Um Mergulho a Mais

1 Um Mergulho a Mais


Notas iniciais
Olá!!! Então essa é minha primeira história, tinha escrito algum tempo atrás e só tomei coragem pra postar agora. Espero que vocês gostem. OBS.: sei que o melhor termo seria guardião já que é uma piscina de um prédio, mas quando criei a história sempre usei salva vidas kkkk então como uma referência, preferi continuar utilizando o termo. OBS².: a foto que usei dos boys no sofá serve como base pra uma cena, mas a aparência dos personagens são diferentes dos que estão na foto. OBS³.: perdão por qualquer erro cometido.

Três amigos, a mais baixinha espera pela amiga que havia subido ao apartamento no quarto andar, o menino já na piscina grita para amiga:
— O que foi?
— Julie esqueceu a toalha!
— Ue... E por que você ta ai? Vem logo, não precisa esperar ai.
A menina dá de ombros e espera mesmo assim. Instantes depois Julie aparece ofegante segurando duas toalhas.
— Gente… por que fui de escada? Misericórdia, miga acuda!
— Ok bixa vamos logo, você vai se recuperar rapidinho na piscina..
— Yees piscina, adorooo!
As duas foram ao encontro do amigo. Os três não se viam fazia um tempo, e aquele era o final de semana pra recuperar as fofocas e diversões, junto com alguns micos de sempre.

A piscina estava agradável, era por volta das cinco da tarde. Só havia eles e o salva vidas que estava sentado numa cadeira um pouco afastada deles.
— Entao Emilie como foi aquela entrevista?
— Menino nem te conto, fui toda arrumada e tals ne. Quando chego lá, um grupinho de boys tudo com cara de menor. Trabalhavam lá, acredito que sejam do jovem aprendiz. Mas olha, eles deram uma de soltar umas cantadas super nada a ver. Já fiquei como? Primeiro que tenho cara de metida naturalmente, naquela hora se alguém olhasse pra mim certeza que iriam desviar por medo.
— Esses manos não sabem chegar em mulher. — Miguel comentou rindo.
— Ahhh como se o senhor, Miguel O sarrador, soubesse chegar.
— Sei mais do que vocês pensam. Pelo menos não fico nessa de cantada escrota.
— Olha eu acho ridículo. Mas até entendo, esses boys não devem estar acostumados a ver pessoas bonitas, ai a Em chegou lá toda diva, os parsa devem ter perdido o rumo. [risos] Okay, mas outro que está sem rumo é esse salva vidas, to rindo demais... ele focou no céu e não para de olhar. —Julie comenta.
— Deve ta pensando “o que ta acontecendo com a minha vida?”. Nem julgo. — responde Em.
— Deixem o cara, a pessoa não pode nem focar no alto que vocês ja zoam. — brinca Miguel.
— Olha quem fala, fio não venha com hipocrisia não. Aqui é poço de zueira, não podemos fazer nada, e o senhor participa frequentemente dos nossos comentários sobre os seres ao nosso redor. Aliás, não estamos falando nada demais, apenas fazendo sugestões para justificar uma ação tão anormal desse parsa. — Fala Julie com toda a convicção de uma lady (uma falsa lady).

Nisso o tal salva vidas levanta de seu posto e vai na direção da entrada do prédio, onde fica os elevadores e as saidas que levam para o estacionamento, escada, entrada principal do prédio, entre outros ambientes. Os três amigos continuam a conversar animadamente.
O salva vidas se dirige ate as escadas do prédio. Entra e fecha a porta, fica em silêncio e espera. Aquele ambiente não era confortável, as paredes pintadas num tom cinza pareciam próximas demais, apesar de não ser tão pequeno. A falta de ventilação, faz com que seja abafado de um modo que até aqueles que não tem claustrofobia se sintam sufocados ali. Passos. Ele escutou os passos de uma pessoa descendo. Rápido demais. O barulho aumentava a cada segundo.
Até que o som cessou.
Um sorriso.
— Oi.

