Um Nobre Apaixonado
19 Capitulo 19 - O tempo passa... Sentimentos não.
Notas iniciais
Pov Carlisle
Dois meses e meio depois.
Eu estava dando o melhor de mim e parecia que as coisas não estavam andando. Já fazia mais de dois meses do anuncio do meu casamento com Esme e não estávamos conseguindo nos ver. Ela tinha achado melhor não sair da casa no vilarejo até o casamento, e eu entendi parte disso... Aquela casa fazia parte da história dela... Não seria fácil se desligar dela de uma hora para a outra.
O Reino parecia estar a beira do caos... Havia pequenos focos de revolta se formando ao longo dos campos fora do vilarejo, mas nenhum dos revoltosos trazia uma reivindicação para que eu entendesse o que exatamente eles queriam. Coisas assim ainda não haviam acontecido coisas assim durante meus 20 anos de reinado, se não fossem os estudos das revoltas do governo de meu pai, talvez eu ficasse totalmente perdido com isso.
E de novo aqui estava eu... Sentando no meu escritório, estudando os três últimos relatórios de prisões feitas nos últimos dias... Mas não fazia sentido, não havia conexão no que os revoltosos faziam, não havia objetivos, apenas bagunça.
Larguei os papeis e me recostei na cadeira, olhando para o relógio... Já estava aqui a mais de duas horas, fazendo rabiscos e anotações.
Ouvi uma batida na porta e me levantei.
– Entre. – falei.
Eleazar abriu a porta e entrou devagar, com um envelope na mão.
– Eu estava subindo para ver a Rosalie e um dos guardas pediu para entregar. – disse me entregando o mesmo. – E tem esse relatório que o General me entregou. – estendeu a mão com o relatório.
– Oh, ok. – peguei colocando as folhas na mesa.
Eleazar olhou para minha mesa por alguns segundos e suspirou, colocando as mãos no bolso. Olhei os lados do envelope para ver se havia algum remetente. Nada. O envelope estava totalmente em branco.
Abri o envelope e tirei uma folha amarelada de dentro, meio amassada. Desdobrei o papel e passei os olhos pela folha. Senti meu sangue gelar por alguns segundos.
“Vamos ver quem vai se arrepender” – li novamente... E de novo.
– Que brincadeira é essa, Eleazar? – falei com o tom de voz alterado.
– Posso saber do que Vossa Majestade está pensando em acusar?! – disse sarcasticamente.
– Quero saber que tipo de brincadeira é essa! – joguei o bilhete contra seu peito.
Ele juntou a folha que tinha caído e a leu algumas vezes.
– Como quer que eu saiba? Como eu disse... Eu estava passando. – ele disse largando a folha em cima da mesa.
– Quem te entregou isso? – esbravejei alto.
– Me recuso a conversar civilizadamente com você enquanto estiver berrando comigo, como faz com seus homens. Não se esqueça que não sou um de seus guardas, Carlisle. – ele disse.
– Não esqueça que sou seu Rei, Eleazar. Uso o tom que bem entender com você. – respondi tentando me conter. – Eu lhe fiz uma pergunta! Responda! Quem entregou isso?
Vi Eleazar inflar o peito, como quem fosse responde no tom que eu estava falando com ele. Antes que ele pudesse abrir a boca para me responder a porta abriu.
– Majestade! – um dos guardas entrou rapidamente.
– Não vê que estou ocupado!? – respirei fundo. – O que quer?
– O Duque Aro e seu primo... Eles fugiram! – respondeu ofegante.
Naquele momento fiquei cego... Peguei o bilhete que Eleazar tinha largado sobre a mesa e sai da sala, descendo para o salão central, onde alguns guardas se reuniam... Haviam múrmuros sobre a fuga de Aro.
– Alguém pode me explicar como eles fugiram?! –gritei.
Todos ficaram em silencio.
– Já pararam para fazer a conta e ver que são quase 30 homens fazendo a segurança das masmorras e vocês deixam dois... DOIS homens sozinhos fugirem. Acho que isso mostra uma pequena desvantagem da parte deles. – usei um tom alto.
Mais uma vez apenas silencio.
– Vou fazer a mesma pergunta outra vez, e para o bem de vocês, espero que a resposta não seja silencio. – usei um tom mais controlado. – Alguém pode me explicar como eles fugiram?
– Vi o Conde Eleazar lá hoje pela manhã. – um deles disse. Os outros abriram espaço até que eu pudesse manter contato visual com ele. – E não temos permissão para barrar a Corte, Majestade.
– Sei muito bem das ordens que passo. – falei. – Prossiga no que ia dizendo.
– Não sei se devo... – ele olhou para as escadas. Me virei e vi Eleazar lá parado. Ele desceu alguns degraus.
