Um Novo Dia

3 Capítulo 3 - Heras



Nos primórdios da existência da vida, a terra era governada por Essenciais, seres místicos que comandavam basicamente tudo aqui. Heras era uma destes seres, ela era a grande mãe. Tinha o poder de manter o equilíbrio dos sentimentos entre todos os seres que aqui habitavam. Heras dava ênfase para o amor, a verdade e a fertilidade. Como toda rainha tem um rei, Ethan compartilhava esse reinado com Heras. Ethan por sua vez tinha o poder da grande sabedoria e uma força suprema, porém sua maior habilidade era criar o dia e a noite. Ambos governavam a terra e trabalhavam como qualquer outro ser vivo que aqui existia.

Heras então começou a criar os seres, do seu amor pela terra nasceram os Elfos da Luz, estes seres eram muito belos, altos de cabelos longos e claros, orelhas pontiagudas na extremidade superior e faziam parte de um grande exército. Além de ótimos arqueiros, tinham a sensibilidade de ler os pensamentos de todos que estivessem próximos e tinham a responsabilidade de caçar, para todos os demais seres se alimentarem.

Do grande amor que Ethan tinha pela terra, Heras concebeu os Elfos da Lua. Estes, sendo descendentes de Ethan, já não eram tão belos quanto os Elfos da Luz. Eram seres baixos, troncudos, entretanto, tinham o mesmo poder de lerem pensamentos e sua melhor habilidade era a força, eram muito fortes, e tinham a responsabilidade de construir o reino e tudo que ficasse a cargo disto.

Como Heras e Ethan possuíam um amor incondicional um pelo outro, deles nasceram os Quituns, estes eram seres muito pequenos. Como eram uma fusão de Heras e Ethan, nasceram com uma inteligência insuperável, e uma sensibilidade incrível, eles eram os doutores do reino, faziam todos os tipos de experiências com ervas, medicamentos e criavam a luz.

E assim, todos estes seres mantinham o equilíbrio natural do reino.

Ethan possuía um irmão, Egon, um sub-essencial, que ficava em um ponto afastado do reino. Egon tinha a função de manter aprisionados todos os seres malignos que dividiam a terra com os Essenciais antes deles governarem tudo.

Egon mantinha um amor secreto por Heras, infelizmente um amor conturbado, já que ele não poderia tê-la. Egon às vezes sentia raiva deste sentimento, mas como era um amor verdadeiro ele teve os frutos, então nasceram seres simples, sem habilidade alguma, porém um alguma facilidade de aprender, não tinha o dom da verdade, cada um destes deres poderia fazer o bem e o mal. Estes seres foram chamados de humanos.

Quando Heras conheceu esta nova espécie ficou muito decepcionada, pois não entendia como poderiam ter nascido seres tão inferiores, defeituosos...

Mesmo assim, tudo continuou perfeitamente durante anos, até o dia em que o número de humanos começou a crescer absurdamente. Ethan então questionou sua rainha sobre tal acontecimento, Heras decepcionada consigo, não conseguia explicar como eles se reproduziam se ela não sentia amor verdadeiro em nenhum deles. A partir daí o começou o desequilíbrio de tudo, os humanos lutavam entre si, queriam mais do que os Elfos e Quituns poderiam dar, e começou a guerra entre os povos.

Como os humanos estavam em maior quantidade, começaram a matar os demais seres em busca de um poder igual ao dos Essenciais.

Heras e Ethan então decidem abrir mão da terra e fugir para outro lugar levando todos os seres místicos que haviam restado.

Heras então criou um novo mundo, um mundo paralelo, quase igual ao que viviam.

Enquanto Heras fugia com seus seres, Ethan ficou na terra para defender e tentar salvar o que ainda havia restado.

Como não poderia estar no mundo que Heras havia criado, Ethan então criou um mecanismo para fazer o dia e a noite no novo mundo. Uma ampulheta era um mecanismo simples, porém de grande eficácia enquanto Ethan não conseguisse ir ao novo mundo.

Aqui na terra Ethan procurou Egon, para que ele o ajudasse a controlar a raça que o próprio criou. Mas Egon viu nesse momento a possibilidade de reinar na terra e assim ter o amor de Heras. Sem pensar Egon abriu as portas da prisão e deixou os seres malignos ajudarem no fim do massacre.

