Christopher

Droga! Mil vezes droga! Acordo com a luz que entra pela janela e, sinto uma dor de cabeça fenomenal, parece que meu cérebro irá explodir a qualquer momento, espirrando gosma para todo lado porque é o que parece que ele virou, gosma.

— Argh! Resmungo por causa da dor, tento engolir a saliva mas, minha boca está seca.


Abro os olhos devagar, por causa da claridade que entra pela janela, e sinto como se lâminas estivessem penetrando meu cérebro gosmento, olho ao redor e percebo estar em minha casa, sozinho o que é um alívio. Me levanto pressionando as têmporas para ver se a dor vai embora, o que é em vão. Confiro o relógio para ver se perdi o horário, são 07:30 o que significa que ainda tenho uma hora e meia, Ian me esganaria se chegasse atrasado de novo, depois de uma noite de bebedeira.

Ian e eu fizemos faculdade de direito juntos na Inglaterra, minha mãe Shirley é brasileira e meu pai Alex inglês, se conheceram quando meu pai foi ao Brasil numa viagem à negócios, quando ele colocou os olhos na bela recepcionista de seu sócio, foi amor à primeira vista, ele só não contava que a bela morena de olhos chocolate até então, sempre profissional na verdade era uma onça pintada... Longa história, que ainda hoje, me fazia rir do coitado do meu pai, mas o que importa é que no final tudo deu certo, e eu estou aqui.

Quando Ian e eu estávamos no último ano de faculdade, conheci Clare uma mulher doce, que no final descobri ser na verdade um doce de jiló.

Eu era louco por ela, e ela me traiu com outro um dia antes do nosso casamento. Senti meu coração se despedaçar naquele dia, e jurei para mim mesmo que nunca o entregaria a outra mulher novamente, nunca mais iria me apaixonar, nunca.

Como já tínhamos terminado a faculdade, Ian era brasileiro e, quando decidiu voltar para sua terra natal não pensei duas vezes e vim com ele, era uma chance de recomeçar minha vida em um outro lugar, meus pais também me acompanharam pois, minha mãe não podia deixar seu "filhinho" sozinho, sorte que minha mãe tinha me ensinado sua língua, o que facilitou muito minha vida. Quando chegamos no Brasil, decidimos fazer um curso para detetive e montamos um escritório, que depois de um ano e meio já é bem reconhecido.

Me sento na cama com a cabeça um pouco melhor e tento lembrar como cheguei em casa ontem, porém os únicos momentos que me lembro é de quando chamei Ian para beber comigo mas, ele recusou dizendo que tinha uma reunião com um cliente importante. Peguei um táxi até o Daniel's um bar calmo nos dias de semana mas, que lota durante a o fim de semana, também que conheci a nova garçonete, um serzinho, baixinho e bravinha como uma oncinha, dona belas curvas, olhos num tom de azul profundo, lembro com um sorriso, pena que não perguntei o nome.

Decido tomar um banho, pois já enrolei demais, entro no banheiro e vou direto para o chuveiro, sem olhar para os lados, tiro a roupa pensando em quem pode ter me trazido para casa, Ian não pode ir e, como estava vestido quando acordei deve ter sido Cassy.

Ligo o chuveiro no gelado para acordar, aproveito e tomo uns goles de água também, quando me sinto desperto suficiente, saio do box me enrolando na toalha, sinto o cheiro de café ao mesmo tempo que vejo roupas femininas estendidas pelo meu banheiro, específicamente um sutiã preto.

— Mas o que...? Penso alto e confuso.- Droga!

Tem alguém na minha casa, específicamente uma mulher, era só o que me faltava! Uma mulher pegajosa no no meu pé. Minha dor de cabeça volta com tudo. Escovo meus dentes, visto uma calça e uma camisa e caminho em direção a cozinha.

Quando chego lá encontro a estranha agachada fuçando na minha cozinha, vestindo uma das minhas camisas, que mais parece um vestido em seu corpo, descalça e os cabelos pretos selvagens soltos pelas costas, não consigo ver seu rosto pois está de costas para mim, mesmo assim percebo o quão bela...

— Encontrei! Diz vitoriosa sem perceber minha presença, me trazendo de volta a realidade.

— Quem é você? O que está fazendo na minha cozinha? Por acaso não te falei ontem a noite, que não queria você aqui hoje? Falo mal humorado, ela levanta com tudo, batendo a cabeça e uma caneca no balcão que se espatifa e cai em cima da perna dela, que também caiu no chão.

— Aí! Droga! Grita angustiada, e leva a mão a perna que sangra, ao mesmo tempo olha para mim assustada e eu a reconheço.

— Droga! Resmungo e vou até ela.- Será que você não pode ficar pelo menos um dia, sem bater a cabeça num balcão? Me abaixo ao seu lado, para ajudar.

