Notas iniciais
Gente perdão! Muitas coisas aconteceram e... vou postar os capítulos prontos que tinha feito ano passado! Aqui começa a parte do Deserto pra quem lembra! Escutem do meio pra frente: https://www.youtube.com/watch?v=WWErSfJWzzo

O domingo começou agitado na casa dos Gomes*. Denise combinou com todos os integrantes do grupo via mensagens, marcando encontro em um shopping mais próximo às três horas na entrada. Todos se encontraram nos conformes e foram tomar café na área de alimentação para definir um tema mais simples graças ao tempo curto

Haviam muitas pessoas circulando por todos os cantos, disputando lugares e formando filas em restaurantes e lanchonetes. Fizeram seus pedidos e ficaram esperando uma mesa vazia. Embora estivesse lotado, em dez minutos já estavam bem acomodados. Começaram a comer e falar, trocando opiniões, acatando e descartando idéias. Afinal, o tempo era curto e precisavam urgentemente decidir o que fazer e colocar em prática.

— Meninas, o que acham de... dança do ventre? – Aninha sugeriu enquanto tomia seu suco.

— Ai Senhor, não dá para ser outra coisa? – Denise indagou, e colocando a mão na cabeça que doía de tanto pensar.

— Eu topo se a Aninha ensinar como faz – Mônica disse, levantando a mão.

— Eu também – Magali falou de boca cheia com um pedaço generoso do seu sanduíche natural.

— Está sujo a boca aí – Cascão comentou sorrindo para sua amiga, provocativo.

— Idiota— Magali murmurou baixinho, limpando a boca com o guardanapo.

— Será que só eu estou sentindo cheiro de testosterona aqui? – Denise perguntou, brincalhona.

— Deve ser o seu nariz – Marina comentou, e ganhando um ar mais sério, falou – mas agora é sério gente, mesmo que a Aninha ensinasse a dançar, não vai dar tempo... – disse, e ficando um pouco pensativa, murmurou, procurando algo na sua bolsa – a não ser que... – retirou seu lápis mágico – achei!

— Ih, lá vem ela – Carmem disse, baixinho.

— Ninguém quer saber sua opinião aqui querida – Denise ignorou os protestos da rival e voltou a dar atenção a sua outra amiga – mas o que você vai fazer com esse... lápis?

— Eu posso tentar retardar a passagem de tempo – Marina explicou calmamente, deixando todos boquiabertos.

— Mas com esse lápis? – Cebola perguntou e vendo ele de perto, disse – Eu não lembro desse negocinho ter tanto poder...

— Esse é um novo que ganhei dos meus pais no meu níver e tudo o que eu desenhar fica em tamanho real, o que não acontecia com a antiga que viravam miniaturas – a desenhista sorriu piscando.

— Ou seja... se eu te pedir um celular top de linha de presente você pode desenhar e me dar? – Os olhinhos da Denise brilharam e abraçando ela firmemente, dramatizou sua voz – Marina minha fofa que bom ser sua amiga!

— Bom, isso eu ainda não testei mas... – Marina soltou-se dela e retomando o fôlego, disse – eu desenhei vagalumes naquela viagem e funcionou...

— Aquilo foi você? – Denise perguntou, maravilhada.

— Mas enfim!— Mônica interrompeu o falatório eterno das meninas – vamos focar no que precisa ser feito agora... – soltou uma rajada de perguntas – então Má, você tem certeza que dá para fazer isso?

— Eu... tenho uma idéia – Marina disse – vem comigo gente.

Tomaram um ônibus e chegaram na casa da Marina. Estavam todos curiosos para saber o que se passava naquela cabecinha criativa. Passaram pela sala onde seus pais tomavam um chá da tarde enquanto assistiam a televisão. A jovem rapidamente cumprimentou eles e foi direto vasculhar a estante.

— Está procurando o que querida? – Alice perguntou, curiosa.

— Aquele meu caderno de desenhos... – Marina respondeu sem desgrudar o olhar das gavetas.

— Quer ir de novo para o País das Maravilhas**?— Seu Maurício indagou, sorridente.

— Na verdade queria ir para qualquer lugar que retardasse o tempo – Marina respondeu naturalmente.

— E por que? – Alice perguntou, desconfiada.

— É que... a exposição já é nesse sábado e não pensamos em nada – Marina explicou sem graça.

— Vamos para o seu quarto – Seu Maurício disse.

O chefe de família conduziu toda a turma para o quarto da sua filha. Ali tudo, ou praticamente tudo era voltado para artes. Além do armário cheio de lápis, canetas coloridas e blocos de papel, havia uma infinidade de desenhos colados nas paredes, dentre eles, modelitos de roupas, paisagens panorâmicas, sem contar a tela do computador com uma arte inacabada no Photoshop, tudo feito pela jovem artista. Seu Maurício retirou calmamente uma folha de sulfite e entregou para a Marina, que parecia não entender nada.

