Um Lugar para Nós
10 Transformação Completa e Gatinho Alto
Notas iniciais
Eu peço desculpas nessa fic tbm pelo atraso, e repito que devem agradecer à Mew San, porque ela está sempre me cobrando (e eu só funciono assim hahahaah).
Lembram que meu bloqueio tinha passado? Pois é, aconteceram coisas e ele voltou, embora não tão forte... Eu tenho lidado bem com a situação, mas minha família e meus amigos não concordam com isso, então se acontecer alguma coisa com as fics (embora eu vá me esforçar para evitar qualquer problema com elas), eu já peço desculpas antecipadamente.
Boa leitura!
Zoey acordou ainda mais cedo por conta das muitas horas dormidas. Ainda estava de uniforme e o gato dormia ao seu lado. Levantou cuidadosamente para não incomodar o animal. Tomou um banho rápido e fez o mesmo de todas as manhãs. Passou um tempo a mais escovando os pêlos.
-Estranho, essa noite eu senti o carinho na minha orelha de novo... – Contava para si mesma.
Quando deu o horário desceu e tomou o café por obrigação. Foi andando calmamente para a escola e, quando chegou, era a primeira novamente. Como toda boa gata, passou o tempo sozinha dormindo.
-Zoey? Acorda, o professor chega daqui a pouco. – Alguém lhe sacudia levemente.
-Mark? – Bocejou – Quanto tempo eu dormi?
-Desde a hora que eu cheguei? Mais ou menos, meia-hora, mas acho que você já estava aqui dormindo bem antes de eu chegar.
Em pouco tempo o professor de geografia entrou e ficou falando, parecia que ele nunca ia calar a boca. O único bom é que finalmente era sexta feira. As outras duas aulas eram de educação física, então Zoey ficaria fazendo um relatório de como foi a aula.
Na hora do intervalo, ficou sozinha em um canto, vendo as mensagens que seus pais lhe mandavam no celular.
-Bom dia, Zoey! – Alguém lhe disse no ouvido. Ela tomou um susto.
-Ah! – Ofegou. – Quem é você?
O ser misterioso usava uma blusa de frio com touca, assim como os outros dois que estavam com ele.
-Não lembra de mim? Sou o Dren que estava indo falar com a conselheira.
-Ah, já lembrei. – Ela respondeu encarando o menor de todos.
-Ta olhando o que, velha?
A veia pulsou na testa, mas ela se controlou.
-O que você quer?
-Só vim saber quando é que você vai ao café com a gente.
-Não sei.
Para a sorte de Zoey, o sinal tocou. Ela já ia se retirando do local quando Dren se despediu.
-Tchau, gatinha, nos vemos por aí!
-Tchau.
Zoey se sentia meio nervosa por causa do apelido. Toda aquela história estava muito estranha. Mark e Elliot faziam parte de seu sonho, Dren a chamara pelo apelido que só o orelhudo usou e Elliot tinha conhecido uma garota aos sete anos que tinha o mesmo nome dela.
“Não, se fossem eles mesmos já teriam me dito alguma coisa, se lembrariam de mim. É só muita coincidência.”
A quarta aula seria de matemática. Zoey tentava prestar atenção, mas aqueles números simplesmente entravam e saiam de seu cérebro. Quinta e sexta aula teria ciências, onde iriam para o laboratório fazer experiências.
-Professora, alguns alunos estão sem professor e nossos substitutos já estão em outras salas...
-Mande-os entrar.
Vários alunos entraram, entre eles Renée, Sardon e Elliot. O loiro sorriu feliz ao ver Zoey concentrada em seu experimento. Pensou em assustá-la.
-Olá, Zoey. – Disse baixo.
-Nyah! – Gritou. Encostou a mão na boca, como se esse gesto pudesse mudar o que fez.
Os alunos de sua sala começaram a rir dela e zoá-la. Elliot levantou furioso.