Ethan fugiu e tentou voltar ao reino, passar pelo portal para o novo mundo e fechá-lo deixando que os seres humanos aqui se destruíssem por si só. Fraco e muito ferido, Ethan avistou no meio de uma floresta uma cabana, era de humanos, mas ele precisava de ajuda naquele momento. Não foi preciso pedir ajuda, quando estava no meio do caminho um homem o avistou e o ajudou a entrar em casa. Sua esposa prontamente lhe trouxe água e começou a tratar dos ferimentos. Ethan então percebeu que estavam seres simples, mas que havia um pedaço de Heras neles.

Já um pouco recuperado, e decidido a retomar o caminho de volta ao reino, Ethan lhes confiou a ampulheta e explicando-lhes a importância dela ser girada assim que a areia do gomo superior se esgotasse e que nunca, sob hipótese alguma a ampulheta não poderia ser girada. Deixou-lhes a chave do mecanismo e uma cópia, que deveria ser dada a alguém de muita confiança, para caso acontecesse o pior. Ethan previa que não chegaria ao reino vivo.

Assim que retomou o caminho ao reino foi surpreendido por uma tropa de seres malignos que o levaram até o reino. Lá Egon o esperava e assim acabara com a vida de Ethan.

Heras já no novo mundo, não percebendo mais o amor vivo de Ethan fechou o portal e assim começou uma nova era.

Milhares de anos se passaram e a Terra de Heras continuava seus ciclos perfeitamente, dia e noite, seres puros e místicos que viviam em paz suprema.

A Terra de Heras era governada por um rei, Edwin, um descendente direto da Essencial Heras. Ele não possuía os mesmos poderes de Heras, mas reinava sobre todos os Elfos da Luz e da Lua e os Quituns

Edwin era um ser robusto, alto, com imposição de rei, porém com uma grande sensibilidade. Cuidava de todos como se fossem suas próprias criações. Mas já tinha certa idade e estava chegando à hora de ter seu sucessor. Como possuía um amor incondicional por aquela terra, um dia lhe foi concedido um fruto. Nascia em um lindo dia ensolarado Olecram, seu filho, seu descendente.

Todo o reino comemorou a chegada do príncipe, e a comemoração foi se estendendo ao longo do dia. Edwin não continha sua felicidade, e elevou seu filho para que todos pudessem vê-lo. Quando a noite caiu, ecoou no templo o choro de uma criança, para surpresa de todos e de Edwin um novo fruto havia sido a ele concedido. Edwin se sentiu agraciado por Heras. Que tamanho e verdadeiro seria esse amor que ele sentia para que Heras de concedesse dois frutos, já que nunca isso havia acontecido antes!

Seu segundo filho, ele chamou de Ogaith.

Os Quituns com toda sua sabedoria não conseguiam entender aquilo, nem eles, por serem tão sábios, não conseguiram gerar dois frutos de uma só vez, como não poderiam deixar de dar uma explicação para tal acontecimento denominaram aquele fenômeno de “Geminus”, aquilo que era duplo, dobrado.

A felicidade no reino era suprema e a festa se estendeu durante toda a noite, para comemorar a chegada de mais um fruto.

Olecram o gêmeo mais velho, era um bebê de traços fortes, chegara com bastante cabelo em tons de mel, como o dourado do sol, e os olhos verdes escuros da cor das matas da terra de Heras. Já Ogaith era bem clarinho, sua pele lembrava o branco da lua, na cabeça possuía somente uma penugem que de tão loira se tornava transparente, fazendo-o parecer careca, tinha os traços delicados e os olhos azuis da cor dos mares.

O rei Edwin com sua sensibilidade já sabia qual seria a função de cada um deles. Olecram seria o futuro rei do dia e Ogaith o futuro rei da noite, esse deveria ser o desejo de Heras, dividir a responsabilidade que durante milhares de anos coube a uma só pessoa.

Passados os primeiros dias de euforia com a chegada de ambos, Edwin se deu conta de que na terra também deveria ter chegado os novos guardiões. Sim os novos, se em Heras nasceram dois, provavelmente na Terra também deveriam ter nascido dois.

Naquela noite Edwin se dirigiu ao portal que interligava os dois mundos. (Sim havia um portal, como Heras precisava saber se a ampulheta estava bem protegida, deixou o poder de abrir o portal aos seus sucessores para que fizessem o mesmo).

