Notas iniciais
Voltei, pessoas lindas! Estou precisando me colocar uma meta pra terminar esses caps mais rápidos! Enfim, esse já tava pronto há um tempo, maas, tava com um buraco que eu não conseguia identificar, mas consegui agora. Mais uma vez, obrigada a Stephanie Abello por me ajudar nessa parte, graças a uma conversa que tivemos, pude perceber o que fazer

Aquele foi um dia difícil para Betty e Armando. Depois de tudo o que viveram, voltar à rotina parecia mais sufocante do que nunca. Eles estiveram separados todo o dia. Betty o escutava gritando com Mariana o tempo todo, ao mesmo tempo em que Armando a via entrar e sair de sua sala apressadaTalvez a bagunça em que se encontrava a empresa tivesse ajudado um pouco ambos a terem foco no trabalho e deixar as angústias de lado. No entanto, o almoço com Don Hermes e o final do expediente, em que Armando teve de deixar Betty em casa com o pai e ir embora sozinho (de acordo com Don Hermes, todos tinham levado trabalho para casa e não poderiam perder tempo com namorico), só marcou o quanto os dias seguintes seriam desesperadores.

Armando tocou da casa de Betty direto para "El retiro", o centro comercial de mais alto perfil da cidade, que não ficava longe dali. Chegando lá, rumou para a Mozt Joyería, uma joalheria colombiana colombiana de renome internacional, cujo dono era amigo dos Mendoza. Não hesitou em comprar um jogo de alianças de compromisso, a dele muito simples talhada em ouro branco, a dela com diamante central de 0.30 Kilates. Não que a ele importasse a aparência do anel, por ele mesmo colocaria no dedo de Betty algo muito maior e chamativo para que todos vissem o anel antes de ver ela mesma, de modo que soubessem que ela pertencia a si, mas sabia que ela ficaria brava consigo se chegasse com algo desse tipo. Aquele ali parecia bastante com sua Betty: era discreto, sofisticado e simples. O diamante central mostrava como ela podia ser única. Ainda que não soubesse exatamente o tamanho do dedo de Betty, fingiu que soube frente ao joalheiro e escolheu um que julgava ser o correto.

Voltou para casa mais tranquilo, depois de ter comprado os aneis. Amanhã mesmo falarei com Don Hermes... Todavia, isso não era garantia nenhuma de que a noite seria mais fácil para ele.

Betty, por outro lado, ao entrar para sua casa, passar pelas perguntas curiosas de sua mãe (também pelas avaliações de seu pai, sem dúvidas), e fechar-se no seu quarto, mal conseguia respirar de ansiedade pelo dia seguinte, quando Mireya seria entrevistada pelo Gutiérrez e possivelmente entraria a ocupar o posto de Sandra. Imaginou todas as possibidades cabíveis para sua aparência. Lembrava-se muito bem do quartel dizendo que ela bonita. Não era como uma modelo, diziam; era como Aura María... Como se a amiga não fosse um furacão, talvez pior mesmo do que as modelos...

Esse pensamento fez com que ela se levantasse e se olhasse ao espelho: sentia-se desengonçada, sem as curvas e os atributos necessários para ser uma mulher de verdade. Não podia deixar de questionar-se a respeito do que Armando vira nela. E se agora, sendo ele um homem diferente, ele reparasse na antiga secretária e visse algo especial?

Coçou a testa em nervosismo e achou-se ridícula. De novo isso? Eles acabaram de ficar noivos, mesmo que não oficialmente... Ainda haveria espaço em seu peito para esse tipo de suspeita? Não podia ser. Depois de tudo por que passaram e depois da viagem à Venezuela, era impossível ter dúvidas. Que parasse com as bobagens de sempre. O que importava era que ela não era como Marcela Valência e que não iria boicotar a secretária nova por motivos tolos.

***

No dia seguinte, Betty acordou, lavou o rosto e maquiou-se como sempre. Talvez maquiou-se um pouco mais do que de costume, mas seria quase impossível perceber, quem não a conhecesse bem. Ligou para a Sandra a saber como ela estava passando e se sentiu bem mais aliviada em saber que a amiga passava bem e voltaria em breve, tão logo terminasse seu afastamento. Dessa maneira, conseguiu se convencer de que estava fazendo tempestade num copo d'água. A situação não duraria muito tempo.