-Do que vocês estão rindo? Nunca virão ninguém se assustar?
Pararam de rir e ficaram encarando ele. Um mais corajoso gritou.
-Nunca ouvimos alguém gritar ‘nyah’!
-Saibam que esse é o jeito mais fofo de alguém gritar. Bem melhor do que vocês, garotos, quem gritam como menininhas de sete anos.
Ninguém mais abriu o bico para falar sobre algo que não fosse o possível romance que Elliot teria desenvolvido pela garota mais estranha da escola.
-Valeu, Elliot. É a primeira vez que alguém me defende. – Ela disse na hora da saída.
-Tenho certeza que não é. Algum dia alguém já te defendeu, mesmo que você não lembre. Zoey, você não pode deixar eles pisarem em você.
-O pior, é que eles têm razão, eu sou estranha.
-Não, você só é diferente, e isso é o melhor em você, é isso que te torna tão especial!
-Você só está sendo gentil.
-Zoey, tente, por favor, lembrar de pessoas que gostaram muito de você e te fizeram sorrir de verdade.
Zoey lembrava, mas todas essas pessoas faziam parte de um sonho.
-Elliot, não há ninguém.
-Sei que uma hora você vai lembrar. Não se esquece que segunda vamos estudar.
Cada um foi para o seu lado e Zoey estava feliz pelo dia que teve. Pelo menos alguém tinha defendido ela, mas Elliot continuava tão misterioso, sempre falando como se soubesse tudo de Zoey.
Em casa, conseguiu evitar o almoço, mas deu um jeito no café da manhã que foi pra privada. Escovou os dentes e voltou pro quarto. Pegou uma roupa e se trocou, seu gato parecia dormir. Colocou uma saia e uma blusa sem estampa e sentou na cama. O gato abriu os olhos e subiu no colo dela, lambendo-lhe o rosto.
-É bom ver você também, senti saudades enquanto estava na escola. E por falar nisso, hoje o Elliot me defendeu, ele até disse que meu jeito de gritar era fofo.
O gato deu um miado. Um miado que arrepiou todos os pêlos de Zoey.
-Tenta não fazer isso, é assustador. – O gato deu outro miado. – Vai provocar agora? Vou buscar alguma coisa pra você comer.
Zoey desceu as escadas e seus pais estavam na mesa conversando. Foi abrindo as panelas e colocando um pouco de carne e arroz e pegando suco.
-Resolveu comer? – Perguntou a mãe.
Zoey só deu um sorriso, seus pais não podiam saber que ela estava cuidando de um gato.
-Vou comer no quarto. – Disse sem olhá-los. Subiu rápido e fechou a porta do quarto. – Pronto, você já pode comer.
Mexeu em algumas coisas do guarda-roupa e não achou o que queria. Pegou uma caixinha de jóias de plástico, tirou tudo que tinha dentro e encheu com o suco.
-Assim você pode tomar mais fácil.
O gato comeu e bebeu tudo que Zoey ofereceu. A menina deitou ao lado do animalzinho e ficou cantado a Beautiful Disaster.
-Meow! – O gato miou de forma sinistra.
-Eu sei que não sou boa cantora, também não precisa jogar na cara. – Ela disse rindo. Virou na cama e abraçou o gato, fechou os olhos e fez um carinho nas orelhas. – Fico tão feliz que tenha aparecido na minha vida, e eu nunca me senti feliz.
O gato deu uma lambidinha no rosto da ruiva e dormiu abraçado ao cheiro doce dela. Mais tarde, Zoey tomou um banho, estudou um pouco e foi obrigada a descer para jantar, embora ela tenha vomitado tudo. Dormiu cedo, pois acordaria cedo no dia seguinte.
Eram cinco da manhã quando Zoey acordou para se arrumar. O gato dormia profundamente na cama.
-Estou indo estudar, volto à tarde, se cuida. – Disse dando um beijinho na cabeça do gato. O gato pareceu encará-la por muito tempo até que ela resolveu ir para a escola.
