Um Necromante No Meu Quintal
20 Decidindo Burrices
Notas iniciais
Chegamos em casa extremamente cansados, nem lembro exatamente quando a mansão Restart ficou à vista, mas posso te afirmar que a caminhada não foi nem um pouco fácil. E nem agradável. Hã? Estou fazendo estardalhaço demais? Provavelmente... Pelo menos poder sentir Adrian do meu lado e isso, sei lá, me deixava mais segura.
Me obriguei a tomar uma ducha rápida pra não sujar minha cama de grama e suor e vesti um pijama limpo, despachei Adrian logo depois.
Sentada na cama, me perguntei quando Adrian tomava banho. Se é que ele tomava banho. Céus! Tenho que perguntar para Florita sobre os hábitos higiênicos de Necromantes. Não que o Adrian seja fedido, ele simplesmente cheira que nem madeira, porém nunca vi ele tomando banho. Nem indo ao banheiro.
Antes de sairmos à procura de Maldições em vales encantados farei uma radiografia para tentar entender como o corpo do Adrian funciona. Seria legal se eu também pudesse fazer isso com seu cérebro.
Não demorei muito pra cair no sono, e finalmente percebi que toda a correria e bizarrice de hoje tinham esgotado minhas forças. Me pergunto se vai piorar.
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Abri os olhos sentindo o sol batendo neles e me incomodando. Eu realmente amo acordar aos domingos, sem mães gritando nem nada. Estiquei minhas pernas debaixo do lençol, esticando-as. Alguém murmurou ao meu lado.
Não, leitor, não vou me dar ao trabalho de explicar que me virei e dei de cara com Adrian porque vocês já estão carecas de saber que sempre que é pra passar algum mico – ou dar uma de pervertida – o necromante está enfiado no meio. Se bem que eu já falei isso de novo. Bem, tanto faz, não é como se psicografar/ seja lá o que estou fazendo seja muito difícil.
Ele grunhia, mas ainda estava dormindo, os cabelos pretos bagunçados e os cílios longos da mesma cor pareciam contrastar com sua pele branca mais do que o normal. Olhar ele assim e o achar tão fofo me faz sentir como seu eu fosse um príncipe encantado admirando sua bela donzela. E isso é bem estranho.
Ele piscou os olhos e apressadamente fechei os meus, sem, é claro, deixar de pensar o porquê de eu ter reações tão imbecis e vergonhosas como essas. “É porque você é uma garotinha apaixonada, own”, disse uma voz na minha cabeça, talvez de quem esteja lendo essa porcaria que estou psicogrevendo. Lembre-se, eu já entendi que eu gosto dele, mas é mais fácil falar do que fazer, ok?
— Valente... – Ele me chamou baixinho.
— O quê? – Perguntei.
Ele deslizou a mão gelada pelo meu rosto, acariciando-o e afastando alguns poucos fios de cabelo embolado no caminha, enquanto eu conseguia sentir minhas bochechas queimarem.
— Aqui. – Ele cutucou um lugar específico. – É isso o que vocês chamam de espinha?
Empurrei aquele engraçadinho babaca da cama, este caiu de bunda, reclamando, o que me fez rir.
— Nunca fale mal da pele de uma garota. – Decretei, enquanto ele me olhava confuso, abrindo logo após um sorriso de aceitação.
Desci as escadas em direção à cozinha com Adrian ao meu encalço, minha mãe raramente ficava em casa aos domingos, e fazia sabe-se lá o que.
Abri a geladeira alcançando um suco de laranja e alguns ovos e bacon. Adrian se sentou em uma das cadeiras de madeira da cozinha enquanto eu lavava os ovos e cortava a maravilha suína.
Antes que você quebre a cabeça tentando imaginar como é uma cozinha de uma mansão mal-assombrada, vou frisar que ela, por algum motivo, era normal. As paredes eram de azulejos brancos e azuis e os do chão pretos. A geladeira era branca também e o fogão cor de chumbo, enquanto a pia era de granito e metálica. Ou seja, uma cozinha perfeitamente normal. Tirando os adesivos coloridos que minha mãe grudou nos móveis, mas podia ser pior.
Fritei os ovos rapidamente e coloquei-os na mesa, enchendo um copo com o suco pra mim. Comecei a comer.
Um silêncio estranho e frio se instalou no recinto, não que Adrian fosse uma pessoa de muitas palavras, a começo de conversa, mas a quietude dele em geral era agradável.
Pigarreei.
- Adrian, o que faremos agora?
Ele me olhou por um momento, torcendo a boca.
- Eu tenho que ir atrás da Maldição, já decidi, irei assim que possível... – Falou num ar dramático de filme de faroeste.
Silêncio de novo. Assim que possível? Eu ia perder Adrian? Não, ele disse que nunca me deixaria, e nosso contrato também nos impede de nos separar...
- Vou tentar dar um jeito de desfazer nosso contrato. – Ele falou, como se lesse minha mente.
- Por quê? – Perguntei com a voz um tanto quanto esganiçada.
- Bem, vai ser melhor para você, me recuso a te arrastar no meio dessa coisa toda. Não vai se meter em perigo, e, além do mais, é o que você quer desde que fizemos o contrato, certo?
- Meu filho, eu JÁ fui arrastada pra tudo isso, o que é uma gota pra quem já está ensopado? E... Não precisamos desfazer o contrato agora... – Gaguejei. – Eu quero ir com você.
- Você tem ideia do quão retardado foi o que você disse agora?
- Não admito ouvir isso de você! – Repliquei, mal-humorada.
Ele sorriu e se levantou, apoiou-se sobre os joelhos ao meu lado e me abraçou.
- Você simplesmente não pode fazer isso, eu não vou deixar. – Afagou meu cabelo.
- Pois pode ir tirando o cavalinho da chuva, querido. – Me desvencilhei dele e, colocando os pratos na pia, subi os degraus da escada de volta ao meu quarto. – Você mesmo disse que nunca me abandonaria, o mesmo serve pra mim. Eu vou.
Bati a porta do meu quarto logo após de mandar um olhar zombeteiro de esguelha para o Necromante atônito.
Que venham as férias.
Notas finais
Mil beijos e obrigados extras à:
Weird Soulless (que me faz inveja com sua plantação de maconha e eventos de animes)
Youkai (dos vídeos e histórias lindas e um tanto retardadas)
Takanashi Saya (seja Bem-vinda >ww<)
Neox(Rodriguete das inspirações)
e Cheeky (stalker linda ♥)
pelos reviews maravilhosos >ww
Até mais e ótimo sábado o/ (que eu já não acho tão ótimo pq eu estudo aos sábados)
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