Um Noivo para Minha Irmã
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Notas iniciais
Neste primeiro capítulo vamos conhecer um pouco dos personagens principais e o que dará andamento ao desenvolver da fic, espero que todos que lerem aproveitem também!
Trechos no inicio dos capítulos do livro ao qual me inspirei (A Megera Domada)
Enjoy!
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“A juventude deve ser domada com a razão, não com a força.”
A pequena cidade de Konoha era o centro de comércio das duas cidades vizinhas. Apesar de seu número de habitantes não ser muito alto, Konoha não era o tipo de cidade pequena em que todos se conheciam. Possuia apenas duas Universidades, o que era muito para um local como aquele, mas em ambas todos conheciam a família Hyuuga por conta de suas filhas.
Hanabi Hyuuga, a mais nova das meninas, era o que todos chamavam de mais solta e mais popular das meninas. Ela cursava relações pública, o que combinava perfeitamente com sua personalidade mais sociável e onde também conhecera seu namorado, Konohamaru. Ela e o rapaz namoravam escondido de quase todos. Seus amigos e colegas de turma sabiam do romance, mas nenhum adulto tinha o mesmo conhecimento. Isso porque seu pai, Hiashi Hyuuga criara uma regra: Hanabi não poderia namorar a não ser que Hinata, a mais velha, o fizesse. E isso era o fim para a mais nova.
Tudo o que Hanabi tinha de extrovertida e sociável, Hinata tinha de solitária. A Hyuuga mais velha era o totalmente o oposto da irmã, sendo considerada até mesmo estranha por isso. De longe era uma das meninas mais belas da escola, o que fazia com que todos que as conhecesse tivesse algum interesse e de fato, Hinata tivera alguns encontros, esses que Hanabi sempre aproveitava para sair também com o namorado. Mas nunca durava. Os meninos, quando indagados, simplesmente diziam que a timidez de Hinata os impedia de conhecê-la, que ela era fechada demais e não dava certo e cada um seguia a sua vida.
Hinata era um desafio para os mais corajosos e insistentes e um enigma para a grande maioria. Um enigma que ninguém parecia estar disposto a decifrar. A mais velha não parecia se importar muito com isso, vivia bem. Tinha acabado de se formar na mesma universidade da irmã e agora seguia a carreira do pai, de médica. Ela não precisava falar mais do que o necessário para ser uma ótima profissional, por isso se dava muito bem nessa área.
Hiashi, por outro lado, era muito falante. Ele terminara seu pós-doutorado agora que Hinata se formara e, finalmente, saíra do luto da mulher que falecera há cinco anos. Fora o luto mais longo que já viram e no final todos acharam que duraria toda a vida. Mas logo Hiashi seguira em frente, começando a estudar, se formando e lecionando na Universidade que a filha estudava.
Este fato se tornou um problema para Hanabi, que passou a ter de vigiar os lados quando andava com Konohamaru, que passou a ter de saber quando o pai estava de serviço para que não fossem pegos. Sabia o castigo de Hiashi e não gostava nada dele, sempre se sentia muito desconfortável.
Konohamaru era um sobrevivente, todos afirmavam com convicção. Ele sobrevivia há anos de um namoro escondido, tendo que aguentar noites em casa por Hanabi não poder ou não conseguir sair e até mesmo limites que só existiam por conta da regra “idiota”. Mas ele era realmente apaixonado pela jovem. Em todos os anos que estavam juntos eles se separaram apenas uma vez e foi quando ele percebeu que nem mesmo a pior das regras de Hiashi poderiam mantê-lo longe da Hyuuga. O motivo da briga foi a regra e o motivo de voltarem foi o amor.
Hanabi sofrera com o término, culpara o pai e mais ainda a irmã, que nunca se esforçava para ajudá-la e de fato após esse caso, ao saber que Konohamaru procurara Hanabi novamente, Hinata teve o namoro mais longo até aquele instante, porém não durou mais do que um mês. Esse foi o tempo máximo que Hanabi pôde aproveitar com Konohamaru, saindo todos os fins de semana, fazendo programas durante o dia e andando de mãos dados pelas ruas. Hinata pediu desculpas a irmã quando terminou e chorava ao fazê-lo. Mesmo chateada, Hanabi perdoou Hinata. No fundo achava que tinha algo errado, algo além da simples timidez de Hinata e se entristecia por isso.
