Notas iniciais
Tcharam... Sério, esse sistema de programar os capítulos é perfeito.... Aqui vai um novo capítulo!

A ferida ardia, e sangrava. Muito. A ambulância já levava Anne para o hospital, em emergência máxima. Vanessa sangrava, lutando contra a morte. Outro grupo de pessoas de outra ambulância a auxiliaram, e levaram-na para o hospital. Dave foi com Vanessa e estava em pânico. E queria matar Marcel, ou seja, o pai de Vanessa. Mas não uma morte rápida. Uma morte lenta, sofrida, torturada. Ele não sentia só raiva. Sentia ódio. Num momento, Vanessa pensou: “Vou tirar uma soneca só até eu acordar... numa cama quentinha e macia...” Ela não podia dormir. Mas não o sabia. Sua visão ia ficando fraca e embaçada; escura. Vanessa caiu na inconsciência.

***

Dave estava em pânico. Assustado. Com ódio. Pena. E saudade. As horas se arrastavam lentamente, pareciam séculos. Vanessa e Anne estavam em cirurgia. Ele sabia que o caso de Anne era mais grave, afinal, ela levara cinco tiros, e Vanessa foi apenas esfaqueada. Ele as tinha como família. E, mesmo que sem ser família de sangue, ele choraria, pediria vingança por elas. Agora, era apenas questão de esperar e aguardar. Ele não podia fazer nada.

***

No amanhecer, Dave viu Vanessa. Ela estava a caminho do quarto, onde permaneceria até se recuperar. Ela estava pálida, parecia sem vida. O médico foi falar com ele.

– Dave?

– Sim?

– Eu gostaria de avisar que a Vanessa já está a caminho do quarto, e a cirurgia transcorreu bem. Não há riscos e, se você quiser, já até pode visita-la.

– E a Anne? — Dave sentia medo.

– Ela ainda está na sala de operações. Seu estado é muito crítico. Ainda que pequena, há uma chances de ela não sobreviver.

– Ok... Acho que vou sim ver a Vanessa.

– Então me acompanhe.

***

Ela estava conectada a um monitor de batimentos cardíacos, sondas intravenosas e soro. Estava pálida e sem cor, mas sobreviveria sem problemas. Dave ficou pelo menos mais feliz por saber que dua “irmã” iria sobreviver, mas, e sua “mãe”? A preocupação e a felicidade tomavam conta dele. Vanessa ainda estava anestesiada, afinal, a cirurgia demorara pouco mais do que esperado. Descobriram que uma pequena ponta da faca se quebrara. No quarto branco e simples havia uma pequena poltrona mais parecida com uma cadeira, uma cama reclinável no centro do quarto, um criado-mudo ao lado da cama, um pequeno quadro e a aparelhagem que monitorava Vanessa a cada segundo e minuto. Dave achava estranho vê-la assim. Pálida ele já vira ela, mas, tão pálida que parecia que sua pele estava acinzentada? Nunca. Ou vê-la tão... dependente de outras coisas que não fossem as de sempre. Dave sentou-se na “poltrona” e pegou a mão de sua amiga. E ficou esperando que ou a mãe dela saísse de cirurgia ou ela acordasse... mas nenhum dos dois foi tão rápido.

***

– Precisamos de mais sangue! Urgente! Ela está perdendo muito!

– Ok! Alguém me passe o cauterizador de veias! — O médico quase gritava diante da possibilidade de perder sua paciente. “Uma paciente muito bela para morrer” pensara ele quando ela chegou na sala de cirurgia. A situação era crítica. Talvez ela nunca mais visse a filha, ou sentisse o ar fresco novamente. Eram possibilidades aterradoras. — Afastador! Agora!

– Doutor, os batimentos estão muito fracos! E devagar!

– Ok! Vamos remover essa última bala, que é a que faz ela perder tanto sangue! — A bala estava alojada em sua coxa, consequentemente, perfurando a artéria que a percorre, ou seja a artéria femural, que é uma das principais do corpo humano. Quaisquer maiores danos a fariam sangrar até morrer; e ela já não tinha mais tanto sangue. — Pinça! Cheguei na maildita bala! — O médico começou a retirada da bala, mas ela começou a sangrar ainda mais. A situação havia piorado. — Sucção!

A situação era tensa. Até demais...

– Cauterizador! — passou-se algum tempo — Agulha!

– Doutor, ela está perdendo muito sangue!

– E eu estou tentando reverter isso!

***

Dave já quase dormia, e o sol começara a se pôr. Belo. Mas não para ele, nem para Vanessa ou Anne. Talvez, porque Anne talvez não sobrevivesse. A cirurgia ainda não terminara. E, para não ter terminado ainda, não seria tão cedo que terminaria. Ele ainda envolvia as mãos de sua amiga, que ele já quase considerava irmã, apesar do pouco tempo de amizade. E ele sentiu um pequeno aperto em suas mãos, e abriu rapidamente os olhos, notando que os de Vanessa estavam começando a se abrir.

– Vanessa? Ei, tudo bem?

– O...on...ond...onde eu e...est...esto...estou? — Perguntou numa voz fraca e trêmula.

– Ei, calma... você está no hospital. Tudo bem com você? — Ela respondeu com um sinal de mais ou menos. — Você está com dor?

– N..ão...

