Um Necromante No Meu Quintal
5 Primeiro Dia com Estilo -só que não
Notas iniciais
Mal terminou de se apresentar – ou seja lá o que for aquilo – Adrian acenou na minha direção, fazendo várias cabeças se voltarem pra mim, encarando tipo: “Putz, o esquisitão é amiguinho da outra novata. Olha como está ficando o nível do colégio...”. O professor, com um suspiro, fez com que o necromante sentasse atrás de mim. E, novamente, eu admirei a minha sorte. (Sarcasmo, por favor).
- O que você está fazendo aqui? – Sussurrei irritada.
- Experimentando como é uma lavagem cerebral. – Ele acomodou-se na mesa.
- Você se conhecem? – Perguntou Laz, intrigado.
- Algo assim. – Respondi, massageando as têmporas. Agora nem na escola eu teria paz.
- Que tipo de mutação é essa?? – Adrian pareceu espantado enquanto passava a mão no cabelo de Laz, que corou (ok, isso foi engraçado, admito).
- O-o que você está fazendo?? – O Moleque do Cabelo Azul espantado, acabou gritando esganiçado. Bem alto.
- O que há de errado, Yahto? – Perguntou o professor, que parou pra olhar depois de parar de escrever no quadro.
Adrian estava cheirando o cabelo de Laz. (Quem sabe o outro não cheira de volta e me livra do contrato? Seria uma boa ideia.)
Preciso falar sobre a reação do professor e do resto da sala? É claro que sim!! Foi impagável, vocês não têm ideia.
- Sr. Não – O professor tentou resgatar algum sobrenome plausível, sem êxito. – O que está fazendo?
- Cheirando. – Ele respondeu com calma. – Posso te cheirar também?
Um leve “Hmmmm” malicioso correu pela sala, enquanto o pobre professor tentava não parecer um tomate de tão vermelho.
Adrian encarou o professor esperando por uma resposta, já tendo soltado o cabelo de Laz, que suspirava aliviado e tentava sentar o mais longe o possível do moreno quanto a cadeira permitia. O silêncio estava tão cortante que eu podia ouvir um cachorro latindo ao longe.
Se bem que não parecia tão longe assim.
- Au?
Provavelmente eu fiz uma cara demoníaca de alguém com hérnia esmagado por um hipopótamo, mas foi inevitável. Pois lá, impassível, irresistível e impossível, estava Teddy, se pendurando pra fora da mochila.
- KYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! – Gritou uma garota como se ela tivesse pulado o Corcovado sendo perseguida por uma mistura de Pânico, zumbi e barata.
Teddy tomou um susto, caindo da mochila pro chão e começou a choramingar. Adrian, alarmado, parou de encarar o professor – pra felicidade desse – e foi até o tartachorro, pegando ele no colo.
- Cuidado. – Ele alertou calmamente a garota que tinha se espremido contra a parede, provavelmente rezando poder atravessar ela. – O Teddy é fofo, mas muito sensível. Se a pele descostura ele tem que ficar de molho em lama hidratante por muito tempo.
- Sr. Não. – O professor ajeitou melhor os óculos. – Animais de estimação são proibidos.
- Mas ele não é de estimação. Faz o que quer, não forço ele a nada e acho que é assim que os tartachorros devem ser criados!
- É proibido.
- Certo. Estou indo. – Respondeu Adrian com simplicidade. – Entra aqui, Teddy. – Com o tartachorro na mochila, o moreno se retirou. Mas no meio parou, como se estivesse esquecido alguma coisa. Bateu uma mão na outra, como que lembrando.
- Você. – Apontou pra mim. – Venha junto.
- SÓ QUANDO O INFERNO CONGELAR!! – Taquei um pé do meu sapato nele, expulsando-o de vez da sala.
Com a porta fechada e a situação controlada. Observei 30 cabeças se virarem pra me olhar. De novo. Enterrei a minha cara por entre os braços.
E essa foi minha maravilhosa primeira aula.
--x—
- Ah, então vocês são vizinhos? – Laz parecia ter se recuperado do trauma e estava altamente concentrado em tirar a embalagem de iogurte sem rasgar.