No dia em que tudo mudaria, a mais nova pensava sobre isso. Konohamaru estava sentando ao seu lado lendo algo sobre a matéria da prova que fariam enquanto mexia em seu cabelo. Mesmo sabendo ser importante ela não ouvia nada do que o namorado dizia. Pensava em sua irmã. Em como ela parecia triste na noite anterior, em meio a tantos papeis do trabalho. O celular de Hinata era exclusivamente para o trabalho, tocando em ermengências ou quando uma das amigas mais antigas da irmã lhe arrancavam de casa. Eram nesses momentos que Hanabi aproveitava para “escapar” também.
- Ei... – Konohamaru enfim a chamou, lhe tirando do transe. – O que foi? Você está longe.
- Desculpe. – ela sorriu sem graça e virou-se para ele. – Estava pensando em Hinata. – viu a expressão do namorado e deu um empurrão de leve nele. – Para tá? Hinata é ótima e veria isso se tivesse como conhecê-la melhor. Eu não sei, ela me parece triste quase o tempo todo.
- Eu também ficaria se não tivesse amigos.
- Ela tem amigos, Konohamaru. – e foi então que ficou mau humorada. – Ela tem amigas. E é por isso que a gente ainda se vê às vezes.
- Tudo bem, mas eu ficaria triste também se não tivesse você. Na verdade eu já fiquei...
- Não vamos falar disso... – pediu. – Ontem eu fiquei observando ela. Hinata parece que está vivendo em modo automático. Eu não sei porque ela afasta as pessoas. Os meninos sempre parecem tão encantados e depois... nada, é como se tudo sumisse da noite para o dia.
- Já pensou que ela pode virar um monstro e assustá-los? – e então fez cócegas na namorada para mostrar que estava brincando.
- Para... – ela riu, tentando afastar as mãos dele de sua cintura. – Eu queria poder ajudá-la.
- É... Assim a gente poderia ficar junto, não é mesmo?
- Nós estamos juntos, mesmo não deixando claro pra todo mundo sem exceções. – ela se inclinou, lhe beijando levemente. Konohamaru nunca parava um beijo, mesmo que quisesse muito dizer algo. Por isso, algum tempo depois foi Hanabi quem se afastou com um sorriso nos lábios.
- Quero dizer juntos mesmo. – ele falou a observando. Percebeu que a Hyuuga iria falar algo e por isso lhe pegou a mão. – Juntos do tipo uma família juntos. – esperou uma reação, mas Hanabi pareceu surpresa. – Seu pai nunca me daria a sua mão sem antes Hinata estar casada, eu sei. Ele é conservador ao extremo e...
- Eu sei. Mas você quer a minha mão? – ela tinha que perguntar, tinha de ter certeza.
- Suas mãos, seus pés, seus lábios, seu corpo inteiro. – ele foi falando e dando selinhos nela. Mas Hanabi afastou o rosto para o olhar. Era visível o olhos brilhantes, o sorriso alegre, mas receoso de ter entendido errado. – Hanabi, estamos prestes a nos formamos, eu já tenho um emprego certo e você arrumaria rapidamente. Se o seu pai não tivesse essa regra, então eu já teria ido até ele e pedido sua mão.
- Você nem sabe se eu aceitaria. – ela fez charme e Konohamaru riu.
- Certo. – ele se levantou, mas apenas para se ajoelhar na frente dela. Não haviam pessoas ali, estavam além do horário de aula. – Hanabi Hyuuga, a menina dos meus olhos, mulher da minha vida, você me daria a honra de aceitar casar-se com esse pobre e sofredor homem que muito lhe ama? – apesar das palavras usadas com humor, nenhuma delas era mentira e ela já dissera muitas com muita seriedade.