Julie entre risos pergunta:
— Gente será que o gringo ta lá? To com medo, vai se ele rastreia meu número, olha sou muito diva pra parar no catfish. [risos]
— Garota sussega, o trouxa deve ta lá, Ele já ligou umas 8 vezes, né? O cara ta persistente mesmo. — Fala Em.
— Isso se chama desespero.
— Não acredito que vocês duas marcaram com um parsa. A que ponto o tédio não faz com as pessoas, quero ver se ele brotar aqui querendo ver essa tal de Mariana.
— Olha Mariana é mina decente Usa tinder por necessidade, mas não se envolve com qualquer um. Ela apenas apareceu no local marcado, viu o boy de longe e resolveu não comparecer. —Explica Em.
— Okay não vou me preocupar. Vou rir, mesmo se esse cara aparecer ele não tem provas contra a gente, destruo logo esse chip ou sei la escondo em algum canto.
— Coloca nas coisas do salva vidas e ta tudo certo — aconselha Miguel aos risos.
Nesse mesmo momento o salva vidas aparece e enquanto caminha ao seu posto sinaliza para os jovens que o tempo tinha acabado e a piscina iria fechar. Miguel fala:
— Acho que temos que vazar.
— Oxi como assim?? Já? Mas ainda são cinco! Ue — Julie diz confusa.
— Bem ele sinalizou indicando pra gente ralar peito.
— Entao ta, o parsa nem falar com nós falou. [risos] A que ponto chegamos, nego deve pensar que nós é tudo louco e nem querem se envolver. — Em comenta no meio das gargalhadas.

