Um Pedaço de Nós - Dramione
12 Capítulo 12 - Os Malfoy
Notas iniciais
Capítulo 12 — Os Malfoy
Lucius encarava seu copo de whisky meio cheio, balançava o mesmo para um lado e para o outro o misturando com o gelo que derretia aos poucos. Faz uma semana que não via seu filho Draco, o bruxo simplesmente desapareceu quando retornou uma tarde com sua esposa e futura nora. A casa estava em silencio e seu quarto revirado com as gavetas bagunçadas e a conta do banco esvaziada. Teria descoberto sobre a filha e agora queria vingança com ele? Bufou irritado e virou de vez a bebida sentindo a mesma arranhar sua garganta.
— Lucius? — Narcisa adentrou o escritório do marido e sentou-se na poltrona de couro preta em frente à mesa de carvalho.
— Achou ele? — Perguntou com desdém a esposa.
— Vai me dizer sobre o que tudo isso se trata? — Perguntou a loira apreensiva encolhendo as mãos no colo.
— Depois que me disser onde ele está! — Lucius rosnou irritado e bateu com força o copo na mesa.
— Ele é meu filho também — A bruxa encolheu os ombros e fechou os olhos assustada com a agressividade do marido.
— Fale logo mulher! — Ele levantou-se gritando e bateu ambas mãos na mesa.
— No caldeirão furado, é lá que ele está hospedado — Disse ela rapidamente com medo de outra explosão do homem.
— Obrigado — Lucius sorriu e se serviu mais de whisky — Não foi tão difícil.
— Na verdade, ele não está na pensão — Continuou ela — Aparentemente ele não aparece a dias lá, mas está pagando.
— Eu imagino onde ele esteja — Novamente virou a dose de bebida.
— Agora me conte tudo, você me deve Lucius — Narcisa levantou-se e pegou a garrafa da mão do marido.
— Eu sempre protegi você e ao Draco, com todas as minhas garras — Começou ele a falar — Todas as decisões que tomei foi para o bem de ambos, talvez algumas não foram as melhores, mas a intensão é a que vale, certo?
— Certo — Ela respondeu voltando a se sentar e cruzando as pernas — Apenas chegue logo ao ponto.
— Draco fez uma burrada, e das feias — Lucius deu a volta na mesa e encostou na beirada da mesma ficando de frente para Narcisa — Engravidou uma bruxa, mas não uma bruxa qualquer, e sim Hermione Granger.
— O que disse? — A informação foi completamente absurda que Narcisa teve que pedir a Lucius para repetir.
— Draco tem uma filha com a sangue-ruim Hermione Granger. — Lucius disse irritado, não por repetir, mas pela mulher lembra-lo o desgosto que o filho causou.
— A quanto tempo sabe disso? — Ela o olhou ainda em choque com a notícia.
— Cinco anos, a idade da criança — Lucius sentou-se ao lado da esposa — Quando eu descobri sobre a Granger, eu a expulsei do país e Draco viveu todo esse tempo longe desse fardo, mas temo que agora é tarde demais. A menina Granger retornou e parece que o nosso filho está com ela, ele a ama ou acha que ama, não sei.
— Por que escondeu isso de mim? — Narcisa perguntou sentindo-se traída.
— Achei que estava com tudo sob controle, foram cinco anos bem confortáveis — Murmurou o bruxo pensativo.
— Temos um neto Lucius, de sangue-puro — Narcisa falou mordendo o lábio inferior.
— Ele não tem sangue-puro, seus avós são trouxas — Lucius levantou-se irritado.
— Mas é puro de pai e mãe, é só o que importa — A loira levantou-se e tocou o braço do marido o puxando para si — Não é?
— Não, Draco jamais se misturará com essa gentalha — Afastou-se incomodado com o toque da esposa.
— Lucius, sabe o quanto foi difícil ter Draco e você sabe o quanto eu quis uma família grande e descobrir que eu tenho um neto, é maravilhoso — Dizia a bruxa sorrindo.
— Não é maravilhoso, maravilhoso seria Draco se casar com Astoria e a menina e a Granger desaparecerem — Lucius encarou a noite a fora.
— É uma menina? — Narcisa voltou a se sentar e segurou o peito feliz, sempre quis ter uma filha.
— Não importa e tire esse sorriso do rosto, irei resolver esse problema o quanto antes, nem que eu tenha que apagar a memória do nosso filho — Disse determinado.
— Podemos apenas descartar a Granger, a criança podemos cria-la. — Narcisa foi até Lucius e o abraçou pela cintura.
— Ela já é grande, daria trabalho — Disse sem se mover.
— Apagamos a memória dela e damos uma nova a ela — Sorriu feliz — Andei praticando, sabe?
— Para que andou praticando? — O bruxo virou-se para a mulher e arqueou a sobrancelha.
— Para emergências como essa — Narcisa explicou animada e abraçou ele pelo pescoço — Se não pode me dar mais filhos, que ao menos me deixe ter netos.
— Astoria e Draco terão, não precisamos dessa criança — Ele lentamente abraçou a esposa com receio.
— Por mim? Por favor? — Narcisa mordeu o lábio inferir e começou a desabotoar aos poucos a roupa de Lucius.
— Não! — Lucius segurou as mãos dela e as afastou de si. Não seria convencido sendo seduzido como ela sempre fazia para conseguir as coisas, não dessa vez.
Narcisa observou o marido por alguns segundos pensativa e se retirou de seu escritório vencida pelo segundo "não" que recebeu. Embora tivesse sido tão terrível quanto o marido na guerra, jamais de modo algum machucaria seu filho ou o faria sofrer como Lucius fizera antes. Sim, era péssimo saber que ele havia se envolvido com uma sague-ruim, uma grifinória, amiga do Potter, mas a família Malfoy não estava em condições de exigir algo na sociedade, aliás, eles estavam em dívida com a mesma.
