Um Lugar Para Ficar

42 Capítulo 42 – A troca


Notas iniciais
Olá pessoal! Tudo bem com vocês? Sáskya, Sophia C, Leilinha, Caah Sousa e Lua, meninas muitíssimo obrigada por terem recomendado a fic. Meu coração ficou a ponto de ter um treco ao ver o que cada uma escreveu. Sem dúvida alguma vocês me pegaram de surpresa, e que surpresa fantástica. Vocês são maravilhosas. Espero, de coração, que apreciem esse capítulo ;) Meus sinceros agradecimentos, também, as meninas que comentaram no capítulo anterior. Todas vocês foram imensamente motivadoras. Boa leitura a todos!

Uma vez dentro do prédio da escola primária, Rosalie se deparou com o silêncio assustador da ausência de crianças e funcionários. Dois policiais seguiam em formação, com armas em punho, a sua esquerda, em direção às salas de aula do jardim de infância, no térreo. Outros três subiam as escadas até o segundo andar.

Olhando de um lado para o outro, muito rápido, tomou a decisão de seguir pela direita onde, à primeira vista, parecia não haver ninguém. Apesar de já ter estado ali antes, não conhecia o bastante para saber com exatidão para onde estava indo. Seguiu por um corredor largo, passando em frente a algumas portas onde conseguiu ler; laboratório, sala de artes, armário do zelador. Por fim, avistou o refeitório.

Uma escada circular de metal num corredor apertado chamou sua atenção. Estava decidida a ir por ali, quando ouviu algo na direção do refeitório. Insistiu em pôr o pé no primeiro degrau da escada, mas havia algo errado, seu corpo não obedeceu ao comando. Um vento gelado alcançou sua nuca trazendo a sensação de calafrios por todo o corpo.

Novamente, o barulho chamou sua atenção para o refeitório. Desistiu da escada e seguiu caminho por onde o instinto a alertava. Seus passos foram rápidos e decididos. Passou por um carrinho de limpeza abandonado no meio do caminho. Alcançou a porta vermelha e a empurrou para o lado de dentro, as portas duplas se escancararam e tornaram a fechar atrás de suas costas.

Com pensamentos a mil, correu os olhos pelo salão rodeado de mesas e cadeiras. Restava uma bandeja ou outra com comida. Era ali que seus filhos almoçavam durante a semana.

No mesmo prédio onde aprendiam a sonhar, estavam agora correndo o risco de jamais concretizá-los. Esse pensamento lhe doeu na alma.

Novamente o barulho. Rosalie olhou na direção do balcão onde funcionários serviam o almoço das crianças todos os dias. Pilhas e mais pilhas de bandejas vazias se encontravam no canto ainda com resíduos de alimentos. Com toda confusão os funcionários não tiveram tempo de higienizá-las.

— Royce! – ela gritou com toda força dos pulmões. – Eu sei que está aqui. Onde estão os meus filhos? O que fez a eles?

— Mamãe! – ela ouviu uma das crianças gritar, e se desesperou, olhando de um lado a outro do salão. Nada além da bagunça deixada para trás.

Então, a voz que ela temia. A mesma que assombrava seus sonhos. A mesma que assombrou sua vida por tantos anos, lhe respondeu de algum lugar oculto do refeitório.

— Eu estou bem aqui.

— Mamãe – ela ouviu novamente a voz de Enrico. Reconheceu o medo no modo como a voz dele soava. A consciência do que estava acontecendo a deixou ainda mais perturbada.

— Enrico? – chamou por ele.

— Mamãe – o menino respondeu quase que no mesmo instante. Rosalie olhava de um lado pro outro, rápido demais, buscando de alguma maneira localizá-lo.

— Enrico? Filho? O seu irmão está com você? Vocês estão juntos? Estão feridos?

Ouviu o som de uma bofetada, Enrico gemeu e não lhe respondeu mais.

— Não o machuque – gritou, se esforçando para parecer forte. – Não o machuque.

— Abra a porta – a voz de Royce, furiosa e ruidosa, ordenou que fizesse.

— Que porta? – outra vez Rosalie estava gritando.

