Um Lugar Sem Esperança
9 Bônus - Parte 2
Notas iniciais
Mas tá aí!
Final da fic!!!
beijos!
“Como ele não quer me ver?! Eu sou a namorada dele! Eu tenho que vê-lo! Eu preciso vê-lo!” Brigava com o médico, gritava, me debatia nos braços de Gaara que me segurava com dificuldade. Naruto, Neji e Ino, namorada de Gaara, me fitavam e desviavam olhar constantemente com as sobrancelhas arqueadas mostrando pena, lamento. O médico dizia algo tentando me acalmar, mas eu não ouvia com clareza. Parei de lutar contra a força de Gaara, parei de gritar, me calei e continuei chorando com o olhar perdido no piso alvo da sala de espera. Estava desolada.
Naruto vinha se aproximando com uma feição firme e então o ruivo finalmente me soltou. O outro, por sua vez, segurou meu rosto e disse que iria ver o Sasuke, que conversaria com o médico e que eu precisava me acalmar, pois escândalo não melhoria as coisas. Me deu um beijo e disse no meu ouvido que me amava. Aquilo serviu perfeitamente para me calar e me manter quieta e absorta durante todo o tempo em que ele ficou afastado. Sentada numa cadeira, me entregava ao auxílio do cigarro em momentos de estresse enquanto pensava nas palavras do Naruto.
Eu percebia olhares discretos do loiro quando estava com o Sasuke, notava certas indiretas em comentários vãos quando Sasuke não estava, mas jamais dera muita atenção a detalhes como este, pois até o momento, me considerava apenas uma menina mimada que Naruto conhecera na faculdade. Às vezes me sentia injusta por nunca ter demonstrado minha gratidão para com ele, pois se não fosse seu convite para aquela festa, eu não teria conhecido Sasuke. Ou se tivesse o conhecido posteriormente, as circunstâncias não seriam tão favoráveis para ficarmos juntos. Minha cabeça se assemelhava com uma centrífuga, mesclando preocupações com a saúde de Sasuke e com a afirmação de Naruto. Me colocava no lugar dele me vendo todo dia com o seu melhor amigo... Se ele me amava mesmo, quão grande era a dor que sentia ao lidar com isso?
Sasuke ficara quatro dias internado no hospital e eu fizera questão de pagar todos os exames para qual ele foi submetido. Naruto havia me dito que o médico não lhe dera nenhuma informação, mas garantiu que Sasuke ficaria bem caso permanecesse uns dias no hospital e fizesse alguns exames para identificar seu problema. Era mentira. Conversei com o médico antes do Sasuke receber alta e ele me explicou exatamente o que estava acontecendo e dissera que já tinha entregado os resultados dos exames de Sasuke nas mãos do Naruto.
Ele possuía uma rara doença no coração que, segundo os médicos, tinha desde que nascera, mas o estado do miocárdio se agravara drasticamente por causa do uso de drogas, mas especificamente da heroína. Quando é aplicada de forma rápida e precária, pode causar sérios danos ao órgão, tirando a questão da droga que por si só já corrompe tudo por onde passa. O problema era que pequenas bolhas de ar estavam passando por suas veias e quando chegavam no coração...
De repente, tudo ficou claro. Estava na casa do Naruto durante os dias em que Sasuke estava hospitalizado, lembrava que, fazendo as tarefas domésticas, havia recolhido o lixo que estava repleto de seringas e frascos quebrados. Naruto estava parando por medo de acabar como o Sasuke. Aquilo me ardeu a garganta de ódio. Minhas pernas estavam bambas e minha cabeça latejava. Por um momento pensei que iria desmaiar ali mesmo, na frente dos médicos que me explicavam formalmente que os danos no coração do Sasuke haviam sido inúmeros e que mesmo que ele interrompesse com tudo o que incitava novos ataques cardíacos, não ia adiantar muito. A cada caimento, um outro órgão era afetado. Ia chegar um dia que medicações e reanimações não iriam funcionar. Sem contar no seu fígado que estava em colapso, razão de suas dores agudas e enjoos.
