Um Novo Começo
9 Capítulo 9
Notas iniciais
— Larga ela!
De repente, Quinzinho veio esmurrando o rosto do seu amigo traira, que revidou socando o padeiro com todas as forças. Reagiu dando outro murro forte, sendo premiado com mais uma surra. Ficaram ali, um enfrentando o outro até a Magali ficar no meio deles e tentar impedir aquela briga num local como aquele onde professores e diretores poderiam aparecer a qualquer momento e apartar a confusão, o que acabaria na pior das hipóteses com a expulsão dos envolvidos.
Finalmente os dois briguentos pararam com a chegada de outros amigos, inclusive da Cascuda, afastando um do outro. Tentaram ainda, largar-se deles e partir para socos e chutes e provocar usando as palavras.
— Você ainda vai se arrepender de continuar com esse babaca!— Cascão gritou, fora de si.
— Como é que é? — Quinzinho revidou aos berros – Você dá em cima da minha namorada e ainda quer se sair o gostosão?
— O que?— Agora foi a vez da Cascuda se descontrolar, batendo sem parar no moreno – Você deu em cima dela seu... !
— Hei, hei... eu não sou o único culpado!— Cascão confessou, a deixando chocada.
— Ma... Magá?— Cascuda disse, vendo a culpa crescer nos olhinhos da traira.
O som de um tapa forte ecoou por toda a escola. A dentuça foi socorrer sua melhor amiga que ficou com o rosto marcado pela dor e culpa. Sabia que um dia a descoberta viria a acontecer, talvez não em público, o que era ainda mais vergonhoso. Agora todos ali presentes sabiam da sua traição, inclusive o herdeiro da padaria Quinz. Os outros alunos foram se afastando aos poucos até restarem os amigos e os respectivos namorados.
— Magá... olha eu... – Mônica não sabia o que falar diante daquela situação.
— Tudo bem Mô, eu mereci o tapa – Magali disse, conformado.
— Quer saber de uma coisa? – Cascuda falou e dando as costas, completou – Fica com ele e com o Quinzinho, se ele ainda quiser.
— Eu também vou embora – Quinzinho encarou sua namorada pela última vez e saiu andando sem olhar para trás.
— Espera – Magali impediu ele e comentou – Obrigada por tudo.
— Isso quer dizer que... – o padeiro perguntou – você está terminando comigo?
— Eu, eu não consegui resistir – Magali confessou.
— Por isso que você andou me evitando esses dias – Quinzinho comentou, e sacudindo a cabeça, acrescentou – Por que?
— Eu não sei – Magali falou com a lingua entre os dentes e o encarando nos olhos, indagou – será que podemos ser amigos?
— Sem chance – Quinzinho disse, sorrindo triste.
— Nesse caso, não dá mais para mim – Magali comentou, encarando o chão.
— Beleza – O padeiro tentou despedí-la com um beijo na boca, sem sucesso.
— Desculpa – Magali disse, evitando de encarar o olhar do ruivo.
E ali terminou um namoro de longos anos. Os projetos a dois, os encontros e comilanças na padaria, os namoricos de infância, nada conseguira sobreviver uma traição imperdoável. O pior de tudo que Magali não estava abatida e muito menos arrependida. Terminaria o relacionamento cedo ou tarde, com drama ou sem drama. Ali, a única perda foi a amizade entre ela e a namorada do seu amigo safado. Aquilo sim, poderia ter sido evitado se não fosse os impulsos do moreno. Sentiu uma raiva crescer e passou reto pelo causador de todos os mares, ou quase todos.
— Hei, eu... – Cascão parou em frente a amiga.
— Não fala mais comigo – Magali disse friamente, e ignorando as súplicas do moreno, criou distância com ele e seus amigos.
— É... no final você acabou ficando sem as duas – Cebola soltou um comentário maldoso, e levando um tapa da dentuça, reclamou – Ai.
Denise que assistia a toda o rebuliço às escondidas, sorriu satisfeita com as confusões criadas entre os amigos. Nesse instante, sentiu um cutucão chamar sua atenção. Era o nerd preocupado.
— Você não tem nada a ver com isso ou tem? – Xaveco soltou uma rajada de perguntas – Aquelas fotos do seu Face foram de propósito ou não? O que está aprontando Maria Creusa*?
— Hei, pára de me chamar de Maria Creusa – ela bateu nos ombros do amigo, e arrancando um “ai”, disse – e pára de falar comigo.
