Um Pedaço do Céu

2 O lugar para onde sempre volto


Já era de noite, e eu estava andando à toa pelas ruas como sempre. “Sem rumo, sem nada em mente, eu apenas vagava”. Seria mentira dizer isso, mas na verdade era assim que eu queria que fosse. No entanto, eu tinha um caminho certo, um lugar para onde meus passos sempre insistiam em me levar. Em minha mente? Bem, vou mostrar-lhes o que eu constantemente procurava. Neste mundo que parou, esses serão apenas alguns resquícios de memória. Apenas algumas gotas de tudo o que eu guardo dentro de mim. De todas elas, essa talvez seja a lembrança mais nítida. Eu lembro de todas as palavras ditas naquela noite.

Bati na porta apenas uma vez, e ela abriu. Se estava esperando por mim, eu não tinha certeza, mas ela sabia que uma hora eu estaria lá. Ela sempre sabia que eu iria. Não, na verdade, o certo deve ser que ela sabia que eu sempre iria. Um leve sorriso repuxava o canto de sua boca quando me via, e dessa vez não foi diferente. Isso sempre me deixou alegre. Como se eu pudesse fazê-la feliz.

– Bem, o que acha de procurar pela nossa estrela hoje? – Falei, num tom bem despreocupado.

– E já não a procuramos noite após noite? – Ela falou, brincando.

– Eu só não quero é perdê-la de vista...

– Não é por que você não vai procurar por ela que ela vai deixar de estar lá. Na noite seguinte você pode voltar e vê-la, ela estará lá para você.

– Sei que estará. Mas uma noite sem aquela estrela, para mim, é como uma noite vazia.– Falei, aproximando-me e sussurrando em seu ouvido.

Ela começou a rir, e então puxou-me para um abraço.

– Assim como você irá procurar por ela, noite após noite, ela estará esperando por você, ela esperará o dia todo, e só se acalmará quando tiver você por perto. Ela sente sua falta, mais do que qualquer outra coisa. Ela quer você.­­