Um Natal Inesquecível
2 Mi casa es su casa
Notas iniciais
— Mia, como assim "eles vieram rápido demais"? — questionou Dean um tanto nervoso enquanto seguia a garota até a porta. — Eles quem?
Depois de apressar o passo, virar-se e encostar o corpo contra a porta, Mia olhou para todos na sala e orientou:
— Aconteça o que acontecer, não entrem em pânico.
Sam estreitou o olhar na direção da garota e indagou intrigado:
— E por que nós entraríamos em pânico, Mia?
Depois de engolir em seco, ela respondeu olhando especificamente para ele e para Dean:
— Porque eu fiz uma coisa sem consultar vocês.
— Isso nós já entendemos. — redarguiu Sam. — Você convidou algumas pessoas para o Natal e não nos avisou. Você agiu errado, Mia, mas eu não vou discutir com você por causa disso. O que eu quero saber é quem são essas pessoas?
— E principalmente se essas pessoas são confiáveis? — emendou Dean, preocupado com a segurança do bunker e em manter o sigilo em relação à sua localização.
— Pessoas? — repetiu Mia, refletindo sobre aquela palavra. — Bem... Não dá para negar que eles já foram pessoas um dia. — disse baixinho, fazendo todos estranharem aquela observação.
— Eles não são humanos? — indagou Bobby confuso.
— Não exatamente. — admitiu Mia, mas quando todos arregalaram os olhos diante daquela informação, ela ressaltou em alto e bom tom: — Mas eles são confiáveis! Muito confiáveis, isso eu garanto! — e olhando para Sam e Dean, fez questão de lembrá-los: — Eles até salvaram a pele de vocês uma vez. E me ajudaram em um momento difícil e conturbado, me acolheram e...
— Oh não... — murmurou Castiel, matando a charada e temendo uma tempestade quando Sam e Dean chegassem à mesma conclusão.
Isso não demorou muito, já que quando a campainha tocou novamente e Mia sacudiu os ombros assustada com o barulho, os Winchester deduziram, quase ao mesmo tempo, quem eram os convidados especiais que ela havia, levianamente, chamado para o Natal.
Natalie e Claire se entreolharam e duas sugestões de convidados passaram pelos seus pensamentos. Seus maridos também trocaram um olhar que traduzia toda a incredulidade, surpresa e o pânico que sentiam.
— Por favor, me diga que você não fez isso. — implorou Sam, enquanto Claire demonstrava certa solidariedade segurando a mão dele.
— Desculpe, eu fiz. — admitiu Mia antes de se virar e girar a maçaneta.
Desesperado, Dean correu em sua direção e pediu aflito:
— Mia, não abra esta porta!
Mas, já era tarde demais. A porta já estava aberta quando o caçador alcançou a soleira e deteve o passo.
Se havia qualquer dúvida sobre quem eram os convidados especiais de Mia, ela dissipou-se naquele exato momento porque lá estavam eles: Stefan e Damon Salvatore. O mais novo, um tanto constrangido, já que com a sua audição apurada de vampiro, ele havia escutado a conversa entre Mia e os anfitriões antes dela finalmente abrir a porta. Já Damon exibia o seu melhor sorriso debochado, sem se importar com o fato de que talvez não fosse bem vindo ali.
— Ei, amigos! Sentiram a nossa falta? — provocou Damon, estreitando o olhar na direção de Dean e de Sam.
Os Winchester engoliram em seco e Mia sorriu para os convidados, tentando fazer com que eles se sentissem à vontade. Muito mais Stefan do que Damon, na verdade.
Então ela deu um passo à frente, saindo do bunker e abraçou cada um deles enquanto dizia:
— Bem, eu posso dizer que senti muito a falta de vocês.
— Como você está? — perguntou Stefan de uma forma atenciosa.
Antes que Mia respondesse, Damon segurou a mão direita da garota, mostrando o anel que ela usava no dedo anular e disse:
— Pelo visto, melhor do que nunca. — e lançando um olhar para Castiel, completou: — Até que enfim ela parou de enrolar o anjinho sem asas.
— Na verdade... Com asas. — murmurou Castiel antes de iluminar a sala com uma espécie de relâmpago e revelar as enormes asas negras que saíam de suas costas, fazendo todos se voltarem na direção dele. — Graças a Mia. — explicou olhando para ela com gratidão.