— É que... – falou sem graça – sei lá pô a gente nunca deixou de se falar e... – após uma pequena pausa, continuou – se for por causa da Carmem eu... – foi interrompido por ela.
— Tudo bem, tudo bem, você venceu – disse e erguendo as mãos pro céu para a alegria do loiro, acrescentou sem fazer cerimônias – agora pode ir, tchau.
— Calma já estou indo e... – olhou pra sua amiga e alertou – vê se pára de criar intrigas, falô?
Xaveco saiu dali mais leve e solto. Sentia-se chateado por ficar tanto tempo sem falar com a melhor amiga e o... primeiro amor, que parecia mais interessado no barraco bem-sucedido graças as suas fotos do perfil. Denise, por sua vez, notou uma sombra interessante surgir atrás do casal inseparável.
— Falando em intriga da oposição...— murmurou sozinha, e vendo o Do Contra vidrado na dentuça, entendeu prontamente suas intenções – interessante...
Ao notar a presença de uma persona non grata, Cebola cercou sua namorada nos braços como se quisesse defendê-la de uma ameaça. Havia notado sua estranha aproximação desde o sítio e queria protegê-la daquele que poderia atrapalhar seu tão sonhado relacionamento com a dentucinha dos sonhos.
— O que foi Cê?— Mônica perguntou, sentindo o namorado tenso.
— Foi nada – Cebola desconversou, mudando radicalmente de assunto – e... e a sua festa de níver?— indagou – Quer alguma ajuda?
— Eu só quero que você apareça lá, meu poderoso Faraó— disse, ajeitando a gola daquela camiseta.
Mônica parecia animada com o seu aniversário que aconteceria daqui a alguns dias. O tema era o Antigo Egito. Realizaria um dos seus sonhos de infância: viver a Nefertiti, a rainha e fiel esposa do rei das pirâmides.
— Você tem certeza que eu preciso usar aquelas maquiagens boiolas no olho? – Cebola falou, enterrando qualquer clima de romance.
— Eu posso ir se quiser – Do Contra surgiu no meio da conversa, pegando o casal no susto.
— Que... que... surpresa – Mônica disse travada, vindo imediatamente na sua mente todas as lembranças com seu amigo no sítio, especialmente aquele beijo.
— Não cara, ela quer que eu vou de Faraó— Cebola afirmou, e encarando o olhar indefinido do amigo, comentou com um tom de voz provocativo – você pode ir de... sei lá, escravo do Faraó.
— Ele vai do que quiser – a dentuça disse, o deixando contrariado.
— Você ainda não ia passar naquela loja de fantasias? – Cebola sugeriu, colocando a mão no ombro menor.
— Ah... ah sim vamos – Mônica que parecia distraída nos pensamentos e no olhar enigmático do amigo, disse – até mais.
No próximo momento, Cebola olhou rapidamente para trás agarrada firmemente na namorada e sinalizou com os dedos um “estou de olho em você”.
Denise que observava atentamente os três, pressentiu que poderia esperar de tudo no aniversário da Mônica. Muitas intrigas, confusões e babados estariam a sua espera se no mesmo dia não tivesse outro compromisso. Se pudesse se duplicar em duas, certamente mandaria um clone em seu lugar para espiar...
— “Ai Senhor, eu não posso perder essa por nada... mas não vou poder ir!” – respirou fundo e pensou revoltada – “Maldita dentuça que não marcou outro dia...”
Os dias que antecederam a grande festa foram tensos, mas sem grandes tumultos. Afinal, o estrago já havia sido feito entre certos amigos que continuaram incomunicáveis. Haviam terminado definitivamente seus namoros com o padeiro e a Cascuda. Embora sentissem aliviados, sentiam um vazio incomodar algumas vezes. Afinal, não sairam de um relacionamento de alguns meses e sim de muitos anos.
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E a grande noite começou. Muitos fantasiados de reis, damas egípcias e escravos circulavam o enorme hall. As comidas e bebidas eram trazidas pelos garçons e garçonetes vestidos a caráter. Nesse interím, amigos e conhecidos estavam ali, aguardando a entrada da grande estrela daquela festa: Nefertiti. O som agitado foi aos poucos substituído por um ritmo de época que lembrasse as pirâmides majestosas e a paisagem infinita do deserto, os holofotes e as atenções ficaram todos voltados a ela descendo lentamente degrau a degrau, que era ansiosamente esperada pelo seu Faraó ajoelhado no térreo.