-Zoey? Por que acordou tão cedo?
-Estou indo estudar, mãe, pode voltar a dormir.
-Zoey, você tem passado muito tempo fora de casa, isso é perigoso.
-Eu só estou indo estudar, estarei em casa provavelmente na hora do almoço.
-Você está indo pra escola, então há menos problema...
-Vou estudar na casa de um amigo. – Disse temerosa. – Eu já escolhi o fim de semana porque é quando os pais dele estarão em casa, e ele foi muito gentil.
A mãe suspirou lentamente.
-Não deixe seu pai saber. Vou voltar a dormir, até mais tarde... – Ela disse bocejando.
Zoey sempre agradecia pela mãe que tinha: sempre a defendendo, se fizesse algo errado – ou que seu pai julgasse errado – a mãe a acobertava. Passou pela porta e andou rápido até o portão da escola. Ficou um tempo esperando.
-Bom dia, Zoey!
-Bom dia. – Sua animação não era tanta. Queria ter perguntado “O dia parece bom pra você?”. O dia havia amanhecido chovendo, frio e escuro, Zoey daria de tudo para ficar na cama dormindo com seu gato.
-Você parece estar com sono.
-Só um pouco, logo passa. Vamos?
Mark assentiu e ela o seguiu até sua casa. No caminho foram conversando sobre qual era a sequência de Homos na Terra. Caminharam por meia hora.
-Chegamos! Entra, fica à vontade.
-Obrigada. – Respondeu corada.
-Mark, chame sua namorada para tomar café conosco. – Gritou uma mulher, que Zoey julgou ser a mãe dele.
A ruiva corou até o último pêlo da cauda com a proposta.
-Eu não sou namorada dele. – Respondeu envergonhada.
-Ah, não? Desculpa, achei que ele finalmente tinha se apaixonado por alguém... De qualquer forma, você vai tomar café com a gente, né?
-Na verdade, eu já tomei, obrigada.
-Tem certeza? – A menina assentiu. – Bem, então se importa de esperar o Mark tomar? É que ele ainda não comeu nada.
-Tudo bem, eu espero. Se quiser, já posso ir procurando nos livros.
-Certo, eu volto já.
Mark tomou o café rápido enquanto sua mãe resmungava que a menina não iria desaparecer.
-Você não sabe como ela pode sumir do nada, mãe, parece que simplesmente evapora!
Zoey, que ouvia atentamente com as orelhas de gato escondidas numa boina azul, sorriu ao saber como ele pensava. Então sempre que ela tentava, conseguia desaparecer da vista de todos? Desejou que sim.
-Voltei, Zoey. Achou alguma coisa?
-Sim, parece que o primeiro...
A conversa durou muito tempo, e o trabalho exigiu muito deles. Os pais de Mark insistiram para Zoey almoçar com eles, mas ela agradeceu e disse que precisava ir para casa. Mark queria acompanhá-la.
-Mark, é sério, pode ficar em casa, eu vou rápido.
-Eu insisto, é perigoso ficar andando sozinha com esses caçadores por aí. – Zoey engoliu seco.
-Mark, não tem porque se preocupar, logo eu chego em casa. Também seria perigoso para você voltar aqui sozinho.
Mark não respondeu, ficou encarando-a, cada vez mais perto. Quando foi que seus rostos começaram a se aproximar mesmo? Ela começou a se sentir estranha, com uma sensação que nunca tinha sentido. O corpo pareceu tremer e se aquecer de repente, sua cauda e orelhas se agitaram mesmo presas. Seus olhos pareciam dilatados, a vista turva demais. Eles estavam quase se beijando quando ela se sentiu ficando menor.
-Tenho que ir! – Gritou correndo para o mais longe possível. Entrou em um beco e se escondeu numa sombra, sentindo sua transformação se completar. Confusa, olhou para as mãos, eram pêlos!