Edwin então chegou, passou para a Terra, o local estava escuro, o cheiro de umidade era forte, então Edwin tateou com a mão direita até chegar a um candelabro, acendeu as velas e ao direcionar a luz para o lado oposto, pode ver um pano, algo em cima de uma mesa coberto com um pano branco, se dirigiu até a mesa e sacou o pano. Ficou ali admirando aquela ampulheta que já quase esgotava a areia de sua extremidade superior. Quando uma luz contínua e forte ofuscou seus olhos e uma voz lhe disse:

_ Quando você vai aprender a acender o disjuntor de luz?

Edwin abriu um sorriso, enquanto via alguém descer umas escadas de madeira mais adiante e respondeu a pergunta.

_Jamais meu caro Petter._Levanta-se e vai em direção a Petter_ Não consigo me adaptar com as criações humanas!

Os dois se deram um forte abraço, dando palmadas em suas costas e rindo!

_ Oh meu grande amigo!_ Disse Petter para Edwin.

_ Saudades eu sei o que é!_ Edwin disse abraçando mais forte ainda Petter.

_ Como você está?_ Perguntou Petter.

_Muito feliz_ Edwin se corrigiu_ Ou melhor, duplamente feliz, assim como você!

Petter não entendeu o “duplamente feliz”, mas assentiu com a cabeça e se abraçaram mais uma vez! A felicidade que um estava sentindo pelo outro era tamanha que parecia iluminar mais ainda aquele velho porão.

_E então Edwin me conte como ele é?_ Petter questionou com tamanha curiosidade.

_ Ele? _ Perguntou Edwin intrigado_ Eles, você quer dizer!

Naquela hora Petter deu uma titubeada, e insistiu na pergunta

_ Eles? Como assim?

Edwin agora se surpreendera.

_ Sim meu amigo! Meus filhos chegaram há alguns dias!

Edwin explicou tudo para seu amigo. Mesmo sem entenderem como isso aconteceu, ambos estavam contentes com os nascimentos. Era tudo isso que importava no momento. Petter roteou a ampulheta, os dois se despediram com um forte abraço e Edwin retornou para sua terra.

Na Terra Heras, o grande rei Edwin acompanhava de perto o crescimento de seus filhos. Nunca havia pensado que conseguiria ser o pai que é sempre atento e cauteloso ao concordar ou discordar com as ações de seus filhos.

Olecram sempre foi um menino grande e forte. Muito travesso, gostava de aventuras e caçadas. Já demonstrava sua bravura e liderança antes mesmo de completar sete anos.

Ogaith por sua vez, era um menino mais delicado, magro e esguio. Vaidoso sempre ficava se admirando nos espelhos d’água que haviam no reino, tinha um certo poder de convencer seu irmão de colocar suas idéias em prática. E sempre que se metia em confusão era bravamente defendido pelo seu Olecram, até mesmo perante seu pai.

Edwin, muitas vezes se pegava pensando o que Heras queria dizer com tudo aquilo, sempre se questionou sobre o nascimento dos dois.

Quando chegou o aniversário de 16 anos de ambos, Edwin preparou uma grande festa. Chegara o momento de iniciação para eles, o momento que começariam a preparação para assumir o reino após a partida de Edwin.

Todos no reino estavam esperando aquele momento, porque a partir dali começaria uma nova era na Terra de Heras. A primeira vez que seriam governados por dois reis.

O sentimento de dúvida era inexistente naquela terra, pois todos sabiam que os sucessores de Edwin seriam reis perfeitos como ele.

Ao redor do espelho d’água, que ficava no centro do reino todos dançavam, e se deliciavam com a caça que o Elfos da Luz haviam feito.

Todos levantavam seus cascos de Bachy, uma bebida que surgira dentre as muitas experiências dos Quituns. Era uma bebida a base de um pequeno fruto que eles colhiam nas planícies ao oeste do reino. Tinha um sabor que ninguém conseguia definir, levemente adocicada e levemente amarga, fazia com que todos que bebessem se sentissem mais alegres e dispostos.

Quando o sol começava a se por, Juah um Elfo da Luz que sempre estava junto ao rei Edwin pedia silêncio ao tocar o corneto. Um instrumento de sopro como uma espécie de guampa, que eles usavam como meio de comunicação. Dependendo do som que era emitido todos sabiam o que era para fazer.

O reino silenciou.

Edwin se levantou no meio de onde todos estavam sentados.

_ Meus queridos filhos...

Edwin se referia a todos do reino desta forma, já que todos eram filhos do reino de Heras, e ele, por sua vez era o descendente direto dela. Era o único momento em que ele utilizava pronomes possessivos, já que o reino era de todos.