A rainha da antiga arquitetura de Egito foi recebido com assobios, gritos animados e um beijo cálido do namorado. Estava exuberante em sua fantasia adornados de cabeça aos pés como mandava o figurino. A música eletrônica voltou a ecoar no salão todo e a soberana passou a dançar envolto nos braços do seu grande rei, enquanto olhava pros lados procurando discretamente uma certa amiga sua atrasada para o baile.
— Cadê a Magá?— Mônica perguntou nos ouvidos do namorado.
— Eu não vi ainda – Cebola respondeu, e agarrando-a pelas costas, sussurrou em seu ouvido – relaxa que daqui a pouco ela aparece...
— Meu Faraó sempre tem razão – disse, sussurrando de volta.
Enquanto isso, Cleópatra fazia seus olhos egípcios no banheiro luxuoso. Havia se atrasado para a festa devido problemas com sua fantasia de última hora. Ajeitou seus cabelos lisos e trançados nas pontas, a coroa dourada, os colares glamurosos e principalmente seu vestido trabalhado na beleza da última rainha do Egito. Colocou seus pertences no guarda-volumes e saiu para curtir sua primeira night solteira. Pegou um drink e um petisco qualquer das bandejas servidas pelos serviçais. Resistiria aos Amarulas da vida e a outras bebidinhas doces e perigosas, caso contrário não teria namorado que a levasse de volta a casa.
Ao beliscar mais um salgado, pegou prontamente outra bebida para molhar a garganta. Aquele seria o segundo e... o último copo. Nada mais que isso! Mas aquele docinho gostoso a fez querer tomar outra taça. Tomou outro copinho quando cruzou com seu namorado... ou melhor, ex-namorado fantasiado ironicamente de César. Fingiu não reconhecer e por fim, acabou se esbarrando com o último ser da face da Terra que queria encontrar ali ainda por cima de Marco Antônio. Mas o pior nem foi a coincidência infeliz ou o esbarrão e sim achar ele irresistivelmente atraente naquela maldita fantasia! Tentou sair de lá tarde demais. Estava escorada num canto escondido e refém daqueles braços quentes e olhar intenso.
E ele a beijou cheio de vontade e desespero, como se quisesse matar saudades de violar cada canto daqueles lábios convidativos e daquela lingua tão entregue ao seu. Desceu sua boca no queixo, chupando, mordendo e fazendo tudo o que tinha direito. Voltou a beijá-la com ardor, escapando de vez ou outra para dar uns chupões naquele pescoço vulnerável.
— Pára... pára... — Uma súplica mentirosa demais para alguém que fazia exatamente o contrário, fechando os olhos, inclinando sua cabeça e gemendo por mais.
As mãos da Magali puxaram o rosto do moreno contra o seu na urgência de colarem as bocas. Ele desceu sua boca molhada pro colo, beijando, explorando e deixando suas marcas enquanto sentia os dedos bagunçarem ainda mais seus cabelos já suados de calor. Encarou-a outra vez, o que foi um erro, já que acabou deixando escapá-la dos braços.
— Hei!— Cascão piscou e a viu correndo para longe.
— Falei para me esquecer! – Magali não sabia onde correr e nem podia recorrer ajuda a qualquer um, então correu as escadas onde descera a Nefertiti.
— Quer me desafiar? Vamos lá...
Arrancou todas as suas armaduras e qualquer adereço que atrapalhasse seus movimentos e ficando somente de túnica, saiu apressadamente atrás da rainha. Em meia corrida, esbarrou justamente no Quinzinho e na sua ex-namorada de Flúvia, a esposa abandonada do Marco Antônio, que acabaram esquecidos para trás. Avistou a Cleópatra sumindo no segundo andar e apertou os passos sem hesitar, chamando a atenção de alguns amigos do térreo.
Ao chegar ao estreito corredor onde dava acesso ao quarto dos bastidores e um banheiro, passou como furacão pela primeira porta, sorrindo vitorioso por encontrar sua imperatriz egípcia assustada e o melhor, em um lugar fechado.
— Sai daqui – Magali disse apontando em direção a saída.
— E se eu não sair? – Cascão indagou com um tom de voz convencido, tendo a plena certeza que ela queria tanto como ele, e avançando os passos em direção a ela, perguntou – Você vai gritar minha rainha?