-Nyah! O que aconteceu comigo? – Perguntou ofegante para si mesma. – De onde saiu tanto pêlo, e por que eu to tão próxima do chão?
O som de suas palavras lhe soava normal, mas para os ouvidos humanos não passavam de sons animal.
Ela andou até uma poça feita pela água do cano que pingava. Viu um gato. Não, uma gata na verdade! Preta com olhos rosa.
-Uma gata? Eu virei uma gata? Como isso foi acontecer? É impossível!
Zoey estava cada vez mais nervosa, como aquilo podia ter acontecido com ela? Justo com ela? Já não bastava que tivesse cauda e orelhas de gata, agora também tinha que ser uma? Andou assustada pelas ruas, era a primeira vez que as pessoas viam a cauda e as orelhas dela, embora ninguém fosse se importar que ela tivesse essas características na forma em que estava.
Tentou atravessar a rua e quase foi atropelada. Um gato gordo apareceu do nada tentando beijá-la, dizendo que tinha amor verdadeiro por ela.
“Há, se ele soubesse o que eu sou, não diria uma coisa dessas. O único que me aceita é o meu gato.”
-Me larga! – Gritou quando o gato deu um abraço apertado, tentando a todo custo beijar ela. – Pára, eu não quero beijar você, quero que me largue!
-Vamos, você vai adorar viver na casa da mamãe comigo!
-AAAHHH! Eu não quero morar com a sua mãe. Alguém me ajuda, por favor! – Gritava em pânico quando o gato a levava a força para mais longe de sua casa.
De repente, o gato gordo e amarelo começou a gemer de dor, sendo arranhado por um gatinho cinza bem menor que ele.
-Me segue!
Os dois correram como loucos, fugindo do gato maior. Como ele era bem mais pesado, seria bem difícil para ele alcançar os dois fugitivos.
-Você me salvou, obrigada.
-Não foi nada. Você está bem?
“Por que todo mundo sempre me pergunta se eu to bem? Não ta na cara que eu não to?”
-Sim, graças a você... Ah, eu conheço você. Você é o meu gato!
-Achei que demoraria um pouco mais para perceber, do jeito que é lesada...
-Hey, você não pode falar assim comigo, gato.
-Pare de me chamar de gato, eu tenho nome. – Disse num tom divertido, contradizendo a bronca que dava.
-É mesmo, eu ia dar um nome pra você, mas já que você já tem um, então me diz qual é.
-Alto.
-Quem te deu esse nome?
-Eu mesmo.
-Você cresceu na rua? Nunca teve dono?
-Agora eu tenho, você.
-Quando você some da minha casa, para onde vai?
-Nenhum lugar importante. Chega de perguntas, hora de voltar ao normal, Zoey.
Ela diria mais coisas, faria mais perguntas, mas o gatinho cinza a beijou. Imediatamente o gato foi empurrado para longe – não propositalmente -, enquanto pés e mãos apareciam no lugar das patas. Quando Zoey voltou ao normal, seu rabo estava preso com as fitas como havia deixado de manhã.
-Alto, você se machucou? – Perguntou vendo a bracinho felino sangrando. – Desculpe, não queria te machucar. – Disse chorando.
Enrolou-o nos braços e foi o mais rápido possível para casa. Sua aventura durou um tempo considerável e sua mãe já estava um pouco preocupada.
-Zoey, venha jantar.
-Eu já venho, vou só tomar um banho.
Subiu correndo para que os pais não tivessem chance de ver o gatinho nos braços dela. No quarto, pegou um algodão e água oxigenada. Molhou o algodão com o liquido e passou no braço do gato, massageou a área machucada e enrolou a ferida com uma de suas fitas de cabelo.
-Vou buscar alguma coisa para você comer, não saia daqui.