Continuou Edwin _ Hoje começa uma nova era pra todos nós..._ ao fundo ao sol se punha cada vez mais _ É o dia em que se completam 16 anos em que fui presenteado pela Essencial Heras. Não me acho digno de tamanha bênção, mas do amor grande que tenho por todos aqui, nasceram Olecram e Ogaith...

Edwin olha para Olecram e Ogaith, levantando o casco de Bachy para eles. Olecram está sentado do outro lado do espelho d’água junto aos Elfos da Luz, à esquerda de Edwin e Ogaith mais próximo junto aos Elfos da Lua.

Todos levantam seus cascos, brindam e gritam em comemoração a eles, logo em seguida silenciam.

_Sei o quanto todos se sentiram abençoados como eu _ Continuou Edwin_ Me sinto muito feliz de compartilharmos essa grande festa, peço que Olecram e Ogaith se aproximem...

Olecram se levanta, os Elfos da Luz mais jovens que o rodavam batem em seus ombros e gritam. Ogaith se aproxima dos demais sem muitos alardes.

Edwin coloca cada um sob seus braços e continua:

_ A partir de hoje, vocês dois começam a ter uma responsabilidade maior, sobre nosso reino. A você Olecram, eu deixo a responsabilidade do dia, junto com os Elfos da Luz. Você tem a responsabilidade de guiá-los e auxiliá-los durante as caçadas.

Edwin faz um sinal com a cabeça para Cori, o quitun mais velho responsável por desenvolver os instrumentos de trabalho de todos os seres da Terra de Heras. Cori, mesmo com certa dificuldade se apressa com um embrulho de couro nas mãos e entrega ao rei, que entrega a Olecram.

_ Para conseguir cumprir com suas tarefas Olecram, lhe entregou o arco igual ao dos Elfos da Luz, e a espada de Ethan, na promessa de que você somente a erguerá para destruir o mal que algum dia possa vir ao nosso reino. Eu nunca precisei erguê-la e tenho certeza que você nunca precisará.

Olecram ergue suas armas, e o povo todo solta um brado, e os Elfos da Luz o Presenteiam com um chuva de flechas de fogo no horizonte. Silenciam.

_ E a você Ogaith _ Cori lhe entrega um embrulho maior_ lhe entregou o machado axe igual aos dos Elfos da Lua, sabendo você que este machado possui a lâmina em ambos os lados, de forma que você saiba que sempre há duas escolhas a se fazer. E o cetro de Heras, que você poderá controlar as águas, os ventos e as chuvas. Para que possamos ter sempre boas colheitas.

Ogaith somente assentiu com a cabeça. Os Elfos da Lua puxam o brado desta vez, erguendo seus machados e reverenciando o novo líder.

Silêncio novamente e Edwin torna a falar

_ Saibam todos que Olecram e Ogaith estarão sempre sob minha supervisão, e que eu continuo com mesmas responsabilidades de rei até o dia que não estiver mais aqui. Hoje, vocês começam a tomar parte das responsabilidades das quais um dia vocês terão, saibam que qualquer decisão equivocada, a responsabilidade será inteiramente de vocês, assim como as consequências. E espero que no dia que vocês assumirem este reino estejam completamente prontos, e que do amor de vocês por ele nasçam frutos tão belos como nasceu vocês do meu amor.

Edwin ergue seu casco, em seguida todos erguem os seus, todos gritam e a festa começa novamente mais animada. A noite começa a dar sua cara, e logo tudo fica lindamente iluminado, pelas esferas de luz que os Quituns criaram.

Da janela de seu templo, Edwin observa todos em festa, fita em meio a todos Ogaith, que como sempre, se põe mais calado e de certa forma deslocado.

_ Acho que fiz a escolha certa... _Fala Edwin saindo da janela em direção ao seu quarto no templo.

_Tenho certeza que sim, Rei Edwin._ Diz Cori seguindo seu rei.

Algum tempo se passou, e os filhos de Edwin se tornaram grandes homens.

Olecram, tornou-se um homem belo, forte e alto. Tinha o corpo torneado, resultado de anos de caça e treinamento de lutas junto aos Elfos da Luz. Os traços do rosto eram fortes, seu queixo era bem marcado, os lábios grossos, sendo o superior um pouco mais fazendo uma curva sobre o inferior, seu nariz acentuado e grosso, um tanto baixo na ponta. Seus olhos tinham cor de mel, suas sob­rancelhas eram levemente grossas próximas ao nariz, bem arqueadas e os seus cabelos eram castanhos claro, com leves nuances douradas, que com sua ondulação brilhavam a luz do sol. A voz era forte e seu riso era percebido por todos. Seus trajes não limitavam os movimentos de seu corpo, composto por uma saia na altura da coxa presa por um cinto de couro e botas de couro que chegavam ao joelho, no peito cruzava uma faixa de couro com tachões, que serviam para carregar a bainha de sua espada que ficava posicionada nas costas. Olecram construiu um templo para morar ao leste do castelo de seu pai. Dali via o dia nascer, e como um grande líder, começada a coordenar seu exército.

