Um Pedaço de Nós - Dramione

7 Capítulo 7 - Confissões


Notas iniciais
Tenham ataques cardíacos meninas hahaha

Capítulo 7Confissões

Draco já havia passado por diversas situações em sua vida, a pior foi ficar lado a lado de Voldemort, ainda sim sobreviveu, contudo, o sentimento de amar alguém era pior que a morte. Era agonizante, como se faltasse ar ou então sede, era o pior sentimento do mundo, de péssimo gosto. Quando viu Hermione quis correr, e abraça-la, beija-la e dizer o quanto sentiu sua falta e que agora poderiam viver para sempre juntos, mas então sua mente, sua consciência atropelou qualquer atitude idiota que tomaria e a razão tomou conta precisando urgentemente desprezar aquele quem mais o machucou. E foi assim que seu plano em dizer o que queria dizer a bruxa, foi por água baixo.

— Que merda! — Gritou entrando em sua sala e fechando a porta a batendo com força.

Não havia nada a ser reparado, a situação era muito bem clara, ela o deixou porque não o amava e não sabia como dizer isso, o jeito foi desaparecer covardemente. Descomposto, andou até a sua mesa, no entanto sentiu pisar em algo fofo e ao olhar para o chão, notou um coelho de pelúcia rosa decorado com um grande laço branco no pescoço. Se abaixou pegando o brinquedo em sua mão e não demorou a saber que aquele pelúcia era de Helena. A mesma devia ter esquecido e poderia estar desesperada o procurado. As pressas, pegou seu sobretudo e o vestiu, porém sentiu-se um completo idiota, pois afinal, aonde iria? Devolver o brinquedo? Por que se importava? Ou era um desfecho para ver a morena?

— Ah, foda-se — Disse a si mesmo, exausto para os próprios questionamentos.

Draco sempre controlou seus impulsos, mas hoje em particular sentia-se sem controle. Aparatou em frente à casa da morena na esperança que talvez ela ainda morasse por lá e ao se aproximar, ficou aliviado em ver a mesma passando pela janela enquanto corria atrás de algo rindo, provavelmente Helena já que era pequena demais para alcançar a janela. Olhou para o bichinho em seus dedos, e a desculpa era fraca demais, talvez devesse dizer a verdade, dizer porque realmente veio, perguntar porque ela o deixou, perguntar porque ela nunca o escreveu, ou o procurou sequer uma vez. Ele sabia que a verdade doía, mas se fosse preciso, se machucaria, nem que fosse mais um pouco.

Hermione terminava de preparar o almoço enquanto Helena brincava na sala e assistia desenho ao mesmo tempo. A melhor decisão que tomou foi manter sua língua inglesa com a filha enquanto ensina português a mesma como língua secundaria, e assim que a mesma atingisse uma idade mais avançada, a ensinaria francês. Mesmo que sua filha, no futuro não fosse tão estudiosa como ela foi, ao menos saberia falar outras línguas e teria uma pequena dose de cultura para sobreviver no mundo. Orgulhosa de si mesma, desligou o forno quando ouviu seu telefone tocar, curiosa o atendeu e seus olhos se tomaram de lagrimas em reconhecer a voz.

— Daniel! — Hermione sentia-se aliviada, pois passou a semana toda tentando entrar em contato com o amigo e nada.

— Fala mulher, como você está? — Perguntou ele do outro lado da linha.

— Você não faz ideia como fiquei preocupada — Ela o reprendeu e andou até o sofá largando-se deitada no mesmo.

— Desculpe, essa semana ficou corrida e meu celular deu algum tipo de problema — Disse ele — Mas então, alguma novidade?

— Compreendo — Murmurou pensativa — E nenhuma novidade, só desgraças, se ao menos você estivesse aqui.

— Irei mês que vem só, mas você já vai ter voltado, ou não? — Daniel deu um longo suspiro.

— As coisas complicaram por aqui, e eu não sei o que fazer ou quais atitudes tomar, estou perdida Dan— Gemeu Hermione escondendo o rosto em uma almofada.

— Eu sabia que se você voltasse tudo se complicaria, mas é bom, assim você coloca em panos limpos o mau não resolvido — Aconselhou ele.

— Acho que tem razão e como prometido, assim que voltar irei lhe contar tudo — Jogou longe a almofada e respirou fundo encarando o teto da sala.