— A porta da despensa – ele orientou.

Depressa, Rosalie tentou localizar a porta indicada. Em seguida, veio o aviso.

— Se estiver acompanhada, atiro nos dois.

O medo a confundiu. Ela não soube se Royce se referia a ela e ao suposto acompanhante ou se aos dois filhos.

— Não tem ninguém aqui comigo.

— É bom que esteja falando a verdade.

Finalmente localizou a porta da despensa. Era menor que a outra, porém, na mesma cor e no mesmo formato, com um circulo de vidro na altura de seu rosto.

Ela pôs a mão trêmula na porta. Sentia o coração bobeando o sangue apressadamente no peito. A pulsação latejando nos ouvidos, forte e desconfortável.

Abriu a porta muito devagar, quase paralisando de medo. No entanto, já não importava o que pudesse lhe acontecer. As crianças eram tudo o que importava. Dizia a si mesma que a culpa era sua em ter confiado em Royce um dia. As crianças não tinham porque pagar por isso. Vieram ao mundo sem saber o que era a vida ao lado de Royce King. E seu dever era protegê-las.

Embora nenhuma das crianças tenha sido planejada, eram seus filhos e ela os amava mais que a própria vida.

— Eu estou aqui – arriscou. Agora completamente dentro da despensa. A sua volta, armários de aço inox, com alimentos empacotados, formavam corredores estreitos.

Royce surgiu à esquerda dela, deixando seu esconderijo atrás de um dos armários com sacos de farinha de trigo. Carregava ambos os filhos de forma grosseira, agarrando-os pela cintura, um em cada braço. Uma arma na cintura, e outra, na mão.

O corpo inteiro de Rosalie estremeceu diante tal cena de horror. Mal conseguiu acreditar no que via; Noah com a boca encoberta por um pedaço de fita adesiva do tipo silver tape, por isso não o ouvira gritar em nenhum momento. Os olhinhos azuis arregalados, em puro horror. O rosto avermelhado e molhado de lágrimas. Os cabelos louros grudados na testa de onde escorria um filete de sangue. A roupa molhada de xixi, como a professora havia mencionado.

Ao lado do irmão, Enrico chorava igualmente assustado. As lágrimas no rosto revelando que era apenas uma criança. Ele tinha uma grande marca arroxeada no lado direito do rosto onde começava empolar, e o lábio, cortado. Rosalie quis pegar os dois nos braços, e cuidá-los.

— Mamãe... – ela ouviu Enrico soluçar enquanto a chamava. Consumida pelo desespero, fez a única coisa que poderia fazer no momento, implorou que os deixassem em paz.

— Solta eles, Royce. Solta eles. Não faz isso.

Um sorriso doentio marcou os lábios de Royce, enquanto olhava para ela. Ignorando facilmente o que pedia.

— Você está ainda mais bonita – notou facilmente.

Rosalie mal o ouvia. Olhava das crianças para ele o tempo todo. E suas pernas não paravam de tremer, assim como os batimentos do coração não diminuíam. Estar diante o marido violento era uma das coisas dentre as quais desejou nunca mais voltar acontecer.

Royce estava suado, os cabelos praticamente pingando. Uma grande mancha de suor marcava a camisa cinza de botões cujas mangas estavam arregaçadas. Havia marcas de sangue em seus dedos e nas roupas, também. Ela imaginou se o sangue era das crianças. Sentiu-se culpada. Sendo os meninos tão apegados a ela, e estando tão assustados, é claro que Royce daria seu jeito de mantê-los quietos.

— Solta eles – novamente implorou, mal conseguiu ouvir a própria voz. Apenas os sinais de medo percorrendo todo o corpo.

— Você está linda – Outra vez Royce ignorou seu pedido. Olhando para ela com um ar de saudade misturada a raiva e traição. – Olha só pra você. Olha só pra você – tornou a repetir, e um sorriso débil curvou o canto de seus lábios deixando-o ainda mais assustador.

— Isso é porque eu estava feliz – Rosalie respondeu sem pensar.

— Você não pode estar feliz aqui. Não é nossa casa. Não é o nosso lar. Não percebe isso?

