Notas iniciais
Desculpa, desapareci de novo, perdão, mesmo Ç.Ç Aposto que têm vários leitores querendo me enforcar - até perdi um T^T
E pelo horário que postei esse cap, né...
Enfim, espero que gostem desse capítulo /o/ Apesar deu ter caprichado demais na descrição do cenário -Q

Agora, provavelmente, vou fazer a pergunta mais idiota do século:

Quem é a criatura de Deus que gritou comigo?

A)Florita

B)Florita

C)Florita

D)Florita

Quem escolheu D acertou. Palmas.

Alla levantou os olhos de seu chá com cara de pouco amigos, o que me deixou assustada, já que, teoricamente, não é pra se brincar com russos, mas a ruiva ignorou-a calmamente, prestes a berrar de novo.

- LE-

A nova série de incômodos foi abruptamente interrompida quando a charlatona caiu no chão repentinamente.

- Naum incomode as vizinhos. – Resmungou a russa, que recebeu um olhar assustado de Florita, que, espantosamente, encolheu-se e sentou-se obediente, com as mãos nos joelhos.

- Temos que sair para procurar um Hunter senil amigo dos meus pais. Parece que ele é muito bom, mas muito doido. Bem, os melhores são assim. – A voz da ruiva não passava de um sussurro e a mesma olhava temerosamente de tempos em tempos pra Alla. – Por isso que sou maravilhosa. – Jogou os cabelos pra trás.

- Tá... Mas aonde o encontramos?

- Numa igreja por aí.

- Sinto dizer, mas aqui igrejas muitas. – Alla comentou. – É mais fácil achar que farmácia.

Só ergui minhas sobrancelhas para a cartomante.

- Uma igreja velha... Num bairro chamado XXX.

- Ooooh. – Alla bateu palmas de felicidade. – Eu saber o lugar. Levo lá.

Não nos demos ao trabalho de acordar Laz e Boyolóvsky, melhor que eles não se metessem nisso. Apenas chamamos Adrian, que estava lendo uma revistinha debaixo dos cobertores pra fingir que dormia, – não queríamos que Alla descobrisse que ele não era um ser de Deus – e descemos as escadas enquanto a russa procurava as chaves de seu carro.

Quando desceu, espanou um pouco da neve que ficou acumulada em cima do carro e entramos, Florita comandando, do lado da motorista e eu e Adrian atrás.

Florita ligou um rádio onde músicas muito parecidas com as que Boyolóvsky ouvia tocavam no último volume. O bom era que, nos acentos de trás não havia caixa de som, então estava até que silencioso.

Algo pesou em meu ombro. E cabelos pretos me fizeram cócegas ao roçar em meu rosto.

- Tá cansado, Adrian? – Ri.

- Não... Mas aqui dá uma sensação diferente... – Murmurou, com a voz abafada por ter enterrado a cara em meu ombro. Percebi que ele usava sua costumeira blusa preta (que devia ser bem fedida).

- Não está com frio usando só isso? O frio daqui é bem pior do que o da nossa cidade.

- Frio? – Ele levantou os olhos negros pra mim, repetindo o ciclo das perguntas sem respostas.

- Nada. – Funguei. O frio havia deixado meu nariz gelado e o mesmo escorria.

- É por causa do frio que seu nariz está vermelho? – Ele encostou na ponta do meu nariz.

- É. – Afastei a mão dele. – É horrível, meu nariz fica escorrendo... – Fiz uma pausa e olhei para ele. – Suponho que saiba o que significa escorrer, certo?

- Sei. – Ele riu. – Acho que comecei a entender o que é frio. Seu nariz está frio?

- Tecnicamente, está sim. Por quê?

- Não sei... Você é sempre... Tão quente.

- Isso soou estranho, sabia?

- Por que? – Ele tombou a cabeça. – Eu sou frio, não? Sua temperatura é bem diferente da minha, dá pra perceber.

Mas gente... O que aconteceu com o Adrian? Ele ficou... Desenvolto?

