Roubou inúmeros;

Roubou objetos, vivas e mortas coisas;

O coração das moças, o sorriso dos "sem teto";

Roubou a fala padrão;

Criou uma união, um dialeto;

Roubou coisas normais;

Outras irreais... O que não lhe convém é o que são;

Ele não é ladrão!

Roubaram sua alegria;

Sua felicidade;

Fizeram-no mudar para a cidade cinza;

Roubaram-lhe sua vontade, perseguiram-no onde ia;

Transformaram-no em um transtornado com tanto trânsito...

Mais um velho ranzinza;

Coitado...

Roubaram-lhe não apenas as penas;

Mas também sua vontade de voar;

Roubaram suas tranças, proibiram suas danças;

Roubaram sua capacidade de amar;

Tiraram seus pés da estrada;

Seus contos, suas fadas;

Deram-lhe veneno que fizeram de seus roncos um alívio pequeno...

Nada era mais sereno que seus artesanatos;

Sua arte;

Agora mais "sensato" isso já não lhe faz parte.

Quantos reis deveriam ser réus?

Quantos policiais deveriam ser presos?

Quantos mais? Quantas leis... E todos ilesos

Mas o prenderam por quê?

Por usar dread? Por ser barbudo?

Por não tomar banho?

Ou por não se acomodar mudo?

Por que?

Por ser livre! Independente!

Seu estilo tem leva o nome de maluco... E a esse deve lhe fazer juz

Mas além de sua bicicleta e suas pulseiras... leva na bagagem muita paz, muita luz...

E se andar por aí é proibido;

E seu dever social é só olhar para o próprio umbigo;

Nossa sociedade prenderia Jesus;

Até quando vamos carregar essa cruz?

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!