Rosalie moveu a cabeça de forma negativa. Se recusando a deixar-se afetar pelo que dizia.

Royce deu dois passos na direção dela, levando os meninos juntos. A arma na mão, a outra na cintura, intimidando.

Rosalie olhou da arma para os filhos. Engoliu em seco. O medo estampado no rosto dos meninos pesava demais no coração dela, a ponto de quase sufocá-la.

— Eu senti sua falta – Royce finalmente admitiu. – Aquela casa não é a mesma sem você. – Ele moveu a mão de maneira desesperada, o cano da arma roçou no braço de Enrico. Rosalie notou com tristeza que seu pequeno ficou rígido de medo. – Royce, no entanto, continuou falando: – Você precisa ver como está suja. E não vai acreditar no quanto cheira mal. Aquilo está um grande lixo.

— Solta eles... – insistiu em pedir, ainda que Royce parecesse não ouvi-la.

— Tudo bem – Royce sorriu para ela. – Você não terá de limpar tudo sozinha. Eu prometo que dessa vez contrato alguém para ajudar. Você vai ver, vai ficar tudo como era antes.

Rosalie moveu a cabeça, negando. Os olhos das crianças vidrados nos dela como que implorassem, silenciosamente, que não aceitasse o que pedia.

Royce não desistia.

— Vamos. Vomos voltar. Meu carro está estacionado aqui perto. Não teremos de andar muito. Onde está a menina? – Ele olhou em volta, perturbado demais para entender que a criança não estava ali. – Onde está nossa garotinha? Ela se parecesse tanto com você, não podemos deixá-la para trás.

— Bem longe de você – Rosalie disparou na defensiva.

— Vamos buscá-la. Nós vamos ser felizes juntos. Vamos ser felizes – ele repetiu como que falasse para si mesmo. – Vamos ser felizes.

— Eu sou feliz aqui – ela esclareceu.

Royce se alterou com a resposta dela, falando alto demais. Os meninos estremeceram no aperto bruto dos braços dele.

— Você só pode ser feliz comigo. Porque se não for assim, não será de outra forma.

— Não pode me dizer isso – Rosalie rebateu. – Não pode me dizer o que fazer.

— Você sempre gostou que fosse desse jeito. Por que está diferente agora?

— Eu jamais gostei que fosse assim.

— Se você quer assim, só dessa vez podemos fazer diferente – o sorriso de causar calafrios estava novamente nos lábios dele. – Volta para nossa casa – pediu, movendo a cabeça com impaciência de um lado pro outro. O olhar fixo no rosto dela. Penetrante. Doentio.

Apesar de ainda estar de pé, Rosalie tremia inteira dos pés a cabeça. E sentia uma imensa vontade de chorar.

— Volte comigo. E vou esquecer tudo o que você fez.

— Eu não fiz nada – ela soluçou.

Royce a olhou acusatoriamente.

— Eu vou... Eu vou esquecer tudo, mesmo que tenha sido tão desobediente. Volta. Volta comigo. Eu... Eu... – de repente o sorriso assustador sumiu e ele voltou a ficar furioso. – Olha para mim! – gritou, outra vez assustando as crianças.

Rosalie deixou de olhar pros filhos para olhar no rosto dele, implorando a Deus que não notasse que tremia.

— Olha para mim! Olha para mim!

— Estou olhando – e ao dizer isso, ela quase chorou na frente dele e das crianças. Royce sacudia os meninos junto com a arma, e isso a deixava em pânico. – Para de sacudir eles assim. Está assustando eles. Para, por favor, para. Não vê que está fazendo mal a eles.

Mais uma vez Royce pareceu mudar de humor.

— Você tem de voltar comigo. Eu te amo.

— Não é verdade – Rosalie o desafiou. – Você não me ama. Nunca me amou.

O sorriso estranho outra vez marcava os lábios dele.

— Eu te amo – repetiu. – Você não entende?

— Você me maltratou a vida inteira. Maltratou meus filhos, que também eram seus. Feriu-nos de todas as formas, quando, tudo o que queríamos de você era o seu amor. As crianças são tão boas. São de um coração tão puro. Teriam te amado incondicionalmente se tivesse sabido como amá-las primeiro.

