Notas iniciais
Aproveitei mesmo a empolgação e mandei brasa aqui. Espero que gostem. Mais uma vez, há a transcrição de uma cena do capítulo 155 da novela original (17' até 21'). Marquei as frases transcritas com itálico, não me denunciem por plágio, please =P, porque estou dando os devidos créditos. O vídeo do capítulo ainda é o mesmo: https://www.youtube.com/watch?v=5UlRfa2xfmg É isso, minhas lindas, voltei para uma parte com a qual estou empolgada, então prometo que não vou demorar 3 meses pra postar um cap. Beijoss!

Como de praxe, aquela pequena viagem até o parque da 93, onde os pais de Armando estavam, durou eras, com os todos os receios de Betty dançando em sua cabeça, ao som da canção que Armando escutava e cantarolava. Por mais que soubesse que iriam comemorar o fim do processo da Terramoda contra a Ecomoda, também sabia que Armando se reunia com os pais, na verdade, para falar do casamento, e as rejeições hipotéticas, por mais que não acontecessem, riam-se dela, deixando-a tonta. Sempre vivia isso quando tinha que encontrar os pais de Armando, nunca se acostumava com essa sensação... E não deixava de ser constrangedor saber que mal conseguia disfarçar seu aspecto na frente dele... Colocando-se em seu lugar, se sentiria demasiadamente triste se Armando não aceitasse seus pais, assim que...

O carro parou. Betty engoliu seco e abriu a porta. Tomou a mão de Armando e entrou no restaurante quase de olhos fechados, sem fazer a menor ideia para onde ia. Quando ele parou, ela pensou já estarem de frente para Don Roberto e Doña Margarita, no entanto, quando conseguiu discernir o cenário à sua volta, deu-se com os olhos do próprio Armando a sorrir-lhe:

— Mi amor...

Quis esconder-se de vergonha, mas não podia. Armando tomou sua mão, segurando-a forte:

— Meus pais estão logo ali, veja. Vamos vencer esse medo deles de uma vez por todas?

— Estou sendo ridícula, eu sei, desculpa...

— Entendo que eles não sejam as pessoas mais fáceis. Mas também não são as mais difíceis. Tenho certeza de que você já os venceu na parte mais difícil: conquistou a confiança de ambos trabalhando como trabalhou. Daqui em diante, não há mais nada o que temer. Vamos!

Armando beijou-lhe a mão e Betty sorriu, enchendo-se de coragem e se pondo a caminhar. Verdade seja dita, trabalhara bem para recuperar a empresa, e ela estava recuperada, prova que aquele certificado dava oficialmente. Se isso não bastasse para provar seu valor diante dos Mendoza, nada mais bastaria; e o que não tinha remédio, remediado estava.

Os dois cumprimentaram os pais de Armando que se levantaram para recebê-los. Ainda de pé, enquanto um breve silêncio se fez entre eles, Betty, que continuava um pouco nervosa — isso era inevitável — desatou a falar sobre o embargo:

Don Roberto, imagino que o senhor esteja a par do encerramento do processo da Terramoda contra a Ecomoda e que a empresa tenha voltado à suas mãos.

— Sim, sim. Vi no diário do comércio, e fiquei extremamente feliz que tivesse coincidido com minha viagem à Bogotá.

— Que bom, eu fico feliz também... Aqui está o certificado, se por acaso lhe interessa — ela fez menção de entregar-lhe o envelope, mas ele sacudiu a mão dizendo com o gesto que não era necessário.

— Não se preocupe com isso. E da minha parte quero dizer que na nossa próxima reunião de diretoria você será ratificada como presidente da empresa, Betty.

Ela prendeu o ar por um segundo enquanto escutava Armando sorrir vitorioso, sorriso cujo timbre lhe soava como um "eu te disse". Sorriu em seguida, porque ficou verdadeiramente feliz com esse voto de confiança de Don Roberto.