— Já até tinha esquecido, acredita? - Ele riu divertidamente.

— E você? Como está?Perguntou ela quando ouviu a campainha tocar ecoando o som pela casa. — Espera aí Dan, tem alguém na porta.

— Sem pressa querida — Daniel aguardou.

Hermione levantou-se e foi até a porta, mas antes de abrir a mesma ajeitou a roupa no corpo, embora estivesse de pijamas, não poderia ser vista toda desmilinguida. Fechou o roupão e enrolou boa parte do cabelo o deixando de lado caindo pelos ombros. Respirou fundo e abriu a porta, e foi como se o chão abrisse e ela afundasse sobre ele. Draco Malfoy estava parado feito uma estátua a encarando séria com as mãos no bolso sem pronunciar uma palavra se quer quando a porta foi aberta.

— Dan? — Hermione chamou o amigo do outro lado da linha.

— O que foi? — Perguntou Daniel preocupado.

— Eu te ligo depois! — Disse ela e desligou o telefone o guardando no bolso do roupão.

— Namorado? — Perguntou Draco irônico a olhando de cima abaixo a achando um tanto sexy naqueles trajes de dormir.

— O que quer? — Ela cruzou os braços séria arqueando uma das sobrancelhas.

— Conversar. — Disse sem paciência olhando para os lados — Posso entrar? — Pediu com receio que talvez ela fosse voltar a conversar de novo com o trouxa e isso não podia permitir, não até ela lhe dar toda atenção que merecia.

— Não temos nada a conversar — Hermione colocou a mão no trinco da porta começando a fecha-la com força — Passar bem!

— Espera! — Draco segurou a porta a impedindo de fecha-la.

— Eu estou ocupada, marque um horário Malfoy — Falou irônica como se imitasse alguém.

— Tio Draco — Helena passou por baixo dos braços de Hermione e abraçou a perna do bruxo.

— Oi pequena — Draco se abaixou ficando da altura da criança.

— Veio pegar sua recompensa? — Perguntou animada.

— Recompensa? — Indagou confuso e procurou o olhar de Hermione que ainda o encarava com desdém.

— Sim, por ter me encontrado — Disse ela rindo.

— Ah sim — Draco riu junto — Talvez eu tenha vindo sim por isso.

— Ótimo, então vou te mostrar meu quarto — Helena segurou a mão de Draco e o puxou.

— Helena espera! — Draco cambaleou para frente quase caindo e acompanhou a criança todo desengonçado.

Helena arrastou o bruxo escadas acima e entrou com o mesmo no primeiro quarto do corredor. Draco parou na porta soltando a mão da pequena e olhou o cômodo envolta, ficou surpreso que a criança parecia um tanto mimada. Não sabia se era por ser filha única ou então a primeira filha de Hermione, mas com certeza a jovem causava inveja. Sentou-se na beirada da cama e sorriu, o quarto era todo rosa, igual de uma princesa, e o mesmo havia mais brinquedos que moveis. Certamente se tivesse uma filha a mimaria igual e até mais, contudo, ao pensar sobre aquilo uma leve ponta em seu peito o fez acordar de suas fantasias e reparar que em seu colo estava lotado de ursinhos.

— Tem esse, e mais esse e esse outro — Dizia Helena colocando todos os ursos de pelúcia no colo do loiro.

— Nossa, quantos — Dizia ele impressionado pegando um ou outro para admirar.

— E tem essa roupa que vou vestir depois do banho — Helena abriu a gaveta e tirou um vestido rosa de princesa.

— Ah então você é uma princesa esse tempo todo e não me contou? — Perguntou Draco se fingindo de bravo cruzando os braços sobre o peito.

— Não podia, é segredo de estado — Ela riu e Draco só reparou agora que a mesma tinha uma janelinha entre os dentes mostrando que um havia caído recentemente.

— E agora? O que vai acontecer comigo? — Perguntou o loiro pegando dois ursos e os colocando na frente do rosto fingindo se esconder.

— Terá que fingir que eu nunca te contei nada — Helena segurou os pulsos do bruxo e o puxou para mais perto sussurrando em seu ouvido.

— Ah sim, tudo bem então — Ele concordou com a cabeça contendo um riso. Ele não entendia como ficava tão avontade na frente de uma criança que nunca viu antes.