Para o desespero dela, Royce voltou a gritar.

— Você me ama!

— Não – Rosalie afirmou, fazendo um movimento negativo com a cabeça.

— Você me ama. Diga que me ama – ele exigiu furioso, gotículas de saliva respingaram no ar. – Você vai dizer, por que senão disser os dois irão pagar por isso.

— Não faça nada com eles. – A garganta apertou, e ela se esforçou para dizer o que tanto Royce queria ouvir. – Eu... – o coração sangrando. – Eu... Eu te amo – o horror encurralando-a.

Royce sorriu, parecendo satisfeito.

— Eu sabia que me amava. Só estava confusa. Não é verdade?! Só estava confusa. Agora vamos sair daqui. Vai ficar tudo bem. Vamos ficar todos juntos de novo.

— Eu não posso ir sem a Amy.

— Não tem problema. Diga-me onde a deixou e iremos buscá-la. Você vai à frente – gesticulou com a arma.

Rosalie deu o primeiro passo, ainda que não quisesse. E o que aconteceu a seguir foi muito rápido.

Enrico mordeu no punho de Royce, que urrou de dor, deixando que a arma caísse da mão. O menino insistiu em mordê-lo. Royce deixou que os dois caíssem no chão. A seguir ele xingou, dando uma rápida olhada no ferimento. Num gesto rápido, alcançou a arma presa à cintura.

Enricou levantou do chão depressa, e ajudou o irmão menor. Quando iria correr para longe, Royce o agarrou pelo braço. Enrico apenas gritou para o irmão.

— Corre Noah! Corre!

E o pequeno correu, cambaleando, para junto da mãe. O rosto vermelho, molhado de lágrimas. Respirando com dificuldade por conta da adrenalina e também da fita adesiva que encobria sua boca. O nariz escorrendo.

Rosalie o segurou pelos ombros agindo por reflexo e o empurrou para fora da despensa.

— Corre filho! Corre!

O menino hesitou apenas um instante, correndo pela porta da despensa no momento exato em que um disparo da arma de fogo acertava o batente. O grito de Rosalie irrompeu no ar, causando uma breve surdez.

— Não faz isso, Royce. Desgraçado. Não faz isso. Ele é só uma criança. Foge filho – murmurou ainda que Noah não estivesse mais ali. Em seguida estendeu a mão para Enrico, agoniada para tê-lo de volta, mas o menino estava em poder de Royce.

— Tudo bem – lembrou Royce como que o que acabou de fazer não significasse nada. – Nós temos o Enrico. Ele é seu filho favorito, não é? Sempre foi. Ele se parece comigo. É igualzinho a mim.

— Enrico não é igual a você – ela contestou. – Enrico é bom. É nobre e generoso.

— Venha comigo.

— Eu irei com você, mas com uma condição...

[...]

Depois de muito procurar, Emmett cruzou com Noah num corredor largo. O menino o olhou como quem olha a um salvador. Como um herói de seus desenhos animados favoritos.

— Noah?– Emmett gritou. – Noah! – Correu ao encontro do menino e o pegou no colo. Retirou a fita que encobria a boca dele e o menino disparou a falar.

— Mãezinha. Rico. Mãezinha. Mãezinha. A mãezinha...

Emmett percebeu o machucado na testa dele. Quis limpar, mas não encontrou com o quê, assim, apenas passou a mão, afastando os cabelos da testa junto com o sangue para longe dos olhos dele.

— De onde você veio? Onde está a mãezinha e o Rico?

— Lá – Noah esticou o braço, mostrando o corredor largo logo atrás dele.

Dois policiais vinham na direção de onde estavam. Tinham ouvido o disparo e seguido para lá.

— Qual das portas, filho? – Emmett mantinha um olho nos policiais, e outro, em Noah. Não podia esperar que o impedisse de ir atrás de Rosalie e de Enrico. – Qual delas?

— Onde tem comida – Noah soluçou.

Emmett olhou para trás, na porta larga do refeitório. Segurando nos ombros do menino, orientou.

