Um Pedaço do Céu

5 Eu esperarei para ter o mesmo sonho, amanhã


Um ruído pulsante em meu ouvido. Não era incômodo. Não, muito pelo contrário, sem dúvida, era o som que regia o meu mundo. O som pelo qual eu vivia, e pelo qual morreria se fosse preciso. Tão caloroso, pulsando sempre no mesmo compasso. Eu podia senti-lo acelerar, e depois regressar ao nível de antes. De algum modo, ele me envolvia, me acalmava... e me dava esperança de que poderia parar o tempo. Mas não se pode. Ou pelo menos, eu ainda não sabia que podia.

– Por que gosta tanto de ouvir meu coração? Tem algo anormal nele que o torna engraçado?

– Não, nada disso.

– Então por que é?

– Por que é o seu coração. – Respondi, apertando mais a minha cabeça contra o seu peito.

– ... Posso pedir uma coisa?

– O quê?

– Gostaria de ter um pedaço de você comigo...

– Por acaso virou canibal agora?

– Droga, você entendeu. – Seu coração estava acelerado neste momento. Sim, eu tinha entendido.

– Você já tem o maior pedaço de mim que alguém poderia conseguir. Você tem isso que inevitavelmente bate em meu peito, e eu não o quero, se não tiver você comigo. Ele é seu.

– Você não vai pedir ele de volta amanhã, ou vai?

– Não. Nunca mais o pedirei de volta. Fique... fique com ele para todo o sempre. Pare o meu tempo.

E ela o parou. Parou por alguns segundos naquele momento. E mais tarde, o parou para sempre.