— Oh... Aquilo não foi nada, anjo. — atenuou ela, mas então calou-se imediatamente ao sentir o seu rosto ruborizar.
Dean revirou os olhos e Natalie riu quando perceberam que uma tal palavra tinha afetado Castiel também, que desviou o olhar e fitou o chão. Enquanto isso Sam, Claire e Bobby apenas olharam para Mia e para o anjo com certa incredulidade. Era incrível como até num momento como aquele, eles conseguiam desviar a atenção daquela forma.
Em seguida, todos voltaram a encarar os dois convidados na porta, que estavam visivelmente confusos diante daquela cena.
— O que está acontecendo? — quis entender Stefan.
— Eu responderia nada, mas... Oops. — brincou Natalie, observando Mia e Castiel ficarem desconcertados de novo.
Damon resolveu que o melhor era recomeçar:
— Certo, eu não faço ideia do que está acontecendo, mas o que eu sei é que eu e o meu little brother ainda estamos aqui, parados, na porta... Então?
Mia deu um tapa na própria testa e desculpou-se:
— Falha minha, foi mal. — e depois de abrir passagem, pediu: — Entrem, meninos. Mi casa es su casa.
Damon deu um passo à frente, seguido por Stefan, mas, ambos ficaram presos do lado de fora por uma espécie de campo invisível que os impedia de adentrar o recinto. Ao entender o que estava acontecendo, Sam respirou aliviado e Dean riu com deboche antes de dizer:
— Sinto muito, Mia, mas parece que você se esqueceu de um pequeno detalhe. Para um vampiro entrar, ele precisa ser convidado pelo dono ou dona da casa e, me corrija se eu estiver errado, mas...
— Eu não sou a dona. — lembrou a garota sem que o Winchester mais velho precisasse completar a frase. — Mas você e o Sam, como são o Legado, podem ser considerados os donos do bunker, certo? Portanto... — insinuou ela.
— Portanto...? — Dean se fez de desentendido.
Sam resolveu entrar naquele jogo e provocou:
— Ei, Dean. Parece que a Mia quer que a gente convide dois vampiros para entrar no bunker. Aqueles que ela não avisou que vinham. O que você acha?
— Eu não sei, Sammy. Me diga você. — redarguiu o mais velho, fingindo indecisão.
— Vampiros? — repetiu Damon um tanto ofendido. — Então é assim que vocês ainda enxergam eu e o meu irmão? Como reles vampiros? Nossa... Eu pensei que depois de tudo o que passamos juntos em Mystic Falls, nós fôssemos amigos agora.
— Pensou errado! — retrucou Dean, alterando-se um pouco.
— Isso é injusto. — protestou Damon. — Nós fomos até no casamento de vocês.
— Porque a Mia convidou. — ressaltou Sam.
— E adivinha? — desafiou Dean. — Sem nos avisar. Como agora. — completou enquanto lançava um olhar repreensivo na direção da garota.
— E ela realmente agiu errado em não avisá-los. — opinou Stefan, fazendo todos prestarem atenção no que ele diria a seguir: — Mas algo me diz, que se a Mia fez isso, foi porque no fundo ela sabia que isso não seria um grande problema. Afinal, sim, nós somos amigos de vocês.
— Há controvérsias... — sibilou Dean, coçando a nuca.
— E vocês são nossos amigos também. — continuou o Salvatore mais novo sem se intimidar. — Porque se você e o Sam não nos considerassem como seus amigos, à essa hora já teriam arrancado os nossos corações ou nos decapitado. Aliás, vocês tiveram inúmeras oportunidades de fazer isso desde que nos conhecemos.
Sam ficou pensativo e Dean fez um biquinho com os lábios enquanto avaliava aquelas possibilidades. Temeroso, Damon olhou na direção de Stefan e pediu baixinho:
— Little brother, não dá ideia...
Stefan sorriu levemente e fez questão de recordar:
— Nós acolhemos a Mia em Mystic Falls. De certa forma, acolhemos vocês também. Nós lutamos juntos e vencemos.
— E salvamos a vida de vocês, lembram? — Damon decidiu ressaltar aquilo também.
