Um Pedaço de Nós - Dramione

1 Capítulo 1 - Uma carta inesperada


Notas iniciais
Minha primeira Dramione, socorro!!!!

Capítulo 1Uma carta inesperada

Ela já foi a mais brilhante aluna da escola, a mais deslumbrante do baile, uma heroína de guerra, todos conheciam seu nome, contudo seus dias de glória acabaram quando se apaixonou perdidamente pelo seu inimigo. Não se lembrava bem quando teve seu primeiro suspiro por ele ou então sua primeira palpitação no peito, mas lembrava-se bem quando o sentimento foi retribuído, o primeiro beijo, a primeira noite juntos e tudo isso em seu último ano em Hogwarts. Foi como um sonho, mas isso foi deixado exatamente onde deveria ser deixado, no passado, agora sua vida era outra, totalmente o oposto de como a imaginou. Do outro lado do oceano.

Sentada debaixo de uma árvore nas margens do Lago das Garças, Hermione Granger observava sua pequena filha de cinco anos brincar com suas bonecas na grama. O dia estava ensolarado e a previsão do tempo anunciou que não choveria aquele final de semana em São Paulo, então aproveitou para passar o dia passeando com a pequena Helena, algo raro, já que quase não tinha tempo para a mesma. Seu trabalho como advogada a deixava ocupada na maior parte do tempo só chegando a passar duas horas diárias com a filha, no entanto, resolveu tirar uma folga naquele dia ensolarado de verão.

— Mamãe, a Cintia precisa de novas amigas.

Helena era uma criança simpática e sorridente, seus cabelos eram dourados e cacheados até os ombros. Tinha os olhos azuis acinzentados e sempre gostava de se vestir como uma princesa, embora muitas vezes sua mãe não deixava.

— Claro, mais tarde iremos procurar uma bem bonita — Hermione riu e olhou para o céu azul reluzente.

Lembrou-se quando chegou ao Brasil, e as dificuldades que teve devido à língua que era diferente, a cultura, procurando emprego sem saber falar português ou um lugar para morar antes que os oito meses de gestação passassem. Perdeu as incontáveis vezes que dormiu ao banco de algumas praças e quase foi assaltada três vezes. Ninguém que lhe entendesse, ninguém para lhe ajudar, sem poder usar magia, apenas carregando consigo uma única mala e dinheiro para quase um mês, no entanto, quando finalmente conseguir alugar um lugar para chamar de seu, acabou conhecendo Daniel, um jovem professor universitário e palestrante que morava no apartamento da frente e que para sua sorte, era fluente em inglês.

No começo apenas queria um teto para morar e cuidar de sua saúde, da sua bebê, contudo, Daniel convenceu Hermione a estudar Direito em uma universidade, construir uma carreira para si, e após conseguir 100% de desconto em uma bolsa, a bruxa começou a frequentar o curso, inclusive até conseguiu um emprego como secretaria em um fórum da cidade. Em alguns meses já estava falando português perfeitamente, embora o sotaque continuasse. Hoje dirige seu próprio escritório de advocacia e o português virou fluente. Embora em todas as dificuldades que encontrou para sobreviver longe do mundo bruxo, notou que onde escolheu para viver, ninguém parecia lhe julgar por ser mãe solteira ou por qualquer outra coisa, sentia que havia escolhido certo.

— Aí estão vocês — Daniel aproximou-se usando seu habitual terno e sentou-se ao lado de Hermione com duas casquinhas de sorvete nas mãos.

— Tio Daniel! — Helena correu para os braços do homem e o abraçou — Me dá o sorvete? — Pediu ela sorrindo marotamente.

Quando não estava na escolinha, Helena conversava com sua mãe e com Daniel em inglês. Hermione fez questão de ensinar a filha sua língua materna.

— Helena, se comporte — Hermione a reprendeu e a menina murmurou algo inaudível aos ouvidos, desfazendo o abraço em Daniel.

— Ora, Hermione, acha mesmo que irei comer duas casquinhas de sorvete sozinho na frente de uma criança? — O homem riu divertido — Eu trouxe para vocês duas, né?

— Eu sei, mas é que ela anda muito folgada por sua causa — Disse se acomodando melhor, cruzando as pernas iguais a de índio.

— Minha causa? — Ele ria irônico — E você?

— Sou a mãe dela — Hermione se fez de séria e tirou a casquinha da mão do amigo, a entregando a Helena.

— Eba! — Helena pegou o sorvete e voltou a se sentar com as bonecas começando a tomá-lo.

Daniel era um homem alto de cabelos pretos arrepiados, sempre estava com a barba bem feita e de modo algum jamais o viu além daqueles ternos de professor, a não ser uma vez quando entrou em seu apartamento uma noite, pois estava com cólicas e precisava urgentemente de uma aspirina, mas acabou encontrando o homem nu dormindo no sofá fazendo com que a dor se encerrasse completamente. Nunca contou a ele sobre essa noite fatídica, e estava bem assim, contudo Daniel era uma peça rara em sua vida. Desde que o conheceu, ele nunca lhe fez uma pergunta se quer sobre seu passado e sempre a respeitou de todas as maneiras até quando a teve que vê-la nua, pois estava bêbada demais para tiras as roupas e tomar banho. Ele era uma amizade que de modo algum queria perder.