— Fique aqui. Esses policiais irão levar você até a tia Kate. Ela vai cuidar de você, está bem?! Eu preciso ir. Tenho de encontrar sua mãe e seu irmão.

Noah meneou a cabeça, concordando.

— Fale o nome de Kate para eles. Eles saberão onde encontrá-la.

Emmett se afastou de Noah, olhando os policiais que se aproximavam.

— Ele está ferido – foi essa a última coisa que falou antes de virar as costas e correr até a porta do refeitório, empurrando as portas duplas com agonia e explosão.

Noah pôs a mãozinha na testa, com uma expressão de confusão e dor, no momento em que um dos policiais o pegava no colo.

Emmett foi pego de surpresa ao encontrar Enrico sozinho, parado do meio do refeitório, o rosto machucado, e o lábio, sangrando. O menino chorava, e parecia paralisado pelo medo.

Percebeu a porta dos fundos do refeitório balançando, como que alguém tivesse acabado passar por ela. Aproximou-se de Enrico com passos largos, se abaixando para ficar na altura dele.

— Você está bem? – As mãos nos ombros do menino. Então, muito devagar, tocou o rosto dele. – Onde está mamãe, Enrico? – Nada, Enrico não disse uma só palavra. – Eu preciso que me diga filho, só assim poderei ajudar. Tente, eu sei que consegue. É um garoto forte. Vamos, parceiro, diz para mim, onde está a mamãe?

Com muito esforço, Enrico conseguiu falar:

— Ela pediu para trocar de lugar comigo. Ele me deixava e então ela ia sem lutar.

Num instante, Emmett ficou de pé.

— Fique aqui. Têm policiais a caminho. Eles vão encontrá-lo e levá-lo até Kate.

— E o Noah? – Enrico soluçou, pensando no irmãozinho.

— Seu irmão já sendo levando até a tia Kate. Você vai encontrar com eles em alguns instantes. Eu preciso encontrar sua mãe.

— Ele vai machucar ela. Ele vai... – o menino soluçou.

— Eu vou trazê-la de volta. Presta atenção no que vou dizer Enrico. Você vai crescer ao lado dela, está bem?! – Eles se abraçaram muito brevemente. – Eu prometo filho. – Assim, Emmett saiu pela porta dos fundos, a mesma porta por onde Royce havia desaparecido levando Rosalie com ele.

[...]

O policial que pegou Noah, o levou para fora do prédio. Kate e Esme correram para recebê-lo. O menino não parava de chorar e chamar pela mãe. Elas o levaram até uma das ambulâncias estacionadas próximo as viaturas de polícia, onde o menino recebeu os primeiros socorros.

[...]

Enrico foi encontrado no mesmo lugar por um grupo de policiais. E, entre choro e soluços, conseguiu dizer o mesmo que disse a Emmett.

[...]

Emmett correu pelo gramado na parte dos fundos do prédio da escola primária, descendo um declive de terra, passando por duas árvores até, finalmente, avistar Royce arrastando Rosalie pelo braço. Mesmo distância, gritou por ela:

— Rose!

No mesmo instante, ela ouviu seu nome sendo chamado por ele, e olhou para trás.

— Emmett? Emmett.

Royce também o viu. E efetuou um disparo na direção dele. Por sorte, a bala passou longe.

— Não atire. Não atire – Rosalie pedia, na agonia do momento.

— Rose.

Royce avistou seu carro, estacionado ao lado de uma árvore antiga. Apressou-se em arrastar Rosalie até lá.

— Cuide deles, Emmett – ela pediu, acreditando que seria sua última chance. – Cuide dos meus filhos. – Royce a empurrou para dentro do carro. – Não os deixe sozinhos. Eles confiam em você.

— Eu não vou perder você – Emmett gritou. Em momento algum desistindo de ir atrás dela. – Não vou perder mais ninguém.

Policiais armados chegaram ao local.

— Eu preciso de um carro – Emmett anunciou. – Ele está levando a minha mulher. – Sem tempo, disparou a correr, seguindo pela lateral do prédio, atrás de um carro no estacionamento que pudesse lhe servir.