– Eu disse para prosseguir. – tornei a dizer, sem tirar os olhos de Eleazar.
– O Conde foi até lá hoje pela manhã... Até a cela onde Felix estava... Vi que Eleazar pegou um envelope com eles e que conversaram algumas coisas, mas não consegui ouvir o que era. – falou.
– Então você estava só passando?! – gritei virando para Eleazar.
– Ora Carlisle, sei que está mudado, mas ser idiota o bastante para acreditar nisso é de mais até para eu acreditar. – ele disse rindo nervosos enquanto descia e para em minha frente.
– Não esqueça com quem está falando, Eleazar. – trinquei os dentes.
– Então não esqueça com que você está falando, Carlisle. – ele respondeu. – Ou melhor, lembre com quem está falando.
– Oh, mas eu não esqueceria. – falei sarcástico. – Estou falando com meu EX – cunhado. Aquele que jogou mil e uma coisas na minha cara. Que está se achando o dono da razão nos últimos dias. Não esqueci em momento algum quem és Eleazar. Só que há muito tempo não te reconheço. Não me surpreenderia nenhum pouco caso tenha resolvido ir para o outro lado. – dei de ombros. – Uma vez Elizabeth recusou a oferta de casamento de Felix... Um dos dois irmãos iria fraquejar e acabar indo para aquele lado.
– Não admito que desconfie de mim depois de tantos anos e tampouco que use o nome de minha irmã em nossas rixas! – ele gritou. – Um dia achei que conhecia você, mas estou absurdamente enganado! Diga o que quiser de mim Carlisle, mas nunca fui idiota o bastante pra trair você. Por respeito a esse Reino e porque honro o nome de minha família. – disse. – Ao contrario de você, honrei as promessas que fiz.
– Agora quem está usando o nome de Elizabeth?
– Não usei o nome de Elizabeth para atingir você! Não como fez! – ele protestou. – Não me referi apenas às promessas que fez a ela. Se tivesse me referindo a isso, seria só mais uma verdade. Você a desonrou muitas vezes com suas falsas promessas em usando o nome dela.
– Ninguém honra mais o nome de Elizabeth quanto eu!
– Não, Carlisle. – ele disse. Quando dei por conta estávamos nos encarando. – Olhe no espelho, a única coisa que tem feito é envergonhar o nome dela. Acho exatamente isso... Você tem nos envergonhado... Ninguém mais te reconhece... Elizabeth teria pena de você!
– Vergonha de mim por proteger MEU reino? – ri fraco com zombaria. – Ela teria vergonha de você. Traidor! É isso que é! Um traidor!
Quando dei por conta, estava cada um virado para um lado. Tínhamos acertado um soco um no outro ao mesmo tempo. Limpei o canto do lábio e me virei para Eleazar. Dois guardas o seguravam. Ele olhava para baixo.
– O deixem ir. – falei entre dentes.
– Mas... Majestade...
– Não pedi opiniões! Dei uma ordem! – limpei novamente o sangue do canto dos lábios. – Deixem-no ir...
Eleazar se desvencilhou dos guardas e deu um passo em minha direção.
– Se as coisas piorarem... Não diga que não avisei... – murmurou. – Eu ainda vou te mostrar o quão enganado está... Mostrar que nunca passou pela minha cabeça trair esse reino... – se virou indo em direção à saída. E então parou. – Pensando bem... Isso é algo que só vai descobrir sozinho.
E então saiu. Mil sentimentos estavam passando por meu peito... Decepção e era o maior deles. Há algum tempo eu não seria capaz de desconfiar de um amigo como Eleazar. Mas em uma coisa eu tinha que concordar com ele... Estávamos mudados. Não nos reconhecíamos mais.
Pov Eleazar
Sai do palácio um tanto desnorteado. Havia prometido para Carmem que iria acabar com as brigas. Mas era impossível. Cada vez Carlisle me tirava mais do serio. Cada vez conseguia menos aceitar tudo que estava passando. Cada vez menos eu gostava do que meu amigo estava se tornando.
O soco que, literalmente, trocamos hoje foi a gota d’água. Ele precisava de ajuda, mas parecia não confiar em mais ninguém. Ou pelo menos... Em quase ninguém. Sei que tentava ajudar de maneiras tortas. Tanto que saímos no soco hoje. Mas eu me preocupava... Eu me preocupo.
Quando me dei por conta já estava quase em frente a casa de Esme no vilarejo. Se ele não a ouvisse, o choque tem de ser muito grande para que ele caia na real.
Hesitei um pouco antes de, finalmente, bater na porta. Poucos segundos depois Esme a abriu. Tentando disfarçar uma leve ruga de preocupação que surgiu em sua testa.
– Conde... – disse surpresa. – Aconteceu alguma coisa?
– Está acontecendo. — respondi. – Posso entrar?
