Um Pedaço de Mim - Hiatus (Sendo reescrita)
5 Capítulo 5 - Uma Visita Inesperada
Notas iniciais
– Oh meu Deus! — Dave então desceu correndo e em pânico. Precisava mais do que nunca alcançar o telefone. Vanessa não podia acordar. Não agora. Não enquanto ele estivesse lá. Na verdade, possivelmente, ela não deveria acordar, pelo menos não naquela noite. O pânico começara a se apoderar dele, havia um “monstro” lá. Um ser desprezível. Imprestável. Mortífero. Desgraçador. Anne havia acabado de tomar um tiro. De um homem que tinha fisionomias como as de Vanessa.
– Oh meu Deus! – Murmurou novamente Dave. O pai de Vanessa estava lá. O mesmo que Dave sentira imensa vontade de matar. O mesmo que ele passara a odiar com todas as suas forças, o mesmo que tocara em sua “irmã”. O mesmo que a destruiu, traumatizou e fez tanto mal. Fizera com que ela não sentisse mais vontade de viver. Correu com o máximo de velocidade que conseguia para ligar para a polícia. — Alô? Meu nome é Dave Connor, eu tô na Reming Drive 1630. Uma pessoa acabou de levar um tiro! E o cara é muito perigoso! Rápido, por favor! — Gritou ele em pânico no telefone. Subiu as escadas rapidamente, e Vanessa estava despertando com tantos barulhos na calada da noite. Ouviram mais um som estrondoso, assustador, e Anne levara mais um tiro, e sangrava muito, dessa vez na perna. O outro fora no braço. Ela soltou um grito no silêncio noturno.
– O que está acontecendo? Dave? — Vanessa começara a entrar em pânico.
– Vanessa, não olhe pela janela e não entre em pânico. Mais importante, não grite!
– Mas, o que está acontecendo? Cadê minha mãe? Está tudo vem?-Aqueles poucos segundos sem repostas pareciam séculos para Vanessa. — Dave, me responda! Por favor!
– Então, você precisa se sentar. — Vanessa obedeceu, e no que ela se sentou, ela teve um leve vislumbre da vista por fora da janela.
– Dave, aquele é... ele? — Ela tinha medo. Medo de tudo acontecer novamente. Ele não só precisou destruir sua vida, seus sentimentos, ainda precisava destruir tudo o que ela reconquistou? Uma casa estável, onde mesmo não precisando ter medo ela ainda o sentia, por causa dele?
– Calma Vanessa! Você estava dormindo quando chegamos, e quando eu estava indo me deitar ali no sofá, eu ouvi esses mesmos sons de agora. Só que foi só um. Eu então olhei pela janela, e vi sua mãe. E... bem, ele tem uma arma.
– Então, você tá me dizendo que aquele... sei-lá-o-que tem uma arma, e que MINHA MÃE TÁ LÁ FORA??? Isso é sério? Aquele esgoto a céu aberto atirou na minha mãe? E está aqui? Onde eu julguei estar segura? Você pelo menos, sequer chamou a porra da polícia? Por qual inferno de razão ele ainda não foi preso? Esse imprestável! — Vanessa já estava quase chorando de raiva e tristeza.
– Vanessa, calma! Não grita, se não ele sobe aqui! Ele vai saber que você tá aqui! E sim, eu chamei a polícia. Aliás, por quê aqueles desgraçados estão demorando tanto? Eles tem algo mais importante?! — Mesmo não demonstrando, ele tinha raiva. Muita! Se sentia como um vulcão em erupção.
– Dave, como você consegue? — Perguntou Vanessa com dor na voz, e medo.
– O quê? — Ele não entendeu a pergunta daquela que era sua família após ele ter sido expulso de sua própria.
– Ficar tão calmo!
– Eu penso que aquele desgraçado que não serve nem de bosta vai apodrecer numa prisão! Você sabe o que fazem com gente como ele na prisão? Estupram. Matam. Arrancam cada dente. Surram. Desgraçam. E fazem sofrer muito.
Nesse momento, começaram a ouvir sirenes ao longe, sirenes que para eles soava como uma pessoa ajudando-os. Bem que não estava longe da verdade. No momento em que as balas do “pai” de Vanessa acabaram; no momento em que ele começou a subir as escadas que rumavam em direção ao andar superior, onde o primeiro andar era dela; no momento em que Anne estava mais perto do que nunca de morrer. Mas a polícia ainda não chegara. As ambulâncias ainda não haviam chegado. A ajuda ainda não chegara. As sirenes estridentes chegavam mais perto, ao passo de que ele também. Ele abrira a porta, que rangeu como que num filme de terror, aterrorizando ela principalmente. Com o mesmo sorriso que do qual Vanessa tinha medo. Com o mesmo sorriso que ele dava, ao saber que Vanessa tinha medo; o mesmo sorriso que ele dava quando destruía Vanessa. Mas, naquele dia, não ficaria assim. Ela não era mais uma garotinha assustada, que não tinha ninguém para ajuda-la. Ela mudara. Mas ele, não. Ele ainda tinha o mesmo sorriso presunçoso de sempre; de escárnio; de carrasco. Ele ainda era o mesmo. Aqueles minutos e segundos duraram menos do que ela queria que durassem, pois quanto menos durassem, mais perto ele ficava. Mais real ele ficava. Dessa vez não era mais um sonho, que passaria pela manhã. Do qual ela acordaria pronta para um novo dia. Era mais real do que qualquer um gostaria. Naqueles poucos momentos, os carros de polícia chegaram, as ambulâncias também. Mas aquele sujeito cruel, detestável e carrasco esfaqueara Vanessa. Num segundo ele enfiou a faca, e no outro ele fugiu, junto com sua faca reluzente de cabo preto de ferro. Por onde ele fugiu? Dave não viu, ele apenas viu sua melhor amiga sendo ferida, apenas mais uma vez por ele. Por um ser desprezível, uma das “razões do declínio de humanidade”¹. Mas ele já a machucara. Dessa vez fisicamente. Apenas mais uma ferida entre tantas outras em seu corpo. Apenas mais uma entre tantas outras cicatrizes e dores... Vanessa já se acostumara com ele ferindo-a. Mas nunca seria normal ou agradável.
Vanessa não podia se esquecer do sorriso que mais uma vez se apoderara do rosto daquele que lhe feriu, mais uma vez. A sensação de um objeto frio cortando sua carne e entrando em sua barriga jamais poderia ser esquecida. A ferida começou a doer apenas depois que tal objeto foi retirado. Mas ele apenas continuava a observar o rosto dele. Dave viu o brilho de dor nos olhos de Vanessa. O brilho de morte. A visão dela se turvava, e ela via o olhar de Dave. Ele a olhava com carinho, dor, raiva, tristeza e preocupação...
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