Ogaith não perdia de beleza para seu irmão, porém era o oposto fisicamente. Era alto, magro e com a pele muito branca. Caminhava com a altivez. Mesmo sendo magro não deixava de ser forte e ter um corpo bem esculpido. Chegava, às vezes, a ter traços femininos por sua delicadeza. Seus dedos eram finos e compridos. Seu rosto mais fino e delicado, um queixo pequeno, as maçãs do rosto tinham um leve tom rosado, e seus olhos eram azuis da cor do céu, parecia que todos ficavam hipnotizados com seu olhar. Seus cabelos de tão loiros, pareciam ser brancos. Usava vestes que cobria mais seu corpo, sempre em tons escuros, normalmente saía de capa. Ogaith construiu um templo ao oeste do castelo do rei, e no seu centro havia um fosso de fogo, que servia para mantê-lo aquecido nas noites frias antes de sair com os Elfos da Noite para seus afazeres.

Ao entardecer, todos se reuniam nos espelhos d’água em frente ao castelo do rei, para fazer a cerimônia de passagem, que era o momento em que Ogaith e os Elfos da Noite começavam a governar o reino. Este era um momento de confraternização e também de organização. Olecram passava para seu pai e seu irmão, as informações do que estava acontecendo e do que tinha que ser feito no próximo turno para que no outro dia tudo estivesse bem.

No início essa organização correu bem, mas com o tempo, Ogaith se sentia inferior ao seu irmão, como se ele tivesse sempre que acatar suas ordens, pois não havia a mesma reunião ao amanhecer. Para ele era como se Olecram fosse privilegiado ao governar o dia. E isso muitas vezes gerava certa estranheza entre ambos. Quando isso acontecia Olecram sempre deixava seu irmão desabafar e nunca o contestava.

O rei Edwin sempre tentava dialogar e mostrar que as responsabilidades de ambos eram as mesmas e que nenhum possuía vantagem sobre o outro.

Certa vez Ogaith questionou seu pai, o motivo dele não ser o comandante dos Elfos da Luz, já que ele se assemelhava mais com eles e seu irmão com os Elfos da noite. Nesta situação, Edwin explicou que era exatamente por isso, por serem diferentes, e isso manter o equilíbrio natural de tudo.

Uma noite, em seu castelo, o rei Edwin enquanto discutia os assuntos importantes do reino com seus três grandes conselheiros _Cori o quitun mais sábio e antigo do reino, Juah o elfo comandante dos Elfos da Luz e Jacob o elfo comandante dos Elfos da Noite_ levantou a questão sobre Ogaith ter estas atitudes.

_ Não consigo entender, quando defini as responsabilidades de cada um, ainda me questionei se estava fazendo a coisa certa _ Falou Edwin

_ E eu concordei _ continuou Cori_ e continuo concordando com você.

_Mas o que faz Ogaith ter esse desejo enorme de estar a frente dos Elfos da Luz? _ Questionou o rei

_ Creio que isso se deve a questão de sermos tão diferentes, Edwin _ disse Jacob_ acredito que ele quer estar mais próximo dos seres que se assemelham a ele, somos rudes demais, fortes demais.

_ Não concordo com você Jacob,_ Interrompeu Juah_ não sei ao certo o que passa na cabeça de Ogaith, mas sinto que ele quer algo mais, ou melhor dizendo, sempre quer algo mais.

Edwin fala com um ar de desapontamento.

_Sinto que não fiz uma boa escolha, sinto que meus filhos a qualquer momento estarão se enfrentando por qualquer discórdia mesmo pequena, e sei que não era esse o desejo de Heras quando me concebeu os dois.

_ Não Edwin_ contestou Cori_ deve ser um momento passageiro, de descoberta de cada um. O seu amor ajudou a você fazer a escolha certa, Heras não deixaria ser o contrário.

_ Cori está certo _ completou Jacob.

Juah ficou em silêncio e em seu semblante era perceptível que estava pensando no assunto, porém não queria falar em voz alta sua conclusão.

