Notas iniciais
Editado em 03/03/2013

Armando e Betty entraram na empresa sem falar um com o outro, uma parede de aço nos olhos de cada um. O quartel, que chegara pouco antes, observou-os, indignado: há pouco saíram pisando em flores, e naquele momento traziam a tempestade nos semblantes. As meninas se juntaram em frente à mesa de Sofia. Nicolas entrou logo em seguida balançando a cabeça e Betty e Armando foram direto para seus respectivos escritórios.

Ela já vira Armando ter crises de ciúme antes, mas fora por causa do Nicolas e do Michel, pessoas que, de alguma forma, estavam envolvidas com ela, fossem de verdade ou não. Não esperava que ele reagisse assim diante do Doutor Millar, um perfeito desconhecido, uma pessoa com quem ela nunca se encontraria se não fosse para discutir assuntos da empresa, mesmo admitindo que aquele senhor havia exagerado em suas atenções para com ela. A verdade é que sua cabeça estava pesada e ela estava se sentindo mal, o estômago inquieto e a alma dolorida... Sentou-se na sua cadeira, Armando tratara-a como se ela não sentisse nada por ele... E era isso que pesava em sua cabeça... Depois de tudo o que ocorrera, tudo o que ela fizera, Armando deitara com tudo no chão por um desconhecido... Ele deveria confiar mais nos sentimentos dela, foi inaceitável a sua atitude, não pela atitude em si, mas pelo que ela representava.

Por sua vez, Armando estava em sua sala, a cabeça doendo, pensando que fora um estúpido, um completo idiota. Virou a mão em cima de um porta-lápis mais perto de si no momento e atirou-o longe, de raiva. Magoara Betty, isso era inconcebível. Mas, que diabo! Ver outro homem fazendo galanteios a ela, olhando-a com desejo, foi como se injetasse adrenalina nas suas veias e tudo passasse a acontecer num ritmo desgovernado. Ele queria gritar para aquele infeliz que ela pertencia a ele e somente a ele, queria partir a cara daquele maldito em duas! Não por esse estúpido, senão por Betty, tinha consciência de que agira mal. Não conseguia entender o que acontecia com ele. Seu cérebro trabalhava num ritmo de “capacidade máxima” e as peças começavam a se soltar... Enlouquecia somente de pensar em outro homem tocando “sua Betty”.

Bateu a mão na mesa. A verdade é que ele morria de medo de perdê-la. Tinha medo que ela encontrasse alguém especial e o comparasse a essa pessoa percebendo o lixo de ser humano que ele era, pois era assim que ele se sentia. Armando queria mudar, queria ser uma pessoa melhor para ela e por ela. Mas tudo o que ele conseguia era agir como um neurótico, como fizera no restaurante.

Olhou em direção onde estava a sala dela. Queria ir até lá para conversar, mas, de repente, encolheu-se como um menino, teve medo de não ser bem-vindo, medo de ela ainda estar brava com ele. Apertou os olhos e começou a andar de um lado para outro do escritório, incapaz de pensar em qualquer outra coisa que não fosse em Betty. Fez várias menções de sair até a sala dela, até que, finalmente, num reflexo, foi. Precisava pedir-lhe perdão. Não saberia olhar para seu rosto e vê-la com aquele assunto pendente refletindo em seus olhos.

Foi pela sala de reuniões e bateu levemente na porta do escritório dela. Pareceu fazer isso com uma demora irritante.


****


Betty não conseguia se concentrar no trabalho. Sabia que ela e Armando tinham de conversar e só conseguiu pensar nas coisas que tinha a dizer. Ficou esperando que ele fosse até a sala dela, porque queria que ele reconhecesse o que fez, mas ele estava demorando tanto que ela quase não respirava de ansiedade. Ensaiou ir à sala dele algumas vezes, mas se repreendeu e não foi; Quando finalmente escutou batidas na porta, o ar veio-lhe de uma vez aos pulmões.

– Entre, Armando – ela quase se engasgou ao dizer.