— Desenha uma porta nela com o destino que quer ir – Seu Maurício disse.

— Hum, destino... nossa... e agora... – Marina falou, pensativa.

Enquanto isso, a turma tinha se espalhado pelo quarto para apreciar a arte da amiga, ou se não ver livros de fotografia de paisagem, como a Denise. Ela ficou folheando página por página e uma em especial chamou sua atenção.

— Deserto da Arábia Saudita— Denise leu baixinho as notas escritas abaixo das fotos, impressionada com a beleza exótica.

— Isso!— Marina desenhou a porta com o destino e indagou para o pai – mas só isso?

— Agora você coloca a sua palma da mão sobre ela e mentaliza o lugar escolhido – Seu Maurício fez uma demonstração e pediu que ela sobrepusesse sua mão na dele – assim... perfeito e agora – ele tomou a folha e estendeu para o teto.

Um brilho vindo do papel ofuscou a vista de todos. Em poucos segundos, a luz foi diminuindo de intensidade e estavam em frente a uma porta que levariam para o tal mundo milagroso que retardaria o tempo. A turma correu para espiar a passagem fechada cheio de curiosidade, enquanto Denise ia num cantinho fazer alguns contatos antes de embarcar naquela loucura.

— E... e aí galera... quem vai primeiro? – Xaveco perguntou, receoso.

— Vai você chorão – Denise provocou e chegando bem perto dele, sussurrou – se não vou trocar de gatinho resfriado...

— Aqui vou eu!— o nerd tomou impulso e escancarando a porta, sumiu nela.

Um silêncio se fez. Em seguida escutaram um “maneeeeeeeero”, aliviando e encorajando a todos. Um por um foi sumindo até restar pai e filha.

— Boa diversão, querida – Seu Maurício disse – antes que eu me esqueça, uma hora desse mundo equivale a um dia lá, então creio eu que seja suficiente para vocês.

— Obrigada pai – Marina sorriu acenando antes de desaparecer.

A infinita paisagem desértica crescia nos olhos de Marina. Aquilo era... simplesmente exuberante. O vento quente batendo em seu rosto, as areias se movendo conforme a vontade da Natureza. Tudo ali parecia surreal, mas quando sentia o corpo elevar sua temperatura e os pés afundarem naquele chão fofo sabia que não era uma simples ilusão de ótica. Estava sim em algum deserto, mesmo sem saber se era ou não da Arábia Saudita, embora esquecesse completamente desse detalhe graças a grandeza daquele lugar.

Ficaram ali por um bocado de tempo, fascinados. Também pudera, era um mundo diferente demais do que estavam acostumados e vistos somente em fotografias e aulas de História. Alguns tentaram pegar aquela areia mais quente que frigideira sem cabo e outros simplesmente apreciaram o ambiente exótico. O único problema era a falta de certos amigos.

— Cadê o resto? – Carmem indagou, saindo da transe.

— Ai meu Deus... – Marina parecia lembrar de algo e disse receosa – eu acabei esquecendo de demarcar o local exato do Deserto na porta... – estalou os dedos e pegando seu bloco de notas na bolsa, falou – eu já sei...

Fez um enorme tapete mágico que pudesse voar e estendendo o rascunho no céu aberto, materializou o transporte que levaria elas aos seus amigos. Voaram por todos os lados, se é que era possível distinguir os lados naquela imensidão sem começo, meio e fim e encontraram primeiro a Denise caminhando sem fôlego pelas areias. Chegaram perto da perdida, ajudando ela a subir no tapete.

— Obrigada Marina— Denise agradeceu, e ignorando a existência da rival, disse – então, talvez você vai ter que aumentar o tamanho disso aqui que eu chamei mais gente para vir depois.

— Você, o que?— Marina não conseguia ouvir por causa do vento forte.

— Eu chamei mais gente— Denise gritou, abafando sua voz com a mão.

— Quem?— Marina indagou.

— Jeremias e mais uma pessoal aí — Denise não podia deixar de notar a rival arregalar seus olhos ao ouvir o primeiro nome e não resistiu a um comentário com a lingua nos dentes – safada...

— Se quer tanto assim o nerdzinho de volta é só pedir— Carmem comentou baixinho.

— Nem precisei— Denise sorriu vitoriosa, adorando ver a raiva crescer nos olhos da patricinha.

— O que vocês estão falando?— Marina indagou, curiosa.

— Falei que você era a melhor amiga do mundo— Denise disse, piscando para ela.

— Falsa— Carmem murmurou, virando o rosto pro lado.

— Falou a santa— Denise rebateu prontamente.

