Um Necromante No Meu Quintal

8 Quem Disse Que Hippies Não Lutam?


Notas iniciais
Ok, não consegui nenhum título melhor pra essa capítulo Ç.Ç Mas enfim, não está tão dorgas (o começo), mas podem esperar muito do próximo!!! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Enfim, BOA LEITURA!!!

Ele travou e não falou mais nada. Preocupada, me sentei na cama e segurei sua mão. Ele parecia triste – ok, ele não tem lá muita expressão originalmente – e isso me dava uma sensação estranha.

— Você o que? – Insisti, com a voz macia.

— Estou entediado. Vou invocar Richard pra dar umas flechadas nele. – Sim, ele falou mesmo isso. Levantou-se rapidamente e tentou se afastar de mim rápido. Puxei sua mão e ele voltou a cair na cama, com a cabeça em meu colo. Afastou o olhar rapidamente e tentou se levantar.

— Nananinanão!! – Empurrei-o de volta e fiz ele me encarar. – Dessa vez você não me engana. O que foi, Adrian? Você parece estranho.

— Não é nada. – Ele disse em um muxoxo.

— Se realmente não fosse nada você não agiria tão estranho!

— Não estou agindo estranho!! – O encarei com um olhar de “é memo??” e ele bufou, se deitando de lado no meu colo.

— É só que eu tenho a impressão... De que não sou o Adrian. – Ele explicou, sem olhar nos meus olhos e encarando algum lugar distante. – Não me lembro de nada, mas sinto que alguma coisa importante aconteceu, minha família, ou algo assim.

— Então você não sabe de nada mesmo? Nadinha? – Perguntei, sem acreditar. Claro que era óbvio que Adrian falara a verdade, era tapado, não mentiroso. Se bem que esses dois assuntos devem se complementar.

Ele moveu a cabeça negativamente.

— Sabe... As minhas memórias mais antigas são de um ano atrás. Os antigos donos daqui se mudaram logo depois de eu “despertar”, desde então, aqui estava sempre vazio. Não me lembro de nada, sinto que não sei de nada. As únicas coisas que aprendi foram com os livros daqui, e eles são praticamente todos de lições sobre necromantes, por isso que invoquei Richard, porque, apesar de tudo, ele...

— Ele? – Repeti, diante de sua hesitação.

— É um Guaxinim falante!! – Me encarou feliz e fez um sinal de joinha com as duas mãos. Por que mesmo que me preocupei com ele? Soltei uma risada.

— Isso foi engraçado, mas continue, Adrian.

— Engraçado? O que é isso?

— Continue. – Falei, sem paciência pra explicar o inexplicável.

— Às vezes, — Ele voltou a se virar de lado. – Queria saber quem realmente sou e por quê tudo isso aconteceu...

— E você não consegue?

— Não sei por onde começar.

— Hmmm... Entendo... Quer ajuda? – Adrian me mirou com os olhos brilhantes com a última frase. – A-Afinal... – Corei um pouco e me odiei por gaguejar. – Já fizemos um contrato, né? Você não está conseguindo descobrir nada sobre como desfazê-lo e está gastando seu tempo com isso. Quem sabe se descobrirmos o seu passado tem um jeito de desfazer o contrato também? – Falei tudo de uma vez só, nervosa.

O moreno só sorriu tristemente.

— Mas ainda nem sei o que eu sou...

— Você é, atualmente, o Adrian, dane-se se é o nome de outra pessoa! Você é um necromante que tem um contrato com uma linda garota chamada Valente. Você gosta de cafungar ela. Você gosta de irritar ela. Gosta de perseguir ela. Gosta de dormir com ela. Gosta do Teddy. Algo mais é necessário?

Pela primeira vez vi ele rir de verdade.

— Mais? Tá bom. – Continuei, mesmo sem resposta. – Gosta de preto. Gosta de judiar um guaxinim gigante chamado Richard. Gosta de assustar as pessoas sem querer. Gosta de se fazer de sonso e não saber das coisas mais básicas. Gosta de morar em um cemitério gay.

— Quando eu disse que gosto de todas essas coisas?

— Intuição feminina gritando alto aqui pra mim.

Ele riu mais uma vez, me fazendo corar. Ahhh... Adrian versão feliz e com personalidade era perigoso!! Se levantou e, segurando a minha mão, me encaminhou de volta para a superfície.

— Já está bem tarde. – Ele falou. – É melhor você dormir agora.

— Aí você vem me dizer isso às QUATRO HORAS DA MANHÃ???

Deu de ombros e começou a subir a escada quando empacou.

— O que foi, Adrian? – Perguntei. Olhando por cima de seu ombro.