– Ok. Eu vou chamar a enfermeira, tudo bem? — Não era uma pergunta, era mais uma afirmação.

Pouco depois a enfermeira apareceu, quase sem fôlego.

– Oh. Você já acordou... consegue falar querida?

– Mais ou menos. — Respondera Dave por ela.

– Ok... eu vou checar a sua temperatura e mandar trazerem algo para vocês comerem, ok?

Logo ela saiu esbaforida novamente. Afinal, ela acabara de sair da sala de cirurgia. E a situação lá não estava fácil. Muito menos a paciente fora de risco.

– Da....dav..dave, ca...ca..cadê min...minh...minha m..mãe?

– Olha, não se atemorize, mas ela está em cirurgia. Ela saiu de lá, da sua casa em grande risco. Um dos tiros perfurou uma artéria muito importante. Ela perdeu muito sangue só lá. Eu imagino que a situação é de grande risco. — Ele não contou a pior parte. Que era a possibilidade de ela não sobreviver. Ou de ela sobreviver, mas viver feito um vegetal. Talvez nunca mais andar, por conta de perda de sangue. Ou ter a capacidade mental altamente debilitada, por falta de sangue e oxigênio. Ele sabia que não era só um estado crítico no qual ela se encontrava. Era a possibilidade de morrer. De “ir para o outro lado”. Mas, ele não podia falar isso para Vanessa. Sem contar que ainda não tinham achado aquele vagabundo vira-latas. — Daqui a pouco alguém chega com alguma coisa para comer, então, o que você acha da ideia de descansar um pouco, anjo?

Pouco depois ela já dormia num sono leve e simples, sem os problemas que a martirizavam dia após dia.

***

Na sala de cirurgias a situação estava muito pouco melhor. Muito pouco. Ela perdera muito sangue, mas não perderia mais. Precisavam de mais sangue, item que acabara, e logo chegaria mais. Não sabiam ainda se ela sobreviveria. Ou passaria sem danos cerebrais. A situação ainda era crítica, mas pelo menos todos as balas já haviam sido removidos, e ela já não sangrava muito mais, mas ainda saiam torrentes de um líquido viscoso e vermelho, ou seja, sangue.

– Cauterizador!

– Aqui!

– Agulha!

– Aqui!

Agora, era só terminar de costurar, e esperar. Colocá-la no soro, sondas intravenosas, alimento intravenoso... e uma infinidade de coisas a mais.

***

– Vanessa? Anjinha? A comida chegou...

– Hum....

– Mas lembre-se, é comida de hospital. Coisa que você nunca comeu, mais eu já... e vai por mim...

Ela deu uma leve risada, sinal de que estava melhor. Pelo menos ela...

– E... a mi...minh...minha mã...mãe?

– Acredito que já esteja melhor, mas ninguém vem dar notícias. — Ele então simulou uma cara emburrada, que fez Vanessa rir um pouco.

– Dave Hilton? É sobre Anne Oxford. — Era um médico, provavelmente o cirurgião.

– Sim. Vanessa, eu vou ali fora rapidinho, tá bom?

– Ok...

Já no corredor, o silêncio prevalecia, até que o médico cirurgião o quebrou.
– A situação já é estável e Anne já está no contro de recuperação da UTI. Mas ainda há riscos de dano cerebral, coma, morte cerebral e morte. Ela já saiu da sala de cirurgia, porém perdeu muito sangue, e apesar de estável, seu estado é grave. É basicamente isso. Quando houverem mais informações te comunico.

– Ok... E como eu conto a Vanessa?

– Olha, eu não sei. Você é quem vai saber qual o melhor modo. Enfim, é isso.
Dave estava estático. Como assim ainda haviam “riscos de dano cerebral, coma, morte cerebral e morte”?

– Vanessa, eu tenho boas e más notícias. Prefere quais primeiro?

– Más...

– Ok. Sua mãe já perdeu muito sangue, e ainda há possibilidades de dano cerebral, coma, o cérebro dela morrer e morte. As boas são que ela já está estável, no centro de recuperação e que essas más possibilidades sejam completamente anuladas. Ou seja, ela pode se recuperar totalmente e viver normalmente. Vai por mim, eu também não gostei muito de receber essas notícias — "E estou morrendo de dor e preocupação por dentro..."

Vanessa demorou a dissolver aquelas informações. Era de fato uma situação complicada. E, ela percebeu que queria vingança. Sua mãe morrendo ou não, mesmo ela mesma tendo sobrevivido, mas com grandes traumas passados. Ela queria vingança. Sentia ódio ao pensar naquele carrasco, que para nada serviu além de contribuir para que ela existisse. Queria que ele sofresse, mais ou do mesmo modo que ela sofrera. Vivendo na dor. Na incerteza. No trauma. Mas ela queria que ele sumisse. Desaperecese. Morresse. Sofresse. Mal ela sabia que era o que Dave também queria.

Dave queria que ele pagasse. Pagasse por cada um de seus erros. Do modo mais doloroso e torturante. Ele praticamente matou sua “família”. Pessoas que ele queria bem. Que ele tinha como sua família. Mas, ele não deixaria ele escapar impune. Não permitiria. Ele teria vingança. E Vanessa também queria vingança.

Notas finais
E aí, o que acharam? Não é só por que eu nem a Uma SerialKiller Estranha não estamos entrando no Nyah! que eu queremos deixar de receber comentários..... =D