Os três em alguns minutos estavam se retirando da área da piscina. O salva vidas os observava impaciente. Quando os três foram embora, rapidamente ele arrumou as mesas e as cadeiras de sol. Fechou a grade que separava a piscina do resto do play, depois de fechada ninguém podia entrar lá sem permissão do sindico. Então o salva vidas se dirigiu ao quartinho que continha uns armarios e um pequeno sofá, onde os funcionários mantinham seus pertences. Verificou se não havia ninguém por perto, então caminhou até as escadas, abriu a porta e chamou quem o esperava ali.
— Vitor... Pode vim, não tem ninguém.
Dentro do quartinho, o salva vidas trancou a porta e ficou alguns segundos em silêncio ainda querendo verificar se realmente não havia ninguém por perto. Agora tendo certeza, aliviou-se um pouco e se permitiu olhar nos olhos dele. Ele. Ali na sua frente, com um sorriso timido que fez a beleza dele se tornar mais extraordinária ainda. Ele deixava sua mente meio tonta e isso era algo novo.
— Você realmente fica fofo de uniforme. — o menino da um risada curta e baixa. Fica vermelho assim que termina a frase, sentindo a vergonha de fazer tal confissão, assim do nada.
— Sério? Obrigado, bom saber que você gosta. Me deixa realmente feliz… — o salva vidas abre um sorriso tão animado que seus olhos quase se fecham. — Bem desculpa por ser aqui, mas não encontrei outro lugar que desse pra gente se encontrar sem que... chame atenção e tals.
— Tudo bem, tudo bem. Aqui é perfeito — falou Vitor. Entrava um fino feixe de luz da janela, que ficava no alto de uma das paredes. A luz dançava pela bochecha dele e o salva vidas começou a reparar como a fraca luz refletia na pele branca do menino.
— Você é tão branquinho… ja disseram que a luz fica bem em você?
— A luz? Como assim?
— Ahh não sei explicar, parece meio louco, mas quando te vejo assim na luz do sol, parece que você resplandece. Não sei, esquece, to falando maluquice
— ... — o garoto um pouco sem graça pergunta — então o seu horário acabou, cê precisa ir agora?
— Não não, posso ficar um tempinho. Isso se você quiser, pensei que a gente talvez possa conversar, sei la…
— Okay… tipo, eu quero, mas não sei. Tipo, você já deve ter percebido que não sou bom em manter conversas, assuntos e essas coisas. Você teria que ser um pouco persistente hehe.
— Pode deixar, que não vou desistir de você
— Ah sim
— Foi mal, não quero te deixar sem graça. Mas quero que saiba que curto ficar com você.
— Também curto... mas enfim, você tava me falando da sua família da última vez.
— Siim — o salva vidas se movimentou para se sentar no braço do sofá e convidou o outro — Senta aí, não há espaço pra sentarmos juntos, mas tô de boa — falou indicando o assento do sofá.
— Não, tudo bem. Prefiro ficar em pé mesmo.
— Ok então. Bem, eu parei na minha irmã, a caçula, amo ela. Tá com 5 anos, muito fofa e engraçada. Ela ta naquela fase de perguntar sobre tudo, entao ta sempre falando "por que isso, por que aquilo?". Muito fofa.
— Você só tem ela como irmã?
— De menina sim, mas tenho um outro irmão... ele tem 12 anos. É outro que amo demais, mas ta começando a da trabalho, não sai da rua. Não vejo nada demais, eu também não parava em casa na idade dele, mas onde moramos não ta a mesma coisa hoje em dia. Praça Seca anda muito perigosa, ai meus pais ficam preocupados com ele indo pra la e pra ca sozinho. — o salva vidas conta refletindo sobre o assunto. Seus pais eram pessoas bondosas e humildes, sempre moraram na mesma casa, e ele fora criado em apenas um lugar. Não conhecera nada além da fronteira da cidade do Rio de Jaeiro, chega ser triste. O mundo tão grande e ele limitado a apenas uma cidade. Não que esteja infeliz, claro que não. Infelicidade nunca lhe ocorreu de fato, as vezes ficava chateado com algumas coisas, mas quando pensa nos pais e nos irmãos não consegue evitar ficar feliz. Sua vida pode não ser glamurosa quanto a dos outros, ahh mas feliz ele é.
Notando o momento pensativo, Vitor se ajeita um pouco e fala:
— Deve ser legal ter uma família grande. Sempre imaginei como seria, sem muito sucesso, é realmente dificil se colocar numa situação daquilo que nunca se pode ter.
— Ahh mas família não se resume apenas pais e irmãos. Amigos, tios, professores e até seus chefes podem se tornar sua família com o tempo.
— Bem realmente. Mas não tenho ninguém que se encaixe. Pensando melhor, tenho a Bianca, minha melhor amiga desde sempre. Nos conhecemos desde que me entendo por gente, ela sempre está presente em todos os momentos e bem se há alguém que posso considerar minha família é ela. Mas você deve ter muito mais pessoas que são importantes.
— Olha, a questão não é a quantidade e sim a qualidade. Tenho muitos amigos e considero todos pessoas incríveis. Sim, tem alguns que são mais próximos e outros que não estão sempre presentes, mas cada um tem sua importância. E apesar de ter minha família presente e serem tudo pra mim, ainda sinto que falta algo. Realmente conheço muitas pessoas, mas nenhuma delas chega ser meu melhor amigo. Sei lá, ainda não conheci ninguém que possa me abrir completamente sem medo de repressão ou algo do tipo. Tenho certeza que você conta praticamente tudo pra sua amiga e quando o faz se sente livre pra realmente contar sem medo. E isso nunca me aconteceu, sempre tive vários grandes amigos, mas ninguém que eu realmente me sentisse vontade de me mostrar como genuinamente sou.
— Você realmente nunca teve alguém pra se abrir?
— Bem não até agora. Tenho que ser sincero, gosto de você. Sei que você tem seus problemas pra enfrentar e que talvez não goste de mim da mesma maneira que gosto de você. E sei que não gosta dessa baboseira toda que to falando e de senti..
Vitor deu um passo pra frente e rapidamente parou a frase do salva vidas com um beijo. Um beijo lento, como se os dois estivessem processando o que realmente estava acontecendo. Mesmo tendo se beijado antes, essa sensação não passava. A cada beijo, os dois sentiam como se fosse o primeiro. O salva vidas levantou e ainda o beijando se aproximou do corpo do menino.
O beijo foi ficando mais intenso, eles queriam mais um do outro. Não queriam parar e não poderiam, era como se o mundo fosse acabar caso eles se soltassem.
Vitor não sabia como formular uma frase sequer em sua cabeça, o toque dele fez sua mente nublar. Não compreendia como alguém pode mexer tanto assim com seus sentidos. Nunca tinha feito nada disso, ainda mais com um homem. Mas só de imaginar o que podem fazer ali, ja o levava a loucura e querendo mais dele em seu corpo.

