Um Pedaço de Mim - Hiatus (Sendo reescrita)
4 Capítulo 4 - Contando a História
Notas iniciais
Ao chegarem no parque, Vanessa ficou meio atemorizada, afinal, lá tinha muita gente (leia-se homens), e Dave aparente notou. Ela já havia contado para ele que tinha tipo uma fobia de homens, e ele quando notou que ela estava meio receosa, segurou sua mão com firmeza e como que para passar confiança. Quando Vanessa falou da tal “fobia” pra ele, ela ainda não estava preparada para contar a ele sua verdadeira história, o passado que a fez desenvolver tal fobia. A razão de ser tão fechada e ter medo de quaisquer pessoas do sexo masculino. Ela sabia que havia chegado a hora. Andaram mais um pouco, até chegarem no que seria um local perfeito. Era um lugar meio afastado e coberto por árvores. Ambos começaram a prender a rede, e depois que terminaram, ele montou uma mesa dobrável de madeira e colocou uma toalha de mesa plástica e algumas comidas. Depois disso, sentaram-se na rede e começaram então a conversar sobre papos alheios. Dave então falou sobre uma coisa de certo modo pessoal: qual foi a reação dos pais dele quando contou que era gay, e Vanessa soube que era meio difícil para ele falar sobre a família dele, e continuaram conversando baboseiras, após o leve clima tenso ter passado. Subitamente Vanessa soube que estava preparada, que deveria falar. Ela tinha um amigo que se importava com ela, alguém que queria conhecer o seu passado, a sua história, seus segredos, saber sobre a vida dela antes de mudar-se. Vanessa soube que estava na hora. Sabia que estava pronta e que devia contar.
– Dave, eu quero te contar. Eu preciso. Eu já estou pronta.
– Ok.
– Lembra quando você me conheceu? Então, eu finalmente estou pronta pra te contar. Sobre meu passado.
*Flashback ON*
– Meu nome é Vanessa, mas se você quiser, pode me chamar de Janie. Meu nome do meio.
– Meu nome é Dave. Mas pode me chamar de Dave. — Ambos estavam a caminho da biblioteca, no horário de intervalo, ou seja, três horas antes do fim da aula. E, só naquele momento ela reparou o quão bem ele se vestia. — Então, Nessa, por qual razão você ficou branca feito papel quando eu segurei seu braço para te ajudar a levantar?
– Olha, Dave, sem querer ser chata, mas podemos por favor mudar de assunto? Eu não gosto nada de falar sobre isso. — Vanessa já estava ficando meio alterada — Vamos fazer um trato: quando eu estiver preparada eu te conto ok? Eu sei que sou só eu que tenho uma parte do que cumprir nesse trato.
– Tudo bem.
*Flashback OFF*
– Fazem quase três anos e um mês que meus pais deram se separaram, e eu fui morar... com meu pai, um mês e pouco tempo depois do início do processo do divórcio. Mesmo antes de eles se separarem, meu pai já entrava no meu quarto no meio da noite, e... — Vanessa fez uma pausa necessária, aquele assunto nunca fora fácil para ela — me tocava.
– Ei, coração, se você quiser, não precisa contar!
– Mas eu preciso. Quando fui morar com ele, essas "visitas" se tornaram mais frequentes, e, uma semana e no meu aniversário de treze anos, ele me estuprou pela primeira vez. Seis meses exatos depois que eu fui morar com ele.
Dave então ficou estático. "É o quê? Mas... é a Vanessa... como.. como alguém teve essa coragem, de feri-la assim?"
– Foi como se fosse meu presente de aniversário. O pior que já ganhei. E depois disso, os estupros eram semanais, mas com o tempo foram se tornando mais frequentes. — Vanessa já chorava e soluçava nesse ponto — As vezes, eram diários. Todos os dias. Eu vivi com meu pai durante onze meses e vinte e cinco dias. Já se passaram dois anos desde que me mudei para viver com minha mãe. Nesse tempo, de dois anos, onze meses e vinte e cinco dias, ou seja, desde que eu fui morar com meu pai, minhas notas caíram, eu reprovei, mudei de colégio... Depois que fui morar com minha mãe, eu tentei estudar num colégio normal, mas eu ficava aterrorizada, tinha ataques de pânico, desmaiava, chorava e via o rosto dele no rosto de todos os homens e meninos. Depois disso, fui para um colégio feminino, que é onde eu estudava até esse ano, que eu e minha mãe viemos pra essa cidade. Já fazem dois anos desde que vi meu pai pela última vez, mas ainda assim, eu vejo o rosto dele nos meus pensamentos, nos meus pesadelos, no meu dia-a-dia. Ele está gravado em minha memória. Cada segundo está aqui, e eu não consigo esquecer. Ele é para mim sinônimo de dor e tristeza. Eu contei para a minha mãe tudo o que aconteceu, em um dos telefonemas mensais que ela fazia, e ela fez um boletim de ocorrência, mas quando a polícia foi prendê-lo, ele já tinha fugido. E hoje em dia ele está solto em algum lugar, sabendo o que fez, talvez casado, com filhos. Quem sabe até já não tem uma filha que num futuro ou até mesmo atualmente também sofra como eu? Eu nunca mais quero ver o rosto dele, a menos que seja pra reconhecê-lo na hora de ser preso. Eu quero que ele sofra, apenas isso.... — Vanessa fez vária pausas durante seu relato, e agora chorava copiosamente.
Dave ficou surpreso com tamanha revelação e com a determinação de Vanessa. Já ela não conseguia parar de chorar, e Dave a abraçou e tentou acalmá-la um pouco pelo menos. Quando ela se acalmou um pouco, Dave disse que ia levando as coisas pro carro, e que já voltava. Quando voltou,encontrou Vanessa quase dormindo, e a carregou, colocou no banco do carro cuidadosamente e dirigiu em direção a casa de Vanessa. Já eram 18:43hrs quando saíram do parque. Havia muito trânsito, então só chegaram às 22:35hrs.
– Anjinha? Chegamos. Anjinho, vamos lá...
– Hum... — Murmurou Vanessa. Ela ainda tinha o rosto meio avermelhado por causa do choro. Isso se devia a sua pele clara.
Dave simplesmente não compreendia o que um pai era capaz de fazer com a própria filha. Por causa dele, ela teria um trauma pelo resto de sua vida. E ele sabia disso. Dave sentia profunda amizade por Vanessa, o que só o deixou com raiva do monstro que era o pai de Vanessa. Ele não conseguia saber como alguém conseguia machucar uma criatura tão delicada e especial. Uma pessoa doce, meiga...
– Vamos Anjinha?
Dave carregou-a até a porta, onde tocou a campainha e Anne atendeu.
– Oi Anne. Ela acabou dormindo no caminho. Posso levá-la lá em cima?
– Sim, entra. Se quiser, pode passar a noite aqui. — Anne estava envolta em um casaco de moletom e uma calça do mesmo tipo.
– Obrigada.
Ele levou Vanessa com todo o cuidado para o quarto dela, e colocou-a na cama, logo em seguida deitando-se num sofá de dois lugares branco e felpudo que tinha no quarto de Vanessa, com uma almofada que tinha uma estampa de gatinho. Era uma noite meio fria, e Dave resolveu pegar um cobertor no guarda-roupas de Vanessa. Ela aconchegou-se em sua cama, cobrindo-se com sua colcha branca. Dave ouviu um estrondo lá fora enquanto voltava para sofá, e olhou pela janela. Ele não podia acreditar no que havia acabado de acontecer...
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