Sam e Dean trocaram um olhar significativo. Não dava para negar que Stefan e Damon estavam certos naqueles pontos.
— Sim, nós salvamos vocês. — concordou o Salvatore mais novo. — Mas, ao contrário do meu irmão, eu não vou ficar me vangloriando por causa disso.
— Por quê não? É tão divertido. — provocou Damon, sorrindo levemente para os Winchester, que o fuzilaram com os olhares.
Ignorando o comentário, Stefan continuou:
— Porque a verdade é que vocês também nos salvaram. — diante de certa surpresa nos semblantes dos caçadores, ele completou: — Isso mesmo, sem a ajuda de Sam e Dean Winchester, nós nunca teríamos derrotado o Silas. Eu e o meu irmão sempre seremos gratos por isso.
— Seremos, é? — resmungou o outro vampiro, fazendo cara de desagrado.
O ignorando mais uma vez, Stefan fitou Sam e Dean e os desafiou:
— Vocês sabem o que tudo isso significa?
Após um longo momento de silêncio, Dean arriscou:
— Que nós estamos quites e, portanto, vocês vão embora?
Natalie, que ficou um tanto tocada ao ouvir as coisas ditas por Stefan, deu um cutucão no marido e o repreendeu:
— Sr. Awesome. Isso significa que vocês tem uma história juntos. E que eles vieram em missão de paz.
Claire decidiu se pronunciar também e expôs:
— E que por mais que relutem em admitir, existe sim uma amizade entre vocês.
Sam fitou a esposa um tanto decepcionado e disse:
— Claire, você devia ficar do meu lado.
— Eu estou. — assegurou a morena e em seguida argumentou calmamente: — Mas você e o Dean estão fazendo uma tempestade em um copo d'água.
— Isso é verdade. — concordou Natalie, cruzando os braços contra o peito, e quando Dean a encarou incrédulo e desapontado, ela questionou: — Qual o problema em deixar esses dois entrarem, Sr. Awesome? Eles já foram até no nosso casamento.
— E nos comportamos muito bem! — destacou Damon.
— É verdade. — assentiu Claire, deixando Sam ainda mais emburrado.
— Aquilo foi diferente. Era um território neutro, uma festa. — articulou Dean. — É completamente diferente de convidar dois vampiros para o Bunker dos Homens das Letras! Para a nossa casa! Para o único lugar no mundo onde nós realmente nos sentimos seguros. — completou enquanto olhava para Mia, que retraiu os ombros um pouco assustada. — Bem... Nos sentíamos seguros, não é?
— Vocês podem continuar se sentindo assim. — assegurou Stefan. — Nós não temos a mínima intenção de revelar a localização do bunker. Assim como vocês não revelaram para nenhum caçador que existe uma grande concentração de vampiros e outras criaturas sobrenaturais em uma cidade no interior da Virgínia. Vocês mantiveram sigilo, eu e o Damon vamos retribuir.
Sam e Dean se entreolharam, mas ainda desconfiado, o mais velho questionou:
— E nós devíamos acreditar nisso por quê...?
— Porque eu estou te dando a minha palavra. — comprometeu-se Stefan. — O meu irmão também, não é, Damon?
— Palavra de escoteiro. — disse o Salvatore mais velho, sorrindo de um jeito meio debochado.
— A palavra de dois vampiros... Awesome. — resmungou Dean, coçando a nuca novamente enquanto pensava sobre toda aquela situação.
— No fundo, eu sei que vocês confiam em nós. — disse Stefan, fazendo um grande silêncio se instalar no ambiente. — Mas, se não confiarem, basta dizer e nós dois vamos embora. Sem ressentimentos.
— Não... — murmurou Mia, olhando para os Salvatore com certo pesar. E olhando na direção de Sam e Dean, questionou: — Vocês não tem coração?
Os Winchester se entreolharam. No fundo, eles confiavam em Stefan e Damon, mas não gostaram do fato de Mia ter agido sem consultá-los.
Além disso, eles não queriam que vampiros ou qualquer outra criatura sobrenatural soubessem a localização do bunker, muito menos que entrassem no lugar. O bunker era um território deles, dos Winchester, do Legado, de caçadores e de sua família.