Foi com esse pensamento que ela se dirigiu à Ecomoda naquele dia, pronta a enfrentar o que viesse. No caminho à empresa, ao ser questionada por Armando sobre a possível substituta de Sandra, disse que estava tudo certo, que era muito provável que naquele dia mesmo houvesse uma pessoa para ajudá-lo. Viu que Armando franziu o cenho, não muito crente de que isso pudesse, de fato, acontecer, porém ela não quis alongar o assunto porque isso a incomodava. E incomodava algo mais ainda, algo que não era capaz de descrever, como se as coisas estivessem fora de lugar...

***

Ao passarem pela recepção, Armando cumprimentou a todos e Betty aproximou-se do balcão, de maneira a perguntar a Mariana se a moça já havia chegado. Ela o fez, no entanto, com poucas palavras, recebendo um sinal positivo da amiga, seguido da frase "deu tudo certo". Respirou fundo, na tentativa de engolir tudo aquilo. Se ela o fizesse direito, podia ser capaz de digerir tudo aquilo e passar adiante.

Mal pôde esperar a porta do elevador se abrir para ver a mulher sentada nas cadeiras ao lado da mesa de Aura Maria. Todavia não foi capaz de ver muito, porque o quartel estava ali rodeando-a, ruidoso.

— Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui??? — Armando esbravejou fazendo todas correrem para seus respectivos postos.

E então a figura de Mireya se revelou ali, talvez mais impactante por ser tão pouco impactante: uma moça pálida, magra, de cabelos lisos preso por um rabo alto de cavalo. Óculos de aros grandes escondiam-lhe parte do rosto com uma maquiagem muito natural. O terninho em cores neutras a transformavam quase um espectro, de tal forma transparente que Armando não a viu, ao beijar o rosto de Betty e seguir para sua sala.

— Mi amor, espera! — Betty escutou-se chamando-o e isso fez com que ele voltasse os três passos que dera.

— O que foi, Betty?

E foi então que ele a viu diante de si, franzindo o rosto logo em seguida, como se tivesse tentando se lembrar daquela figura. Murmurou finalmente, em um meio sorriso:

— Mireya? O que você está fazendo aqui?

— É a sua nova secretária, Armando.

Ele franziu as sobrancelhas, tendo a resposta para sua pergunta. A garota, por sua vez, teve o semblante iluminado por uma luz invisível e lhe estendeu a mão em cumprimento:

— Vai ser um prazer trabalhar com o senhor de novo, Don Armando.

Armando segurou-a:

— Eu digo o mesmo, Mireya. Pelo menos agora — disse levantando a voz — vou contar com uma secretária competente e não como umas e outras que mal dão conta do próprio serviço!

O quartel olhou para outro lado, fingindo que a conversa não era com elas.

— Armando! — Betty censurou-o.

— Bom, agora tenho uma secretária, e há muito trabalho que fazer. Mireya, você passa o turno da manhã com a Aura Maria e Mariana, de maneira que elas lhe ensine tudo o que seja necessário. Já na parte da tarde eu preciso de full apoio da sua parte, E esse fim de semana esteja disponível no sábado a tarde para uma reunião com fornecedores. Já tive que desmarcar essa reunião, e não posso fazer isso de novo.

— Sim, senhor. Vou fazer isso já.

Betty, vendo-o tão absorto ali com ela, quis sair e deixá-los a sós, porém quando ela projetou seu corpo em direção à presidência, ele segurou seu braço:

— Mi amor, preciso muito falar contigo... — Aquelas alianças começavam a pesar no seu bolso e ele queria entregar a de Betty o mais rápido possível.

Betty sorriu:

— Podemos nos falar mais tarde, Armando. Já vi que seu dia vai ser cheio e o meu não fica muito atrás.

— Na volta, então, pode ser?

Ela acenou positivamente. Armando despediu-se outra vez com um beijo na sua testa e seguiram cada um para sua sala sob o olhar de Mireya, que captava todas as mudanças que haviam acontecido ali.

Notas finais
Gente, pra quem quiser conhecer os lugares que citei Shopping el retiro - http://www.elretirobogota.com/esp/?dt_portfolio=mozt-joyeria Joalheria - http://www.elretirobogota.com/esp/