Savannah ficou como se paralisada ante a visão de John descendo da moto a sua frente e pensou que ele não poderia ser mais lindo do que naquele momento, parecia tão despreocupado sem aquela tensão que sempre o acompanhava, por um instante lhe pareceu que John realmente estivesse feliz. Ele desceu da moto olhando para com um sorriso em seu rosto, fazendo com que seu coração batesse ainda mais rápido.

_ Você fez milagres por aqui, está bem diferente da última vez que estive aqui – John falou indo em direção a ela, se aproximou um pouco mais deu um beijo em seu rosto. Savannah sorriu com aquele gesto.

_ Fico feliz por você Savannah, conseguiu realizar o seu sonho. Olha para isso, o lugar está maravilhoso, aposto que as crianças não querem ir embora daqui quando o verão acaba.

_ É John pode-se dizer que alcancei um dos meus sonhos, o rancho é maravilhoso e as crianças se divertem muito. Mas me conta de você, como está sua adaptação de novo a vida de civil?

_ Sem muitas novidades, estou ajeitando a casa que era de meu pai, decidi morar lá mesmo, afinal minha vida inteira vivi ali e aos poucos estou me adaptando.

_Acho que fez bem em voltar pra cá... Seu pai ficaria feliz _ Foi só que ela pôde dizer, não queria fazer muitas perguntas sobre sua vida, afinal John sempre foi muito reservado em relação a sua intimidade, ela ainda recordava como ele recebeu mal quando ela falou que seu pai era autista, aquela cena por mais que tentasse não saia de sua cabeça. Por fim simplesmente perguntou:

_Gostaria de tomar café? Levantei tão cedo que ainda não tive tempo de comer nada e meu estômago já está reclamando. _ Ela sorriu.

John a olhou por um instante como se estivesse realmente pensando se isso era uma boa idéia até que finalmente respondeu: _Sim, eu te acompanho num café.

Caminharam lado a lado um do outro, até chegar ao pé da escada de acesso a casa, onde Savannah parou para retirar as botas sujas de lama, quando John se abaixou para fazer o mesmo, ela disse que não era necessário, mas assim mesmo ele fez questão de tirar as suas botas de motoqueiro e entraram na casa, o ambiente estava aconchegante, foram diretamente para a cozinha.

_ Sente-se John enquanto coloco a água para fazer o café.

John ficou observando Savannah enquanto ela caminhava com desenvoltura pela cozinha, tão segura de si quanto ele se lembrava, por muitas vezes a imaginou exatamente assim em seus sonhos, quando pensa que os dois poderiam ter uma vida juntos, mas isso fazia parte do passado. Savannah possuía uma aura de tranqüilidade do tipo que alivia e conforta ao mesmo tempo, isso fez com que os anos separados fossem quase insuportáveis de agüentar, pois ele se lembrava da sua meiguice e como se sentia confortável ao lado dela, como podia ser ele mesmo, mas ele por muitas vezes bloqueou esses pensamentos em relação a ela para evitar maiores sofrimentos. Por mais que a separação doesse, ele jamais teria feito alguma coisa contra Tim e fora justamente o contrário o que ele fez.

John respeitou o compromisso de Savannah e Tim, se compadecendo de seu problema, decidindo vender de imediato vender todas as moedas da coleção do seu pai, logo após tê-lo visitado no hospital, pois ele sempre soube que Tim amava Savannah, muito antes de ter ouvido isso da boca dele. John doou todo o dinheiro da venda anonimamente para o tratamento de Tim. Mas, após esses longos sete anos desde aquele verão que passaram juntos em Lenoir ele se sentia desconfortável em continuar amando Savannah, não tinha ilusão que tudo poderia voltar a ser como antes, a memória de Tim ainda estava intacta na vida dela, a exemplo disso era que ela continuava sua vida exatamente como estava quando os dois ainda estavam casados.

_ John? Savannah o chamou, mas ele não respondeu, parecia absorvido em seus pensamentos. John, você aceita com açúcar ou adoçante?

Só então ele percebeu que ficou em silêncio enquanto ela preparava o café, olhou para ela saindo de seus devaneios. _ Açúcar, por favor.

Savannah serviu duas xícaras de café, levou até a mesa, em seguida foi a geladeira pegou geléia, queijo fresco, pão e trouxe tudo junto consigo para a mesa e se sentou de frente para John.

Ela começou a se servir juntamente com ele, enquanto conversava sobre animosidade, falaram sobre a vida no rancho e a rotina que ela tinha, contou a ele, sobre como era muito trabalhoso manter tudo aquilo funcionando, pois fazia mais por prazer em ver os resultados já que os lucros não eram os esperados, mas que dava pra se manter sem muito luxo, contou como a relação com seus pais estavam e o quando eles a ajudavam, a mãe apesar de boa mulher ainda não sabia como conversar com a filha sobre certos assuntos e demonstrava seu amor da forma que sabia: deixando a geladeira sempre abastecida, pois isso Savannah quase nunca precisava cozinhar. Falou a respeito de Alan e como foi difícil para ele após a morte de Tim, ele ficou mais fechado ainda, como se tivesse criado um muro ainda maior ao redor de si, onde somente Savannah conseguia ultrapassar às vezes.

John também falou sobre sua vida no exército, dos poucos amigos que conseguiu fazer por lá, das terríveis noites tensas quando esteve no Iraque e as constantes ameaças que sofriam, a vida no exército era extenuante, fora a todos os lugares onde fora enviado, cumpriu todas as missões a que foi ordenado, até que um dia decidiu aquilo já não fazia mais parte do que ele queria. Ele queria de estabilizar, construir alguma que de fato fosse dele, o tempo de rebeldia tinha ficado para trás, agora ele era um homem e precisava deixar todos os seus dissabores no passado.

Savannah se perguntava se ela também estava incluída nesse passado que ele resolveu deixar para trás, mas não teve coragem de perguntar, conversaram longamente, por volta do meio dia John se levantou para ir embora.

_ Já está tarde, preciso ir. John lhe disse, mas por um breve momento houve um lampejo de decepção nos olhos de Savannah, ou seria engano dele?

_ Fique para almoçar, te garanto que posso tirar um verdadeiro banquete de dentro dessa geladeira. Os dois sorriram quando ela disse essas últimas palavras.

Savannah se levantou também se aproximando um pouco de John, iria levá-lo até a porta, mas no caminho o corpo dos dois se tocaram lentamente provocando uma onda elétrica sobre ele, ambos param olhando um para o outro com um brilho diferente do olhar, seus corpos se aproximando ainda mais. Savannah viu John abaixando em sua direção e seus lábios se encontraram a princípio num beijo terno, ela esperava por isso ha muito tempo, o abraçou e entreabriu seus lábios num convite para John, que respondeu a abraçando forte e intensificando o beijo. Mas antes que ela perdesse totalmente a noção do tempo, perdida em seus braços, ele se separou dela tão rápido quanto começou o beijo.

Ela a olhou. _ Não posso, simplesmente não posso Savannah. Saiu deixando ela atônita no meio da sala. Savannah levou seus dedos e tocou levemente seus lábios, pensando em como era bom beijá-lo, mas de repente se sentiu vazia, como se algo tivesse sido arrancado de si, e que nunca mais recuperaria. Correu até a janela quando ouviu o ronco baixo na moto indo embora.

Notas finais
Agradecimento especial a todos que estão acompanhando e obrigada pelo incentivo.