Colocou um pijama para os pais pensarem que tinha tomado banho e desceu. Comeu um pouco com os pais, e disse que ainda estava com fome e comeria no quarto. Deu tudo para o gato e foi para o banheiro vomitar. Escovou bem os dentes e tomou banho, colocando o pijama novamente. Escovou cabelos e pêlos, colocou o prato no chão e deitou na cama.
-Alto, tem tanta coisa que eu quero te perguntar... Como você sabia como me fazer voltar ao normal? Como eu me transformei em uma gata e quem realmente é você?
O gato ficou encarando ela com a cabeça inclinada. Mexeu a orelha e deitou a cabeça.
-Acordei muito cedo hoje, quero dormir.
O gato deu outro de seus miados sinistros.
-O que foi? O que você quer? – Ele brincou com seus dedos. – Quer brincar? Não? Então deve estar querendo carinho.
Apagou a luz, deitou com o gato ao seu lado e adormeceu fazendo carinho nas orelhinhas pequenas. Acordou de madrugada com o famoso sonho do garotinho loiro. Dessa vez começou a chorar.
-Eu não consigo entender porque sonho com isso, e nem sei onde eu vi esse garoto.
O gato levantou a cabeça e ficou olhando atentamente.
-Eu sonho com ele desde os três anos e não importa o quanto eu me esforce, não consigo me lembrar de onde ele é ou quem ele é! E eu já deveria estar acostumada com esses sonhos, mas não dá. – Dizia com a voz embargada pelas lágrimas. Ela havia sentado na cama e o gato subiu em seu colo. Lambeu o rosto pausada e carinhosamente. – Obrigada... Obrigada por se importar comigo.
Zoey ainda chorou por muito tempo e o gato limpou cada lágrima que escorreu de seus olhos. No final ela conseguiu dormir, vencida pelo cansaço. Quando acordou pela manhã, se sentia cansada e mal-humorada. Seu gato não estava na cama, e isso a deixou ainda mais irritada.
-Bom dia.
-Bom dia. – Os pais responderam em uníssono. – Você quer comer panqueca pura ou com calda de cereja?
-Pode ser com calda. – A mãe colocou o prato na frente da filha e ela comeu sabendo que logo vomitaria tudo. Que pena, estava tão bom... Terminou de tomar o suco e subiu para o banheiro anexado ao quarto. Vomitou e tomou um banho escovando os dentes.
Colocou uma roupa de ficar em casa e desceu para a sala.
-Vocês deveriam sair um pouco...
A mãe arqueou a sobrancelha e o pai bufou.
-É sério, vocês precisam se divertir um pouco. Vamos fazer assim, vocês trancam a porta e levam todas as chaves, para terem certeza de que não sairei dessa casa, e podem se divertir o quanto quiserem.
A mãe olhou penosa para a filha, sabia o quanto ela queria ficar um pouco sozinha, já que nunca tinha tido essa chance.
-Querido, acho que a Zoey tem razão, deveríamos sair um pouquinho, só por um dia. Faz tanto tempo que não namoramos... – Disse a mãe.
O pai pareceu pensar muito a respeito, mas se convenceu de que precisariam daquele tempinho para manter o casamento. Se arrumaram rápido e foram passear no parque.
-Finalmente eu tenho a casa só pra mim! – Disse feliz se jogando no sofá. – Deveria fazer alguma coisa ao invés de ficar jogada em algum canto ouvindo música... É isso mesmo, vou ouvir música!
Ligou o rádio e ficou ouvindo Too Little Too Late, da JoJo. Começou a dançar e cantar junto com a música sem se importar se era afinada ou não.
-Nyah! – Gritou quando sentiu algo passando em sua perna. – Você não pode me assustar assim, Alto. Quer me matar do coração?
-Meow!
-O que foi, o que você quer?
-Meow. – Continuou miando se esfregando na perna dela.
-Você quer comer? Vamos pra cozinha.
Abriu a geladeira e os armários. Pegou várias coisas e fez onigiris (bolinho de arroz japonês) para ele.