Mas, por outro lado, Sam e Dean não podiam esquecer tudo o que Stefan e Damon Salvatore fizeram por Mia, e por eles mesmos, em um passado não muito distante.
Stefan e Damon podiam ser sanguessugas dentuços, é verdade, mas estava mais do que claro que eles não machucavam pessoas e, portanto, não eram inimigos. Por mais que não quisessem usar a palavra "amigos" para se referirem a eles, Sam e Dean tinham que admitir que Stefan e Damon eram, no mínimo, importantes aliados.
Enquanto Sam e Dean ponderavam tudo isso, Castiel acabou dizendo:
— Vocês estão se esquecendo do principal. — quando todos olharam na direção do anjo com certa curiosidade, ele expôs: — É Natal. Época de esquecer as nossas diferenças e confraternizar. É um momento de paz, reflexão e alegria, não de discussões e desentendimentos. Está mais do que claro que Stefan e Damon vieram aqui para isso, para celebrar, não para nos causar problemas.
Mia sorriu para Castiel, satisfeita com os argumentos dele e parabenizou:
— Falou tudo, anjo.
— Eu tenho que admitir que o Cas tem razão. — apoiou Bobby, fazendo todos olharem para ele, especialmente Sam e Dean. — O que foi, idjits? — indagou ele com um resmungo. — Vocês me conhecem, eu seria o primeiro a resolver a situação daqueles dois. — disse, indicando Stefan e Damon, que se entreolharam enquanto pensavam sobre o que seria “resolver a situação deles.” Era melhor não pensar muito sobre isso. — Mas, pelo o que eu entendi, eles não são uma ameaça. — arrematou Bobby, fazendo Sam e Dean se entreolharem mais uma vez, como se estivessem tomando uma decisão mútua e silenciosa.
Por fim, Sam respirou fundo, olhou na direção dos convidados de Mia e assentiu um tanto hesitante:
— Tudo bem, vocês... Podem entrar.
— Finalmente! — exclamou Damon, revirando os olhos e dando um passo a frente.
No entanto, Stefan o impediu de passar, colocando a mão no seu ombro e olhou para o Winchester mais velho, como se esperasse o consentimento dele também.
Dean hesitou por alguns instantes e em seguida refletiu ainda relutante:
— Eu não acredito que vou fazer isso. Vampiros no bunker... Apocalipse parte 2. — após uma breve pausa, ele encarou os convidados e disse em um tom ameaçador: — Eu tenho que lembrá-los de que este lugar é uma espécie de... Fortaleza, um reduto de caçadores. Portanto, apenas saibam que nós temos muitos meios de nos defender e, principalmente, de acabar com vocês. Se assim quisermos.
Damon fez uma cara de desagrado e ironizou:
— Você sabe mesmo como fazer um vampiro se sentir bem vindo, não é, Van Helsing?
Antes que Dean retrucasse, Stefan assegurou:
— Nada disso será necessário. Podem manter as suas armas exatamente onde elas estão. Nós não viemos causar problemas.
Mia e Castiel trocaram um olhar significativo porque mais uma vez, uma certa palavra havia sido mencionada e feito o casal pensar em outra coisa. Rapidamente, eles desviaram o olhar um do outro e voltaram a se concentrar nos convidados e nos anfitriões.
Dean respirou profundamente, dissipando qualquer resquício de relutância que havia dentro dele e, por fim, disse:
— Neste caso, vocês... Vocês tem permissão para entrar.
Natalie, Claire, Castiel e até Bobby ficaram satisfeitos com o desfecho daquele impasse e Mia, mais do que satisfeita, respirou aliviada e sorriu tanto para os vampiros quanto para os caçadores.
No entanto, diante de certa hesitação dos vampiros, Dean esbravejou sem paciência:
— Rápido, antes que eu me arrependa!
Dito isso, Damon deu alguns passos à frente e finalmente passou pela porta. Stefan veio logo atrás. Os dois cumprimentaram Castiel, Bobby e, para certo desespero de Sam e Dean, chegaram a cumprimentar Claire e Natalie também, que pareceram não ver nenhum problema naquilo e sorriram em retribuição.
