Um Olhar

3 Domenick


Notas iniciais
Demorei, mas provavelmente não irei demorar tanto assim daqui em diante. A história já está pronta em minha mente, é só passar pro papel ;)
Boa leitura ;D

20h:57

Asheley descia do taxi na Champs-Élysées e caminhava até o café que servira de palco para a reunião matrimonial de seus pais... A calçada era mais larga que as calçadas comuns e, enquanto atravessava, sua vida passava diante de seus olhos. De sua infância até os dias de hoje e desses, até os dias que estavam por vir. O futuro era visto com o maior otimismo que seus desejos permitiam. Tudo era bom no horizonte. Só ela e ele. A espera acabava ali; o reencontro os uniriam novamente e faria dessa união algo eterno.

Na mitologia grega os Campos Elísios é o paraíso, um lugar do mundo dos mortos governado por Hades, oposto ao Tártaro que seria um lugar de eterno sofrimento. Nos Campos Elísios, os homens virtuosos repousam dignamente após a morte, o que se assemelha ao céu dos cristãos. As pessoas que residiam nos Campos tinham a oportunidade de regressar ao mundo dos vivos, coisa que só alguns conseguiam. E era na avenida batizada com esse nome que Asheley revivia, no mesmo exato lugar, sentimentos fortes que mudaram, e mudará, sua vida.

Ela entrou no café.

O lugar estava exatamente igual. O espaço era bem dimensionado e os clientes eram servidos em mesas quadradas de quatro pessoas. Além dessas mesas, haviam outras maiores nos contornos das paredes, cada uma com cinco acentos. Mas algo chamava atenção. Todas as mesas estavam ocupadas, exceto uma e, coincidência ou não, era a mesa que seus pais haviam escolhido quando visitaram o café anos atrás.

Asheley se mantinha em inércia na entrada. Suas lembranças a consumiam e seu corpo não conseguia se mover.

20h:59

Uma mulher que trabalhava no local veio até ela.

– Je peux vous aider? – ‘Eu posso ajudar?’ em françês.

– Claro! – respondeu em francês, caindo em si novamente – Aquela mesa está reservada? – Disse Asheley apontando para a mesa vazia.

– Oui. – Respondeu a moça – Ela está reservada, mas a cliente ainda não chegou.

– A cliente? – Era uma surpresa que fosse A cliente e não O cliente – Por favor, pode me dizer em nome de quem está reservada?

– Un instant. – A moça procurou em seu caderninho de anotações e respondeu – A mesa está no nome de Asheley Benneg.

Suas dúvidas começaram a sumir.

– Eu sou Asheley Benneg. – Um grande peso de seus ombros começava a se dissipar e seus sonhos ficavam mais sólidos e tateáveis.

Eu estava certa.

A moça pediu uma identificação.

– Senhorita Benneg, me acompanhe.

A funcionária do café a levou até a mesa e, quando ia se retirar, viu que Asheley ainda não tinha se sentado.

– Y at-il un problème, mademoiselle?

– Non – Respondeu Asheley de pé – É só que... – Ela criou forças para desenterrar um pedaço de seu passado – Eu vim aqui quando era criança e foi aqui que meus pais se reconciliaram do divórcio e voltaram a morar juntos.

– E isso é bom, não? – Disse a atendente reparando na cara de tristeza de Asheley.

– Sim, claro... É que... – Ela tirou forças de seu âmago – Meu pai morreu dois dias depois.

– Sinto muito.

– Obrigada. Espero que minha sorte mude hoje. – Asheley dispensou a moça e se sentou conferindo as horas.

21h:00

Nick, onde está você?

Faltavam dois minutos e o tempo nunca foi tão relativo. O aperto da espera a consumia e dava espaço a ânsia e expectativa. Ela não deixava de olhar ao redor a procura de um rosto familiar.

Será que ele não vem? Não, impossível. Ele reservou o lugar. Ele virá. Ele tem que vim. Ele virá... Cadê você Nick?

Ela olhou novamente as horas.

21h01

Seu almejo pelo rosto de Domenick não permitia pensar ou analisar com precisão, isto, somado com as lembranças de seu passado. Todo o seu corpo passava a funcionar apenas por instintos e sentimentos. Nada de razão ou lógica. E o tempo não passava.

Ela tentou se acalmar. Agora ela era uma nova mulher, uma mulher rígida e determinada que não precisa ser protegida. Uma mulher que parte para a guerra sem carregar medos e, principalmente, sem precisar ser carregada. E, quando Domenick chegasse, essa imagem seria a primeira que iria passar. Não seriam lembranças fúnebres ou um desejo exaltado que a derrubaria.

21h02

Essa era a hora marcada. O coração de Asheley começou a acelerar e seus olhos varriam todo o lugar e rostos. Ela fitava a porta de entrada sem piscar, suas mãos estavam geladas e sua respiração densa. Os segundos foram se passando e nada. Ela olhava para a porta quase que vendo através dela e nada. Ninguém.

21h03

Ele não...

– Asheley?

Um susto.

Asheley estava tão focada que não percebeu a atendente ao seu lado.

– Desculpe senhorita, – disse a funcionária – mas temos uma ligação para você.

Asheley não se segurou e deu um salto pegando o telefone da mão da mulher.

– Nick, onde você está? – Começou ela sem parar – Eu vim, eu decifrei a carta. Meu Deus, onde você está? Achei que era para nós nos encontrarmos aqui? Eu tenho tantas coisas para...

A voz do outro lado a interrompeu.

– Asheley? – Disse a voz. Asheley ficou muda desconhecendo a voz. – Aqui é Hugo. Precisamos conversar.

– Onde está Nick? Preciso falar com ele! – Ela estava eufórica – Ele tinha que estar aqui, ele marcou para nos encontrarmos aqui! Onde ele está? Diga pra ele que eu vim. Diga pra ele! Chame ele! Eu quero falar com ele, chame ele!

– Asheley... – Ele deu um silêncio para ela se acalmar – Domenick está morto.

Notas finais
:)
Vamo que vamo. Agora vamos ter novos personagens e iremos trabalhar em cima do assassinato do "Dome-kun". Cheio de Flashbacks huhuhuhahaha. *-*