— Eu não sou sua rainha – falou, recuando aos poucos contra a parede – mas eu acabei terminando com Quim por sua causa.
— Esquece ele vai— sussurrou nos ouvidos da soberana.
— Não...— arrancou um gemido contido como um sinal positivo mesmo que aquela boca balbuciasse exatamente o oposto.
Sabiam que se continuassem ali, acabariam fazendo loucuras e não teriam mais volta. Ficaram se encarando até o moreno tascar nela um beijão de tirar o fôlego. E tudo recomeçou. Ele deslizou a boca rapidamente pelo queixo, pescoço, colo, a deixando louca nesse sobe e desce torturante. Agradeceu que estavam a sós, caso contrário aqueles gemidos ecoariam por todo o salão. Sentiu seu traseiro contra o sofá, invertendo as posições, surpreendendo o moreno.
— Tem que ser do meu jeito— Cleópatra sussurrou nos ouvidos, mordendo o lóbulo.
— E como é o seu jeito?— Marco Antônio disse, provocativo, mordiscando a nuca dela.
E um grito que não era de prazer ecoou pelos quatro cantos daquele quarto. Cascão tinha levado um belo chute na virilha e rolado no chão enquanto a rainha corria para fora de lá. Ela bateu fortemente a porta nas costas, e ofegando por ar, esbarrou nos últimos dois seres do Universo que queria esbarrar naquela festa: seu ex e a Cascuda. Tentou disfarçar passando a mão no escarlate borrado, e ajeitando seus cabelos bagunçados, saiu andando depressa sem nada falar. Ali nada precisava ser dito ou explicado. Afinal, estava solteira e podia ficar com quem ela bem entendesse e não devia satisfação a ninguém, nem mesmo a eles que provavelmente ficaram à espreita.
Ao descer apressadamente as escadas, viu sua best sair para atender a mais um convidado atrasado, aliás, bem atrasado, já que eram quase meia noite. Quem em sã e consciência viria tão tarde? Pensava ela, curiosa e também. Foi espiar pela fresta da porta e ficou perplexa ao ver que era o Do Contra fantasiado de... Zorro.
— Mas é um Do Contra mesmo – Mônica sorriu, achando certa graça naquelas esquisitices do amigo.
— O que um Zorro faz além de... – Do Contra apertou aquela cintura contra seu corpo e sem perder mais tempo, arrancou um beijo breve mas caliente daquela boca desprevenida, amando vê-la totalmente sem reação nos seus braços.
— É... eu... – a dentuça não sabia o que dizer.
Magali que assistia a tudo de olhinhos bem atentos, ficou tão boquiaberta que nem percebeu alguém se aproximar por trás.
— Que feio espiar outros— Cascão soprou com uma voz sexy naqueles ouvidos vulneráveis.
— Ai! — Magali tomou um susto tão grande que acabou empurrando a porta com as mãos apoiadas na maçaneta, deixando que seu amigo caisse de quatro e encurralasse seu corpo no chão.
Num canto, os amigos de infância estavam caídos próximos a saída e no outro lado, uma rainha das pirâmides agarrada ao Zorro. Ficaram em um silêncio absoluto e trocaram olhares rápidos quando chegou o rei do Egito atrás da sua dama.
— Sabe o que o Zorro faz? – Do Contra perguntou de novo, mas dessa vez a sua pressa não deixou que ela respondesse e disse antes de carregá-la nas costas – Sequestrar.
— Hei, hei, me solta! – Mônica clamou por socorro, e debatendo os pés no ar, deixou cair sua coroa azul e percebeu afastar-se aos poucos do salão.
— Melda! Vamos atlás deles!— Cebola chamou seus amigos.
Os três correram atrás dos dois, tropeçando nos bêbados que perambulavam pelas ruas praticamente vazias. Do Contra então teve uma idéia e correu até alcançar uma esquina mais movimentada e escorando rapidamente ela na parede, calou os protestos com sua boca e a camuflou na sua manta preta por entre as pessoas caminhando pelas calçadas noturnas. Ficaram se beijando às escuras a fim de garantir que a turma não descobrisse aquele disfarce, e principalmente para invadir, sentir e explorar aqueles lábios deliciosos.