- Sim. – além de falar, Hanabi acenou com a cabeça e o abraçou. Por um momento se permitiu não pensar que esse casamento estaria praticamente fora de cogitação. Os dois se beijaram então, sem qualquer restrição, como raramente o faziam em locais públicos e mais uma vez, momentos depois, fora Hanabi quem terminou o beijo. – Odeio voltar pra realidade.
- Tive uma ideia louca ontem. – fechando o livro, Konohamaru deitou a cabeça na perna da namorada e a fitou. Hanabi pareceu curiosa com o que seria. – Quero falar com seu pai, pedir sua mão e tentar convencê-lo de mudar de ideia. Posso apresentar todo o meu plano de carreira e garantir que terá uma boa vida.
- O que move meu pai não é apenas isso, Konohamaru. – mais uma vez ela estava explicando aquilo. – Ele junto isso ao ciúme excessivo que tem de nós e se aproveita que Hinata tem um “quê” de antissocial.
- Mas quero tentar mesmo assim. Você me permite?
- Estaremos correndo um grande risco, pois ele vai começar a me vigiar mais...
- Prefiro correr risco do que não fazer nada. Não pode me privar disso, minha linda. – e lá estava ele galanteando para conseguir o que ele queria. Fora assim que ele conhecera Hanabi, a galanteando até que ela lhe desse uma chance e saísse com ele. Fora o mais insistente, mesmo após todos dizerem que a menina não namorava e estava sendo-o desde então.
- Meu pai está em casa todas as noites depois das oito, mas recomendo que vá no sábado. Ele fica o dia todo e fica de olho em nós, então é quando está mais calmo. – deu um sorriso amarelo, revelando mais um pouco do quão ciumento era o sogro do rapaz.
- Certo. Às quatro estarei na sua casa, correndo o risco de perder o pescoço, você e algo precioso que tenho no meio das pernas.
Com o clima mais descontraído entre os dois, Hanabi o convenceu a estudar mais um pouco, ao mesmo tempo que pedia aos céus que lhes desse sorte, que seu pai não estivesse especialmente ciumento e pensasse o quão bem a filha ficaria.
Mas não foi o que aconteceu. Hiashi estava muito desconfiado no sábado e por isso, mais ciumento do que o normal. Hinata tinha estado de plantão e voltaria apenas no final da tarde, enquanto que Hanabi decidira fazer as tarefas domésticas sozinha. Aquilo era tão anormal, já que a mais nova era um pouco preguiçosa, que fez com que o senhor Hyuuga a observasse todo o dia com grande desconfiança. O que a menina planejara ser uma forma de amansar o pai, se tornara ainda pior.
Às quatro da tarde em ponto a campainha tocou. Hiashi estava assistindo o jornal da tarde na televisão e Hanabi estava escondida ao pé da escada, apenas esperando. Tinha tomado um banho e se arrumado, mas não o bastante para chamar ainda mais atenção do pai. Correu quando ouviu o som e gritou que atenderia. O que a roupa não provocou, a ansiedade o fez. Todo o interesse do senhor se perdeu da TV para a porta, esperando. De onde estava não dava para ver o corredor, onde Hanabi recebia o visitante, mas mesmo impaciente aguardou.
Os dois sussurravam. Hanabi contava em uma velocidade rápida que o pai não estava de bom humor, pedia até que Konohamaru desistisse e o mesmo simplesmente fazia que não com a cabeça e pedia que ela ficasse calma. Quando não teve mais jeito, pela demora, a menina ensaiou um sorriso e sem encostar no rapaz o encaminhou para a sala.
No mesmo instante Hiashi desligou a TV e um silêncio incômodo parou no lugar. Ele analisava o rapaz a sua frente. Bem vestido, ereto e ainda assim, parecendo tenso. Mesmo com tudo, ele via uma confiança que poucas vezes encontrara nos namoradinhos de suas filhas. Criara uma reputação desde antes da morte da mulher e agora apenas a alimentava com mais vontade.