Houve uma agitação entre os policiais. E todos estavam em movimento.

[...]

Enrico havia sido entregue a Kate. Agora, ele e o irmão se encontravam no interior da ambulância recebendo atendimento. Esme, Kate, Abby e Logan estavam lá com eles.

[...]

Garrett percebeu quando Emmett surgiu na lateral direita do prédio, se aproximando muito rápido de onde estava.

A pergunta saiu sem esforço.

— Onde está a Rose? O que aconteceu lá dentro?

Emmett não parou.

— Ele a levou. Ela se ofereceu para trocar de lugar com os meninos. – Ele então olhou em volta. – Onde eles estão? Onde estão os meninos?

— Estão sendo atendidos na ambulância. Kate e Esme estão cuidando deles.

— Preciso de um carro – bradou. – O meu está muito longe daqui. Não vai dar tempo.

— Deixe que profissionais cuidem disso, Emmett.

— Não posso deixar que aquele filho da mãe machuque a mulher que eu amo.

O cunhado olhou o carro do xerife, no outro lado da rua.

— A chave está na ignição.

Emmett nem esperou que terminasse de falar, logo estava correndo até o carro. Sentou-se ao volante e o motor rugiu ao girar a chave. A porta do carona foi aberta e Garrett se sentou no banco. A porta bateu ao ser fechada.

— Eu vou com você – avisou.

Emmett manobrou o veículo de qualquer jeito. Subiu no gramado, dirigindo como nunca, seguindo pelo mesmo caminho por onde Royce havia escapado levando Rosalie no carro dele.

[...]

Esme aguardava de pé, ao lado da ambulância, os meninos serem atendidos. Kate estava sentada ao lado deles, no lado de dentro. Logan e Abby aguardavam de mãos dadas, sentadinhos no lado oposto, da mesma forma como Emmett segurava na mão da irmã quando crianças.

Enrico e Noah choravam baixinho, pensando na mãe. Noah não desgrudava do irmão mais velho, e a cada segundo dizia “mãezinha”. Enrico se mostrava taciturno.

Esme atendeu o celular. Era uma ligação da fazenda. A ligação não levou mais que dois minutos.

— Kate, querida, você precisa voltar para a fazenda.

— É a vovó? Aconteceu algo com ela?

— Parece que ela passou mal. Merci acabou de me ligar. Disse que ligou também para Carlisle. Ele acabou de chagar e está cuidando dela. Neva está lá com eles, ajudando. Merci me garantiu que não deixou sua avó ver tevê.

— Como a vovó ficou sabendo, então? Eu não entendo. A vovó não acessa internet.

— Alguém contou para ela.

— Quem faria uma coisa dessas?

— Parece que a America. Ela esteve na fazenda pouco antes de sua avó se sentir mal.

— Droga! – Kate se viu murmurando, com desgosto e revolta.

— É melhor vocês irem para casa. Ela vai ficar mais tranquila com você e as crianças por perto.

— O meu irmão e a Rose... Deus, vovó não vai aguentar se alguma coisa acontecer a eles.

— Eles vão ficar bem. Temos de acreditar nisso.

Os olhos de Kate se encheram de lágrimas.

— Eu também não sei se aguentaria – admitiu.

— Vai dar tudo certo, confie. Vamos. Eu te ajudo levar as crianças até o carro.

— Chama o Garrett, eu não sei se irei conseguir dirigir.

Esme afagou o braço dela. – Fique aqui, eu vou chamá-lo.

Passaram-se alguns minutos até que Esme retornasse. Kate e as crianças não estavam mais dentro da ambulância. Ela segurava Noah no colo. Os outros três, de mãos dadas ao lado dela.

— Cadê ele? – Kate pediu ao vê-la chegar sozinha.

— Parece que ele foi com Emmett.

— Para onde?

— Eles foram... – Ela olhou pros meninos. – Você sabe...

— Agora são três...