A mão do salva vidas deslizava sobre a barriga do menino, ouvir ele suspirar com o toque já o deixava duro. Foi abrindo a calça dele lentamente e passando a mão sobre o membro duro por cima da cueca.
— Vai ficar me provocando? — Vitor disse em um tom provocante.
O salva vidas o puxou com toda força para seu corpo, apertou a bunda dele e o beijou. Foi encostando ele na parede, prendeu seus braços na mesma e foi parando de beijá-lo aos poucos sorrindo maliciosamente. Pegando no colo enquanto o garoto entrelaçava as pernas em volta da cintura do moreno, se beijavam dessa vez com mais força e vontade, estavam com necessidade um do outro. Andando com ele ate o sofá que tinha ali, sentou-se com Vitor em seu colo. O garoto então começou a beijar o pescoço do salva vidas que gemeu ao sentir o toque. Beijava e marcava com mordidas e chupões, rebolando sobre o volume crescendo no short do salva vidas.
— Quem ta me provocando é você seu safado. — ofegou com a voz rouca de desejo.
— Não quero mais ficar nas brincadeirinhas, além do mais ... — ele olhou para baixo mordendo os lábios. — Você é uma delicia. — disse com um sorrisinho que só o salva vidas poderia reconhecer.
Vitor se levantou um pouco para que pudesse ir tirando o shorts do seu parceiro. Vendo a intenção do garoto, o salva vidas sorriu e o ajudou na tarefa. Enquanto o short fora deixado de lado, o salva vidas prontamente foi na direção da calça dele.
— Da próxima vez use algo mais rápido de tirar — brincou olhando o menino com desejo. Sem a calça, o garoto tirou sua própria camiseta e sentou-se no colo do moreno. O salva vidas o segurava com força e o beijava pelo corpo e dava leves mordidas. Vitor estava se deliciando com as mãos quentes que pecorriam sobre seu corpo, entao ele retirou a regata do mais alto que revelaram um abdômen moreno. Aquela visão foi o suficiente para que o garoto investisse em um beijo longo e transbordado de desejo enquanto sua mão descia pela barriga do salva vidas parando quando encontrou o membro grosso e duro.
— Eu quero você. — o salva vidas falou entre os gemidos — Quero te chupar, quero te beijar, quero te fazer gozar.
O garoto estava em êxtase só de ouvir a voz rouca do salva vidas perto de seu ouvido falando tais palavras. Segurou-lhe com mais força.
— Você é muito gostoso. Pode me ter do jeito que quiser.. — Vitor confessou.
— Quero você dentro de mim. — o salva vidas sussurra enquanto a porta é destrancada sem que os dois percebam.

A porta abriu. E uma voz veio da direção dela, percorrendo pelo quartnho.
— Que porra é essa?! — os dois viraram imediatamente.
— Pai? — gritou Vitor em terror enquanto levantava.
— Vitor pode me explicar que porra é essa que estou vendo? — o salva vidas colocava a roupa rapidamente enquanto o garoto estava paralisado em choque. Ele não sabia o que fazer, só tinha certeza de uma coisa, que estava morto.
— Ainda estou esperando uma explicação!
— Senhor, não estávamos fazendo nada demais. — o salva vidas tentou explicar assustado mas foi cortado rispidamente.
— Não quero saber nada de você. Enquanto à você — se direcionava agora ao filho — quero que venha. Agora!
Vitor se vestiu e andou lentamente em direção da saída, ainda estático com tudo que estava acontecendo. O pai pegou-lhe pelo braço e o empurrou porta a fora. O salva vidas deu um passo a frente vendo a brutalidade que o pai do menino usara.
— Nem ouse. Fique ai mesmo, de você cuido daqui a pouco. — o pai falou com um olhar de nojo. E foi-se, fechando a porta com toda a força possível. O salva vidas sentou no sofá e pensava desesperadamente no que poderia fazer diante essa situação.
Vitor andava enquanto o pai lhe dizia várias coisas, mas ainda não conseguia ouvir bem.
— Não acredito na merda que fez. Tem noção na loucura que isso é?
— Pai.. — sua voz saiu fraca.
— Cale a boca! Até queria uma explicação, mas não me importa mais. Você me da nojo, não acredito que fui capaz de te chamar de filho um dia. Vamos subir. Nunca mais te quero perto desse moleque, me ouviu?! O que os outros diriam se soubessem que meu filho é uma bixa? Você nunca pensou em mim? Em como isso nos afeta?! Se alguém descobrir... Como pode fazer isso comigo?! — dizia isso em uma voz de raiva. — Vamos!
— Pai, por favor... — ele ja podia sentir as lágrimas em seu rosto.
— Pai o que?! Nunca mais me chame de pai, você não é mais meu filho. Isso que você fez é nojento. Quero que você vá agora para o apartamento, estou mandando!
— Pai... — ele ja soluçava.
— VAI! E não saia de lá até eu voltar. Teremos uma conversa.
Chorando se diregiu até o elevador e apertou o botão que indicava o segundo andar. Tudo que podia pensar é o quanto estava morto e o quanto queria estar com o moreno.
— Meu Deus. Isso não pode estar acontecendo.