— Ah, você! Isso, você loirinha aí, meu bem. – Uma voz feminina soou e senti alguém me agarrar e puxar pelo pulso. Em um momento eu estava atrás de Adrian, na escada, em outro estava atrás de uma garota muito estranha, com o ar frio da noite me congelando.

“Mas Valente, o que seria exatamente uma garota muito estranha? Não vi ninguém normal aqui até agora.” Você deve estar se perguntando. Então lá vai: o cabelo era ruivo e cacheado passando da bunda. Usava uma saia longa com cores beges e florzinhas, a blusa parecia ter saído do armário da minha mãe, acrescentados com cordões trançados ou com o símbolo da paz. Amarrada em torno da testa estava uma faixa escrita: “Protejam as flores” rodeadas de desenhos de folhas de maconha. Me perguntava se ela sabia mesmo qual era a da faixa dela. Carregava uma bolsa vermelha, verde e amarela. Concluindo, um perfeito estereótipo de hippie malucão, apesar de não parecer mesmo um.

— SAI DAQUI, DEABO!!! – Ela agitou uma cruz para Adrian, que olhou confuso, com sua usual cara de (perdoem a grosseria) cu. – AI MEU DEUS!!! – Ela encarou preocupada a cruz, ao ver que não surtia efeito. Deu uma mortal para trás (NÃO me pergunte como, afinal, ela tava com uma saia longa, bolsa e chinelinhos trançados) e caiu naquela posição estranha de herói que acabou de desviar de um ataque mortal: Uma perna estendida do lado do corpo, outra dobrada, debaixo do corpo, e, para finalizar, uma mão no chão, equilibrando enquanto a outra limpava um ferimento invisível em sua boca. – Você é mais forte do que imaginei, Necromante.

Adrian terminou de subir as escadas, fechou a “porta” de sua casa e tombou a cabeça para a garota. Afinal, de onde ela tinha vindo? Lembrei que minha casa era no meio do nada. Talvez tivesse que dar mais atenção ao fato de que eram 4 horas da manhã, mas tudo bem.

— Que tal isso?? – Pegou um frasco com água da bolsa e tacou em Adrian. Deve ser água benta.

Ele não demonstrou reação até entrar água benta em seu olho, quando ele começou a esfregá-los e se agachou. Mas não deu muito tempo e ele se levantou de novo, com os olhos vermelhos, mas bem.

Ahn? Por que eu não ajudo Adrian, você se pergunta? Bem, não é como se ele não conseguisse se virar sozinho.

— Estou te subestimando, servo do mal, dessa vez é pra valer. – Ela ameaçou. O que seria dessa vez? Uma Bíblia? – Ahá!! – Ela tirou uma bazuca da pequena bolsa.

Epa. Epa. Epa. Agora sim é hora de interferir.

— Espera! – Eu agarrei ela, que já tinha apertado o gatilho ou sei lá o que uma bazuca tem. Como eu a puxei pra trás, a bala subiu, acertando uma gárgula travesti.

— Ei!! – Ela reclamou. – Não é tão fácil quanto parece arranjar água benta, pare de desperdiçar!!

Observei melhor, a munição era um balão d’água cheia de água benta, se é que isso é possível. De algum jeito, o balão estourando não acordou minha mãe.

— Você está se precipitando!! – Me irritei. – Ele não é nenhum servo do mal, ele é... – Pensando bem, ele era algo como o servo do mal sim. – um garoto gótico babaca que gosta de cavar.

— Ah, sério? – Ela engoliu super fácil. – Desculpa aí então. Deixe eu ler o futuro de vocês de recompensação. – Ela tirou um baralho de tarô da cada vez mais surpreendente bolsa. Afinal, o que ela era? Hippie? Freira?? Cartomante? Uma bola de cristal rolou pra fora, mas ela enfiou rápido de volta para bolsa.

— Sentem-se. – Ela ofereceu a terra na frente dela enquanto se sentava ela própria. Assim como ela, engolimos fácil. Que tipo de mundo é esse?

Adrian se sentou ao meu lado e ela começou a embaralhar e distribuir as cartas e virou quatro para cima.

Ela prendeu o ar.

— Ai meu Deus!! – Ela exclamou, como que horrorizada. – Vocês tiraram a Morte, a Estrela, a Torre e o Mundo, vocês sabem o que isso quer dizer??? – Arregalou os olhos.

Notas finais
Quero agradecer ao Neox (tbm conhecido como Mister Paciência Mil ou Rodrigo), porque sem o comentário dele, o Adrian continuaria sendo Adrian (?) e não teria um passado oculto MUAHAHAAHAHHA. E cada dia estou colocando mais e mais personagens dorgados na história -_- Enfim, até o próximo capítulo (ou review, lol) o/