De repente, Zorro tirou a capa dos rostos e largando ela sem mais nem menos, saiu para pegar o ônibus que passava por perto, a deixando ver navios... ou melhor, a fumaça. Nesse exato momento Faraó ressurgiu das cinzas com os amigos e veio abraçando sua amada mais longe que um astronauta na lua.
— Que susto você me deu – Cebola disse, aliviado.
— Tudo bem miga?— Magali indagou desconfiada, erguendo uma sobrancelha.
— Tá, tá tudo ótimo!— Mônica afirmou, com um sorriso amarelo.
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E num local distante dali, um casal nada convencional passeava pelo centro da cidade onde a noite corria solta ao som de uma melodia entediante, exatamente como estava a herdeira dos Amaral. Tudo o que queria era fazer o nerd parar de falar, ou melhor, fazer o encontro acabar o mais rápido possível, já que a chatice dele parecia congelar o tempo. Aliás, queria mesmo era sumir de lá e fugir para qualquer lugar!
— “Eu preciso dar um jeito nesse...”
Tinha tentado de tudo, mas tudo para acabar com qualquer romantismo em um encontro: usar as roupas mais bregas, arrotar feito porca no jantar, interromper o assunto a cada meio segundo, falar e rir alto. Nada parecia adiantar que o menino continuava firme e forte igual pedra. O que mais fazer? Pensava ela desesperada quando teve a última idéia.
— O que acha de passarmos ali? – Carmem apontou um dos bares mais caros das redondezas enquanto pensava vitoriosa – “ele vai reclamar e...”
— Vamos sim! – Xaveco respondeu, a deixando perplexa.
— Mas, mas tem certeza? – insistiu – falaram que lá é meio caro e...
— Ah relaxa, hoje tudo é por minha conta – afirmou tranquilamente.
— “Um nerd rico! Era só o que me faltava!” – desesperou-se em pensamentos e após pensar um pouco, perguntou fingindo felicidade – mas, mas assim posso beber todas?
— Tudo o que você quiser... – falou prontamente, desculpando-se mentamente com sua irmã – “ah mana, sinto muito mas vou ter que torrar todo seu salário desse mês!”
Sentaram no lado de fora onde ainda haviam mesas desocupadas e passaram seus olhares nos drinks. O nerd não conseguiu disfarçar o susto para a alegria da FruFru, que sabia de cor e salteado todos os preços daquele bar de alta classe.
— Eu vou pedir... esse – a ricaça apontou seu dedo na bebida mais cara do cardápio, adorando ver a reação esperada do loiro.
— Eu vou querer só uma água – o nerd disse, encolhido.
— Mas só? – perguntou, e fingindo arrependimento, falou – as bebidas aqui são muito caras para você pagar... então eu acho melhor irmos para outro...
— Não, não – afirmou, e reforçando o pedido, comentou – eu falei que vai ser por minha conta.
Em menos de meia hora o garçom já estava trazendo as bebidas na mesa. Carmem bebeu como água o seu drink e pediu a segunda dose, e outra, e de novo. Mal sabia o pobre coitado que aquilo não passava de uma armadilha de fazê-lo desistir de uma vez por todas da Carmem Romero Timberg. Seria um plano infalível se a mentora não bebesse demais e ficasse completamente bêbada e fora de si.
— Eu só acho que você está bebendo de... – Xaveco foi surpreendido com o tom autoritário da namorada.
— Vem cá querido quem é você para falar de mim... com essa cara de frauda? – Carmem gargalhou alto para quem quisesse ouvir e continuou – aquelas seu papinho tão sem sal... – confessou – meu Deus... o que aquela criatura viu em você? – falou, debochando – ela pode ser a segunda... mas você é... último dos últimos!
— Ou você não está falando coisa com coisa ou... – disse e sacudindo a cabeça, ofereceu seu ombro para a embriagada.
— Não encosta em mim – saiu igual furacão da mesa.
— Como você vai embora assim? – seguiu ela até o lado de fora, preocupado.
— Sai garoto! Mas que saco!
Ao chegar na calçada, Carmem atravessou a rua sem ver nada. Foi um sinal aberto, um carro passando em alta velocidade e um puxão pro outro lado da rua. Tudo foi rápido demais. Num piscar de olhos, estava envolto novamente naqueles braços firmes. Abriu os olhos atordoados pelo susto e viu ele ali, segurando suas mãos. Como ele pode fazer isso outra vez com ela?
— Jer... Jeremias... ?— ela não conseguia acreditar que era ele de novo.
Continua...
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