— Muito obrigada.

— Bom, vamos nos sentar — Don Roberto convidou, puxando a cadeira à Margarita.

— Claro — respondeu Armando, puxando a cadeira à Betty.

— O que vamos beber? — Perguntou Roberto.

Bom... eu não sei... mas acho que... champanhe é o adequado. Champanhe, por favor — Armando pediu ao garçom que havia aparecido para atendê-los e se retirou no mesmo momento para servi-los.

Don Roberto sorriu:

— Comemoremos o fim do embargo da Ecomoda!

— Também, papai, embora todos nós soubéssemos que isso ia terminar assim... Mas eu tenho que admitir que esse foi apenas um pretexto para nos reunirmos. Digamos que esse não é precisamente o motivo da comemoração.

O sangue de Betty gelava com o passar dos segundos.

Ah, é? — Doña Margarita evidenciou sua curiosidade.

Armando encheu o peito orgulhoso e embaraçou seus dedos aos de Betty:

Eu e Betty decidimos nos casar. Já falamos com os pais dela, já tomamos a decisão e queríamos dividi-la com vocês.

Mas vocês... estão seguros do que vão fazer? — Doña Margarita disse antes que pudesse filtrar a surpresa na mente. Há um tempo, quando se reuniram com os dois no Le Noir, ela já soube que aquele anúncio seria inevitável, mesmo assim não podia deixar de estar surpresa em ver que a inevitabilidade se transformava em fato concreto diante dos seus olhos.

Mamãe, eu jamais estive tão seguro em toda a minha vida — a resposta de Armando era precisa como nunca antes.

Doña Margarita encarou, sem muito entusiasmo, o casal que se olhava cúmplice. Don Roberto, no entanto, não a seguia, mostrando-se feliz não só com o anúncio, mas com a firmeza com que o filho o pronunciara, aspecto que ele não pensava ver em vida.

Mais uma vez o silêncio se fez entre eles, e mais uma vez Betty desatou a falar. Dessa vez, não por puro nervosismo, mas porque queria dizer algo:

Eu já não tenho dúvidas. Todas as dúvidas que eu tinha, ele mesmo as dissipou, uma a uma. Da minha parte, ele é o homem tem a minha vida. Estou mais segura do que nunca. Desde o primeiro momento, ele foi o homem dos meus sonhos, e... o que sofri por ele nunca se traduziu em ódio... Era igual ao amor que eu tenho por ele — Ela sorriu enquanto o olhava. — Eu sei que não sou a mulher que vocês esperavam para o seu filho... e acho que ele também não — acrescentou junto com sua risada típica.

Mi amor!... — Armando respondeu surpreso com aquele senso de humor repentino.

Mas, bom... essas são as armadilhas do amor! — Betty voltou a dizer. — E eu não sou uma ilusão, sou uma mulher de carne e osso, com sentimentos reais. Tenho meus defeitos, mas acho que por muitos deles, ele se apaixonou.

— Olha, Beatriz — Margarita disse —, eu não vou parar para pensar se você é ou não a mulher certa para o meu filho, e eu sei que você disse isso por causa da Marcela, o que esperamos é que você o ame e o faça feliz. Além disso, a vida é dele, não é nossa.

Nesse momento o garçom chegou com o champanhe e começou a servi-los.

— Não estou dizendo o que posso fazer um homem feliz a vida toda, na verdade não tenho experiência nisso, não saberia como fazê-lo, mas acredito que posso ser uma boa amiga, uma companheira, sua mulher, e acho que nós dois podemos ter uma ótima vida juntos.

Betty, isso na verdade foi muito bem colocado — Don Roberto disse. — E acho que vale a pena brindarmos por essas palavras.

Armando ergueu primeiro a sua taça, seguido pelos demais:

A nós!

A vocês — Roberto e Margarita responderam.

Saúde — todos disseram enquanto as taças se chocavam.