Hermione ficou estática em ver Helena se oferecendo toda para o bruxo, ela nunca fazia isso, até mesmo Harry, Rony ou Gina não causaram esse efeito na filha. Os amigos conviveram com ela por uma semana e Draco alguns minutos, talvez no fundo ela soubesse que ele era alguém importante em sua vida e seu subconsciente não fazia ideia de como lhe dizer isso. Parou se encostando no batente da porta do quarto e seu coração novamente apertou, a cena que estava presenciando era a mais dolorida que poderia presenciar. Sem notar, uma lagrima escorreu por sua maça do rosto, pois sabia que não podia contar a ele, ela sofreria e ele também.

— Querida, tio Draco precisa ir — Hermione suspirou tristemente limpando as lagrimas com a manga do roupão.

— Mas já? — Helena virou-se para mãe fazendo um pequeno bico com os lábios.

— Já meu amor — A bruxa fungou tentando conter qualquer vestígio que havia chorado, contudo Draco a encarava de relance desconfiado.

— Tudo bem Helena, depois o tio volta pra brincar com você — Disse ele desviando o olhar de Hermione e virando-se para a criança.

— Promete? — Helena pulou animada segurando a mão do bruxo.

— Prometo — Draco sorriu para ela e se levantou.

Draco se afastou de Helena deixando o quarto e Hermione fechou a porta em seguida o limitando de olhar ou tentar ficar próximo da criança novamente, o que o incomodou um pouco, afinal, não fazia ideia porque gostava tanto daquele ser minúsculo. Normalmente odiava qualquer ser que fosse menor ou mais jovem, normalmente odiava qualquer um, no entanto, Helena havia lhe cativado e toda vez que a olhava sentia um aperto no coração, uma sensação que a conhecia, uma vontade enorme de abraça-la e ficar com ela pelo resto da vida.

— Não faça promessas as quais não vai cumprir — Disse Hermione a ele enquanto desciam as escadas.

— E quem disse que não as irei cumprir? — Indagou ele secamente a seguindo.

— Porque você não irá mais voltar aqui e muito menos chegar perto da minha filha de novo — Falou se dirigindo a sala e desligando a televisão que estava a incomodando já havia um tempo, mais precisamente desde que o loiro chegou.

— Como pode ser assim? — Perguntou Draco parando no meio entre a sala de estar e a de jantar observando Hermione andar de um lado para o outro recolhendo a bagunça que Helena fizera.

— O que você quer? — Hermione parou tudo que estava fazendo e virou-se furiosa para o bruxo — O que raios você quer?

— Eu preciso saber o que aconteceu com você e por onde você andou — Disse calmo e surpreso em vê-la alterada.

— Só agora? — Hermione riu irônica balançando a cabeça em negativo.

— Como assim só agora? — Ele repetiu no mesmo tom de voz dela e se aproximou da mesma parando a sua frente.

— Não importa, não mais — Falou cansada dando as costas a ele e voltando a organizar o cômodo.

— Importa, pra mim importa — Draco a segurou pelo cotovelo a puxou a virando para si.

— Me solta — Pediu ela perplexa com a atitude do loiro.

— Não, não enquanto não me dizer a verdade — Ele a prendeu mais contra seu corpo.

— Sai daqui. — Rosnou Hermione o olhando com nojo.

— Por que não me conta? — Draco a soltou nervoso quase a empurrando e deu pequenos passos para trás enquanto falava alto gesticulando com as mãos — Porque você não consegue dizer logo a verdade?

— Porque eu não quero dizer, eu não quero contar, será que você não entende? — Hermione gritou sentindo seu rosto esquentar de raiva e lagrimas voltarem a escorrer por ele. Precisava dar um jeito em sua maneira de lidar com determinadas situações ou então ficaria desidratada.

— Não, eu não consigo entender — Bagunçou os cabelos, irritado. — E você aparentemente também não.

— Qual é a dificuldade então? — Perguntou alterada.

— Eu te amo porra! — Agora quem gritava alterado era o loiro — Porque eu amo você Granger, sempre amei e não vai ser agora que irei deixar de ama-la! Eu achei que tinha te superado depois você me deixar, desaparecer sem dizer adeus, mas não superei, eu ainda te amo!

Notas finais
Gente, a batata está esquentando haha