Um Novo Desafio
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Minha cama, como você é tão melhor que aquela “cama” de hospital. Pois é, sai do hospital hoje de manhã e agora estou aqui no meu quarto lendo, o romance épico mais conhecido do mundo, Romeu e Julieta. Eu simplesmente amo ler, tenho uma mini biblioteca no meu quarto, livros que falam sobre tudo, desde Crepúsculo até um livro que fala sobre as árvores do Central Park.
Aaah, a campainha! Pelos murmúrios que consigo escutar minha mãe atendeu, e quem quer que seja está vindo pelo corredor com ela. Batem na minha porta e a cabeça da minha mãe aprece pela fresta que abriu depois de eu ter falado que podia abrir.
- Quinnie, tem alguém aqui que quer te ver!
Quem é o ser que me incomoda a essa hora? Não estou a fim de ver ninguém, será que é difícil entender? Mas fazer o que né, apesar de tudo o que passei nas mãos do meu pai, não posso negar que tive uma boa educação e sendo assim aceno pra minha mãe, falando que a pessoa poderia entrar.
- Oi Quinn, está melhor? – essa voz que entra pelo meu ouvido e acalma meu sistema nervoso só pode ser dela, da minha Rach. Isso mesmo, MINHA.
- Oii, estou melhor sim. – não consigo mais conter um sorriso quando estou perto dela – e você? Está bem?
- Levando como dá. – não gosto desse olhar tristinho na minha Rach. Nesse momento minha mãe já está na cozinha, nos dando privacidade. Faço um esforço para sentar na cama, sem a ajuda de ninguém, mas consigo e me apoio na cabeceira.
- Pode me fazer um favor? – ela acena concordando. – Encosta a porta e senta aqui pra conversar comigo. – ela faz o que pedi. – Agora olha pra mim e fala, o que há de errado?
Ela olha pra mim, dentro dos meus olhos – que eu sei que são uma tentação, diga-se de passagem – e eu vejo seus olhos lacrimejando, em pouco tempo ela vai começar a chorar.
- Q... – e nessa hora ela solta as lagrimas.
- Shii, calma, eu estou aqui. – eu a abraço e coloco sua cabeça entre meu pescoço e ombro, para poder ampara-la.
- Eu estraguei sua vida Quinn, se não fosse por mim você estaria bem, sem machucados, poderia andar. Você tinha acabado de voltar para as Cheerios, finalmente tinha conseguido tudo de volta. E por causa daquele maldito casamento com o Finn, sinceramente eu não sei mesmo o que eu vi nele, bom que terminamos naquele mesmo dia, – opa, informação nova essa – você está aqui, tendo de usar uma cadeira de rodas para poder andar. Eu não consigo me perdoar Quinn, e mesmo que você tenha me dito aquele dia que você não me culpa, eu me sinto culpada, culpada por ter tirado de você sua liberdade e tudo o que você tinha conseguido de volta.
Eu não consigo falar nada, cadê a minha voz e a minha capacidade de formular frases? Vai Quinn, você consegue falar. Eu pego as mãos dela nas minhas e olho fundo nos seus olhos.
- Hey pequena – ela me olha enrubescida com o novo apelido e eu só consigo sorrir de volta. – se eu consegui tudo aquilo e foi me tirado, foi por que não era o momento de tudo ter acontecido. Já disse que não te culpo, e não quero que se sinta culpada.
- Meninas, trouxe um lanche pra vocês. – minha mãe diz batendo na porta do quarto.
- Pode entrar mãe.
- Desculpe atrapalhar. – ela é respondida com um “não atrapalha Judy” de Rachel com os olhos inchados. – Mas querida, você precisa comer para ir para a fisioterapia.
- Okeey mãe, vou comer, me arrumar e nós vamos.
Essa foi a deixa para minha mãe sair. E enquanto nós comemos em um silêncio confortável e preciso naquela hora, me surge uma ideia.
- Rach, já que você está se sentindo culpada pelo que aconteceu e eu não quero que se sinta assim, acho que posso chegar em um meio termo. – ela me olha curiosa e ansiosa, exatamente o que eu previ. – que tal você me ajudar nesse processo da fisioterapia, assim você me ajuda a alcançar tudo aquilo que eu tive um dia, talvez até mais. – sussurrei a última parte, não sei se ela vai perceber que estou falando dela. O sorriso que ganhei em troca fez com que eu me parabenizasse pela ideia e todo o dia valer a pena.
- Eu iria adorar ter essa oportunidade.
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Que coisa mais chata é essa fisioterapia! Pegam minha perna e a dobram sobre meu corpo, porque eu não consigo fazer isso sozinha, e depois a voltam para o lugar, e depois fazem isso de novo. Que negócio entediante!
Convenhamos que a partir de hoje as coisas ficarão mais interessantes, ter Rachel Berry, a garota mais linda da escola, e a minha paixão lésbica reprimida, fazendo todos esses exercícios com você não é nada além de interessante. Ainda mais depois de vê-la corar quando em um dos exercícios nossos olhares se cruzaram e ficamos nos encarando por uns 5 minutos até o médico chamar a atenção dela e ela voltar a se mexer. Eu só conseguir rir e ela me olhou de um jeito assassino que só fez eu rir ainda mais. Eu sou um gênio, ótima ideia a que eu tive.
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- Acho que já vou indo então.
- Por que não fica pra jantar conosco Rachel? Faço um prato especial pra você depois da ajuda de hoje. – isso mamãe, faça ela ficar mais um pouco.