Por fim, Stefan e Damon, um por vez, estenderam a mão na direção de Sam e Dean. Um longo momento se passou antes que os irmãos Winchester retribuíssem o gesto e apertassem as mãos dos irmãos Salvatore.
— Sejam... Bem vindos. — as palavras saíram meio engasgadas da boca de Sam.
— Obrigado. — agradeceu Stefan.
Damon lançou um sorriso enigmático na direção dos caçadores e refletiu:
— Sabem, algo me diz que este será um Natal... Inesquecível.
Sentindo uma ponta de provocação no comentário, Dean não se intimidou e redarguiu no mesmo tom com um sorriso ameaçador nos lábios:
— Certamente, será. Só tome cuidado para não ser o seu último Natal, Crepúsculo.
— Oh... Eu vou me lembrar disso, Van Helsing. — prometeu Damon. — Enquanto conheço cada canto deste lugar...
— O quê?! — exclamou Dean, mas já era tarde demais.
Damon já havia se movido com uma velocidade descomunal e simplesmente desapareceu do alcance de visão de todos eles.
Mia suspirou um tanto cansada. Por um momento, ela chegou a pensar que a paz estava selada entre vampiros e caçadores. Mas, pelo visto, aquilo era uma utopia.
A confusão que se deu em seguida foi esta: Damon voltou para a sala trazendo consigo uma lata de cerveja e se jogou em um dos sofás antes de dar o primeiro gole. Sam reclamou dizendo que aquela cerveja era dele. Damon desapareceu e voltou com um pedaço de torta. Dean e Natalie o fuzilaram com o olhar. Stefan tentou acalmar os ânimos e disse que Damon precisava fazer aquilo, já que, obviamente, não havia sangue disponível no bunker para vampiros, então ele tinha que compensar de alguma forma. Damon provocou, lançando um olhar para Claire e Natalie e insinuou que, na verdade, havia bastante sangue disponível no bunker.
Claro que o vampiro estava brincando, e até Natalie e Claire haviam entendido que tratava-se apenas de uma provocação. Mas, Sam e Dean não entenderam assim e lançaram um olhar mortal para o vampiro antes de seguirem em sua direção com passos firmes e resolutos.
Damon esperou os dois chegarem bem perto e em seguida moveu-se rapidamente no sentido oposto. Porém, acabou tropeçando na árvore de Natal, que ainda estava no chão, e caiu. O pedaço de torta e a cerveja saíram voando de suas mãos e atingiram os pés de Bobby, que resmungou um sonoro e irritado “Balls.”
Antes que Sam e Dean alcançassem Damon, Stefan deu cobertura ao irmão, que levantou-se, moveu-se em direção a mesa, subiu nela, ergueu as mãos em sinal de rendição e disse:
— Desculpem, amigos, eu tinha esquecido que senso de humor não é o forte de vocês.
— Sabe qual é um dos nossos fortes? — desafiou Dean em tom intimidador. — Matar vampiros!
— Eu adoraria ver vocês tentarem, amigos. — redarguiu o Salvatore mais velho, arqueando as sobrancelhas de um jeito irritante.
— Damon, não piora as coisas! — repreendeu Stefan entre o irmão e os caçadores.
Numa tentativa desesperada de acalmar os ânimos, Mia ligou um rádio que ficava em uma estante no canto da sala e uma música natalina soou pelo ambiente, fazendo todos olharem na direção dela.
Enquanto Silent Night tocava, a garota lembrou:
— É Natal. — e após uma pausa, completou: — Bem, teoricamente, só daqui a algumas horas, mas não importa. Sabe o que importa? Que para este Natal ser inesquecível, nós temos que sobreviver para lembrá-lo. Então, vocês podem, por favor, parar de tentarem se matar?
Meio sem noção, mas direto ao ponto. O pedido de Mia pareceu atingir exatamente quem ela queria. Todos ficaram em silêncio pensando sobre aquilo, especialmente os vampiros e os caçadores no centro da sala.
Castiel lançou um leve sorriso na direção da noiva, deixando claro que agora tinha sido ela quem havia falado tudo.
Ninguém disse mais nenhuma palavra, mas, diante das expressões mais calmas de Stefan, Damon, Sam e de Dean, todos entenderam que eles iam tentar, pelo menos tentar, se comportarem.
E Silent Night continuou tocando...
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