Um Pedaço de Mim - Hiatus (Sendo reescrita)
3 Capítulo 3 - Alguém Em Quem Confiar
Notas iniciais
– Meu nome é Vanessa, mas se você quiser, pode me chamar de Janie. Meu nome do meio.
– Meu nome é Dave. Mas pode me chamar de Dave. — Ambos estavam a caminho da biblioteca, no horário de intervalo, ou seja, três horas antes do fim da aula. E, só naquele momento ela reparou o quão bem ele se vestia. — Então, Vanessa, por qual razão você ficou branca feito papel quando eu segurei seu braço para te ajudar a levantar?
– Olha, Dave, sem querer ser chata, mas podemos por favor mudar de assunto? Eu não gosto nada de falar sobre isso. — Vanessa já estava ficando meio alterada — Vamos fazer um trato: quando eu estiver preparada eu te conto ok? Eu sei que sou só eu que tenho uma parte do que cumprir nesse trato.
– Tudo bem.
Dave assentiu. O que ele poderia fazer? Forçar Vanessa a falar sobre um assunto que aparentemente não era bom e a deixava claramente triste e transtornada? O que ele sabia era apenas que ela sofrera, mas ainda não estava preparada para falar. Outra coisa que ele percebeu foi que ela também não se vestia como as demais garotas. Afinal, nenhuma delas jamais utilizaria uma calça jeans em um dia ensolarado. Muito menos um moletom. Resolveu então simplesmente deixar tal assunto de lado.
– Então, eu tenho só mais uma perguntinha que talvez te deixe meio triste. Por que você ficou melhor quando eu falei com você?
– Posso responder com outra pergunta? — Dave permitiu com um movimento de cabeça -Eh... hum... v..você é... você sabe, g..ga..gay? — Disse Vanessa timidamente, e Dave ficou meio surpreso.
– Tipo, hum... sou mas não sou tipo, sabe, aqueles da T.V., ou dessas coisas. Eu sou bem mais discreto, entende? — Dave escolheu as palavras com dúvidas de quais escolher. “Mas eu escondia muito bem!”
– Entendo. Por isso. Essa é a razão de eu ter ficado melhor, eu notei em sua voz, seu timbre, que mesmo quase que num tom irreconhecível ainda dava para saber. Sabe, a voz mostra muito de você. E, pela primeira vez em muito, e quando eu digo muito é muito, muito tempo e me senti segura e confortável junto com um homem, uma pessoa do sexo masculino e tals...
–Saquei... — “O que aconteceu com ela? Para ela ter tanto medo? O que foi tão terrível?” Indagava Dave em sua mente.
– Te ofendi? Pois, se sim mil desculpas...
– Não, não ofendeu não, é só que eu estou pensando e tentando descobrir o que houve com você.
***
Alguns dias depois Dave chamou Vanessa para ir ao parque. Ela aceitou, depois de pensar um pouco. Resolveram que ele a pegaria na casa dela, às 09:00 am, no domingo. Ele a chamou em uma sexta feira. Mal sabia ele o que aconteceria... Então ele tinha dois dias para preparar o pique nique e tudo mais.
Já faziam duas semanas desde que Vanessa ingressara na Paul High School. No segundo dia ela conhecera Dave, que se mostrou um ótimo amigo. Responsável, animador, e, ainda mais importante: não pressionava Vanessa para ela lhe contar seu passado. Agora, eram quase inseparáveis. Amanhã iriam ao Pool Woods Park. O prque selecionado era ótimo, e tinha um parque aquático nele. Para amanhã Vanessa separou uma bermuda de algum tecido sintético que esqueceu o nome, uma camiseta branca com detalhes multicoloridos e um all-star preto, com alguns desenhos de caveirinhas. Também separou o maiô, mas duvidava que o utilizaria amanhã. Então, foi dormir. "Hello nightmare"... Isso foi o que pensou pouco antes de dormir. “Eu estava no colégio, fugindo Dele, fugindo do meu pai. Fugindo de seu sorriso de escárnio, dele. E eu simplesmente não sabia mais para onde correr. Ele me alcançava, segundo após segundo. Eu o sentia cada vez mais perto. E eu então vi Dave. Ele estava ali, me dizendo para correr. E ele alcançou meu amigo. Meu único amigo. ‘Fuja Vanessa! Fuja! Vai logo! Pode me deixar aqui! Vai!...’ Mas eu não conseguia me mover. Não conseguia correr. E ele me alcançava cada vez mais. Dave chutou e se debateu, conseguindo finalmente se soltar. E ele me ajudou a fugir daquele miserável, aquele miserável que deveria morrer. Finalmente consegui me mover e fugir.” Vanessa então acordou, empapada em suor, sozinha. Sem despertador nem ninguém. Algo que nunca aconteceria e nem aconteceu desde aqueles meses. Então, ela olhou no relógio que marcava 08:00. Uma hora depois Dave chegaria. Então correu para tomar banho, escovar os dentes e fazer tudo o que fosse necessário e se vestir. Terminou de vestir-se e desceu as escadas rapidamente para comer. Comeu apressadamente foi esperar Dave. Daqui à pouco ele chegaria. Quando faltavam apenas 5 minutos para a hora marcada, tive de ir ao banheiro.
Dave já estava pronto, e acabara de chegar na casa de Vanessa. Tocou a campainha algumas vezes, e esperou alguns poucos segundos. Anne atendeu a porta.
– Olá Dave! Tudo bem com você? — Disse ela com seu bom humor usual.
– Sim, tudo. E você?
– Também.
– A Vanessa já desceu?
– Ela já tinha descido, mas teve de usar o banheiro.
– Ok. Eu posso esperar aqui na sala?
– Sim, é claro. — Então Dave sentou-se no sofá creme, para esperar a Vanessa. Ela tinha aproximadamente 1,60 de altura, cabelos castanhos e ondulados, mas que dependendo do ângulo do qual se olhasse ficavam louros, e olhos que dependendo da luz (n.a.: perdoem a falta de criatividade....) podem ficar de várias cores diferentes, tipo verdes, azuis, cor de mel, cinzas... ou simplesmente uma mistura de todas elas. E também uma pele bem clara e lábios muito bem desenhados, com um nariz perfeito para o formato de seu rosto.
– Então, vamos Dave? — Dave nem notara que ela já estava em sua frente.
–Claro!
E logo estavam eles em direção ao Pool Woods Park. Lá era um lugar perfeito para passear em um dia ensolarado, com a sua família, ou cachorro... a animação contagiava a ambos, e eles se sentiam bem com a perspectiva de um passeio, mas Vanessa ainda estava meio temerosa. Ela tinha um mal pressentimento em relação a aquele dia, que começou alegre. Ela também estava decidida a fazer algo, ela não esconderia mais.
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