Enquanto as duas se alfinetavam com muito amor em pleno vôo, o geek abriu o zíper da sua calça e sentiria a melhor sensação do mundo se o xixi não evaporasse antes de molhar o solo. Foi para frente e para trás quando percebeu uma sombra em sua cabeça. Olhou o céu naquela mesma posição, arrancando expressões de nojo das garotas. Sentiu a face arder de vergonha e cobrindo apressadamente o dito cujo nas calças, acenou para elas. E a missão difícil de puxar aquelas mãos havia sobrado para sua amiga colorida.

— Eca — Denise falou baixinho, passando uma mão na outra, como se isso limpasse elas.

— Cada um tem o que merece — Carmem comentou, irônica.

— Menos o Jerê...— Denise disse, e amando ver sua rival se irritar, acrescentou – eu mereci, agora você...

— Não... você não...— a patricinha sacudiu a cabeça sem acreditar no que tinha acabado de escutar.

— E vou te dizer uma coisa Carmita minha fofa— Denise sussurrou nos ouvidos dela — ele tem uma pegada...

— Sua...— FruFru mordeu o lábio inferior até sentir alguém cutucar seus ombros – ai, o que é!?

— Eu preciso ter uma conver... – o recém resgatado foi interrompido pelos solavancos do tapete voador.

— Oh querida, o que está acontec...

Nesse instante, Marina caiu esgotada no tapete, ofegando por ar. Estava a um ponto que mal conseguia mais suportar o próprio peso e muito menos manipular o transporte. Sabia que exigia força mental, mas não sabia que fosse tanto!

E a queda foi inevitável. O pior nem foi a queda e sim o local que escolheram justamente cair: areia movediça. Tentaram subir, escalar, resistir, ir contra a força da Natureza de todas as formas, mas quanto mais resistiam, pareciam ser levados para baixo, especialmente Marina que se não fosse o gênio do seu namorado a puxá-la a tempo com a ajuda dos seus amigos, estaria afogada.

A patricinha era a segunda em uma situação perigosa, por facilmente desistir de tentar quando sentiu sua mão ser puxada pelo Jeremias.

— Eu... eu... – Carmem disse, e esfregando seus olhos para confirmar se ele parado ali na sua frente era uma milagem ou não, sorriu – Não era mentira... você... você me salvou de novo...

— Eu só acho que você precisa ter mais fé – Jeremias falou, correndo para socorrer os outros.

Em alguns minutos, todos estavam resgatados, inclusive o tapete mágico que por pouco não foi engolido pelas areias gulosas. Sentaram na Jeep que Timóteo, sabe-se lá como haviam conseguido antes de entrarem no deserto.

— Ih, vai caber todo mundo não – Titi disse, sentindo o peso afundar o carro.

— Esse tapete... funciona mesmo? – Jeremias perguntou, curioso.

— Se você quiser eu pos... – Carmem foi interrompida pela maledita da sua rival.

— Valeu por me salvar Jerê— Denise atropelou as palavras da loira que morreram na garganta e sorriu sensualmente para ele – Faz tempo que não te vejo...

— Oh gente agora não é hora! – Franja ficou nervoso com a namorada passando mal nos seus braços.

— Faz o seguinte: Carmem e Denise vem comigo e o restante vão de tapete – O playboy disse, e escutando protestos – Ué, vocês não falaram que estão com pressa?

— Eu... eu estou bem... – Marina disse com uma voz fraca e pediu – Fran, pega a minha bolsa...

— Não fala ag... – Franja não conseguiu terminar de falar.

— Pega a minha bolsa! – Marina insistiu e tomando a bolsa nas mãos, retirou o lápis e o caderno.

— Ai, Senhor vamos ver mais milagres? – Denise arregalou os olhos cheios de interesse.

Embora estivesse bastante cansada, Marina reuniu forças do além e rabiscando rapidamente alguma coisa, ergueu o papel pro céu, revelando uma garrafinha de água. Tomou tudo em dois a três goles e limpando a boca na mão, sentiu o corpo recuperar as energias e o rosto pálido dando lugar a uma tez corada e saudável para o alívio do cientista. Abriu mais uma página em branca e desenhou um galão de água que ao materializar foi passando de mão em mão até voltar a ela.

— Vamos fazer o seguinte: Eu e Fran vamos ficar aqui para criarmos um ponto de referência e Titi, Denise e Carmem vão atrás do pessoal pela terra e Jeremias e Xaveco pelo céu – Marina explicou, e após uma pequena pausa, continuou – assim que encontrar eles, nos reunimos aqui de novo.

— Mas minha fofa... eu acho um pouco difícil encontrar vocês dois nesse lugar tão sem nada – Denise comentou receosa.

— Eu tenho uma idéia e com certeza vão nos achar por isso fica tranquila – Marina sorriu piscando.

