Um Motivo Pra Ficar - CIP

1 Capítulo Único - Um Motivo Pra Ficar


Mack estava bem quando sentou na cama de Lela usando um baby-doll verde cheio de babados. Sua mente estava no lugar certo, ela tinha o plano para fazer o filme voltar aos eixos e conseguir assim um jeito de voltar para casa, mas tudo mudou em apenas alguns segundos.

— Nós podemos fazer tudo que os garotos fazem. — afirmou com veemência depois de ouvir tantas frases antiquadas e ridículas que foram enraizadas na mente daquelas garotas dos anos 60.

— Eu não sei de onde você veio, mas... — Lela começou a explicar com seu tom suave, quase cantado, de sempre. — Por aqui você tem que chamar o garoto pra sair sem chamar. Sabe? Só com os olhos.

Lela e as outras motoqueiras começaram a fazer seus olhares de sedução. Mas o olhar de Mack se prendeu ao de Lela ignorando todas as outras. Aquele sim era um tom bonito de azul, aquele olhar poderia destruir as defesas de qualquer um.

O sorriso que se espalhou no rosto de Mack não era divertido como as risadinhas que as garotas estavam deixando escapar. Não. O sorriso de Mack era puro encanto. Encanto por Lela. Encanto que jamais qualquer garoto havia conseguido fazer brotar em seu interior.

Foi então que aquela coisa estranha aconteceu, uma música começou a tocar do nada, fazendo a bolha que havia se formado ao redor delas estourar. Todas as meninas começaram a cantar sobre saber do que os garotos gostam e Mack acabou entrando no número sem nem perceber, quando viu já estava cantando junto e no fim estava usando um “figurino” diferente que surgiu do nada.

Então a cena mudou e ela apareceu no meio da praia de repente. Brady veio ao seu encontro, fazendo-a lembrar que deveria estar pensando em um jeito de voltar para casa, mas eles não conseguiram naquele dia, que passou tão rápido quanto o anterior. O tempo dentro de um filme passava de um jeito esquisito e em pouco minutos Mack estava de volta à casa de Lela e mais uma vez se tornou difícil ficar concentrada em como voltar para casa quando bem ali havia uma morena que parecia um ótimo motivo para ficar.

E tudo só ficou ainda mais complicado quando Lela colocou uma música suave no toca-discos e a puxou para sentar em frente ao espelhou, começando a pentear seu cabelo e usava aquela voz adorável para perguntar se ela estava bem.

— To, to. É só... Saudade de casa. — inventou qualquer desculpa para justificar sua expressão pensativa.

— Oh não! É a decoração? Eu... — Lela se sentiu exageradamente desesperada ao perceber que algo poderia desagradar Mack e fazê-la ir embora.

— Não! Não, não, não. Eu acho sua casa bem bonita. — Mack logo tratou de acalma-la, então voltaram a se olhar através do espelho. — Como estão você e o Brady? — tentou mudar de assunto e só depois de falar percebeu que aquele assunto seria ainda mais desconfortável.

— Bem... Eu acho. — respondeu Lela desanimada, na verdade, só pensara em Mack a tarde inteira quando saiu com o loiro. — Como estão você e o Tanner. — questionou tentando ignorar a pontada de ciúmes que sentia em seu peito.

— Ah, bem. Eu acho. — respondeu tentando fazer uma expressão neutra.

— Sabe, às vezes... Eu acho que os garotos não contam o que estão pensando porque nos contando iam ter que pensar mais. — comentou com uma careta fazendo Mack se lembrar da resposta de Tanner quando disse que ele era inteligente.

Isso deu tempo a Lela para perceber que o comentário poderia ter soado estranho.

“Disfarça, rápido” ordenou a si mesma em pensamento. — Mas eles compensam isso. — “Você pode fazer melhor” reforçou. — Sendo fofos. — “vamos, Lela, você tem que ser mais convincente!”. — E garotos. — “ótimo, agora a risadinha pra fechar” pensou e logo fingiu um riso bobo.

— Ei... — Mack buscou algo para mudar algo para se distrair, porque a conversa estava indo para um rumo chato e deixando-a com ciúme. — Que colar bonito.

