Um Pano, uns Artesanatos e Muita Luta
1 Capítulo 1
Roubou inúmeros;
Roubou objetos, vivas e mortas coisas;
O coração das moças, o sorriso dos "sem teto";
Roubou a fala padrão;
Criou uma união, um dialeto;
Roubou coisas normais;
Outras irreais... O que não lhe convém é o que são;
Ele não é ladrão!
Roubaram sua alegria;
Sua felicidade;
Fizeram-no mudar para a cidade cinza;
Roubaram-lhe sua vontade, perseguiram-no onde ia;
Transformaram-no em um transtornado com tanto trânsito...
Mais um velho ranzinza;
Coitado...
Roubaram-lhe não apenas as penas;
Mas também sua vontade de voar;
Roubaram suas tranças, proibiram suas danças;
Roubaram sua capacidade de amar;
Tiraram seus pés da estrada;
Seus contos, suas fadas;
Deram-lhe veneno que fizeram de seus roncos um alívio pequeno...
Nada era mais sereno que seus artesanatos;
Sua arte;
Agora mais "sensato" isso já não lhe faz parte.
Quantos reis deveriam ser réus?
Quantos policiais deveriam ser presos?
Quantos mais? Quantas leis... E todos ilesos
Mas o prenderam por quê?
Por usar dread? Por ser barbudo?
Por não tomar banho?
Ou por não se acomodar mudo?
Por que?
Por ser livre! Independente!
Seu estilo tem leva o nome de maluco... E a esse deve lhe fazer juz
Mas além de sua bicicleta e suas pulseiras... leva na bagagem muita paz, muita luz...
E se andar por aí é proibido;
E seu dever social é só olhar para o próprio umbigo;
Nossa sociedade prenderia Jesus;
Até quando vamos carregar essa cruz?
Fale com o autor