— O xerife se ofereceu para levar você e as crianças para casa. Desculpe-me, Kate, eu não vou poder ir com vocês. Preciso ver como Alice está. Se ela foi realmente para casa como mandei que fizesse. Mas estarei sempre com o celular. Você pode me ligar a qualquer momento. E eu prometo, assim que puder, vou encontrar com vocês.

Kate anuiu. De repente, se lembrou de mais alguém.

— Alguém viu o Liam? Bella e Edward estiveram aqui? Eu não os vi.

— Liam não veio para a escola hoje. Por sorte tinha uma consulta médica agendada. Eles acompanharam tudo de casa, pela tevê. Bella me ligou agora a pouco. Estão todos muito preocupados.

O xerife, um homem alto com seus quarenta e poucos anos, e cabelos grisalhos com os primeiros sinais de calvice no alto da cabeça, parou ao lado delas. Ele coçou o bigode ao falar:

— Como você está Kate? E as crianças?

— Estamos todos bem, dentro do possível.

— Eu vou levá-los, mas vai ter de ser no seu carro. O meu não está aqui, Garrett o levou.

— Não estou com a chave do meu. Ficou em minha bolsa, dentro do prédio, na sala de aula.

— Vou pedir que alguém vá buscá-la.

Minutos mais tarde, Kate e as crianças chegaram à fazenda. Ela deixou as crianças no sofá da sala com Neva, e também os cachorros, e correu até o quarto da avó.

— Vovó? Vovó – chamou se aproximando da cama.

Carlisle estava com Lena no quarto. Terminava de examiná-la. Neva estava lá com eles.

— Como ela está? – perguntou, sentando no colchão ao lado da avó. Em seguida, estendeu a mão acariciando os cabelos grisalhos que um dia haviam sido tão louros quanto os seus.

— Ela vai ficar bem, só precisa descansar. Já está medicada.

Lena se esforçou para falar, ao ouvir a voz da neta. Os olhos semiabertos.

— Kate, você está bem, minha neta? Graças a Deus está aqui comigo.

— Eu estou bem vovó. Agora fique tranquila.

— E meus bisnetinhos? Seu irmão e a Rose? Como eles estão?

— As crianças já estão aqui. Deixei todas na sala com Merci. Estão assustadas, mas, vai ficar tudo bem. Rose e Emmett ficaram na cidade. – Ela engoliu em seco ao mentir. – Parece que tinham de passar na delegacia antes.

— Eles estão bem? Meu neto está bem? Você não está mentindo para mim, está?

— Não – Kate não teve coragem de olhar nos olhos da avó. Por isso, mexeu no lençol com os dedos. – Garrett está com eles. Logo estarão todos aqui.

Lena estendeu a mão frágil, marcada pela idade, acariciando o queixo da neta.

— Eu não posso perder mais ninguém, querida.

Kate então segurou na mão da avó, fazendo um carinho.

— Você não vai perder vovó – Ela logo recordou que aquela havia sido a mesma frase dita pelo o irmão antes de ir atrás de Rosalie e das crianças dentro do prédio da escola.

Lena esboçou um sorriso fraco.

— Você é tão parecida com sua mãe.

Kate piscou e uma lágrima percorreu seu rosto. Fazia tempos, Lena não dizia isso a ela. Tudo o que sabia da mãe eram através de relatos contados pela avó. Pouco se lembrava dela.

— Eu te amo, vovó – Kate declarou com os olhos cheios de lágrimas. – Eu a amo muito.

— Você é a filha da minha menina. Eu não poderia amá-la mais. Agora vá buscar meus bisnetinhos. Eu quero vê-los. Por favor, querida, traga-os para perto de mim.

Kate anuiu.

– Me deixa só dá um banho neles antes. Eles estão precisando.

— Tudo bem. Só não demore muito. Se seu irmão e Rose voltarem antes, peça que venham me ver.

Se esforçando para não chorar, Kate concordou. Pôs-se de pé em seguida, e, quando estava prestes a deixar o quarto, Lena chamou seu nome.

— Kate?

— Sim, vovó?

— Pegue nas minhas coisas, antes de você sair, a caixa com as lembranças de sua mãe.