-Sabe, mesmo morando nos Estados Unidos desde pequena, eu sou japonesa. Eu nasci do outro lado do mundo, e mesmo tendo saído de lá tão pequena, eu sinto saudades do meu país. Esse é um prato típico do meu país, espero que você goste.
O gato comeu com vontade, não por fome, mas por sua dona ser uma ótima cozinheira. Ela pegou um pouco de leite gelado e colocou numa vasilha para ele, que tomou com tanta vontade quanto comeu.
-Parece que você gostou, quer mais? – O gato miou feliz e ela colocou mais no prato para ele.
Zoey voltou para a sala e resolveu dar uma ajeitada na casa. Só não teve coragem de limpar, e nem precisava já que sua mãe tinha limpado no dia anterior. Depois da casa arrumada ficou deitada no chão tomando um pouco de sol que entrava pela janela.
-Talvez assim a minha palidez desapareça!
Acabou cochilando no sol e seu gato ficou apenas olhando para ela do sofá, até cair no sono também.
“Ela dorme tanto, será que é por causa da parte felina dela? Talvez seja, eu também sou assim...” – Pensou antes de dormir.
Zoey não dormiu muito, apenas alguns minutos, e logo procurou fazer alguma coisa para não ficar com sono de novo. Se dormisse durante a tarde, não conseguiria dormir à noite. Alto continuou dormindo, era tão bonitinho! Ele colocava as patinhas em frente ao rosto e encostava o queixo nelas, dormia profundamente sem se mexer um milímetro. Dançou um pouco mais algumas músicas que tocavam na rádio e depois foi cozinhar algo para os pais comerem quando chegassem.
-Zoey, chegamos! – Disse a mãe feliz, parecia até um pouco bêbada.
-Ela bebeu sakê?
-Bem, fomos a um restaurante japonês e você já deve imaginar que ela não agüentou a tentação. A propósito, trouxemos um presente para você.
-Deveríamos dar somente no aniversário dela. – A mãe disse com a voz meio distorcida.
-Meu aniversário já é na semana que vem. Não precisavam comprar nada.
-Não é muito coisa, só uma lembrancinha para não passar em branco... – O pai disse entregando uma sacola – Vou jogar sua mãe debaixo do chuveiro.
-Não esquece que a água tem que estar fria! – Gritou enquanto os pais subiam as escadas, ou pelo menos um deles já que sua mãe estava se arrastando. Não teve coragem de olhar o que tinha dentro da sacola.
De repente levou um susto, seus pais estavam tão concentrados em conversar com sua filha que nem perceberam o gatinho deitado no sofá.
-Ufa, que sorte nós tivemos. Alto, preciso que meus pais nunca vejam você, sabe que não temos condições para manter um gato, e você só está comendo porque eu não como mais.
O gato deu um miado baixo em protesto.
-Nunca, repito, nunca deixe eles verem você. Se você for expulso dessa casa, não sei o que eu faço, você é meu único amigo. Vamos rápido pro quarto.
Ela subiu as escadas e o gato a seguiu, ela sabia que ele entendia tudo que ela dizia.
-Pai, tem comida nas panelas, eu já comi. Vou estudar. – Fechou a porta do quarto e trancou para que ninguém entrasse de surpresa. Estudou o resto do dia.
-Me pergunto se eu ainda vou me transformar em gata de novo. – Ela confessou de repente, quando Alto achou que ela estava estudando. – E também me perguntou o que me levou a virar uma gata. Vou deixar para pensar nisso amanhã, estudar dá muito sono!
Como estava limpa, apenas trocou de roupa e deitou na cama. Seu gato já estava de olhos fechados e se encostou nela para dormir. Ela colocou o celular para despertar e dormiu rápido. Naquela noite não teve sonhos, mas sentiu novamente o carinho em sua orelha.
Notas finais
Kissus, minna-san! ~^.^~
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