Um Novo Amor
21 Voltando ao passado.
Notas iniciais
Eu estava nervosa, como se fosse ver Silas pela primeira vez na minha vida, mas é tipo isso mesmo, irei vê-lo pela primeira vez desde muitos anos. Uma dor no peito começa, será que ele vai me reconhecer? Me amar como antes? Não sei, só sei que preciso de um abraço dele.
Todos alternavam os olhares entre mim e Silas, esperando o momento em que ele se levantasse louco, bravo e sedento por vingança. Não consigo vê-lo dessa forma, ele sempre foi tão doce e nunca seria capaz de machucar uma pessoa tivesse ele mil motivos para tal ato. Ele abriu os olhos e eu respirei fundo, não sabia se seria capaz de controlar a fúria dele.
- Todos para trás! — falei em alto e bom som, para que ninguém se machucasse.
Caminhei até ele, até aquele que eu amei minha vida inteira. Ele parecia estar com sede, seus lábios abriam como se fosse falar algo, mas o som não saia. Deixei-o preso as correntes da mesa e corri para a estrada de onde senti o cheiro de sangue, alguém havia sido atropelado lá e estava agonizando, peguei o corpo e levei-o até Silas. Coloquei o pescoço da vitima na posição certa para que Silas pudesse beber do sangue. Eu segurava com todo o cuidado a cabeça de Silas e o corpo, sentia os olhos das pessoas cravados em minhas costas, mas não me importei. Quando o corpo já não tinha mais nenhuma gota de sangue o larguei no chão.
— Silas? — o chamei com a voz rouca.
— Ariel, minha querida!
— Sim, sou eu. — toquei seu rosto e senti as cicatrizes que o fogo lhe causou.
— Não, não olhe para mim! Meu rosto... não quero que me veja assim.
— Não me importa, querido.
— Como me encontrou?
— Pedi ajuda para algumas pessoas que sabia onde você poderia estar.
— Quais pessoas?
— Damon, Elena, Caroline, Ste ... — Ele não me deixou terminar e logo se levantou.
(...)
Silas e Ariel conversavam como um casal apaixonado, talvez ela conseguisse controla-lo, mas fiz sinal para que os outros ficassem na defensiva. Ariel falava tão baixo que estava sendo impossível escuta-la, mas algo que ela falou fez Silas arrebentar as correntes e ficar de pé em questão de segundos.
- Stefan! — gritou ele.
A única coisa que vi foi quando ele pulou em cima de mim, seu corpo é pesado e ele socava minha cara sem nenhuma pausa. Eu consegui virar e tirá-lo de cima de mim, me coloquei de pé e olhei para ele. A fúria em seus olhos era evidente, suas mãos pingavam com meu sangue. Ariel apareceu por trás dele e o segurou.
- Silas! Calma, por favor! Eu vou te explicar tudo, confie em mim. — Falou Ariel em tom de súplica.
Ele virou para ela e Caroline me puxou para o lado dela, colocando um pano em meu rosto para limpar todo o sangue que havia nele.
(...)
— Ariel! Você esta do lado deles? Eu não acredito nisso, amada.
— Não é nada disso, Silas!
Ariel gritava e sua voz falhava por causa do choro que ameaçava sua postura dura e fria.
— Você jogou Stefan no rio, ele saiu, eles fizeram um feitiço para você virar pedra novamente, eu os achei e Stefan se propôs a me ajudar a te encontrar, meu amor. Ele veio até o final comigo e sou muito grata a ele por isso. Por favor, não os machuque. Eles erraram, mas você também errou com eles, e essa é a chance de vocês ficarem na mesma.
— Mas Ariel, eles tiraram minha única chance de ficar contigo!
— Silas, eu estou aqui agora! Eu não morri, mas fiquei presa por anos por ser uma vampira! Vaguei pelo mundo atrás de ti achando que também tinha escapado da morte, mas você foi enfeitiçado e eu nunca mais te achei. Essa é nossa chance de ficarmos juntos, de seguirmos nosso caminho juntos e terminar aquilo que começamos anos atrás.
— Mas eles me mataram, Ariel! — gritei para ela.
— Stefan e você são mais parecidos do que imagina, Silas! Eu pude conhecer um lado do Stefan que me fez lembrar demais de ti. Um lado que ama, um lado que protege, um lado que se sacrifica só para ver aqueles que ele ama bem. Ele veio comigo, confiou em mim mesmo sem me conhecer para salvar aqueles que o traíram e a garota que ama. Silas, teu coração é puro como o dele, e eu sei disso porque conheço a ti melhor do que todos aqui. — falou ela tocando meu coração e eu sabia que se ainda tivesse um, ele estaria batendo acelerado por estar ao lado dela.
