Um Novo Futuro
28 Marcus Knight
Notas iniciais
POV HAYLEY~
A viagem seguia lentamente. Os minutos pareciam não passar. Pela janela eu podia ver que, do lado de fora não haviam muitos zumbis. A calma chegava a ser assustadora. Essa calmaria me fez lembrar do condomínio. Tudo ficara relativamente mais calmo antes de mais e mais zumbis começarem a aparecer. Talvez a calmaria seja um sinal de que em breve os mortos chegariam. O vidro do carro estava aberto até a metade, o que era mais do que suficiente para fazer meus cabelos esvoaçarem e a brisa levemente fria bater em meu rosto. Joe permanecia atento a estrada, como se a qualquer momento um zumbi fosse aparecer bem na nossa frente. Jennie dormia deitada no banco de passageiros. Ela tinha uma expressão serena no rosto, come se estivesse tendo um sonho bom. Pelo menos, sonhar é uma maneira de se livrar desse mundo morto, mesmo que fosse só por algumas horas.
Deixo meus pensamentos vagarem pelo Refúgio. Será que esse lugar existe? Bom, eu espero que sim. Jennie e Joe disseram que antes de me conhecer eles haviam ouvido uma transmissão de rádio do Refúgio. Talvez,essa seja a prova essencial sobre a existência desse lugar. Eu não tive a oportunidade de ouvir uma dessas transmissões, afinal em nenhum momento, eu tive um rádio. E se esse lugar existir? Será seguro? Ou melhor, as pessoas de la serão confiáveis? Quem sabe... Eu só sei que não vou confiar em ninguém tão facilmente assim.
Balanço levemente a cabeça, tentando expulsar esses pensamentos. Não deu muito certo. Eu estava ansiosa para chegar nesse Refúgio. Mas, ao mesmo tempo, fico com medo do que pode haver nesse lugar...Se é que ele ainda existe.
Suspiro. Será que vamos demorar muito?
— Hayley? — Joe me chama.
— Sim?
- Está tudo bem? Você está um pouco inquieta.
- Ah, está sim. É que...eu estou um pouco ansiosa pra saber se esse Refúgio existe ou não.
- Eu acho que a transmissão de rádio que eu ouvi me pareceu bem confiável. Mas, assim como você, também tenho minhas dúvidas.
— Eu só espero que tudo fique bem.
- E vai ficar. Você vai ver.
Balancei a cabeça positivamente mostrando que eu concordava com ele. Enquanto eu estiver com Joe e Jennie do meu lado, tudo vai ficar bem.
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POV MARCUS~
Acordei e ainda meio sonolento, me dirigi ao banheiro para fazer minha higiene matinal. Depois de um bom banho me sinto pronto para mais um dia aqui no Refúgio. Hoje vai ser um dia importante, terei mais uma missão para ir. Não que eu gostasse de sair da segurança que a grande muralha do Refúgio nos proporcionava, mas eu sou um soldado e é minha obrigação cumprir o meu dever aqui. Coloco meu uniforme e penteio meus cabelos. Estou pronto.
Olho no velho relógio de pulso. Ainda é cedo, falta mais de 1 hora pra mim encontrar os soldados para ir à missão além desses muros. Não me agrada a ideia de ter que sair do Refúgio, afinal, assim que passamos pelos enormes muros de concreto e portões de aço que nos protegiam tínhamos que lidar com uma realidade completamente diferente da que vivemos aqui dentro. O mundo lá fora é morto. É devastado por criaturas que um dia foram humanos, mas que hoje são a desgraça que pairam sobre a terra.
O Extermínio começou a meses e desde então a humanidade só vem perdendo para os mortos. Eu sobrevivi sem muitas dificuldades. Tinha acabado de terminar o meu treinamento no exército quando tudo aconteceu...Eu estava pronto pra passar um tempo em casa com meus pais antes de começar o meu dever como um soldado. Mas, infelizmente, o mundo acabou antes de eu ir embora daqui. Por semanas eu tentei contato com meus pais, mas a notícia de que eles já haviam sido morto não demorou muito para chegar depois disso.
A base do exército em que eu treinei foi escolhida para ser o Refúgio dos sobreviventes. A partir daí começava um trabalho árduo e que custaria muitas vidas, mas que salvaria milhares: A construção da Muralha. Que ainda não havia sido terminada, mas já estava com seus 10 metros de altura. A muralha está sendo construída em volta de toda base militar. E até hoje, nada foi capaz de penetrá-la. Haviam dois portões, compostos de ferro e aço, que estavam localizados um em cada extremo da base — que por sinal, teve que ser aumentada cerca de 3x para suprir a demanda da grande população que estava destinada a vir pra cá.