Era muita coisa. Muita coisa mesmo. O que me deixava ainda mais nervosa era a traição de Naruto que prometera me dizer tudo e escondera de mim algo tão importante como o estado do Sasuke. Os médicos não iriam me contar nada, pois o loiro havia lhes garantido que daria a notícia e que se possível, que eles não mencionassem o assunto comigo.
“Eu não queria te ver assim!” Explicou desesperado.
“Mais cedo ou mais tarde eu ia descobrir e ia ficar pior ainda!” Me exaltei com lágrimas rolando pelo rosto. “Acha que eu ficaria ótima quando o Sasuke de repente caísse morto no chão sem eu nem ao menos saber a razão?” Desviou o olhar. “O que me diria caso eu não tivesse descoberto?” Perguntei com a voz mais calma.
“Não diria.” Respondeu. “Minha promessa para o Sasuke foi cuidar de você quando ele não puder e nunca mencionar seu problema para você. Eu só estou cumprido o que prometi a ele. Não vou te dizer nada, Sakura. Me desculpa.” Falou se sentando no sofá com uma expressão triste.
“Não desculpo coisa nenhuma!” Esbravejei. “É o Sasuke, não uma pessoa qualquer. É o meu garoto.
Meu canalha. Meu tudo. Construí minha vida ao redor dele. Parece que tudo tá desmoronando agora...” Disse desabando numa cadeira em frente ao sofá onde Naruto estava. Olhos presos num ponto do chão, mãos pressionando a cabeça, cachoeiras pelo rosto.
“Sakura...”
“Ele não vai parar com a maldita seringa! Nem com a bebida, nem com os cigarros, nem com nada!” Exclamei. “Ninguém entende, ninguém sabe o quanto dói conviver com isso. Eu só... Eu só quero ter meu ‘feliz para sempre’ com ele, não sozinha. Sozinha eu não sou nada.” Naruto já estava na minha frente segurando meus pulsos e fitando meus olhos com aquele jeito misericordioso. Ele tinha pena de mim. “Eu dou meu coração para ele! Meu fígado! Meu corpo todo se ele precisar! Mas sem o Sasuke eu não fico!”
“Acalma! Acalma! Ainda não acabou, Sakura. Nem se quer falou com o Sasuke sobre o que ele vai fazer agora...”
“Naruto, não se faça de bobo, você o conhece melhor do que eu. Sabe que ele é orgulhoso e teimoso, jamais mudaria seus hábitos, nem por uma situação como essa.”
“Quem garante?” Eu balançava a cabeça infantilmente para os lados sem argumentos ou forças para continuar ouvindo. Só chorava e me desesperava sentindo meu coração pulsar incontido pelo medo, sem saber qual seria o ultimo batimento do homem que eu amava.
“Esse é um destino certo para todos nós, não é?” Perguntei entre soluços, um pouco mais calma. Naruto me olhou por uns instantes até acenar afirmativo. “Nós somos felizes, mas o preço que se paga por isso é injusto.”
“A vida é uma coisa injusta, por isso, desde sempre, aproveitamos ela ao máximo, suas dádivas e desventuras. No final, nada compensa de qualquer forma.” Arrumou meu cabelo. “Você fez sua escolha um tempo atrás e aqui está...”
“Não me arrependo.”
“Então não chore.” Disse num tom ameno. “Sei que a última coisa que o Sasuke quer agora é ser digno de pena. Ele não quer isso, então me pediu para não te contar porque sabia que você ficaria desse jeito ou pior; por isso ele quer que eu cuide de você, pois sabe que sozinha você não consegue superar isso.” Me abraçou. “Vamos passar por isso juntos, certo?” Meneei a cabeça. “Você é minha garotinha, minha melhor amiga, detesto vê-la assim. Porém, não posso curar o corpo do Sasuke ou impedir que um dia ele se vá... Tudo o que posso fazer é estar ao seu lado, sempre, te ajudando no que for preciso.” Meneei a cabeça em sinal positivo, cessando com as lágrimas e com o medo que me domava. “Quanto aos cuidados que Sasuke terá de tomar a partir de agora, pode ficar tranquila que ele pode ser doido e tudo mais, porém não brinca com coisa séria. Ele sabe o quanto você o ama e se preocupa, não faria nada que a magoasse.”