- Papai, esse é Konohamaru, ele... – ela não podia dizer que ele era seu namorado. O que diria? Pela expressão do pai, aquela pausa fora a pior ideia que tivera.
- Vim aqui para conversar com o senhor. – o rapaz se adiantou. – Sobre Hanabi sim, sou um velho amigo dela.
- Amigo? – o senhor perguntou e logo acenou para a poltrona quase em frente a sua. No mesmo instante o rapaz sentou ali e Hanabi fez o mesmo na outra. Hiashi ergueu uma sombracelha, mas deu de ombros em seguida. – Então, amigo de Hanabi, o que tem para conversar comigo?
- Senhor, tem uma filha adorável. É um prazer ser amigo dela há tantos anos. – ele fez uma pausa e avaliou Hiashi que torcia os lábios. – Mas ser amigo dela não me é mais o suficiente. Porém, assim como todos nessa cidade, eu sei que o senhor não permite que Hanabi namore antes de Hinata o fazer.
- Certamente, o que faz com que eu fique aqui me perguntando o que faz aqui em minha casa então...?
- Senhor. Não quero namorar Hanabi. – aquela informação pareceu mesmo confundir o senhor Hyuuga. – Quero me casar com ela.
- Como? Que insolência...!
- Senhor, peço que me escute. Depois de tantos anos de amizade, não há como enganar-me com meus sentimentos, sei bem o que eles significam e sei que conheço Hanabi o suficiente para fazê-la feliz. Sei também... – ele emendou. — ... que como todo bom pai deve se preocupar com o status de vida que um marido poderia proporcionar à sua filha. Estou, assim como Hanabi, terminando a universidade e já tenho um emprego, o que me garantirá dar a mesma qualidade de vida que ela tem com o senhor, posso provar.
- Ainda temos o problema da regra, meu rapaz.
- Senhor, esta regra, creio eu, seja para poupar sua filha de decepções e mágoas.
- Sim, mas não posso voltar atrás. O que as pessoas diriam. O que Hanabi e Hinata pensariam?
- Papai! – Hanabi o repreendeu. – Eu pensaria que o senhor quer a minha felicidade!
- Mas tem sua irmã... – Hiashi parecia inabalável.
- A irmã de Hanabi não vê nenhum problema nisso. – Hinata tinha acabado de chegar e ouvira o final. Não sabia do que se tratava ao certo, mas sabia que ajudaria a irmã.
- Hinata! As pessoas falariam por anos de como sua irmã mais nova se casou antes. Anos! – a única coisa que mexia com Hiashi era quando suas filhas achavam formas de contornar seus argumentos.
- Não estamos mais nos anos 30, papai. Se bobiar nem nessa época as pessoas ligavam mais pra isso! – Hinata tirava o jaleco que ainda usava e soltava o cabelo que tinha estado o dia todo preso em um rabo de cavalo. – Apenas o senhor se importa com essas coisas. Deixem que se casem. Se verem que não é o que querem, se separam. Isso é fácil, certo? – lançou então um olhar fixo para o pai e logo em seguida se retirou. Tinha notado do que se tratava, de casamento, com a fala do pai. Não tinha mais o que fazer ali.
Konohamaru, ao contrário de todos ali, ficou surpreso com quão furiosa e decidida Hinata era. Estava acostumado com a moça que conhecera quando esta estava no último ano da universidade. Hinata mal falava, sua voz era tão baixa que tinham de prestar atenção para ouvi-la bem, além do mais, ela tentava ser invisível. Agora, Hinata estava totalmente o oposto. Era algo que ele não esperava ver.
- Ótimo! – a esperança brilhou nos olhos do casal. – Nova regra: — Hiashi sorriu e Konohamaru e Hanabi gelaram. – Hinata não precisa se casar para que Hanabi se case... – novamente esperança -, mas Hinata tem de estar namorando e precisarão me provar que não é uma armação. Ou nada de casamento.