- Não sei Judy, não quero atrapalhar, e a “ajuda” de hoje não foi nada, é o meu dever.
- Dever coisa nenhuma Rachel Berry, e acho que já conversamos sobre isso. – eu falo, um pouco irritada com certeza, e ela percebe pois cora.
- Tudo bem, desculpe, e eu aceito sim Judy, obrigada.
- Então eu vou começar a fazer o jantar, e você poderia por favor ajudar a Quinnie? – pera aé, ajudar com o que?
- Claro, o que devo fazer?
- Ah, não é nada demais, só colocar a banheira pra encher, e ajudá-la a entrar e sair.
Mãe, mãe, mãe, você não fez isso. Porra eu estou parecendo um tomate de tão vermelha, e o pior não é a vergonha do jeito que minha mãe falou, que parece que sou um bebê, mas é a vergonha de que eu vou ter que ficar nua na frente da Rachel, a garota que eu gosto. É certo que eu quero ficar nua na frente dela, mas em outra ocasião, e quando eu voltar a andar.
- Certo. – ela também está envergonhada. Eu mato minha mãe. – Vamos Fabray?
- Vamos. – acho que minha mãe entendeu o olhar matador que eu soltei pra ela agora, porque ela está rindo da minha cara.
E nessa hora eu sei que vocês estão perguntando “sua mãe sabe que você gosta da Rachel?” e a resposta é: sim ela sabe, eu a contei quando voltei a confiar nela ano passado, alguns meses depois de eu ter voltado a morar com ela. E vocês se perguntam de novo “mas ela aceitou assim? Ela não é católica fervorosa?” e eu respondo: ela não aprova, mas aceita, ela fala que só me quer ver feliz e se eu for feliz ao lado de uma garota que assim seja, e ao fato de ser católica, ela só era fervorosa por conta do Russel. Apesar de que depois dessa sacanagem dela eu acho que ela passou a aprovar.
Mas bem, aqui estou eu, prestes a ficar nua na frente da Rachel.
- Você não precisa fazer isso, eu sei que é constrangedor, tanto pra mim quanto pra você. Eu dou um jeito.
- Não Q, eu posso te ajudar, vai que você se machuca, aí eu vou ficar com a consciência pesada.
Já que ela não se importa em passar por isso, acho que posso provocar um pouco, mesmo estando morrendo de vergonha também.
Tiro a blusa bem devagar, e não perco o olhar que ela deu para o meu abdômen, que mesmo depois da gravidez e do tempo fora das Cheerios está definido. Claro, com muito esforço da minha parte. Dou um sorriso sacana.
- Rach, então... eu não consigo tirar minha calça.
- Oh, certo. – ela fala desconcertada.
Ela puxa o cordão para desfazer o laço e coloca as duas mãos no cós e puxa delicadamente. Quando ela tira e levanta o rosto pra mim está totalmente vermelha, e tenho certeza de que eu não estou diferente.
- Você tem um corpo lindo. – ela fala e logo em seguida coloca a mão sobre a boca, aí tenho certeza que foi impulsivo. Eu fico ainda mais vermelha e murmuro um “obrigada”.
Ela me leva na cadeira até o banheiro, a banheira já estava cheia, Rachel a tinha ligado quando chegamos no quarto. Como não se toma banho de lingerie eu tiro o meu soutien, e Rachel vira o rosto para o outro lado, mas ela percebe que ainda falta uma peça e se aproxima de mim. Ela coloca na mão na barra da calcinha mas olha diretamente para os meus olhos, e tira a peça.
Ela me pega no colo – eu não sabia dessa força de Rachel Berry – e me coloca na banheira. Depois ela olha pra mim e pergunta:
- Precisa de mais alguma coisa? – eu a olho e nego com a cabeça – Eu vou ver se sua mãe precisa de alguma coisa, volto daqui a pouco, mas se precisar grita que eu volto na hora.
- Obrigada, e desculpe pelo constrangimento.
- Não é nada, bom, vou lá.
Após ela sair, eu todo meu banho e penso em qualquer coisa menos nela, porque se eu pensasse nela enquanto estou tomando banho, iria demorar meia hora a mais do que o normal.
Por uma coincidência ela chega no banheiro assim que eu termino. Ela me coloca sentada na borda da banheira e fica atrás de mim de um jeito que eu possa me escorar nela. O meu roupão foi colocado na frente do corpo dela e ela faz eu colocá-lo ali, assim ela já me levanta e me coloca na cadeira. Chegando ao meu quarto ela me põe na cama.
- Onde estão suas roupas? E o que quer vestir?
- Calcinha e soutien ali na cômoda, camiseta do Morrison ali naquela gaveta e uma calça de moletom ali na porta do canto. – eu falo enquanto ela vai pegando.
Ela coloca a roupa ao meu lado, mas pega um toalha e me ajuda a me enxugar, depois disso eu coloco meu soutien e minha camiseta. Ela coloco a minha calcinha e em seguida minha calça, ela fica olhando para as peças enquanto isso, como se precisasse do máximo de concentração.
Quando terminamos, Rachel pega um pente e se senta atrás de mim, que já estou sentada a essa altura, e penteia meu cabelo. A sensação de suas mãos em meus cabelos ao ajudar no movimento do pente me faz ter arrepios, que não passam despercebidos por ela.
Sessão tortura já acabou, então vamos ao jantar. E nesse momento penso:
“Se ela for me ajudar todo dia, eu não vou poder responder por mim. Preciso conversar com a San urgentemente.”
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