-los. Era tudo comigo, com Tropius e com Armaldo.
Para nossa sorte, os fugitivos nos viram e resolveram parar de correr. Pousamos no telhado de um prédio. Um dos homens do trio carregava o Torchic em uma espécie de gaiola, onde ele se debatia desesperadamente. Outro deles, que parecia ser o líder, tomou a dianteira:
— Você de novo!?
— Devolvam esse pokémon!
— Sinto muito, mas o chefe precisa dele. Por isso vamos acabar com você!
O Rocket então soltou uma pokébola e liberou seu primeiro pokémon, dos três que trazia no cinto. Um Zubat.
— Cara, você ta falando sério? Você quer acabar comigo e usa um Zubat? Vocês estão pelo menos tentando?
— Fique quieto e se defenda se puder!
Imediatamente liberei Armaldo. O Zubat voou em direção a Armaldo e tentou cravar suas presas, mas a resistente couraça de fóssil não permitiu que isso fizesse muito efeito. Rapidamente Armaldo moveu suas garras fazendo com que pequenas rochas se desprendessem de seu corpo e arremessou todas contra o oponente, que desmaiou imediatamente.
— Maldição! Vai, Machop!
O Rocket soltou seu segundo pokémon, um Machop. Suspirei, incrédulo. Substitui Armaldo e mandei Tropius usar um ataque aéreo. O Machop tentou dar uma rasteira, mas Tropius já estava alto. Quando olhou para cima viu que o pesado dinossauro caía em sua direção. Sem ter como se defender, levou o ataque diretamente e desmaiou na hora. O Rocket, com ódio no olhar, jogou sua terceira e última pokébola.
— Agora você vai ser qual o verdadeiro poder de um Rocket!
Dentro da pokébola estava um Raticate. Esse era todo o poder do time Rocket. Quase chorei feito uma menininha, mesmo. Minha vontade era a de subir em um banquinho e gritar desesperadamente porque eles tinham uma ratazana de meio metro para me matar e roubar minha alma. Exceto que não. Voltei a usar Armaldo. Que antes de qualquer reação da arma secreta dos Rockets já o tinha levado a nocaute com um golpe certeiro de sua garra para esmagar a cabeça do pokémon.
— Raios, fique sabendo que você ainda vai ouvir da gente!
Os Rockets abandonaram o Torchic e saíram correndo. Abri a gaiola e abracei o pequeno pássaro, que estava desesperado. Subimos nas costas de Tropius e voltamos ao laboratório. O fogo já tinha sido controlado e Blaine me esperava na porta.
— Foi uma tal de Equipe Rocket. Queriam o Torchic, me desculpe.
— Sem problemas, já expliquei tudo para a oficial Jenny, ela deve estar pegando eles no cais nesse momento. Como está o Torchic?
— Em pânico.
Entreguei o Torchic aos cuidados de Blaine e me dirigi ao centro pokémon. Deixei meus amigos aos cuidados de Joy. Aquele havia sido um dia e tanto. Ganhamos uma insígnia em uma região totalmente nova, enfrentamos inimigos diferentes, conhecemos pessoas novas. E eu achando que perderíamos um dia de treino. Fui dormir no hotel e acordei tarde no dia seguinte. Estava exausto.
Busquei meus pokémons e fomos ver Blaine no começo da tarde. Ele me recebeu bem e me entregou o Torchic já pronto para a viagem, mas parecia um pouco decepcionado.
— Chegou a alguma conclusão?
— Bem, sim. Em partes. O DNA desse Torchic não apresenta nenhuma deformidade ou raridade. Apenas um gene recessivo se manifestando. É um aspecto raro, sem dúvida, mas natural. Provavelmente existam pokémons selvagens com colorações diferentes por aí, embora seja raro. Não vou afirmar com certeza, mas desconfio que o fato dos pais serem de regiões diferentes pode ter facilitado a mutação. De qualquer forma, viajarei para Johto nos próximos dias. Ouvi falar de uma lenda a respeito de um Gyarados vermelho que habitava o lago dos Dragões. Talvez possa aprender mais sobre isso. Já avisei Birch sobre minhas conclusões, ele já está esperando você de volta, Âmbar. Faça uma boa viagem.
Agradeci e me despedi de Blaine. Reparei que apesar do incêndio as máquinas não foram danificadas no seu laboratório, mas não fiquei para ver as demais áreas. Tão logo alcancei a praia e soltei Wailord. Montei nele e partimos. Afinal, satisfeitos ou não, ainda tínhamos mais uma insígnia para ganhar em Hoenn.
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