— Achei que passaria o dia dormindo, por que está vestido assim? — Perguntou ela chupando o sorvete.

— Esqueci que tinha uma palestra hoje e antes de ir, tive que passar aqui para te ver — Respondeu ele sorridente.

— Estou lisonjeada — Hermione deitou a cabeça no ombro dele e alisou o rosto no mesmo como se fosse um gato.

— Não fique, eu vim te ver porque chegou isso para você — Daniel riu e tirou do bolso do terno uma carta — Erraram a porta.

— Que esquisito, faz tempo que não recebo cartas — Hermione pegou e seu sangue gelou ao reconhecer a caligrafia.

— Que mentira, no seu apartamento está cheio delas que eu vi e a maioria é de cobranças — Daniel zombava dela até perceber a expressão de espanto no rosto da mesma — O que foi?

— O que disse? — Perguntou ela sem desviar o olhar da carta em suas mãos que agora tremiam.

— Nossa Hermione, o que aconteceu? — O homem lhe tocou o ombro — De quem é essa carta?

— De alguém que eu não ouvia falar faz tempo — Naquele momento lagrimas começaram a escorrer pelo seu rosto e a pingar na carta, molhando a mesma gradativamente.

— Acho melhor eu ir, você precisa ler sozinha, não é? — Daniel levantou-se e limpou a roupa apalpando o corpo — Me ligue se precisar de algo.

— Obrigada Dan — Hermione sorriu para ele e tentou limpar algumas lagrimas com o dedo.

— Até mais tarde — Antes de partir, Daniel depositou um beijo na testa da amiga.

Hermione guardou a carta em sua bolsa e com Helena, foram para o carro na promessa que iriam ao shopping almoçar, mas a morena queria mesmo é privacidade para chorar escandalosamente sem que ninguém a visse. Suas mãos tremiam e cada segundo que passava, a carta estava cada vez mais molhada das lagrimas. Fazia cinco anos que havia deixado a Inglaterra com a desculpa que queria primeiro explorar o mundo antes de começar a trabalhar. Escondeu um fato importante em sua vida ao pegar o primeiro a avião para qualquer lugar e fugir sem dizer adeus. Não se sentia bem em ter mentindo, em ter escondido a verdadeira razão e a única que de fato sabia de toda história era Gina Weasley e seus pais, os únicos com quem manteve contato até hoje.

— Mamãe, você está com dor? — Perguntou Helena sentada no banco de trás do carro — Está tudo bem?

— Sim meu anjo — Hermione limpou as lagrimas e respirou fundo com dificuldade pelo nariz entupido — Mamãe apenas bateu o dedinho do pé.

— Te entendo mamãe — Helena suspirou triste, ciente que bater o dedinho do pé era algo de extrema gravidade na vida.

— Vamos comer algo? — Perguntou a filha a olhando pelo retrovisor.

— Quero hambúrguer! — Helena levantou o braço no ar gritando.

— Então hambúrguer será! — Riu forçada para a filha e ligou o carro.

Não estava com coragem para abrir a carta agora, iria esperar a hora mais calma do seu dia e leria, ou seja, antes de dormir. Partiu para o shopping como prometido a filha e passaram o restante do dia por lá após o almoço. Quando o sol se pôs, Hermione retornou para casa com a pequena Helena, contudo estava preocupada e ansiosa, temia por uma notícia ruim. Abaixou a tapa da privada e sentou-se com a carta na mão enquanto vigiava sua filha que brincava na banheira durante o banho.

Fez uma leve pressão com a mão na lateral da carta e a abriu, novamente uma tristeza invadiu seu peito e lagrimas voltaram a escorrer. Era saudade, um sentimento que estava reprimido durante todos esses anos dentro de si e agora veio à tona. Queria reaver todos, mas temia por Helena, que talvez ela ficasse deslocada ou então decepcionasse por não ser bruxa, ou pior, que um certo alguém descobrisse sobre sua existência e a levasse embora, ou a matasse. Lentamente desdobrou o papel deixando cair o envelope ao chão e respirou fundo antes de começar a ler.

" Querida Hermione,

...eu não sei nem por onde começar a falar.

Estou extremamente chateado com você por ter simplesmente fugido sem dizer adeus, apenas deixado uma miséria carta na minha mesa. Você acha que eu sou o que? Bosta, eu sou seu melhor amigo, não um rato. Por que você fugiu? Por que está escondida? Se não fosse pelas milhões de cartas suas que Gina guardou, eu jamais descobriria onde você estava e não se preocupe, eu não as li, apenas peguei o endereço.

Você está no Brasil fazendo o que todo esse tempo? Eu exijo que me uma resposta e de preferência pessoalmente, pois irei me casar daqui a uma semana e quero que você seja madrinha, e esteja presente. Certamente Gina lhe deixou a par de tudo e pediu para você vir, mas pelo visto recusou-se, não é? Se você não responder essa carta dentro de 24 horas dizendo que virá, eu irei até você e você não vai gostar disso.

Atenciosamente,

Harry Potter."

Notas finais
Gostaram? *medo*