Ele pôs a cabeça para dentro:

– Está muito ocupada? Podemos conversar?

Ela tentou não sorrir diante do semblante abandonada que ele tinha. Era impossível resistir a ele. Betty voltou os olhos rapidamente para os seus papéis antes que eles a denunciassem.

– Estou ocupada sim, mas podemos conversar – ela respondeu tentando parecer brava.

Ele entrou e se sentou à sua frente. Fez isso com dificuldade, a culpa lhe pesando nas costas, enforcando-o. Abriu a boca para começar a falar, mas as palavras brincavam com ele, rodeando sua mente. Ele queria dizer-lhe muitas coisas, mas só conseguiu falar:

– Me perdoe, Betty! Sei que agi como um imbecil. Você pode me perdoar?

– É verdade, agiu como um imbecil... – ela respondeu, séria.

– Eu não consigo ver outro homem interessado em você. Entenda-me, por favor!

– Por que, Armando? Não confia em mim?

– Eu confio em você. O que acontece é que tenho medo de que você perceba que sou um imbecil...

Betty olhou-o sem conseguir entender o que ela mesmo sentia. Compreendera-o, por fim, mas era algo triste, porque ela sabia exatamente o que era essa insegurança. Todavia era impossível que Armando se sentisse daquela forma... Ele não podia se sentir assim, porque doía demais...

– Você não é nada disso, Armando! Não fale assim! – ela levantou-se, deu a volta na mesa e foi até ele, que se levantou também.

– Você cometeu muitos erros, é verdade, — Betty continuou — mas quem não erra, Armando? O importante é que você reconheceu seus erros e está se esforçando para repará-los.

Armando a abraçou e disse por cima de sua cabeça:

– Me perdoa?

– Sim. Desta vez eu perdoo.

Ele sorriu e a culpa se desvencilhou do seu pescoço, indo embora sem olhar pra trás.

– Quero tanto fazê-la feliz, Betty...

– Você me faz muito feliz. Eu nunca poderia ser feliz com mais ninguém que não fosse você.

Armando colou seus lábios aos dela, tentando demonstrar qualquer coisa delicada que espantasse a violência de momentos antes.

– Você é minha, Betty! Só minha! – ele lhe disse próximo aos seus lábios e voltou a se beijá-la.

As mãos de Armando começaram a percorrer o corpo de Betty avidamente. Seus corações batiam acelerados. Eles estavam sedentos um do outro, já fazia muito tempo em que fizeram amor pela última vez.

Armando começou a acariciar os seios de Betty, que gemeu baixinho contra seus lábios. Ele começou a desabotoar sua blusa e ela, num lampejo de lucidez, lhe disse:

– Armando, alguém pode entrar.

Ele, relutante, a soltou e foi fechar as portas, para rapidamente voltar a abraçá-la e beijá-la e continuar a exploração de seu corpo. Desabotoou sua blusa e se deliciou com sua pele macia. Ele tirou o seu paletó, sua gravata e começou a desabotoar sua camisa, mas a urgência do desejo que sentia deixava suas mãos trêmulas. Betty o ajudou a abrir os botões e puxou a camisa para fora da calça, satisfazendo-se com a visão do peito desnudo e começou a acariciá-lo. O desejo de Armando aumentou ao sentir as mãos de Betty acariciando seu dorso timidamente. Deslizou seus lábios pelo pescoço de Betty, beijando-o, mordiscando-o, até chegar aos seios, cobertos pelo sutiã. Ele os beijou sentindo-os enrijecerem sob a renda. Voltou a beijá-la na boca enquanto apertava-a em seu corpo para sentir o contato de sua pele.

–Betty – ele lhe diz num sussurro com os lábios junto aos dela — Eu preciso de você, mi amor!

Betty não conseguia atinar palavra. Armando tirou o blazer dela, sua blusa e levou a mão ao fecho do sutiã. Quando ele os desabotoou, Betty os segurou com as mãos, tímida. Armando lhe disse, com voz grave:

– Deixe-me vê-la, mi amor!

