Notas iniciais
Mais um capítulo! Tio Poeira vai começar a tirar as manguinha pra fora #tiAmoLindo KKKKK Escutem: https://www.youtube.com/watch?v=sg3-hAXPFrI

Aquela noite chuvosa era o cenário perfeito para Poeira Negra testar a magia da extinção. Sabia que ainda não estava perfeito, e que na pior das hipóteses o feitiço poderia voltar contra o feiticeiro. Havia cinquenta por cento de chance em dar certo... ou errado. Engoliu seco como não fazia a tempos. A última vez que fez isso era quando foi decretado vergonhosamente a sua prisão na frente da turma. Suou a ansiedade nas mãos e começou a entoar algumas palavras em latim, japonês, grego e sabe-se lá o que era aquela lingua. Concentrou a energia no ofuda e lançando o papel pela fresta da janela no quarto da sua cobaia, acertou em cheio seu alvo. O corpo adormecido da jovem soltou um brilho, e flutuando rapidamente no ar, caiu sobre o colchão.

Magali passou a se mexer bruscamente de um lado pro outro, suando frio, ofegando por ar e rangendo os dentes.

E a pobre coitada mal sabia que o pesadelo estava apenas começando...

Ao abrir os olhos assustados, Magali passeou o olhar temeroso pelos quatro cantos. Tudo ali era uma imensidão escura. Levantou-se desesperada e saiu correndo daquele lugar que transmitia medo. Sentia uma agonia no peito apertado, o tremor nas mãos geladas e o medo nas pernas trêmulas. Queria gritar socorro, mas nada saia da garganta.

Correu, correu e correu sem parar. Tropeçou no escuro, a deixando ainda mais aterrorizada. Mesmo que talvez estivesse na noite de terror em parque de diversões não tinha a menor graça! Em prantos, voltou a correr na escuridão quando alguém falou em sua mente: “Tá com medo do que?” Ficou espantada já que sempre achara uma baboseira aquelas historinhas de escutar vozes do além. Concentrou todas as suas forças naquela voz e depois de muito esforço conseguiu responder em pensamentos: “Quem está falando?” E começaram a trocar diálogos mentalmente: “Aquela que você tem medo” “Medo pra mim é você que não quer aparecer na minha frente” “Ainda não sabe quem é?” “Aparece!”

Várias luzes juntaram-se em frente a jovem, e concentrando-se num ponto só, revelou quem estava por trás daquela misteriosa voz: ela mesma. O espanto era tão grande que Magali não sabia o que fazer a não ser ficar estática diante do seu reflexo ao vivo e a cores.

— Eu não sei o motivo de tanto espanto – a outra Magali disse, irônica.

— Isso... isso... só pode ser um sonho ruim que logo vou acordar – Magali comentou com olhar fixado na sua sombra.

— Ué, por que o susto se eu sou você e você sou eu querida?— perguntou, sarcástica.

— Eu só sou uma e não duas – rebateu, contrariada.

— Eu não sei se já ouviu falar mas o pior inimigo nosso, somos nós mesmos – explicou, convencida – ou seja, você é o lado consciente que só tem cinco por cento de domínio sobre a mente e eu o lado sub-consciente que domina o restante – sorriu, vendo a reação confusa – resumindo: aqui eu tenho mais poder que você.

— Além de dizer que sou eu quer me dar aula de psicologia? – perguntou.

— Sim porque você precisa muito disso – afirmou, convicta – ou acha que não sei os seus defeitos? – começou a contar nos dedos – acomodada, interesseir...

— Some daqui!— gritou, e espantando-a com as mãos, ela desapareceu como uma névoa.

E aquela mesma voz soou na mente conturbada da pobre coitada: “Mas você é teimosa...” Magali fez o possível e o impossível para espantar a impostora como sacudir a cabeça, tampar os ouvidos e por fim, correr desorientada embora não conseguisse se livrar da própria sombra nem por uma reza brava. Mal conseguia pensar, muito menos falar. Sua cabeça doía tanto, mas tanto que era como se tivesse levado uma pancada de alguém!

Acha mesmo que vai se livrar de mim?” “Desaparece daqui...” “Não antes de te levar para um lugar” Ela foi ofuscada por uma luz forte e ficou assustada ao se encontrar naquele mesmo parque de diversões onde o moreno descobrira que ela era quem lhe bagunçara sua estrutura.

