- Amaterasu-hime!!! – entravam uma criada de cabelo lilás e um dos seus guardas dentro do salão.

- Você está bem?

- Eu...consegui...ai que dor...A quanto tempo não fazia isso?

- Você mandou o rapaz de volta? Mas ao romper o lacre...

- Eu sei, liberei o lado Mazoku dele. Mas eu confio...nele...Ele não é mal. Ai...

- Amaterasu-hime! Seu pai mandou as tropas para liquidarem Yusuke!!! Logo as tropas vão vir pra cá!!!

- Não vão conseguir...Ele vai reviver...além disso, eu dei uma forcinha...Puu vai levar isso para mim...e vai entregar a ele, não vou...

- Você ajudou a aumentar o poder dele? E dos outros???? Teu pai vai ficar furioso!!!

- Não me importo, Hikaru. Eu devia isso... por meu irmão, que amo tanto...e estava sofrendo, vendo os quatro amigos nestas condições...Imaginando o sofrimento das meninas, da velha mestra, e dos demais...por aqueles garotos, tão unidos...e à Keiko, Genkai, Botan e Shizuru. Ele...esse Yusuke...é como alguém especial, um grande amigo para mim, sabe? Não sei explicar... Não, não me arrependo de esconder o espírito de Yusuke aqui e dar-lhes força extra pra acabar com AQUELE MALDITO SAFADO PSICOPATA DO SENSUI!!!! TOMARA QUE ELES POSSAM ENCHÊ-LO DE PORRADA!!!!!!

- Amaterasu-hime... – a criada de cabelos lilás olhava espantada – foi você quem deu os poderes de Sensui...não entendi...

- Como sabe que ele vai ganhar a luta? E se Sensui ganhar? Ele virá atrás de vossa Alteza – o guarda olhava assustado.

- Ele vai conseguir, Hikaru. Tenho certeza. E desculpe me exceder assim, Yuka. Bom, vou descansar. Logo irei visitar meu pai. Ele deve estar preparando um castigo daqueles... mas antes vou dar um jeito de achar meu irmão.

- Mas ele ainda não voltou ao Ningenkai! E acho que seu pai jamais vai permitir!

- Mas ele vai voltar... um dia...ele e os outros...

“Yusuke...Tenho certeza que verei você e seus amigos aqui, um dia...”, pensou a nobre dama, enquanto andava pelo amplo corredor, amparada pelos seus servos, ouvindo o rio Sanzu correr para o Reikai...

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- Jorge!!! Jorge!!!

- Que foi, mas que coisa!!!???

- Amaterasu-hime está aqui!

A bela moça entrou na sala, com um amplo manto branco sobre os ombros, e uma corrente de prata envolvendo os cabelos, Parecia estar arrumada para um cerimonial importante.

- Vossa Alteza Amaterasu!!!! Quanto tempo não a vejo!

- Jorge, meu querido...

Os dois se abraçaram. Jorge logo começou a chorar.

- Paro logo de chorar!!! Tudo aqui está tão triste...

- Ei Jorge está usando o shampoo que fiz com as ervas do Sorakai, né? Seu cabelo está tão bonito...

- Amaterasu-hime, só você gosta de mim aqui... — choramingou o demônio azul.

- E então? Papai está zangado demais?

- Ele não perdoa Koenma-sama.

- Bom, neste caso não vai me perdoar também... ai ai... estou vendo que vou ter que dividir meu palácio com Koenma... até o castigo dele chegar...vai precisar me dizer onde ele está...sei que você sabe, seu danado!

- Mas Alteza, que você vai fazer se ele te expulsar?

- Viver, Jorge. Viver...

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- O Ningenkai é fascinante não? – se aproximou dele, num parquinho de crianças, vendo Yusuke se afastar – e você o aconselhou a procurar Genkai...interessante...

- Você foi expulsa, não é? Pensei que só eu seria o malvado da família... – Koenma riu e voltou-se para a jovem mulher para abraçá-la. Quanto tempo não via a irmã!

- Fui, mas acho que o velho vai pedir para eu voltar. Papai sabe que só eu sei administrar aquilo. E o Reikai sempre terá lugar pra você, onii-chan. Mas não sei quanto tempo a paciência dele vai durar...

- Ele não aceita minhas decisões. Eu não vou voltar.

- Ele não aceita que você cresceu, Koenma. Viu como ele ficou?

- Claro... Mas achei que ele não ia se zangar...muito...Eu expliquei naquela carta...

- Entendo...

- Quero te perguntar umas coisas, nee-sama. Você fez aquilo por mim?

- Também. Acho que fiz mais pelo olhar de desespero daquela menina, sabe? Que ele gosta?

- Sei.

- Onii-chan... pare com isso. Faça logo a pergunta que você quer fazer, eu te conheço...

- Tá bem, não consigo enganar você... (suspiro).Quando você percebeu que Yusuke era um humano bom? Que ele valia a pena?

A mulher de longos cabelos, delicadamente trançados, olhou para o horizonte. Fechou os olhos e ouviu os barulhos das buzinas, das crianças. Sentiu o vento no rosto, e sorriu.

- Na mesma hora que você, onii-chan. E da mesma forma que você...

Os dois sorriram, enquanto prometiam sem palavras jamais se arrependerem. Jamais.

- Você acha que o velho rei vai te perdoar logo? O único filho à casa retorna... – Amaterasu perguntou com voz doce.

- Ainda não. Não, não vai. Prefiro encarar as coisas de frente. E tem mais uma coisa... não tenho pressa.

- Então tudo bem... – o abraçou e se afastou dele, olhou para trás – você sempre foi mais forte que eu. Tenho certeza que vai dar tudo certo com você...

- Amatesaru...irmã...

O vento soprou, levantando os cabelos de Koenma, que via ao longe a pessoa que mais o amava neste mundo. Ela sabia disso. Sempre soube.

- Koenma...sayonara...

- Sayonara, Amaterasu.

Viu a doce jovem de olhos ternos se afastar sorrindo, e tranqüilizou-se. Ela ia ficar bem. Sempre.

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