— Ariel, eu ...perdoe-me! Eu passei tempo demais sem ver um raio de sol, morri de sede e por causa dessa situação em alguns momentos me esqueci de ti.
— Eu entendo, Silas. Vamos ir embora, meu amor.
— Espere só mais um minuto, tudo bem?
Sabia o que tinha que fazer naquele momento, pude ver Stefan com Caroline, Elena e Damon em um canto e Jeremy e Katherine no outro. Todos eles deviam muito ao Stefan, não só por esse momento, mas por vários outros que percebi enquanto me passava por ele. Cheguei perto dele e ele se levantou, me olhou nos olhos e esperou que eu falasse algo.
— Obrigado, Stefan. — era só o que eu era capaz de falar naquele momento.
— Não precisa agradecer, Silas. Eu sei o que somos capazes de fazer por alguém que amamos.
— Eu sei você ama a Caroline, Stefan. Sei que amou a Elena e sei que outra pessoa aqui te ama também.
— Que outra pessoa? — Ele não sabia da ligação dele com a Katherine e pelo que vi nos olhos de Caroline, ela não queria que ele soubesse.
— Você vai ver isso sozinho, Stefan. E até mais.
Fui até Ariel peguei a mão dela e a beijei com todo o cuidado do mundo.
(...)
No caminho para casa senti Caroline meio distante e também senti que Katherine queria falar algo para mim e que todo o resto estava escondendo algo de mim. Já estava acostumado com isso, todo mundo espera o pior momento para me contar as coisas.
(...)
Como vou contar as coisas para o Stefan? Estou com tanto medo do que pode acontecer se ele souber que a vadia da Katherine está ligada a ele, o que ele vai pensar? Será que ele pode pensar na ideia de ficar com ela? Eu o amo tanto, não suportaria isso.
(...)
Stefan, meu irmão, bom ele se preparar porque não é coisa boa. Ele é inteligente o suficiente e já percebeu a tensão aqui dentro do carro, vou abrir as janelas para ver se sai.
(...)
Eu vou contar tudo para ele assim que chegarmos em casa, a Caroline teve a oportunidade dela de contar, não contou porque não quis, agora é a minha vez de falar tudo para ele.
(...)
Chegamos e eu fui o primeiro a sair do carro e correr para dentro de casa, aquela atmosfera tensa e aquela sensação de que algo estava acontecendo estava me deixando estressado. Peguei um casaco e fui para a varanda, sentei nos degraus e fiquei observando o céu escuro. Por que essas coisas tinham que acontecer comigo? Saber que a garota que mais amo está escondendo algo de mim é horrível, e para ela não ter me contado até agora deve ser algo grave. Milhões de coisas passam pela minha cabeça até que Katherine interrompe meus pensamentos.
— Stefan, tem um tempinho? — perguntou ela com a voz calma.
— Sim, Kath. Sente-se ai.
Ela se sentou e olhou para o céu, respirou fundo e olhou para mim.
— Stefan, eu preciso te contar uma coisa. — disse Katherine olhando nos meus olhos.
— Espere, antes de tudo.. é o que todo mundo aqui esta escondendo de mim?
— Sim, é. Não acho certo esconder isso de ti, ainda mais quando é sobre você.
— Pode falar.
— Você me transformou e eu estou ligada a você.
- Que?! — eu não conseguia acreditar.
— É isso mesmo que você escutou, Stefan. Eu estou ligada a você.
— Mas isso.. não pode acontecer! — eu estava desesperado.
— Por que, Stefan? Porque eu não sou a Elena? Porque eu não sou a Caroline? Stefan, eu fui teu maior amor em muitos anos, eu fui quem te transformou, quem te mostrou o amor, tudo bem que não foi da forma certa, errei quando fiquei com você e o Damon, mas não era difícil perceber o quanto eu amava e amo você. O meu defeito era querer o meu bem acima de tudo, mas agora eu me sinto diferente, eu sinto que devo proteger aqueles que amo e até aqueles que me fizeram mal. Stefan, eu me mataria por você.
— Não fale isso, Katherine. Eu estou com a Caroline, eu a amo.
— Sim, eu sei disso. E como prova do meu amor por ti, Stefan ... Vou deixar vocês seguirem a vida de vocês, mas vou continuar aqui porque só irei para longe se você quiser.