Ao se encontrar no labirinto que tudo começara, Magali percebeu um casal sem pudor nenhum aos beijos e amassos, e se reconhecendo como a garota que recebia as investidas do menino, ficou assustada com a outra Magali olhar sorrindo para ela enquanto correspondia as mordidas e lambidas no queixo e pescoço. O pior foi o seu ex assistindo tudo às escondidas com caras e bocas de choque e decepção. Oras, como era possível o padeiro estar parado ali, se tinha a certeza absoluta que aparecera pouco tempo depois que parara com a brincadeira?

Vai negar que não era você beijando seu amigo?” “Foi ele quem me forçou!” “Ninguém beija ninguém sem querer”. “E na festa lá não foi você?” “Aquilo foi... foi um impulso!” O cenário se modificou outra vez nos olhos da Magali. Ela assustou-se com tudo se esfarelando ao seu redor, inclusive o futuro herdeiro da padaria Quinz e seu melhor amigo de infância. Abriu as pálpebras lentamente e estava na festa de aniversário da Marina. Viu de perto a outra Magali beijando o moreno mascarado, o deixando atordoado. Colocou as mãos na cabeça que insistia em latejar de dor, como se não quisesse aceitar os fatos. O que seria capaz de fazer se estivesse no papel do ex? Lágrimas escorriam daqueles olhinhos... de arrependimento, ou melhor, de pena embora não aceitasse que nunca sentira paixão pelo Joaquim.

Novamente o local se desmoronou sob o olhar lacrimejado da Magali. Ela já não aguentava mais aquela lavagem cerebral. Os nervos pareciam explodir pelo simples fator em não ceder ao outro eu gritando insistente as verdades dentro dos seus pensamentos: “Você é uma egoísta, aceita logo” “Não! Mentira!” “Você só pensa em você mesma, igual a noventa por cento da gentalha” “Não, não e não!” “Então por que ainda não assumiu nada com o Cascão?” “Porque, porque não quero!” “Claro, ele não tem uma padaria igual o outro” “Não é por causa disso!” As risadas histéricas do seu outro eu tomaram conta do consciente seu, a obrigando encarar o chão escuro.

Ao abrir os olhinhos desesperados, Magali se olhou fantasiada de Cleópatra com a maquiagem borrada. Notou a rainha do Egito e o Marco Antônio se beijando intensamente pelo reflexo e sentindo a raiva crescer no orgulho ferido, fez o espelho quebrar em pedacinhos. Tremeu vendo a mão ensanguentada, e fugindo daquele quarto que trazia tantas lembranças boas e ruins, saiu num espaço coberto de espelhos enquanto a voz atordava sua mente: “Você é daquelas que pensa em grana desde cedo” “Todo mundo pensa!” “Fez o Quinzinho de idiota, coitado...” “Não, é mentira!” “Mas seu lado impulsivo sempre falou mais alto” “Não!” “Aliás, só o Quinzinho não, fez o Cas também de idiota e vai continuar fazendo...”

— NÃO! – Magali acordou suada e ofegante.

— “Merda! Não deu certo...” – Poeira Negra pensou, olhando seu caderno de anotações – “eu estou fazendo alguma coisa de errado para dar esse efeito reverso...” – e saiu discretamente dali.

Magali tocou o próprio rosto, e sentindo as lágrimas escorrerem pelos olhos aterrorizados, respirou aliviada por acordar de um pesadelo que pareceu tão... real. Conseguia ainda escutar os batimentos acelerados de medo, aquela voz ecoar na cabeça. Ela virou o travesseiro para o lado avesso como mandam as superstições de evitar novos sustos e voltando a deitar-se bem devagar, ficou pensativa pelo resto da noite até cair no sono.

A manhã de quinta foi bastante tumultuada. Além de sair sem maquiagem e despenteada, estava atrasada para a escola. Correu com uma torrada na boca e vendo a todo instante o relógio do celular na rua, esbarrou no último ser que queria na face da Terra.

— E aí? – Cascão perguntou, indo na mesma direção que sua amiga.

— Bom dia – Magali disse friamente, tentando sair na frente.

— Hei espera – falou, a segurando pelo braço.

— Volta pra ela – comentou.

— O que? – indagou, perplexo.