— É havaiano. — disse Lela agradecendo mentalmente pela mudança de assunto e se segurando para não suspirar. — Significa amizade pra sempre. Como a nossa agora.

— Você não é como eu achei que seria. — disse Mack sem pensar, dando um sorriso bobo e sincero quando se perdeu no azul intenso do olhar de Lela.

— É. — a expressão da motoqueira mudou, também estava perdida no mar castanho dos olhos de Mackenzie. — Eu não sou tão eu como todos acham.

— É... — mesmo que seu cérebro gritasse que deveria desviar os olhos, só conseguia ouvir seu coração pedindo para ela permanecer imersa naquele mar para sempre.

— É engraçado, eu sinto que posso te contar qualquer coisa. — as palavras escaparam sem controle pelos lábios da motoqueira.

— Eu sei, dá pra sentir isso, né? — a surfista sorria encantada.

— Eu tenho um segredo que nunca contei pra ninguém.

— Bom... Pode contar pra mim, se quiser, quer dizer... Amizade pra sempre, né?

“Amizade pra sempre”. Só amizade. Essas palavras entraram como facas no coração de Lela, mas ela precisava contar para alguém que gostava de garotas e, por algum motivo, Mack parecia a pessoa certa para isso, então a puxou para cama murmurando um “tá” meio sofrido devido ao nervosismo.

— Pronta?

— Ahan. — murmurou Mack.

— Eu... — as palavras subiram à garganta, mas ficaram presas no meio do excesso de medo, então Lela contou outra coisa que sempre quis dizer a alguém. — Eu quero surfar.

— Surfar? — repetiu a surfista, não entendendo como aquilo poderia ser tão grave. — Legal.

— Como profissional. É uma loucura, eu sei. E se meu o irmão descobrir, ele vai pirar. E nenhuma garota jamais surfou como um garoto antes de você, mas é isso que eu quero fazer. — não era o maior dos pesos em seu peito, no entanto já era um grande alívio se livrar dele, e mesmo assim o olhar acastanhado vidrado no seu estava deixando-a muito nervosa. — É uma loucura, eu sei.

— Lela... Nunca deixe que te digam o que você pode ou não pode fazer. — Mack não estava falando só para Lela, estava falando para si mesma também.

Não queria ir para aquela escola, e não deveria deixar que lhe obrigassem só por ser o sonho que alguém tinha para ela.

— Mas... Como faremos isso? — a motoqueira perguntou, encantada de ter alguém ali que a incentivava a ser quem era.

— Nem sempre é fácil. Acredite, mas...

— Então... Acha que eu devo surfar?

— Com toda certeza. Sabe de uma coisa? Eu posso te ensinar tudo que eu sei, eu surfo super bem, não é? — Lela não conseguiu segurar o impulso de se jogar nos braços de Mack, que por sua vez não resistiu e colou seus lábios em um selinho. — Oh meu Deus! Desculpa, eu não, eu...

Mas antes que pudesse dizer qualquer justificativa, a boca de Lela já estava sobre a sua de novo. A motoqueira pediu passagem com a língua e Mack concedeu agarrando sua cintura e a puxando o mais perto que era possível, elas se beijavam com intensidade e desejo, uma boca buscando a outra como se fossem dependentes, um vício instantâneo que só não foi mais forte que a necessidade de respirar.

— Mack, eu gosto de você. — Lela disse antes mesmo de conseguir parar de ofegar. — Eu gosto. — repetiu sentimento todo o corpo vibrar de alegria. — Eu gosto de você e não vou fingir que não sei o que eu quero, porque eu sei que é você.

Naquele momento tudo no mundo desapareceu para Mack. Não havia mais Brady, não havia tia Antoinette nem escola chique e escolhas difíceis. Não havia nada além de Lela e esse sentimento tão forte quanto uma onda.

— Ah, Lela... Eu estou tão apaixonada por você. — respondeu com um sorriso que mal cabia em seu rosto. — Eu não quero voltar, quero ficar aqui... Ficar com você.

— E como vamos fazer isso?

— Não vai ser fácil, mas vamos fazer isso juntas.

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