Ela saiu sem nem mesmo esperar uma resposta, ela estava igual a mim. Isso me assustava demais. Precisava falar com a Caroline.
(...)
Ela tinha falado para ele, e agora? Eu estou com medo do que pode acontecer no momento em que ele passar pela porta do quarto em 3...2...1
— Precisamos conversar, Caroline.
— Sim, precisamos — falei com os olhos já cheios de lágrimas.
— Por que você não me contou sobre a Katherine? Iria esperar até quando? — falou ele alterado.
— Você acha que é fácil pra mim, Stefan? Ver a mulher que o meu namorado amou quase uma vida inteira está ligada a ele. Eu sei que você a salvou porque isso é de você, Stefan. É o teu jeito querer salvar todo mundo e a Katherine está desse jeito.
— Você esta achando que vou ficar com ela, né?
— Talvez...
— Caroline, tu ainda duvida do meu amor por ti?
— Não é que eu duvide, Stefan... Eu só tenho medo, entende?
— Porque ela foi meu primeiro amor e blá, blá, blá. Car, ela está ligada a mim, mas eu não estou ligado a ela.
Não esperei ela responder, eu só precisava mostrar a ela o quanto eu amava. Estava com saudade do cheiro de morango que tinha o cabelo dela, da maciez da tua pele e dos seus lindos olhos azuis. Ela é tudo que eu eu preciso agora, tudo que eu preciso para ser feliz e esquecer os problemas. Eu a beijei como nunca havia beijado antes, com um desejo fora do normal. Nós nos afogamos na saudade, mas agora nosso amor veio mais forte do que antes e nada mudaria isso, Katherine, obstáculos... nada pode me tirar da minha loira.
(...)
Agora eu sei como o Stefan se sente, agora a alma dele é a minha, seu sangue é o meu e será assim o resto da minha vida como vampira. Eu não aguento vê-lo com a Caroline, mas algo me faz sentir bem por ele estar feliz. Sei que minha antiga "eu" estaria nesse momento atrapalhando o momento deles, do meu quarto eu consigo escutar tudo o que eles estão fazendo e meu coração dói por isso. Eu preciso arranjar um jeito de afogar essas mágoas. O que o Stefan faria? Eu preciso agrada-lo para que ele fique feliz comigo. Nesse momento ele iria para a rua e beberia o sangue de alguém, se tornando o Stefan Rippah, ele não ficaria orgulhoso de mim se eu fizesse isso, mas está doendo tanto escuta-lo fazendo amor com outra garota. Não posso fazer isso! Preciso falar com ele.
Chego na porta do quarto e consigo escutar que a Caroline dormiu e que o Stefan está escrevendo no diário dele, abro a porta devagar e o Stefan olha para mim e eu o chamo para fora do quarto. Sabia que ele não ia negar ajuda, então precisava conversar com ele antes que qualquer coisa.
— O que você quer, Kath? — perguntou ele preocupado. Acho que ele estava sentindo o que eu estava sentindo.
— Eu preciso da tua ajuda, Stefan! Eu não quero atrapalhar você e a Caroline, porque de alguma forma te ver feliz assim me faz feliz também. Mas vê-lo assim com outra garota dói demais e eu pensei em tomar sangue humano e... nossa estou com tanto medo. — falei chorando.
— Calma, Kath! Eu vou te ajudar, mas calma. Vamos lá na sala, vou preparar uma bebida para você, as vezes isso ajuda.
A minha calma veio quase instantaneamente e eu obedeci o comando dele de ir para a sala, já me senti bem melhor por estar ao lado dele e por ver que ele não ficou bravo comigo.
— O que esta sentindo? — perguntou ele concentrado no drink que fazia para mim.
— Agora? Nada. — era verdade, eu não estava sentindo mais o desespero de alguns minutos atrás.
— Como assim? — perguntou ele confuso.
— Tu pediu para eu ficar calma e eu estou calma.
— Eu ainda estou processando isso, Kath. Tome, vai melhorar.
— Obrigada. — tomei e no primeiro gole que dei a bebida já me acalmou bastante.
— Melhor? — perguntou ele com um sorriso nos lábios.
— Sim, bem melhor.
Ficamos bastante tempo sentados no sofá e rindo, conversamos sobre tudo, inclusive sobre nosso passado, percebemos o quanto sentimos falta um do outro e que as vezes havíamos frequentado os mesmos lugares sem nem perceber. Eu poderia passar dia, meses, anos assim com ele, mas a magia acabou quando eu senti uma estaca entrando no lado oposto do meu coração.
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