— Eu quis dizer pra você – mordeu o lábio inferior e continuou – voltar com a Cascuda.

— Hã? Bateu a cabeça? – perguntou, pondo a mão na testa da amiga.

— Tou falando sério – disse, o encarando firme naqueles olhos confusos.

— Não, não tá – afirmou e respirando fundo, continuou – tem alguma coisa errada aí que ainda não sei...

— Não tem nada de errado!— gritou e lembrando-se que se encontravam em via pública, abaixou a voz – aliás, eu quero consertar o que está errado.

— Então todo o lance que a gente teve não... – falou, e vendo ela sacudir prontamente a cabeça em sinal negativo, completou – você quem manda.

Magali esperou seu amigo se distanciar e seguindo aquelas costas largas com o olhar até desaparecer, seguiu por outro caminho. Tentaria corrigir os erros com seu ex-namorado... como se fosse algo simples e fácil. O coração suplicava pelo moreno, mas a razão gritara mais alto. Mudar para quê uma rotina de quase dez anos? Assim pensava ela e a sua cabecinha medrosa e acomodada ao mesmo tempo. Tinha receio em dar um tiro no escuro, arriscar o desconhecido e encarar o incerto. O futuro seu era igual aquelas caixas fechadas sem abertura a surpresas e novidades. Odiava agir por puro impulso, ou melhor, seguir o que mandava o coração. Talvez por esses motivos sentia uma pontinha de inveja da dentuça que agia sem pensar e muitas vezes dava certo! Ou errado também.

Estava tão absorta em seus pensamentos que mal conseguia prestar atenção nas aulas e aguardou ansiosamente o soar do intervalo. Escutou o sinal e seguiu com o Quinzinho na cantina. Fizeram seus pedidos e sentaram juntos em uma mesa vazia.

— Você... quer voltar? – Quinzinho arregalou seus olhos surpresos.

— Eu queria consertar o que errei – Magali disse entre pausas – se ainda der tempo...

— Por que você sentiu minha falta ou só por que está arrependida? – indagou, desconfiado.

— As duas coisas, acho – respondeu,

— Mas “acho” não é certeza – afirmou.

— Olha eu sei que não tenho crédito com você – disse, após uma pequena pausa, continuou – mesmo assim quero tentar...

— Tudo bem – falou e pensando um pouco, concluiu – só se você passar essa noite comigo.

— Como assim? – perguntou, surpresa.

— Meus pais vão viajar hoje final da tarde porque amanhã é feriado e vou ficar sozinho em casa – explicou, a encarando nos seus olhinhos inseguros.

— Ou seja – comentou, mordendo o lábio inferior.

— Entendeu o que quero dizer – disse, engolindo seco.

— Se eu topar você vai confiar em mim, certo? – perguntou e refletindo por alguns instantes, continuou – apesar que hoje tenho ensaio com as meninas para a exposição de sábado...

— Não sei se já passaram na sua sala para avisar, mas a exposição foi adiada para daqui duas semanas – falou, sorvendo o suco.

— Adiada!? – perguntou, e relaxando os ombros, reclamou sozinha – ah se soubesse antes...

— O que? – indagou, tentando escutar as últimas palavras da ex-namorada.

— Nada, é...

Nesse instante, o celular da Magali vibrou uma, duas a três vezes. Eram mensagens do grupo de Whats, criado para falar sobre a Exposição que diziam o seguinte:

Marina “Gente acabaram de avisar aqui que a exposição foi adiada para o dia...”

Denise “Ai, Senhor que tudo! Nesse caso o que acham de curtir hoje no palácio e depois uma baladinha na sexta?”

Ana “Por mim está tudo bem! Ganhei folga no trabalho amanhã mesmo (emoticon) ”

Magali, pela primeira vez, agradeceu a maior fofoqueira da escola pela brilhante idéia em passar o feriado no Deserto. Ao menos poderia enrolar o ruivo para não ficar totalmente a sós. Estava insegura se queria perder sua virgindade com o padeiro... se nem permitira o seu amigo que tivera contatos mais intensos quem dera com o ex-namorado, sem contar a primeira vez que fracassaram ao tentarem algo mais ousado, ou melhor, ele a forçara a transar.

— Pode ser, mas não na sua casa – Magali respondeu.

— Na sua? – Quinzinho indagou.