Os dois não sabiam o que pensar. Hinata já namorara, mas desde que começara a trabalhar isso se tornara mais difícil, pois as pessoas que vinham de fora sempre estavam na universidade, local que ela não mais frequentava. As pessoas da cidade pareciam sempre já saber como nada dava certo com a Hyuuga mais velha. Seria praticamente impossível Hinata namorar de verdade e convencer Hiashi disso. O senhor parecia saber disso, pois sorria olhando de um para o outro.
- Podem tentar arrumar pretendentes, eu não vou impedir. – ele comentou, maldoso. – A escolha sempre é de Hinata, no fim. – e dizendo isso, caminhou até o rapaz, estendendo a mão para ele.
Mesmo com certo receio, o jovem estendeu a mão ao mesmo tempo que ficava de pé e apertava ao do senhor a sua frente. Hiashi o acompanhou até a porta, impedindo que Hanabi o fizesse e tivesse a chance de dizer ou fazer algo com ele. A moça, por outro lado, estava ainda estática parada no meio da sala. Estava prestes a dizer algo ao pai que voltara para a sala, quando o mesmo começou a falar:
- Achou que iria conseguir me enganar? Achou que eu ia voltar atrás com minha palavra?
- Por que o senhor tem que ser tão mau? O que fizemos? O que eu fiz para o senhor?
- O que? Hanabi, estou fazendo isso para o seu bem. Tem de ter certeza ao se casar. Não pode fazer isso apenas para me desafiar. E se tiver um filho? Ou pior, se ele a abandonar grávida?
- Pai! Ele quer se casar comigo!
- E ele vai. Mas não posso deixar que ele ganhe a minha filha assim tão fácil. – e lá estava, o velho ciúme se mostrando. – Por ter namorado esse menino escondido, vai ficar esse fim de semana de castigo.
- Não, papai, por favor.
- Sim. Venha. – mesmo a contra gosto, Hanabi o seguiu até o escritório. Lá estava o objeto de castigo de Hiashi para as duas filhas. Hinata tinha se livrado dele há alguns anos, mas Hanabi o usava vez ou outra. Era uma barriga de grávida falsa. No início servia para lembrar as filhas o que poderia acontecer caso o desobecessem, agora era uma forma de lembrar a elas que isso ainda poderia acontecer e tudo ficaria nos ombros delas. Hanabi odiava aquela barriga falsa. Passar o final de semana assim seria horrível.
Após colocar o adereço, a moça caminhou pisando duro até o quarto da irmã. Sem bater entrou. Hinata estava jogada na cama, olhando para o teto, parecia muito cansada, mas não dormia. Quando percebeu que Hanabi entrara se sentou e ficou a fitando ofegar enquanto usava a barriga falsa.
- Por que você não pode ser normal? Eu entendo que quis ajudar, entendo que o papai é o louco da história toda, mas porque você não pode tentar ficar com alguém de verdade? Você é lésbica, é isso? Nada contra, mas você pode contar ao papai, quem sabe ele para de tentar te casar com um cara?
- Hanabi, não é isso... – Hinata começou, mas logo foi cortada novamente:
- O que é? Essa era a única explicação de você não dar certo com ninguém! Os rapazes sempre caíram aos seus pés! Sempre foi você! É algum plano entre você e o papai? Olha o que estão me fazendo passar. – ela apontou para a barriga falsa.
- Eu já passei por isso muitas vezes. – lembrou à irmã. – O papai só quer lhe proteger de sofrer. Eu o entendo.
- Entende como? Nunca vi você com um namorado de verdade por muito tempo.
- Nem sempre é preciso. Além do mais, ele evita mais do que apenas um namorado ruim. Você não vê? Ainda é nova e não passou por certas coisas da vida.
- E nunca vou passar com vocês não me deixando passar. Se não pode ser feliz de verdade, pare de me impedir de ser, Hinata! – ela andou até a porta, mas virou-se lá. – Se quer mesmo me ajudar, ao menos tente. – e então saiu.
Naquela noite ficara até tarde conversando através de mensagens com Konohamaru. Ele já conhecia o castigo da namorada nesses casos e quando ela contou, tudo o que fez foi pedir desculpas e brincar, dizendo que seria um bom pai. Aquilo fez com que rissem um pouco, mas não diminuiu o aperto no peito que a moça sentia.