De repente Juah se levanta e corre para o mezanino do castelo. Todos levantam com as de surpresa.

_ Vejam aquilo_ Juah aponta para o horizonte.

Todos se aproximam de Juah. No horizonte um feixe de luz alaranjada que faz uma conexão entre o céu e a terra. Ao pé do castelo todos olhavam aquela luz impressionados.

_ Que Heras nos proteja!_ Exclamou Cori ao lado de Edwin.

Em instantes a luz começou a ficar mais intensa e clara um zunindo forte ecoou tão intenso que todos se encolheram tapando os ouvidos. Em instantes a luz tomou todo o reino, fazendo a noite ficar dia, e foi clareando até todos chegassem. Em instantes, o flash se extinguiu.

_ Estão todos bem? _ Perguntou Edwin assim que se levantou.

Edwin olhou para baixo para ver se todos estavam bem. Tudo parecia normal, embora assustados o povo se levantava e começava a se perguntar o que havia acontecido.

_ Minha nossa! O que foi isso?_ Perguntou Jacob.

_ Não consigo saber meu caro amigo_ Disse Edwin_ Juntem todas as tropas de elfos, precisamos saber realmente o que está acontecendo.

Juah ergueu o cone, e soprou em sinal de formação para todos os Elfos. Todos começaram a pegar suas armar e entrar em forma.

Todos desceram para o pátio do castelo.

Edwin deu as ordens:

_ Não sabemos o que foi isso, mas precisamos averiguar, tenho certeza que não será nada que devemos temer. Confio em vocês.

Juah e Jacob já estavam em frente a suas tropas. Edwin em com um ar de desconfiança perguntou:

_ Onde estão Olecram e Ogaith?

Todos se entreolharam procurando-os.

_Já devem ter ido na frente, Edwin_ falou Jacob sem tanta certeza.

_Então se apressem e tentem alcançá-los_ Edwin ordenou já preocupado.

Juah tocou mais uma vez o cone, nesta vez o som foi continuo e um pouco mais duradouro, de forma que todos entendessem que esse era o comando para avançar.

Os Elfos seguiram adiante, alguns em cavalos e outros em marcha.

Enquanto avistava sua tropa se afastar, Edwin reuniu todos os Quituns.

_Preciso que vocês se preparem para o pior, não sabemos o que está acontecendo. Juntem todas poções e antídotos que vocês tiverem, juntem também todas as armas que vocês têm estocadas. Não sei o que está acontecendo, mas não tenho um pressentimento de que seja algo bom.

Cori delegou as ordens para seu grupo e todos saíram apressados para suas casas.

_ O que você está pressentindo Edwin?

_ Não sei meu amigo, mas vou tentar achar a resposta através do portal.

_ Você acha que é algo tão grave assim? _ Cori perguntou demonstrando grande preocupação.

_Espero que não_ Disse Edwin enquanto se virada para adentrar o castelo

Em uma sala no subsolo do castelo, havia um portal que o possibilitava de ir a Terra sempre que necessário. Desde o nascimento de seus filhos Edwin somente fora lá algumas vezes, conversar com seu velho amigo e certificar-se que estava tudo bem. A sala era um tanto escura e no seu fundo havia uma parede de pedras com um arco indicando que ali havia uma porta, porém não há. Para atravessar o portal era necessário ter um fruto da árvore da sabedoria. As suas sementes era a chave para o portal. Esse fruto dava somente em uma árvore que ficava na Terra, para não correr riscos Edwin tinha e sua posse somente um fruto, cada vez que necessitava atravessar o portal o usava e quando retornasse Petter lhe dava outro.

Edwin desceu as escadas apressado, sentia uma agonia em seu peito, ele tinha certeza que algo muito errado estava acontecendo, e a incerteza do que poderia ser o deixava ainda mais preocupado.

Ao se aproximar do último corredor antes da sala do portal, Edwin pode ver que já estava iluminado. E que alguém tinha estado ali, ou ainda estava ali, apressou-se.

Ao chegar à sala, deparou-se com a porta aberta, adentrou a sala, e não avistou nada ou ninguém, somente percebia que as tochas estavam acesas.

Ao sentir a presença de alguém se virou rapidamente.

_ O que você está fazendo aqui?_ Edwin em tom desconfiado, porém repreensivo.

Em instantes uma luz iluminou toda a sala e em instantes apagou.


Notas finais
Galera, a opinião de vcs é mto importante!! deixem suas sugestões e comentários.. valeu