Ao explicar a idéia, ficou aliviada por ele aceitar a ida ao Deserto e passar a noite mais exótica em suas vidas. Escutou o sinal para a próxima aula e levantando-se rapidamente, encerrou a conversa. Encontrou pelos corredores seu amigo abraçado na Cascuda e agarrando o ruivo, passou ao lado dos dois.

— E aí gente? – Cascuda indagou.

— Tudo certo – Quinzinho disse.

— Nos vemos no “palácio” – Cascuda disse, animada.

— Que legal, você vai também? – Magali perguntou, forçando um sorriso.

— Opa, demorou – Cascão sorriu, e adorando ver o ciúme crescer nos olhos da amiga, quis provocar ainda mais – vem, amor.

— Vamos também paixão— Magali disse no mesmo tom provocativo, sorrindo para eles antes de tascar um beijão na boca do namorado e sumir dentro da sala.

— Uau – Quinzinho reagiu depois que a namorada se foi, e passando a mão pela sua boca inchada, olhou satisfeito para o outro casal.

Ao chegar na classe, Magali sentou-se na carteira e o celular vibrou direto no bolso, a fazendo retirar rapidamente da calça. Olhou as infinitas mensagens e emoticons do namorado e pondo a mão na testa, lembrou-se do que acabou de fazer sem sequer desconfiar que a dentuça estava logo atrás.

— Meu Deus o que eu fiz— Magali se lamentou por botar mais fogo na lenha.

— Vocês voltaram é isso? – Mônica indagou, perplexo.

— Ai que susto! – disse, e batendo a mão livre na mesa, respondeu – Voltamos sim... por que?

— Deixo ler – ela se deu a liberdade de tomar o celular da sua amiga e leu o texto – “adorei o beijo amor” – ergueu uma sobrancelha e perguntou, boquiaberta – você quem beijou ele?

— É que um chato apareceu e aí – respondeu, passando a mão pelos cabelos.

— Sei – chegou mais perto da amiga e murmurou baixinho – aprendeu direitinho com o Cas.

— Nada a ver— falou entre os dentes e mudou radicalmente de assunto – e falando nisso você e Cê estão bem?

— Eu não quero mais saber dele — respondeu num tom de voz irritada e sorrindo ironicamente, disse – o Do Contra me chamou para sair, te contei?

— Eu acho que você precisa pensar mais antes de fazer qualquer besteira — alertou, tomando a própria experiência como exemplo.

— E eu acho que você pensa demais — acrescentou.

As aulas passaram sem grandes tumultos exceto o Cascão que secava a Magali vez e outra na esperança de receber alguma atenção. O último sinal tocou e todos os alunos sairam da sala carregando seus pertences assim como a patricinha que parecia mergulhada nos devaneios.

Carmem havia recebido convites intermináveis dos paqueras para sair, afinal de contas era véspera de feriado. Ficou deslizando no smartphone a lista das cutucadas no Face e mensagens do Whats enquanto entrava na sua limusine. Era como se, como se acordasse de uma doce ilusão e voltasse a sua condição de um lobo independente... mas solitário. Voltaria a reaparecer nas baladas badaladas, ficar com os garotos mais cobiçados pela mulherada e ser invejada pelas “amigas”. Assim fingiria que nada acontecera entre ela e o Jeremias e as coisas se encaixariam nos seus devidos lugares. Mentira. Sabia lá no fundo a força necessária em tirá-lo da sua cabeça para seguir adiante. Sentiu o celular vibrar na mão e viu o nome daquele que havia jurado em esquecer. Hesitou em escutar aquela voz outra vez, mas sacudiu a cabeça teimosa, desistindo de atender.

Jeremias, por sua vez, tentou mais algumas vezes antes de entrar no seu intervalo do almoço no trabalho, e respirando fundo, deixou que os devaneios dominassem sua mente. O que o motoboy teria a perder dando uma chance a garota mais popular da escola que jogara todo o orgulho fora e praticamente se rastejara por um simples motoqueiro? Sabia que aquele jeito esnobe dela era para disfarçar a carência pela ausência dos pais e compreendia até certo ponto a solidão. A diferença que nunca se sentira órfão no mundo graças ao vovô presente em sua vida por longo tempo até ingressar na faculdade.

Nesse instante, escutou o homem da marmitex chamar seu nome, o trazendo de volta a vida corrida e barulhenta.