Novamente ele estava errado. Mas vamos por partes: tirando Naruto e eu, ninguém mais sabia do problema do Sasuke, ou melhor, do verdadeiro problema. Quando voltara do hospital, todo o grupo se reuniu em nossa ‘casa’ e foi inevitável não haver perguntas sobre o que havia acontecido afinal. Entre nós três, o combinado seria não comentar a respeito, nem entre si, seria um assunto tabu, totalmente proibido, porém, para a surpresa de Naruto e eu, ele não se calou ou deu uma resposta grossa a quem perguntou sobre seu estado. Respondeu indiferente ‘Estou com câncer’, e todos acreditaram. Depois de uma cerimônia depressiva quanto a isso, Sasuke repetiu o mesmo pedido que fizera a Naruto e eu.
“Por favor, parem de lamentações! Isso é chato! Eu vou morrer assim como todos vocês, a diferença é que vai ser mais cedo e tem uma data certa, só isso! Ainda estou bem disposto para socar a cara do primeiro que me olhar com pena. Não tenham pena de mim, eu sou um desgraçado!” Riu. A expressão de todos ali, com exceção da dele e de Gaara, era de extrema condolência.
Não tinha como rir. Sorrir, no mínimo. Simplesmente não dava. Sasuke podia não ser o favorito do grupo, e não era em absoluto. Era arrogante, agressivo, indiferente... Difícil de conviver, mesmo assim, todos ali tinham um carinho especial por ele. Todos ali, quando precisaram, correram para ele, pois sabiam que apesar de toda a frieza, Sasuke tinha bondade.
“Na verdade, eu gosto dessa sensação de que tudo está acabando.” Comentou pegando um cigarro. “Se tem uma coisa de que eu tenho medo é da velhice. E de perder minha vadia, claro!” Olhou para mim e sorriu. Eu não lhe retribui. “Não há uma morte mais bonita do que a que vou ter.”
“É convencido até com o pé na cova...” Comentou Neji. Fechei os olhos tentando me controlar para não ofendê-lo com o mais feio dos palavrões. Será que eles não entendiam o quanto aquela conversa me machucava?
“Sou realista. Vou deixar um cadáver jovem, belo e satisfeito no caixão.” Tragou com elegância e malícia no olhar. Não me aguentei.
“Dá para parar de brincar com isso?!” Me exaltei.
“Ok, vamos chorar! Começa você, Ino!” Zombou Gaara.
“Vá se fuder!” Disse indo em direção para a porta.
“Volta aqui!” Chamou Sasuke com uma voz zombeteira. Me virei para ele com uma cara mais sínica ainda e disse, medindo o impacto que aquilo lhe causaria.
“Quando deixar de ser covarde brincando com sua própria desgraça, quem sabe eu volto. Você só está enganando você mesmo com esse teatrinho idiota!”
Fiquei dias na casa do Naruto trancada no quarto chorando, dormindo, xingando, fumando e bebendo. Naruto trabalhava cedo, mas não media esforços para passar horas da madrugada acordado cuidando de mim bêbada na banheira ou chorando por conta de um pesadelo. Sasuke apareceu furioso com seu orgulho ferido e me arrastou para casa. Chegando lá brigamos como nunca antes: nos humilhamos, nos batemos, ofendemos um ao outro até que o primeiro que conseguisse chegar na porta passava a noite fora de casa e encerrava com aquela tormenta.