- Tipo isso. – Respondi, ainda desanimada. Tinha apoiado minha cabeça no meu braço e não tinha disposição pra nada. Mas estava agradecida por Laz ainda falar comigo. O único. Até o professor estava com um pouco de medo de mim.
- Você não vai comer nada? – Vitorioso, ele lambia o iogurte da tampa.
- Esqueci meu lanche em casa.
- Por que você não vai pra cantina comprar alguma coisa então? – Ele arregalou os olhos verdes malhados de azul. – Eu te mostro o caminho se quiser.
- Então... Por favor. – Ele sorriu e bebeu o iogurte de uma vez só deixando um bigode rosa. Eu comecei a rir.
- O que foi?
- Você está com bigode.
- Oi? Meu mustache está te seduzindo? Ouvi direito? – Ele fez cara de metido e apoiou a mão no queixo, numa pose extravagante.
- Sim, estou sendo altamente seduzida pelo seu mustache gay.
- Homofóbica?
- Não. Ele é lindo. Amei.
- Bom mesmo. – Ele encerrou a brincadeira lambendo o bigode, e saímos pelos corredores procurando uma cantina. Eu saltitando pra não sujar a meia do pé do sapato que eu taquei em Adrian.
--x—
A escola era enorme, e eu teria me perdido fácil, mas de algum jeito milagroso chegamos na cantina. Nem preciso dizer que ela era capirotamente gigante também, né? Tinham mesas compridas e polidas em fileiras na frente, a bancada era limpa e uma vitrine aquecida exibia almoços completos, docinhos, frutas e salgadinhos. Minha gordice falou alto e babei em tudo, mas acabei só comprando um sanduíche de salame e alface, uma salada de frutas e um chocolate bizarro que eu nunca tinha visto antes.
- Quer se sentar aqui dentro ou ir lá pra fora? – Laz perguntou. Encarei bem o jardim florido e o chafariz que predominavam naquele quintal-paraíso e, depois de me certificar que não havia nenhuma Branca de Neve cantando pros passarinhos – ou um Adrian vestido de cantando prum Teddy – , checado e seguro, não resisti à empolgação.
Do lado de fora tinham banquinhos circundando o chafariz, estava ensolarado, mas não demais, então decidimos sentar logo em um deles, que não tinham sombra, já estava cansada de saltar por aí.
Acomodados, felizes e nos sentindo “rainhos” do balacobaco fomos interrompidos por uma sombra repentina.
- Me passa a chocolate. – Um cara grande de cabelos mel cortados rentes e olhos claros mandou, com seu sotaque estranho. Um grupinho de meninos também mal-encarados estava atrás dele. Yaay. Me meti com delinquentes estrangeiros. Laz ficou tenso ao meu lado.
- Não, não te dou!! O chocolate é meu! MEU!! – Respondi, irritada. Dane-se que eu poderia ser espancada até a morte, era chocolate.
- Saber com quem está falando? Naaam? Sou Ivan Boyolóvsky!!
Comecei a rir.
- Boyolóvsky? Que tristeza. – Gargalhei muito alto, enquanto Laz me sacudia pra eu ficar quieta.
- Você naam pode rir de eu. – Ele agarrou a gola do uniforme, enquanto eu ainda ria.
- Ei, o que você está fazendo? – Uma voz mansa soou atrás do grandalhão.
- Auuu!!
Ivan – se eu pensar no sobrenome volto a rir – me soltou e olhou assustado pra Teddy, deu um gritinho e saiu correndo.
Laz olhava de mim pra Adrian, depois pro Teddy e depois do grupo russo delinquente assustado.
- Adrian? O que você está fazendo aqui?
- Esqueceu que não podemos nos separar? – Ele agitou meu sapato.
Notas finais
Bem, espero que vocês tenham gostado do capítulo e PELAMORDEDEUS não tenho nenhum problema com russos ou gays, ok?? Gay é uma expressão que eu e minhas amigas adoramos usar e estou colocando um russo no história pq parte da minha família é russa, então eu não preciso pesquisar pra por uns fatos engraçados russos aqui - e serão todos verídicos, tirando a parte do Boyolóvsky KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Até o próximo capítulo o/
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