Após fugir antes mesmo de Voldemort ser morto, o casal Malfoy junto com o filho foram viver no interior do país até as coisas se acalmarem, contudo, o novo ministro Kingsley Shacklebolt os encontrou meses depois com um mandato de busca e apreensão na mansão, mas não encontraram nada que pudesse incriminar a família pelos crimes de guerra, nem mesmo uma testemunha ocular para reforçar as acusações, pois estavam todos mortos. Não obstante, o ministro os baniu de qualquer atividade em relação ao governo bruxo, exceto Draco.
Narcisa poderia aguentar viver sem nada no bolso, sem comer, ou dormir embaixo da ponte do rio Tâmisa, mas não permitiria que seu filho não tivesse uma segunda chance na vida. Talvez para ela e para o marido as coisas estavam encerradas de vez, mas para o primogênito jamais. Sozinha, a bruxa foi visitar o ministro e ofereceu a ele qualquer suporte para capturar ex-comensais em troca de imunidade, incluindo a volta de seu filho a Hogwarts e seus bens descongelados. Como Kingsley sempre fora um homem bom, acatou, no entanto seu marido parecia querer jogar tudo por agua baixo agora.
Mais tarde naquele mesmo dia, após o jantar a caminho de seus aposentos pessoais, Narcisa ouvirá vozes virem da biblioteca e não era uma, ou duas, eram várias e isso a preocupou. Em silencio, se aproximou da porta para ouvir melhor e foi preciso levar as mãos a boca para tampar o possível ruído que virá de seus lábios ao se sobressaltar surpresa. Lucius conversara perto da lareira com mais três homens que desconhecia, provavelmente algum de seus discípulos na época de Voldemort, e que deveriam ser eles que sempre faziam todo o trabalho sujo do loiro.
— Então, ele está lá mesmo? — Perguntou Lucius a um dos homens enquanto bebia novamente.
— Sim, ele está enfiado no bairro trouxa com a garota, na casa de seus pais — Respondeu um deles.
— Ótimo e a criança? — O loiro suspirou preocupado.
— Fica com os Weasley durante a semana, e a Granger a busca no final do dia — O homem dizia exatamente o que Lucius queria ouvir.
— Ótimo, ótimo — Ele sorriu satisfeito sentando-se e cruzando as pernas.
— Mas temos que tomar cuidado, a garota sempre vem acompanhada de seu filho, se atacamos nesse tempo seremos descobertos — Comentou o homem da ponta.
— Não serão se usarem o feitiço certo ou não estudaram? — Rosnou Lucius se irritando com os empecilhos.
— Tem que ser mesmo assim? Não podemos atacar quando a criança estiver sozinha na casa dos Weasley? — Perguntou o outro.
— Não, eu quero que Draco e a Granger saibam que eu não estou para brincadeira — Lucius levantou-se e foi até a lareira remexer a lenha que queimava.
— Será mais fácil Lucius, ninguém verá, a menina sempre brinca no jardim após o almoço — O de antes andou até o bruxo — Vai ser rápido e evitaremos qualquer confronto, inclusive de chamar atenção do ministério.
— Que se dane aquele lugar — Disse alto jogando longe o atiçador de lenha.
— Acho melhor fazermos tudo sem chamar atenção, nos rendará mais tempo — Insistia um dos homens.
— Faça o que eu mando ou então caia fora — Lucius virou-se e andou até o bruxo lentamente sacando a varinha.
— Senhor Malfoy, é tudo para o bem-estar de todos, afinal não podemos nos dar ao luxo de fazer de qualquer jeito, a segurança foi reforçada — Gaguejando o homem dando passos para trás.
— Eu contratei vocês para fazer exatamente o que eu estou mandando e não para dar opinião — Dizia o loiro — Agora faça exatamente da maneira que eu quero, com Draco e Hermione presenciando ou então morra!
— Tudo bem, tudo bem — O bruxo levantou as mãos para o alto se rendendo.
— Ótimo — Lucius baixou a varinha e a aguardou.
— Quer a criança viva ou morta? — Perguntou por último antes de se retirar.
— O que acha que eu sou? Um monstro? — Lucius o olhou sentindo-se ofendido.
— Só perguntei, com licença.
Os três homens saíram às pressas da biblioteca temendo que se continuassem ali, o loiro poderia mata-los a qualquer instante se voltassem a opinar. Lucius por sua vez voltou a beber, dessa vez mais irritado e preocupado que antes chegando a repetir a dose mais três vezes. O plano que tanto estudou para dar certo, poderia a qualquer momento ir por água baixo por conta de certos idiotas que pareciam ter esquecido quem realmente mandava. Jogou-se no sofá que ocupara mais cedo sentindo-se levemente tonto, e não era para menos, já havia perdido as contas de quantos copos de Whisky virou quando ouviu a porta ranger.
— Lucius? — Narcisa entrou na biblioteca e encontrou o marido levemente alcoolizado.
— O que é? — Gemeu ele alto e irritado sem olha-la.
— Obrigada — Ela sorriu sentando-se ao lado dele.
— Pelo o que? — Ele a olhou de relance desconfiado.
— Por não matar a criança — Narcisa se aproximou dele e o beijou no rosto.
— Que seja — Lucius virou o copo, mas o mesmo estava vazio.
— Vamos dormir? — Ela se apressou em tirar da mão dele o copo e colocou no criado mudo.
— Pode ser — Sem relutar, o loiro aceitou o pedido da esposa levantando-se cambaleando, estava pior que antes já que havia decido sentar-se ao invés de manter-se em pé e com a ajuda dela, Lucius foi para o quarto.
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