O salva vidas, andando de um lado ao outro no quartinho, resolve sair. Assim que o faz, dá de cara com o pai do Vitor. Os dois se encaram e o homem começa:
— Você!! O que você ganha, hein? Isso foi um plano? HEIN?! Me responda!
— Senhor, desculpa não sei do que está falando. Sei que não era exatamente o que queria ver, mas estamos todos chocados e entendo sua reação. Mas posso lhe garantir que gosto do seu filho, não estou me aproveitando dele. — o moreno tentava manter a voz calma, mas tudo saiu um tanto rápido demais. O pai com uma expressão de nojo e repúdio disse:
— Vocês são nojentos — o salva vidas abaixou a cabeça — Quer quanto? É isso, né? Queres quanto pra calar a boca e nunca mais aparecer? — chocado o salva vidas responde.
— Não quero seu dinheiro. Nunca aceitaria algo assim.
— Qual é? Pra quem você trabalha? Algum político ou você é um reporter?
— Olha primeiramente não sou nada disso. Segundo que nunca contaria pra ninguém, ainda mais com más intenções. E terceiro que tudo o que aconteceu não foi proposital, se você acha que usei o seu filho pra te atacar de alguma forma, sinto lhe informar que está muito errado. Não quero seu cala boca, e espero que o senhor entenda que minha única preocupação é a felicidade de seu filho. Mas pelo jeito pro senhor isso não é o mais importante. — o salva vidas agora falava num tom sério.
— [risos sarcásticos] Me poupe, sermãozinho de um mero salva vidas. Tenho que ter muita paciência mesmo. Você não quer meu dinheiro, ok. Se eu ver essa história sair em qualquer lugar, te mato. E garanto que essa promessa eu irei cumprir. — falou com ódio nos olhos.
— Não me importa o que você pensa. Faço o que for o melhor pro Vitor.
— Bem... bom saber isso. Então acredito que você não vai se opor a isso. — assim que terminou a frase, o tal homem pegou seu celular e começou a discar um número. Uma voz abafada ecoou do aparelho. O salva vidas observava atento o que se passava na sua frente.
— Olá meu caro. Como está? [...] Infelizmente não ando nos meus momentos mais felizes e espero que o senhor possa resolvê-lo da melhor maneira para mim. [...] Estou com uma situação com o seu salva vidas, se não for muito incomodo espero que o senhor possa vim aqui embaixo para resolvermos esse infortúnio. [...] — agora alegremente completou — Sim sim, estaremos o esperando na área da piscina.
Assim como seu rosto expressou felicidade em meros segundos, não demorou tanto para voltar a sua forma de raiva. Olhando pro salva vidas disse:
— Acredito que o sindico é a melhor pessoa para solucionar esse nosso problema. Vamos. — encaminhou-se na direção da piscina. O salva vidas o seguiu já temendo o pior, seu coração batia tão acelerado que parecia que seu peito iria desmoronar. O que mais se passava em sua mente era como Vitor estava e como iria ficar depois que seu pai retornasse ao apartamento. A visão do cenário mais horrendo lhe apareceu e não conseguiu controlar algumas lágrimas de cairem. Não podia permitir que algo acontecesse à ele, tinha que pensar rápido numa saída. Chegaram na piscina e se posicionaram no lado oposto da entrada. Esperavam.