Isso se tornou frequente. O que nos tornava mais idiota era que se essas brigas durassem dois dias era muito. Logo cedíamos e transávamos como loucos, pegávamos um carro qualquer e ia para a fronteira comemorar, bebendo, fumando e dançando. Durava tão pouco quantos as brigas. Sasuke continuou a injetar, ao contrário do que Naruto havia me garantido. Comecei com isso escondida do Sasuke, mas no fundo tinha consciência de que ele sabia. Cortei meu cabelo, mudei minhas roupas, emagreci um bocado. O quarto que Sasuke e eu chamávamos de casa já não era arrumado e limpo, parecia um chiqueiro e ele não reclamava, pelo contrário, dizia que assim ele conseguia encontrar melhor as roupas que queria. Em cinco meses Sasuke havia sido internado duas vezes.
Foi assim durante pouco mais de um ano desde que nos mudamos para a Califórnia. Em todo esse tempo, eu ficava imaginando o que as pessoas que eu tinha deixado em Manhattan pensavam de mim. Era engraçado e ao mesmo tempo vergonhoso. Tudo começou numa festa de aniversário, num sábado qualquer, exceto pelo fato que Sasuke estava lá e bastou meia hora, apenas meia hora para ele dar início a toda essa história. Desde aquela noite minha vida não foi mais a mesma. De uma forma muita estranha, nos apaixonamos. Ele nunca me pediu em namoro, nem eu a ele, mas éramos namorados, com o sem um consentimento mútuo. Éramos praticamente casados, mas não tínhamos aliança.
Então tudo o que tínhamos ameaçou se perder porque ele teria de sair do estado as pressas, e eu não tardei para largar tudo o que eu tinha(uma família, um emprego, faculdade, um futuro, uma vida)para ir com ele para qualquer lugar que ele fosse. E fui. Fiz coisas das quais nunca me imaginei fazendo, quebrei todos os meus princípios e comprei os dele. Fiz da vida do Sasuke a minha. Éramos um só. Daí, todo o êxtase e felicidade que adquiríamos praticamente de graça finalmente cobrou o seu preço, tão alto que corrompeu todos os pilares que nos sustentavam sobre a fundação de areia onde fomos constituídos. A realidade que tivemos que conviver era dura e fria como um gelo descendo por nossa garganta, forçando-nos a lembrarmos constantemente de que em breve ele não estaria mais ali como sempre esteve, como para sempre deveria estar.
E um conto de fadas se desfaz, pois sem príncipe não tem final feliz, não tem princesa, não tem história, não tem nada. O tempo passa, e toda a tensão que o relógio impusera sobre a vida de todos numa rápida contagem regressiva das pulsações de Sasuke, finalmente mostra seus efeitos e destrói mais ainda com os castelos de ar que eu havia montado, que mesmo destruído, eu insistira em manter ali, sem força e esperança.
“Se você não parar, vai acabar igual a mim.” Deitados na cama depois de uma briga, conversávamos. Sasuke estava arranhado e eu tinha manchas coloridas pelo corpo. Não pedíamos desculpas, mas nos perdoávamos mesmo assim. Acabava tudo em um beijo.
“Você não entende...”
“Você que não entende! É uma idiota! Quantas vezes terei que te pedir para esquecer isso? Finja que está tudo bem!”
“Não tem como! Eu estou com medo! Eu... Eu não consigo dormir nem comer pensando nisso toda hora, todos os dias! Se algo te acontecer, eu...” Me calou.
“Idiota.” Disse. “Eu sou um trapo e você me trata como um diamante. Pare de me venerar, não sou um deus!”
“Pra mim é.”
“Você já está doente! Obcecada!”
“Eu te amo.”
“Eu te amo também, mas acho que o que sente por mim é incompreensível considerando minha pessoa.”
“Foda-se o que você acha. Já disse que te amo. Pode me bater, me xingar, fazer o que for, mas isso não vai mudar. Eu amo até seus defeitos, mesmo achando que você é perfeito.”
“Não sou perfeito.”
“Pra mim é.”
“Não sou tudo na sua vida, Sakura...”