Enquanto isso, num local bem distância dali, uma turma caminhava em passos pesados, cansados e lentos debaixo daquele sol de quarenta graus. Estavam exaustos e ofegantes, sentindo o chão arenoso queimar os pés e o cérebro. Magali não conseguia mais enxergar direito e só não caiu por causa do moreno que a salvou em seus braços, a carregando nas costas.

— Não preciso de aju... da...— Magali balbulciou, ofegando por ar.

— Mas é teimosa— Cascão disse, sentindo sua energia nos limites, ainda mais agora que precisava andar por dois.

— Va... mos, forç...— Mônica também não resistiu ao cansaço e tentando encorajar os amigos, praticamente desabou no namorado.

— Não vamos desistir aqui...— Cebola tomou a frente, e encaixando a mão da dentuça nos ombros, passou a arrastar ela e caminhar, afundando seus pés na areia.

Em meio segundo, tombou no solo sem resistir ao calor seco e infernal, levando junto a sua namorada e esmolecendo os outros dois que vinham atrás. De repente, viu o céu escurecer e achou que já estivesse no inferno se não visse o nerd e o Jeremias esticando suas cabeças para fora daquele transporte no mínimo irreal. Desceram rápidos e mandaram seus amigos subirem nele, tirando a desfalecida da Magali que foi carregada até o tapete.

— Estão todos aí?— Xaveco gritou, subindo para o céu.

— Estamos! – Mônica respondeu, se hidratando e passando a garrafinha para trás.

Ao pegar a garrafa em mãos e bebendo um pouco dele, Cascão tentou dar para a sua amiga desmaiada, sem sucesso. Fez outra tentativa... nada. Quis poupar a única bebida que tinham ali e enchendo sua boca de água, beijou aqueles lábios ressecados para molhar a garganta e foi presenteado com vários tapas em seu peito.

— Ai, ai, ai pára sua louca – Cascão protestou, e esperando que ela parasse com a violência gratuita, falou em segredo – quem mandou desmaiar pela segunda vez***?

— Idiota— Magali disse sem jeito.

— Oh gente é sério eu não estou a fim de sentir mais calor que já tou sentindo pode ser – a dentuça falou, interrompendo o clima entre eles.

— Agora só falta a Aninha!— Xaveco afirmou.

— Tomara que ela esteja bem...— Jeremias murmurou, preocupado.

Ana, por sua vez, estava caída no chão, se desidratando aos poucos, perdendo os cinco sentidos quando viu vagamente uma Jeep parar em sua frente. O ex-namorado veio correndo resgatá-la em seus braços, a carregando no colo. Ao levá-la para o carro, virou apressadamente a garrafa, deixando que a água molhasse a garganta da semi-inconsciente. Ela cuspiu um pouco para fora, a fazendo recuperar totalmente a consciência.

— Quer me matar afogada? – Ana reclamou, e ganhando um abraço firme do ex, completou – ou sufocada?

— Que susto você meu deu amor – Titi disse prontamente, apertando contra seu peito como se não quisesse mais soltar.

— Opa, opa, amor não – Ana livrou-se dos braços firmes do dentuço e jogou um balde d’ água fria – ou eu preciso lembrar que terminamos faz tempo?

— Foi... foi sem querer – Titi falou, e levantando as mãos pro alto, voltou a pegar no volante enquanto pisava fundo no acelerador.

— Ih, que fora— Denise que assistia a cena, não resistiu a um comentário maldoso, e levando um cutucão da patricinha, reclamou – Ai! Você não era assim...

— As pessoas mudam— Carmem comentou, sacudindo a cabeça.

— Os “foras” mudam as pessoas— Denise disse, e encarando a rival, completou — falando nisso, temos contas para acertar depois.

— Eu não tenho nada para te falar – a patricinha rebateu, ignorando aquele olhar sarcástico.

— Mas eu tenho— Denise falou sorrindo e a vendo engolir seco, disse levantando do banco e erguendo os braços para cima – não agora que eu prefiro curtir essa pista livre!

Timóteo acatou a idéia maluca da sua amiga e passou a correr mais rápido para espantar os mares, já que ali não existia nenhuma placa indicando o limite de velocidade. Subiram e desceram cantando pneu, entre um solavanco e outro quando o motor parou de funcionar no topo de uma duna. Sairam juntos do carro e o motorista abriu o capô.

— Ih, morreu – Titi disse, respirando fundo.

— Ai, Senhor e agora? – Denise perguntou, apreensiva.

— Culpa de quem será? – Carmem comentou, indignado.

— Gente, gente, gente olhem aquilo!— Ana apontou para o horizonte, perflexa.

Continua...

Notas finais
* Suposto sobrenome da Denise. ** Edição 22 da Turma da Mônica Jovem *** A Magali desmaiou uma vez no ônibus logo no começo dessa fic, lembram?