Vitor chorava descontroladamente. Seu quarto parecia se fechar sobre ele, sua cabeça girava e o seu peito doía com a força de seu coração sendo esmagado. Tentou ligar para Bianca, mas caiu na caixa postal. Ligara mais uma vez, nada. Outra, nada. Estava sozinho e com medo do que pode está acontecendo dois andares abaixo dali. Foi à varanda na esperança de ver algo e viu. Os dois. O homem que amava e o homem que odiava. Chorou mais ainda tentando entender o que estavam fazendo ali. Queria pensar que estavam se entendendo e que tudo acabaria bem. Mas essa possibilidade não existia quando o assunto era seu pai e ele sabia bem. A grade o impedia de se aproximar mais. A segurava com tamanha força que sua mão ja estava com os dedos doloridos e vermelhos.
O sindico então chegou. Um homem com uma altura baixa para média masculina, com uma pele levemente morena que continha uma expressão cansada que não parecia sumir, nem mesmo quando sorria. Ele observava a situação, ainda confuso do que poderia está acontecendo.
— Olá Senador. No que posso ser útil? — falou da forma mais formal possível, mas não conseguiu evitar um olhar de dúvida revezando em checar o salva vidas e o Senador.
— Meu amigo sindico. Hoje meu dia estava indo muito bem e esperava que continuasse desse jeito. Infelizmente, fui interrompido e não gosto da minha felicidade sendo interrompida de uma forma tão cruel. E espero que o senhor me ajude a
reconquistá-la.
— Sim, claro. Farei o possível e o impossível para que o senhor se sinta o mais contente. — confirmou ainda em tom de dúvida.
— Ahh, sabia que não iria me decepcionar com o senhor. Então, vamos ao meu desejo. Quero que demita essa garoto. — o sindico e o salva vidas o olharam. Vitor pela varanda escutou a pronuncia das tais palavras, isso o fez cair. Estava fraco demais e seu choro era a única coisa que continuava intacta. Seu desespero aumentava, se jogar de um precipicio parecia mais prazeroso do que ta vivendo tudo isso que está acontecendo. O sindico mais confuso do que nunca lhe questionou:
— Ahm.. aham.. meu senhor, co-como assim? Gabriel é um ótimo rapaz. Por qual motivo eu iria demiti-lo?
— Isso só cabe a mim saber. O senhor realmente não acredita em meu julgamento? Quando digo que esse garoto merece ser demitido, espero que você não duvide de mim. Isso seria simplesmente um absurdo. — Vitor escutava a conversa ao fundo, sua mente ja não estava mais ali. Queria gritar, espernear e lutar para que isso não ocorresse. Mas não conseguia. Apenas chorava. Seu corpo inteiro doía. Sua visão estava completamente destorcida com as lágrimas e respirar era um trabalho mais complicado que enfrentara até aquele momento.
— Si-sim, senhor. Não estou duvidando do senhor, de forma alguma. Apenas preciso ter uma idéia para que possa fazer uma demissão justa. Em caso de justa causa ou não, preciso saber para que ele tenha seus direitos como trabalhador.
— Será justa causa. — Gabriel agora estava alheio a tudo. Seus olhos se levantaram e encontraram Vitor na varanda. Assim que o viu não pode conter as lágrimas, o menino estava aos prantos e essa visão foi demais para ele. Abaixou a cabeça e continuou assim. — Quero que você o demita por justa causa. Se quiser inventar o motivo sinta-se livre, coloque que roubou algo. O que pensando bem, já deve ter feito isso. Realmente espero que o senhor não vá contra minha decisão. Tenho motivos bons o suficiente para saber que este garoto não traz nenhuma benifìcio ao nosso edifício. E agora que lhe disse o que precisava, vou me retirar. Quero ele fora o mais rádio possível. Não desejo ter a infelicidade de vê-lo mais um segundo sequer. E o senhor — olhando o sindico seriamente completou — não me decepcione, não sou do tipo que da segundas chances. Ainda mais em casos tão simples de serem solucionados.
— Sim, senhor. Farei tudo o que pediu, não haverá nenhum problema. — se direcionando ao salva vidas, com certa hesitação falou: — Gabriel pegue suas coisas.
O salva vidas caminhou ate a área coberta e pegou uma mochila. Ainda chorando voltou até os dois. Vitor agora olhava a cena e não conseguia mais pensar em nada. O pai e o sindico começaram a andar em direção à saida, Gabriel estava parado. Então o moreno olhou para cima e com o rosto cheio de lágrimas, sorriu para Vitor.

Notas finais
Bem é isso ai ^.^ espero que todos tenham gostado e me digam o que acharam da história. Também tenho ela no Spirit > http://fics.me/13969792
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!