Aos soldados que serviam aqui -inclusive eu- foram dadas ordens do governo para proteger as pessoas que viriam para cá, principalmente, os grandes médicos e cientistas do país, que seriam enviados para o Refúgio. Eles iriam se instalar aqui, pois haviam um laboratório no subterrâneo na base, mas não era mais usado. Por enquanto. Depois que eles chegaram aqui, o laboratório foi reativado, e os cientista e médicos iniciaram um trabalho que dura até hoje, e que ainda não mostrou nenhum resultado animador: A descoberta da Cura. As pessoas que chegaram aqui mordidas eram diretamente enviadas ao laboratório para servirem de cobaias para as "vacinas" produzidas lá, nenhuma das pessoas resistia ao ser enviada ao laboratório,afinal, já haviam sido mordidas, não tinham mais salvação. E todas ás vezes os resultado era o mesmo...as pessoas enviadas saíam de lá em sacos pretos. Mortas.
Eu sei que deviam botar um pouco de fé no trabalho dos cientistas, mas,pra mim isso é tudo bobagem. Cura? Duvido que isso vai existir um dia. Aposto que eles só estão tentando se redimir por ter criado o vírus que destruiu praticamente toda a raça humana.
Hoje, o Refúgio tem cerca de 4.000 sobreviventes o que é um número pequeno já que a base foi reformada para abrigar cerca de 10.000 pessoas. Aqui tudo está em ordem, cada um tem seu trabalho e sua função. A minha era trazer mais sobreviventes até o Refúgio, então, eu passava a maior parte do tempo saindo da proteção dos muros junto com a minha equipe para encontrar pessoas que queiram vir para o Refúgio.
O único problema é que alguns seres humanos não estão dispostos a viver pacificamente dentro da base. Existem grupos perigosos que tentava conquistar os Refúgio para seu próprio benefício. Querem ser "Donos" dessa base. Por isso, estamos tomando cuidado redobrado ao sair do Refúgio,afinal, eles sempre se aproveitam que o portão está sendo aberto para atacar. Ou tentam se infiltrar no Refúgio se passando por um sobrevivente recém-chegado para conseguir informações privilegiadas sobre as pesquisas, ou nossos armamentos, que são enviados pelo governo que está em "outro Refúgio" um lugar com uma construção melhor do que essa, mais avançado, mais protegido no qual é mantido o Presidentes, os político mais importantes e suas respectivas famílias. A localização desse lugar é restrita. Somente uma pessoa sabe onde está a localização do "Santuário" mais protegido. Seu nome: General Joseph Carter. O homem que controla o Refúgio. o nosso líder e meu chefe. Eu não gosto dele, talvez pelo fato dele ser meu chefe. Não, não era por isso. Alguma coisa nele não me trazia confiança, pra mim ele é um medroso que só quer mandar. A algumas semanas o Refúgio foi atacado por um grupo fortemente armado, quando a equipe que busca suprimentos estava pronta para mais uma missão. Eles se esconderam entre as densas árvores que emolduravam a paisagem em volta do Refúgio e atiraram. Muitos morreram. Praticamente a equipe toda. E o pior é que isso aconteceu sem que a houvesse chance da equipe de atiradores que protegiam a Muralha fizesse alguma coisa. O portão teve que ser fechado imediatamente. Qualquer pessoas em seu juízo perfeito não mandaria mais soldados para evitar mais perdas, já que a maioria da população do Refúgio eram civis e não podiam ajudar na proteção do lugar. Mas o nosso "querido" General Joseph fez o favor de mandar duas equipes de soldados, inclusive eu, que estava na equipe 1.
Quase fomos massacrados. Afinal o inimigo conhecia o lugar como ninguém, além de que estava cheio de armadilhas. Tudo fora armado. Eles haviam matado a tropa que busca suprimentos sabendo que haveria um contra-ataque. E não era só isso, a maioria dos soldados enviados eram novatos. O resultado disso foram mais mortes, mais perdas para humanidade, mais perdas para o Refúgio. Eu fui um dos poucos que voltou. E, na hora de dar o relatório da missão ao General, ele ouviu tudo e disse apenas um:
- Mais soldados mortos. Malditos novatos! Não sabem nem ao menos concluir uma missão!
Se eu não fosse apenas um soldado, daria um belo soco no meio daquela cara de fresco dele e ainda mandaria ele ir no nosso lugar, mas eu sabia que se fizesse isso o próximo soldado morto seria eu.
Suspirei e balancei minha cabeça para sair dos devaneios. Pela primeira vez eu não iria chegar atrasado como era bem típico de mim, até acho que todos vão surpreender por me ver ser o primeiro a chegar. Olhei o relógio em meu pulso:
— O que!? Ah! Droga,como sou um imbecil. Fico aqui pensando na vida e agora to atrasado! — falei pra mim mesmo, bufando de raiva. acrescentei:- Como sempre!
Sai correndo pelos corredores dos dormitórios, precisava chegar no ponto de encontro que havia marcado com a tropa antes da missão.
"Eu só espero que não seja uma viagem perdida e que, pelo menos eu encontre, nem que seja pelo menos mais um sobrevivente no meio desse mundo morto." pensei.
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