Um Novo Final
49 Capítulo 49
Notas iniciais
Armando sentia-se péssimo. Aquele dia tinha sido sufocante. Sentou-se em seu posto e passou pela mão testa suada, mesmo que em Bogotá fizesse o frio costumeiro. Mireya aproximou-se com a papelada e sentou-se na cadeira de frente para ele, espalhando a pulha de relatórios na sua mesa e aguardando suas instruções. Mas ele não via nada à sua frente. Pensava em Betty. Por que diabos ela não aparecera durante todo o dia? No único momento que aparecera, veio com aquela conversa de "não quero atrapalhar"... Maldita seja, ele sabia que havia algo estranho, mas Betty por si só era um enigma, ainda mais quando algo a incomodava...
Abriu a gaveta embaixo de si, que revelava o pacote comprado. Os anéis... Pensava que não aguentaria mais um dia se não oficializasse o noivado, se não marcasse a data do casamento, se não casasse de fato com ela. Se a família dela não fosse tão tradicional, a teria raptado e feito com que se casassem às escondidas. Porém, no almoço, Betty simplesmente evitara-o, e depois disso ele recebeu a ligação do seu pai, demonstrando claramente o fato de que ainda mantinha o filho sob vigilância, e de que ainda não confiava nas suas habilidades de gestão. Isso era bem evidente porque ele sabia do esforço de Betty em mandar-lhes reportes mensais tanto da Ecomoda como da TerraModa. Enfim, se essa era a oportunidade de mostrar aos pais que mudara de uma vez por todas, mesmo acreditando que já tinha dado provas suficientes disso, então ele faria um relatório perfeito e uma apresentação acerca da situação na Venezuela e dos resultados de seu plano de ação do projeto.
Doía-lhe que dessa vez fosse ele a evitar Betty, mas essa era uma batalha que ele deveria lutar sozinho. Queria explicar-lhe isso, mas por alguma razão idiota, se intimidou com a presença do sogro. Ligaria assim que tivesse oportunidade. Bem... por que não agora?
– Mireya, me dê licença um minuto, preciso fazer uma ligação.
– Tudo bem, Don Armando — ela disse se levantando.
– Não, não. Você fica aqui adiantando o serviço, eu que vou ali ao corredor.
– Ok...
Quando ele saiu, bem que Mireya tentou escutar atrás da porta a conversa, porém Armando era bastante meticuloso, ficando de costas para sua sala e falando baixo...
Ela voltou-se para dentro suspirando. O chefe parecia mais lindo do que nunca. Antes tinha noção de que usara sua aparência para idealizar o homem perfeito que ele estava longe de ser, apesar de todos os gracejos de sempre, mas naquele momento ele tinha tinha adquirido um olhar tão humano e profundo, como se a matéria dos seus sonhos tivesse se solidificado com alma e tudo. Mas as distâncias eram as mesmas, ela tinha consciência disso. Se Armando, no passado, já não estava ao seu alcance, quando seu romance com Marcela andava aos trancos e barrancos, ali, apaixonado como estava... E nisso as do quartel foram muito enfáticas quando ligaram perguntando se ela podia ocupar o posto de Sandra. Armando era outro homem e estava apaixonado por uma grande amiga delas que merecia toda felicidade do mundo...
Deu a volta na mesa dele olhando as fotos de ambos espalhadas pelo local. E a gaveta semi-aberta lhe chamou a atenção. Viu o pacote que deduziu logo se tratar de alguma jóia e abriu-o, visualizando os aneis. Tirou o de Beatriz do acochoado e experimentou, colocando-o no próprio dedo. Serviu perfeitamente...
E nesse exato momento, Armando abriu a porta, vendo a secretária em pé, diante de sua mesa.
– Algum problema, Mireya?
– Não, não, doutor — ela, branca de susto, empurrou a gaveta com a perna enquanto saía de lá e ia para seu lugar. — Apenas olhando as fotos...
Armando fez uma careta:
– Não temos tempo para esse tipo de coisa, então seguimos, sim?
Ela se sentou e tirou a aliança como pôde, enfiando-a no bolso da saia:
– Sim, sim...
O serão foi pesado. Tão pesado que Armando se sentiu na obrigação de levar a secretária quando terminaram o serviço...
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