E quero dizer que eu me encarrego de todos os preparativos — Doña Margarita se ofereceu. — Já tenho experiência, e você, Betty, tem muito trabalho, e Armando também, então não se preocupem que eu cuido absolutamente de tudo — foi apenas nesse momento que a expressão da mãe de Armando pareceu-se iluminar.

Mas a notícia não era muito boa. O nervosismo que abandonara Betty retornou, dessa vez com cara nova.

Armando logo se interpôs, prevendo o que Betty estava pensando:

Mamãe, tem uma coisa que você tem que saber: é que Don Hermes foi enfático de que vai custear todas as despesas do casamento sabe, ele insiste nisso.

— Perfeito! — A declaração de Armando não pareceu abatê-la. — Então ligaremos para o presidente do clube para fazermos a cerimônia festa lá. E, Betty, diga a seus pais que estaremos cruzando a lista de convidados e eu oportunamente vou mandar as cotações do menu, das bebidas e de tudo relacionado ao evento, que não se preocupem com nada!

As batidinhas de ânimo que a sogra lhe deu na mão soaram aos ouvidos de Betty como trovões, juntamente com tudo aquilo que ela dissera. E a aprovação de Don Roberto só comprovava de aquilo era mais real ainda.

Ela e Armando se olharam, já sabendo o que iria acontecer, mas não foram capazes de articular nada, ao que Betty apenas assentiu e respondeu um "sim, senhora", pálido, como seu semblante.

Mais uma vez chocando as taças, todos pareciam felizes, mas o clima estava estranho, de novo. Tão estranho que ela respirou aliviada ruidosamente quando ela e Armando voltaram para o carro, depois do encontro.

— Não foi tão ruim assim, mi amor... — Armando disse, diante da sua atitude.

— Não foi, mi amor. Só me preocupa, e muito, essa vontade da sua mãe de cuidar dos preparativos para o casamento. Não estou duvidando de que sua mãe seja ótima, longe de mim, só estou pensando que os interesses dela podem se chocar muito com os interesses do meu pai, afinal, nossos padrões de vida são totalmente diferentes.

— Eu entendo, claro... — Não tinha como ir contra disso.

— E fico pensando em como eu poderia enfrentar sua mãe, porque, ao mesmo tempo, me parece injusto de certa maneira, ainda mais vendo que ela tem a melhor das intenções... Inclusive, a parte do encontro que a deixou mais feliz foi essa de ela poder ajudar com tudo...

— Fico feliz que você reconheça isso, porque é verdade.

Betty esfregou os olhos, cansada. Aquilo parecia que ia ficar grande demais e só faltava essa para atrapalhar o que parecia ir muito bem...

— Talvez eu pudesse pedir à Camila que viesse e te ajudasse com a Doña Margarita, ainda que não esteja seguro do tamanho do rombo que isso pode causar na família.

Betty não pôde deixar de sorri diante dessa solução absurda, típica dele:

— A ideia é minimizar os problemas, Armando, não aumentá-los...

— De todos os modos, seria um excelente pretexto para revê-la, e acho que só uma situação dessa gravidade poderia fazê-la deslocar da Europa até aqui — ele disse sem tirar os olhos da direção.

Betty sorriu:

— Bom, confesso que gostaria de conhecer a sua irmã.

— Podemos ligar para ela quando chegarmos ao meu apartamento, agora mesmo!

— Agora? Mas, Armando, eu preciso...

— Pode parar, Betty, tanto saí da Ecomoda mais cedo, como terminei essa reunião mais cedo única e exclusivamente para aproveitarmos essa tardezinha só nós dois...

Betty acariciou-lhe a nuca de leve:

— Parece justo.

Bem verdade que queria muito um tempo só com ele, sem esses ruídos externos que ela sabia que ficariam maiores até o dia do casamento.

Notas finais
Espero que tenham gostado. ♥ Vocês são as melhores leitoras ever do planeta ♥