As horas passaram e uma turma grande que chamava atenção por onde passava seguiu rumo a casa de Marina, onde já tinha virado ponto de encontro do grupo da exposição a alguns dias. Passaram o tempo aproveitando a piscina naquele calor escaldante, andando sob os camelos com turbantes nas cabeças, correndo de Jeep pelas areias infinitas em alta velocidade e voando o céu quente do deserto sobre o tapete mágico quando se depararam com um navio de luxo abandonado.

— Como assim um navio enorme no meio do deserto? – Denise indagou, surpreso.

— Aposto que é coisa do meu pai – Marina disse sem jeito.

O grupo que sobrevoava as areias pousou no luxuoso transporte que ainda parecia em funcionamento e explorando a cabine do piloto, tentaram fazer o motor funcionar, e para a surpresa de todos, o navio começou a se mover sobre as dunas! Ficaram boquiabertos e eufóricos por presenciar algo ainda não comprovado pela Ciência. Colocaram os pescoços para fora quando avistaram uma jeep correndo em direção ao enorme paraíso flutuante nas ondas arenosas e foram resgatar eles assim como a turminha que sobrevoava o céu próximo dali.

— Caraca, que maneiro! – Titi afirmou, eufórico.

— Ai, Senhor me belisca para ver se eu estou sonhando! – Denise gritou empolgada, e recebendo como resposta um beliscão da sua arqui-rival, reclamou – hei, não de você criatura.

— Vamos curtir um pouco o cruzeiro amor?— Carmem chegou abraçando de supetão o nerd pela frente, adorando ver sua ex-amiga fuzilá-la com os olhos e odiando por não chamar a atenção do motoboy que brisava na borda.

— Pode, pode ser – Xaveco concordou a contragosto, sentindo um calafrio nas costas por causa da ruiva que emanava uma áurea negra.

Ao notar a frustração da patricinha, Denise sorriu maldosamente e esperando o casal de mentirinha desaparecer, seguiu em direção daquele que desestruturara o coração da garota mais rica e talvez a mais orgulhosa do Limoeiro.

— Saudades — Denise sussurrou nos ouvidos negros.

— Opa, e aí? – Jeremias virou-se prontamente, deixando que ela beijasse sua boca.

Beijaram-se por algum tempo e ficando mais empolgados e perdendo a noção da vergonha, seguiram abraçados para um dos camarotes com varanda até um deles flagrar ninguém mais ninguém menos que o casalzinho de mentira aos beijos e amassos na cama de casal.

— Jer... Jeremias?— Carmem ficou perplexa.

— Então querida não sei se te falei mas já ficamos antes – Denise disse, amando a reação vulnerável da loira.

— Mas tinha que ser justo com ela? – Carmem indagou chocada e perdendo completamente o ânimo, continuou – se fosse com alguém de mais valor eu n...

— Olha na boa... me deixem fora dessa competição idiota de vocês duas – Jeremias deixou os três para trás, saindo do quarto.

— Ele tem razão – Xaveco fez o mesmo e sacudindo a cabeça em reprovação, saiu da suíte.

Denise esperou que o geek batesse a porta nas costas e perguntou: — Satisfeita?

— Como se a culpa fosse “só” minha – Carmem comentou, irônica.

— “Se” você tivesse terminado com ele eu não teria me metido nessa sua paixonite pelo herói salvador de bêbadas – Denise disse, e a olhando de cabeça aos pés, continuou antes de desaparecer no corredor – aliás tudo começou porque você cismou comigo e com o Toni, ou esqueceu?

O som da porta bater bruscamente irritou a patricinha que descontou sua raiva nos travesseiros, atirando eles contra a parede. Após recompor-se do pequeno descontrole, ela colocou a mão na cabeça, e sentando-se na cama, ficou pensativa por algum tempo..

—_____________________________ x_____________

E naquela noite na mansão Timberg, a única herdeira de toda aquela maldita fortuna estava tão cansada e esgotada que nem havia percebido a presença de alguém próximo a janela.

Continua...

Notas finais
Tio Poeira seu lindo! hahaha tenho problemas gente não liguem! #SuaFan Bom, aqui acabam os capítulos prontos... agora só Deus sabe se isso continua ou não! Se querem, deixem seu review pra titia aqui!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.