– Oh, claro. – disse. – Por favor... – me deu passagem.
Entrei e ela fechou a porta. Me guiou até a pequena sala e indicou o sofá.
– Pode me dizer o que o trás aqui? – disse delicadamente. Sentando de frente para mim.
Contei a ela tudo. Absolutamente tudo. Desde que Carlisle e eu tivemos nosso primeiro desentendimento. Contei a forma que ele estava se cansando para rodar em volta das mesmas coisas, para não achar nada. Contei de algumas suspeitas. Bem, como eu disse, contei absolutamente tudo.
– Precisa da minha ajuda para abrir os olhos dele? – ela perguntou.
– Exatamente. – respondi. – Posso parecer um idiota por ainda me importar.. Mas somos parte da mesma família. Tenho Carlisle como um irmão...
– Ele me falou muito de você... – disse. – Ainda não entendo como se desentenderam.
– As vezes não sei também o porque disso tudo. – falei. – Mas sei que se ele não te ouvir... Ele não vai ouvir nenhum de nós.
– Vou tentar. Não quero ver meu Carlisle virando um homem que ele mesmo não quer virar. – ela sorriu fraco.
Agradeci por tudo e me despedi. Agora era rezar para que tudo desse certo.
Pov Esme
Assim que Eleazar saiu, eu segui para o palácio. Ele estava certo em algumas coisas. E pude ver que ele seria incapaz de trair o Reino, principalmente com Carlisle no governo. Eu sabia que muitos revoltosos estavam colocando pressão, mas não estavam reivindicando nada. Essas mudanças que Carlisle estava passando podia ser algo do momento. Eu, pelo menos, queria acreditar assim.
Assim que cheguei ao palácio, me comunicaram que ele estava no escritório. Subi direto. Bati na porta algumas vezes, mas sem resposta. A abri devagar, entrando em seguida.
– O que está fazendo aqui? – ele disse, sem se virar.
– Querido... Sou eu. – falei estranhando seu tom de voz.
– Sei que é você, Esme. Vi quando chegou. – disse. – Mas isso não responde minha pergunta. O que está fazendo aqui?!
– Vem ver você... Conversar. – respondi.
– A pedido de quem?
– Quer que eu seja sincera...!? – suspirei. – Eleazar.
– E ainda tem coragem de vir aqui?! – ele se virou. Os punhos serrados. – Eleazar é um traidor!
– Eleazar era seu amigo! – falei em um tom normal... Mesmo ele tendo alterado o tom de voz.
– Disse bem... Ele ERA meu amigo. – respondeu.
– Carlisle, você não pode acusa-lo assim. – falei.
– Está do lado dele agora? – ele esbravejou.
– Estou do lado de quem está sendo um pouco sensato e que o único argumento não é ficar aos berros. – usei o mesmo tom que ele.
– Você não tem ideia do que estamos passando aqui dentro. Do caos que está isso aqui. E vem gastar meu tempo para defender um traidor!? – gritou novamente.
– Engano seu! Sei muito bem o que está passando, Carlisle. – respondi. – Agora, se possível, baixe o tom de voz. Não sou uma de suas criadas!
– Mas poderia ser! Aposto que sabe tanto quanto qualquer uma delas! Se estás tão certa da inocência de Eleazar, porque não vai ver o que ele tem para te oferecer?! – gritou e então parou, simplesmente ofegando.
– Não consigo acreditar no que está dizendo... – murmurei. – Eu quis acreditar que Eleazar estava errado... Mas você não é o homem por quem me apaixonei. – uma lagrima desceu por meu rosto. – Quando encontrar o antigo Carlisle, avise que eu não desisti dele... E sim de você.
Antes que eu desabasse em um choro ali, na frente dele, sai da sala. Batendo a porta com toda a força que consegui. Jaspes estava vindo pelo o corredor, assim que passei por ele, o senti segurar meu braço.
– Esme... – ele me olhou. – O que...?
– Infelizmente você vai entender. – murmurei, sentindo outra lagrima descer. – Entregue isso ao seu pai. – entreguei a aliança a ele e voltei a andar.
Acabou. Era a única coisa que passava pela minha cabeça. Acabou.
Pov Carlisle
Esme saiu da sala e bateu a porta com força. Desabei na cadeira e senti meus olhos marejarem. Que droga eu fiz!? A porta abriu novamente e levantei meu olhar.
– Por que o senhor afasta todos que te amam? – Jasper sussurrou, com uma lagrima descendo pelo o rosto. – Por que pai? – ele largou a aliança de Esme sobre a mesa e saiu da sala.
Eu podia reagir, mas era a mais pura verdade... Como, quando e por que afastei todos que amo? Eleazar podia estar certo... No que eu estava me tornando?
Fale com o autor