“Pra mim é!” Me alterei. “Não se lembra de quando me prometeu que jamais me deixaria? Hã?” Virou o rosto. “Olha pra mim! Eu quero te ver! Não se lembra de quando juramos nos amar pra sempre? Eu me lembro! Eu não vou quebrar essa promessa!”
“Não somos nós que decidimos o futuro. Eu não escolhi isso!” Se levantou. “Você sabe que eu não gostava de você, que eu só te usava... Você sabe!” Chutou uma cadeira. “Eu só passei a dar valor no que você sentia no dia que me deram a maldita notícia de que meu coração poderia explodir! Pra mim, isso foi uma benção, porque sabe se lá quando eu ia acordar para a vida e perceber que você não é uma garota qualquer, que o que eu sinto por você não é só desejo carnal, mas é amor! E eu te amo! Amo como nunca amei nada na minha vida! E eu quero te proteger, quero cuidar de você, quero te fazer feliz, quero te dar o que eu não tive, mas é só isso que eu consigo quando eu tento fazer algo dar certo!” Chorava e quebrava tudo o que via pela frente. “Eu destruo! Eu quebro! Eu afasto! Eu mato! Eu acabo com tudo o que me é precioso...”
“Sasuke...”
“Mas você continua aqui.” Murmurou; “Eu não entendo porque você continua aqui. Por que você ama uma pessoa tão cruel como eu? Por que insiste nisso? Por que sente prazer em ser humilhada? Não vê o quanto me dói a ideia de você se tornar uma réplica minha? Eu não sou perfeito, droga!” Gritou. “Eu não sou nada!!! Eu estou morrendo!!! Por que continua aqui?! Por que? Eu... Eu te amo tanto... Eu...” Não suportando mais, eu saí da cama e o beijei de forma voraz, urgente, desesperada, sentindo o gosto salgado de nossas lágrimas mesclarem com nossas línguas. “Por favor, vá embora...” Sussurrou.
“Me peça qualquer coisa menos isso. Não tente entender nada do que eu sinto, pois nem eu consigo. Eu não me importo! Eu te amo! Eu te amo!” Repetia no meio do choro com a cabeça apoiada em sua testa. “Não me peça para deixá-lo! Não diga essas coisas! Por favor! Só fique aqui comigo, não vá embora! Faça isso ser real enquanto podemos, por favor! Eu te imploro! Deixe que eu chore por você, deixe que eu sinta seu medo... Eu nunca vou abandoná-lo! Nunca!” O beijei. “Só fique aqui comigo. Por favor!”
O príncipe quase morto virara sapo, a princesa louca submissa se tornara vã, e todo o nada fundado daquele amor estranho, dúbio e desigual morreu antes que o príncipe e se tornou mais vão do que a princesa. Foi assim que acabaram aquela tarde na cama, brigando, se martirizando, se culpando por tudo e se perguntando...
“O que aconteceu?” Sussurrou próximo aos meus lábios com ambas as mãos segurando minha cabeça de forma bruta. Estava bêbado, sonolento e nervoso, dava para sentir nas palavras. Estava próximo o bastante para enxergar minhas lágrimas, mas devia estar muito chapado ao ponto de confundi-las com o meu suor.
“Eu que pergunto: o que aconteceu? Não foi por esse homem que você se tornou que eu larguei tudo.”
“Vai jogar na cara agora? Eu não pedi para você vir. Eu te avisei como as coisas seriam. Você abaixou a cabeça e concordou, desde então vem se rastejando atrás de mim como uma cadela.”
“Você se rastejava junto comigo!”
“Agora me rastejo por você, isso não é suficiente?!” Gritou.
“Cansei de fazer o seu joguinho!”
“Cansei de ver você querer jogar ele!”
“Para de gritar!”
“Eu grito o quanto eu quiser porque você não passa de uma cadela e se esqueceu que só deve rastejar para mim! Era só para acabar com o seu dinheiro e transar com você! Por que deixou as coisas chegarem nesse ponto? Por que você precisa ser tão obcecada por ser igual a mim?”