Como que respondendo às preces dos dois, naquela mesma noite chegou alguém novo na casa do jovem. Uma visita inesperada que parecia ter chegado para ficar. Um aviso que os pais do rapaz esquecera de dar, mas que muito o alegrou. Fazia tempo que Konohamaru não via seu primo e quase instantaneamente viu nele uma possibilidade.
Naruto Uzumaki, filho da irmã de sua mãe, era um jovem que apenas entrava em problemas e confusões. Naruto era mais velho que Konohamaru, mas também muito mais aventureiro. Até onde o mais novo sabia os problemas que o primo se metera fizeram com que sua mãe implorasse que ele achasse um lugar em uma cidade do interior, algo mais calmo, onde ele pudesse se encontrar de verdade e parar de fazer tantas coisas erradas. Mas mesmo com tal fama, Naruto sempre se mostrara ser um bom filho e um rapaz atencioso. Uma grande contradição, o que indicava ao jovem Konohamaru que havia muito mais na história do que estavam contando.
Apesar de sua ideia ser imediata, o rapaz não abordou o mais velho até estar com Hanabi durante a semana, já sem a barriga, e compartilhar com ela. Durante todo o tempo tinha mostrado fotos da “noiva” e vira a aprovação nos olhos azuis do primo. Logo que constatou isso, mostrou uma foto de Hanabi com Hinata. As duas eram muito parecidas, mas ao mesmo tempo diferentes. Foi então que viu o interesse nos olhos azuis e estava certo que poderia contar para Hanabi seu plano.
A menina estava ao mesmo tempo desesperada e magoada. Sem pensar muito no caso, concordou e por isso, na noite de quinta-feira, Konohamaru abordou o primo que acabara de chegar da rua para uma conversa.
- Sei que você está aqui fugindo de algo. – estava mais jogando verde, mas também conhecia muito bem o parente
- Você sempre foi o mais inteligente da família. Mas não posso contar. – dizendo isso o loiro se jogou na cama e pareceu relaxar.
- Não precisa me contar. Mas preciso da sua ajuda.
- Minha ajuda? O que quer, pirralho? – era assim que Naruto chamava o primo desde que este nascera. Um hábito que nunca mudara.
- Quero que namora a irmã de Hanabi. – foi direto.
- Ah! – e então o Uzumaki começou a gargalhar. – Estão querendo desencalhar a lindinha?
- Não exatamente. – suspirou, passando a mão pelo cabelo. – O pai de Hanabi tem uma regra. Eu e ela só podemos nos casar se Hinata estiver namorando. Mas ela é timida demais. Ninguém consegue ficar com ela por muito tempo de verdade sem se sentir em um monólogo. – ele não tinha certeza se era isso, mas era o que todos achavam. – E tem que ser um namoro convincente.
- E por que pensou em mim?
- Porque você costuma gostar de desafios? E é novo na cidade? E não tem nada a perder?
- O que vou ganhar com isso?
- O que? – então suspirou. – Não sei, posso ajudar com algumas coisas. Posso até te ajudar a arrumar um lugar e um emprego, ou voltar pra casa se quiser.
- Um lugar e um emprego tá bom, por hora. – disse logo, rindo. – Então, quando vão me apresentar a minha futura namorada? Como você disse... eu não tenho nada a perder.
Justamente por ele ter concordado tão rapidamente, Konohamaru soube que o primo não pretendia ficar ali, mas tampouco iria querer voltar. Alguma coisa estava sendo escondida, ele tinha certeza, mas não iria perguntar mais. Precisava dele para que isso desse certo e tinha que dar. No fim, Naruto concordou em ajudá-los a fugir se nada desse certo e ao comentar com sua noiva, Konohamaru soube que se fosse preciso eles iriam. Terminou a noite com a mensagem para ela:
“Precisamos marcar para Hinata conhecer o novo namorado dela!”
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