- Da onde você sabe tanta coisa, Adrian?

- Escola. E as revistas que a Florita me dá.

- Ah, estou feliz por você, as coisas devem estar bem mais fáceis agora, certo? – Sorri.

Adrian permaneceu em silêncio, olhei-o preocupada. Notando meu olhar, o moreno torceu a boca.

- As coisas ficaram mais fáceis, sim, mas outras complicaram...

- Quer alguma ajuda?

- Não.

E voltou a enterrar o rosto em meu ombro.

Pensei que a garota da relação que se apoiasse.

É, talvez eu seja o homem.

-xxx-

Só me interessei em olhar para a janela quando o carro freou, e me arrependo profundamente de ter demorado tanto.

Parecia que havíamos nos teletransportado. O cenário branco e com prédios baixos havia sido substituído por uma espécie de cidade abandonada.

Os prédios, todos em estilo antigo e modernista – diferente do clássico russo – eram colados um no outro e com aspecto de intocados, sendo seus atuais companheiros apenas o vento, o frio e a poeira. Me perguntei como Alla conhecia um lugar funesto como esse.

Do outro lado da rua, um bosque de árvores altas, peladas e espinhosas dominava tudo que a vista alcançava, se tornando mais uma maçaroca marrom.

Alla saiu rapidamente do carro e bateu a porta, derrubando um pouco de neve que tinha se acumulado, eu, Adrian e Florita fizemos o mesmo.

A russa se espreguiçou e apontou uma estrutura levemente mais alta do que as outras, com vitrais encardidos e uma cruz apontando pro céu.

- Essa ser a igreja. Acho. Querer eu junto?

- Não, obrigada, melhor irmos sozinhos, não se incomode. – Falei. A russa balançou a cabeça com preocupação, mas logo entrou novamente no carro, pra fugir do frio penetrante.

Nos aproximamos da igreja e eu, cada vez mais horrorizada, percebia a pintura descascada, cercas quebradas entre outras características nada convidativas para uma construção religiosa sinistra no meio de um bairro abandonado.

Subimos as escadas de madeira, escutando-a ranger sob nossos pés – o que me deixava mais desconfiada ainda, pelo que eu entendi, nas igrejas russas praticamente tudo é feito de mármore – a ponta imponente com maçanetas grandes e enferrujadas me fez recuar, segurando-me em Adrian, que me lançou um olhar confuso.

Claro, havia me esquecido.

Eu era a única medrosa dali.

Rindo da situação, Florita empurrou a porta, que abriu junto com um lamento, que me deixou arrepiada.

Um bafo quente e levemente aconchegante, considerando a neve, saiu da igreja, e entramos apressadamente. Estava escuro, mas um resquício de luz cinzenta penetrava no recinto por meio dos vitrais, ganhando variadas cores. Seria bonito se não estivesse tão assustada.

Haviam duas fileiras de cadeiras de madeiras simples, uma do lado direito, e outra do esquerdo, no meio, um tapete encardido, como qualquer outra igreja, mas no final, havia apenas uma mesa pesada, como aquelas de escritório e um órgão no canto.

Nenhum sinal de vida.

Avançamos pelo carpete, e Florita correu até o tampo da mesa, parecendo empolgada e acenou para andarmos mais rápido também.

Chegando mais perto, pude perceber que havia uma cadeira atrás da mesa, onde estava aconchegado um pequeno...

- VELHO, ACORDA!!!

- QUER ME DAR UM INFARTE?

Notas finais
É impressionante, só ando terminando meus capítulos com letra maiúscula, maldita Florita x.x (ah, rimou XD)
Espero que tenham gostado, sério >www
Agradecimentos:
Cheeky
Karu
Lady TS
Sora
Mendy Salvatore Tsumikineko
yui phantomhive (bem vinda >ww<)
obrigada à todas pelos reviews fofos!!! Me animam demais!! ♥
E obrigada à todos os leitores, claro.
Não revisei, então, qualquer erro de português me avise, por favor >ww