Gentilmente, retirou as mãos que seguravam o sutiã e deixou a peça cair. Ficou maravilhado diante da visão daqueles seios perfeitos. Ele tirou sua própria camisa e voltou a abraçá-la e a beijá-la. Betty delirava com o contato de seus seios nus contra o peito de Armando. Ela o abraçou mais forte pressionando seu corpo ao dele. Armando começou a empurrá-la em direção ao sofá, sem deixar de abraçá-la e beijá-la. Ele a deitou gentilmente e se deitou cuidadoso sobre ela. Continuaram beijando-se e Betty começou a acariciar as costas de Armando. Ele afastou os lábios dos dela para dizer-lhe:

– Betty, você tem certeza mi amor? Eu não poderei mais me conter.

– Tenho certeza, Armando... Quero você...

Armando percebeu, pela urgência na voz dela, que Betty estava tão excitada quanto si próprio, então começou a beijar-lhe o pescoço, os seios, a barriga. Desabotoou sua calça, retirando-a, e voltou devagar beijando suas pernas até chegar a sua calcinha. Ele desenhou o contorno da peça íntima com sua língua e Betty se agitou segurando a cabeça dele, desalinhando seu cabelo. Armando retirou-a e se deteve um segundo contemplando-a, totalmente nua. Betty, porém estava impaciente e estendeu os braços para ele que voltou a se posicionar sobre ela e a beijá-la.

– Armando... – ela balbuciou contra seus lábios e levou as mãos ao cinto de Armando, tentando desabotoá-lo. Ele ficou em pé e retirou rapidamente o resto da própria roupa. Betty perdeu o fôlego ao vê-lo inteiro em sua nudez. Naquele momento ela teve certeza do quanto ele a desejava. Voltando a deitar-se sobre ela, ele abriu-lhe gentilmente as pernas e posicionou-se para possui-la. No entanto, antes, segurou com as duas mãos o seu rosto. Ela tem os olhos fechados. Ele pediu:

– Olhe para mim, mi amor.

Ela obedece.

– Eu te amo! Te amo muito!

– Eu também, Armando...

Ele não se segurou mais e invadiu o corpo de Betty.

As sensações eram intensas. Armando se movimentava freneticamente, incapaz de se conter. Betty só conseguia segurar-se a ele e deixar-se levar pelas sensações que a invadiam. Ele tinha urgência, a amava desesperadamente e sem poder controlar-se, chegando logo ao clímax, com um gemido rouco. Betty sentiu o corpo dele estremecer em espasmos e observou deslumbrada o rosto dele contrair-se. Enquanto Armando, vencido pela intensidade do orgasmo que acabara de ter, repousa o rosto entre os seios dela, vai sentindo sua respiração voltar ao normal. Ela fica acariciando-lhe os cabelos, até que alguns minutos depois ele se apoia nos cotovelos e diz, olhando-a nos olhos:

– Desculpe-me, mi amor! Eu não pude me controlar! Estava louco de desejo!

– Desculpar o que, Armando? Foi tudo maravilhoso!

– É que você não...Você não sentiu... Me desculpe! Não pude esperá-la... – e beijou a mão que ela passava em seu rosto.

– Não. Mas foi tudo tão lindo! Tão intenso!

– Mas não é justo! Não vou deixá-la assim.

E voltou a beijá-la, nos lábios, nos olhos, no nariz, no queixo, no pescoço, brincou com o lóbulo de sua orelha, enquanto acariciava seus seios e foi descendo, acariciando sua barriga, a parte interna de suas coxas e finalmente o centro de sua feminilidade. Ela se contorceu, gemeu e sussurrou seu nome, até que alcançou o clímax pelas mãos de Armando. Os dois se abraçaram e ficaram assim por algum tempo, sentindo-se em paz e mais unidos que nunca, sabendo que o que eles têm é muito especial e nada no mundo vai conseguir destruir.

Notas finais
Isso tudo porque eles estavam na presidência, né?