“Eu preciso de você...”
Eu ainda preciso de você. Vou sempre precisar. Nunca serei independente. Nunca serei curada do vazio da sua presença. Uma ferida que nunca sara, um relógio cujos ponteiros não andam, um amanhecer que nunca nasce, uma dor que sempre vai estar ali: quando eu acordar e não vê-lo ao meu lado nem no banco do motorista; em todas as refeições, estando o extremo da mesa vazio; os passeios de bike, ou roubos a conveniências, nos jogos de poker... de quem serei a assistente?
“Sasuke, não me deixa, não! Fica acordado! Olha aqui!” Dava tapas no rosto dele e ele sorria.
“Você foi a pessoa que eu mais amei, não vou te deixar nunca.” Falou entre soluços de falta de ar. “Você é minha vadia. Minha vida.”
“Você é tudo o que eu tenho, Sasuke, por favor, não fecha os olhos! Olha aqui para mim! Olha Sasuke.” Virei sei rosto. Olha para mim. Ele sorriu e uma mecha de cabelo caiu sobre seu rosto, seus dedos não se prendiam mais aos meus com tanta vontade. Encostei minha orelha em seu peito e escutei uma batida. Depois de muito tempo outra. Uma última. Mais nada. Quando levantei meu rosto para ele, eu já não tinha mais nada. Eu soube que tinha perdido tudo.
Você não está mais por perto para ceder seu casaco quando eu sentir frio, nem para me bater quando eu fizer ou disser algo muito estúpido. Não vamos ouvir música num mesmo fone, não vamos trocar fumaça de narguile, não vamos transar bêbados na banheira, não vamos fazer fogueira no jardim do Naruto e cantar cantigas velhas do oeste. Você nunca vai terminar de me ensinar a andar de skate. Nunca vai me pedir em namoro, nem colocar um anel no meu dedo, nem daqueles que vem dentro dos salgadinhos.
Ele nunca poderá segurar o filho no colo nem cantar para ele dormir.
“Se tivéssemos um filho, como acha que ele seria?” Perguntei distraída enquanto os olhos dele pareciam pesados.
“Seria um homem, como eu.”
Ele nunca vai.
Ele nunca.
Ele.
...
“Não fica assustada, não podemos mudar isso. Eu tive uma vida feliz Sakura, eu fiz tudo o que quis fazer, eu fui perdoado, eu fui amado, eu tive você, ainda tenho. Eu estou feliz Sakura. Pedir mais a Deus do que alguém comigo agora, seria abuso. Você é como um anjo enviado para mim, só para fazer desses momentos um pouco menos pesados. É como se Deus deixou você carregar meu peso sobre seus frágeis ombros e eu peço desculpas por isso Eu nunca pude te levar para um bom restaurante, nem te dar um anel de compromisso, eu quis muito te dar um anel de compromisso, sabia? Eu não pude te dar um filho, nem uma boa casa, nada menos do que um colar barato. Mas todos os dias você parecia tão contente com o nada que eu sempre te dei que eu me martirizava, eu sentia raiva, pois você era simplesmente perfeita. Você é perfeita. E quantas vezes eu fiz esses olhos chorarem? Desculpe-me por isso, amor! Deus sabe o quanto que me praguejei por isso, sabe o quanto isso acaba comigo, então, por favor, pare, deixe a parte viva e alegre que ainda está em mim ficar mais um pouco, eu preciso disso para aguentar tudo quando você não estiver. Não faça isso, não chore mais. Não há o que fazer, então sorria para mim.” Acariciou minha bochecha. “Sorria para mim.” Sorri sem graça. “Você, é a mulher mais linda e mais amada desse mundo, sabia?Você tem muita sorte, é linda e amada, então não chore mais. Faça isso por mim.” Limpei minhas lágrimas na blusa. “Me beija.”
Viver sem você, é o mesmo que estar morta. Então...
Notas finais
-sad :'(
Fale com o autor