— Se você não fosse tão idiota e, ficasse assustando os outros, eu não teria batido minha cabeça! Diz me olhando furiosa. Bufo irritado, juntando toda a paciência que tenho, com a minha cabeça doendo, e tento ser gentil.- Deixa eu te ajudar a se levantar? Me ofereço, já que o corte parece sangrar muito.- Faço um curativo. Falo levando minhas mãos para ajudar ela a se levantar.

— Não preciso da sua ajuda! Grita dando um tapa na minha mão, irritada, tenta se levantar mas, acaba de bunda no chão novamente, fazendo uma careta de dor e resmungando.

— Vem aqui! Larga de ser teimosa! Falo com um sorriso e, ela me lança o olhar de um felino, que está prestes a atacar outro para se proteger.

— Qual é o seu problema?! Sofre de bipolaridade?! Rosna para mim, o que a faz parecer uma oncinha.

— Calma oncinha! Deixo escapar ao mesmo tempo que passo um braço por suas pernas e, o outro pelas costas e me levanto com ela no colo, sem dar a chance de ela reclamar do apelido.

— O que você pensa que está fazendo?! Assustada passa os braços pelo meu pescoço, não tocando a mão suja de sangue em mim.- Me coloca no chão, agora! Grita no meu ouvido irritada mas, não se desgruda de mim provavelmente com medo de cair. Caminho para meu quarto sentindo o cheiro do meu shampoo que sai do seus cabelos, e me deixa meio tonto. Coloco ela sentada na minha cama e ela tenta sair, teimosa como é mas, a empurro de volta para fica sentada na cama.

— Nem tente sair daí! Aviso e vou até o banheiro pegar a maleta de primeiro socorros e penso a ouvir resmungar algo parecido com: Mandão.- Aqui está! Digo, coloco a maleta ao seu lado, me ajelho no chão, olho para cima e percebo que me examina emburrada de braços cruzados. Sorrio.

— Vou fazer o curativo. Falo enquanto tiro: algodão, álcool e alguns ban-daids.- Isso pode doer um pouco. Molho o algodão no álcool, pego sua perna bem torneada e macia, passo o algodão com delicadeza limpando o sangue dos cortes, que são bem superficiais apesar de ter saído muito sangue.

— Pronto! Digo animado só para irrita-lá, e guardo as coisas na maleta.

— Vou me trocar! Fala e sai correndo/mancando em direção ao banheiro. Termino de me arrumar e suspiro cansado, tenho que descobrir o que ela ainda está fazendo aqui, parece que não rolou nada entre nós, ou rolou? Mordo o lábio pensativo... Droga! Não me lembro de porra nenhuma! Mas ela estava com uma das minhas camisas, será que nós ficamos e eu não lembro de nada? Merda! O jeito vai ser perguntar.

Volto a olhar em direção ao banheiro, quando ouço a porta se abrir, ela sai de lá vestindo a mesma roupa que estava quando a vi ontem a noite no bar, com os cabelos presos.

— Tenho que ir! Pega a bolsa jogada em cima da cama e passa por mim como um foguete.

— Ei! Espera! Preciso falar com você! Saio correndo atrás dela.

— O que você quer? Diz de forma curta e grossa.


— Não vai nem dizer obrigada, por eu ter feito o curativo? Pergunto com um sorrisinho de lado provocativo, e ela apenas estreita os olhos na minha direção, e solta uma risada incrédula, enquanto aperta o botão do elevador.

— Também queria perguntar se... Bem... Um...? Tento encontrar as palavras certas para não irrita-lá.

— Fala logo! Tenho mais o que fazer! Diz irritada para mim esperando o elevado chegar.- Essa joça não funciona não!?

— Bem sempre funcionou você só...

— Eu sei que tenho que esperar idiota! Agora, fala logo o que você quer saber!

— Queria saber se nós... Você sabe...? Digo constrangido, por não me lembrar. Droga eu nunca sou assim! O que está acontecendo comigo? Ela apenas me olha mais irritada ainda.- Bem... É que você tava usando uma das minha camisetas... Tento dizer mais sou cortado.

— Você acha que eu, eu! Diz dando ênfase ao eu.- Ia dormir com um homem como você! Eu só tentei fazer um favor para a Casy, ela estava muito ocupada e cansada, não podia trazer sua bunda bêbada pra casa, e me pediu pra acompanhar você, te trouxe até aqui, tive que te ajudar a tirar a roupa já que, estava quase se enforcando com a gravata, e adivinha só? Siiimmm você com sua bunda bêbada foi lá, e vomitou todo o seu esgoto de bebida em cima de mim, como já eram 03:00 da manhã e estava fedendo, me diga como arrumaria um táxi? Tive que dormir no seu sofá duro e agora você vem me perguntar se dormimos juntos?! Francamente! Você se acha a última bolacha do pacote, né? Explode e entra no elevador nem esperando uma resposta minha.

Droga! Ela tinha me ajudado e eu tinha vomitando em cima dela , não me lembrava de nada, ainda por cima, não perguntei nem seu nome, merda! Tinha que me desculpar com ela, pelo menos sabia onde encontra-lá. Ela que me aguarde, penso com um sorriso no rosto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.