Kate apenas concordou, movendo a cabeça. Enquanto recolhia a caixa com as recordações da mãe, secou as lágrimas no rosto discretamente. Queria tanto que ela ainda estivesse ao lado deles.

Lena ficou com as recordações da filha, e também do marido, conversando num tom de voz branda com Neva. Ambas se conheciam a tempo suficiente para Neva saber de tudo.

Carlisle saiu do quarto junto com Kate. No corredor, lhe deu algumas instruções quanto à medicação de Lena. Ele voltou para cidade logo em seguida. Mas não sem antes garantir que podia ligar para ele a qualquer momento.

Kate levou as crianças para o banho. Primeiros os meninos, por último Abby. Enrico lhe perguntou se o papai Emmett conseguiria trazer a mamãe de volta. Kate lhe disse que sim. Se Emmett havia prometido, ele iria cumprir. Depois de vestidos com roupas limpas, ela trocou o curativo na testa de Noah e cuidou também dos machucados no rosto de Enrico.

Merci serviu um lanche para todos na cozinha, mas nenhum deles tocou em nada. Nem mesmo Amy, que a essa altura começava ficar irritada pela ausência da mãe.

Como ninguém quis lanchar, Kate os levou logo para o quarto de Lena.

Logan e Abby correram logo para junto da bisavó, deitando-se um de cada lado dela. Enrico e Noah ficaram distantes. Amy estava no colo de Kate agora. Neva não estava mais no quarto com eles.

Lena estendeu a mão.

– Venham até aqui vocês dois também – disse para Noah e Enrico. Os dois meninos caminharam devagarinho, de mãos dadas. Lena pediu que também subissem na cama. – Quem fez isso com vocês? – ela se referia aos machucados nos dois meninos.

— Foi o homem mau – Noah foi quem respondeu. – E mãezinha ainda não chegou.

Lena afagou o rostinho dele, e depois o do irmão.

— A mãezinha de vocês está bem. Ela está com meu neto.

— Ele prometeu – Enrico contou.

— Sim. O que quer que Emmett tenha prometido, ele vai cumprir.

Por um momento, Kate quase sorriu. Ela levou Amy, também, para a cama ao sinal da avó.

Lena suspirou.

— Eu vou contar uma história para vocês. É sobre uma garotinha que cresceu nesta fazenda tantos anos atrás.

— É sobre a mamãe? – Abby quis saber.

— Não, querida. Ela também cresceu aqui, mas essa é uma história sobre a mãe da sua mamãe.

— Ela se chamava Aimee, não é bisvovó?

— Sim. Aimee McCarty. Uma garotinha tão linda quanto você – Lena acariciou o rosto de Abby. – Só que um pouquinho mais travessa. – A bisneta sorriu.

— Só que um dia ela foi morar bem longe daqui – concluiu Logan

— Não se preocupe querido, eu vou contar apenas as partes divertidas. Como quando, aos cinco anos de idade, ela disse ao seu bisavô que queria montar a cavalo e pediu para ele selar um porco.

As duas crianças de Kate riram. E Abby a surpreendeu com o que disse.

— Eu nunca irei embora, bisvovó. Igualzinho a minha mamãe, eu vou ficar aqui para sempre com você. E sempre é muito tempo.

A bisavó lhe acariciou os cabelos louros.

— Um dia você vai casar-se e com isso mudar-se para outro lugar.

A menininha encolheu os ombros.

— Eu não vou embora, bisvovó.

Lena olhou da bisneta para o menino mais velho de Rosalie e novamente para a bisneta. Sorriu, pensando, talvez o destino de Abby estivesse mais perto do que ela imagina.

Logan ficou impaciente.

— Então bisvovó, o bisvovô selou o porco como a vovó Aimee pediu?

O rosto de Lena ganhou um novo brilho ao recordar a infância da única filha.

— Ele lhe deu um pônei de presente, no aniversário de seis anos. Mas, antes disso, teve de selar o porco.

As crianças se esqueceram por um instante do que estava acontecendo na cidade. Mas, Kate não. Enquanto ouvia relatos da infância da mãe na fazenda, pensava o tempo todo no irmão, na cunhada e no marido que estavam longe.

[...]

Emmett dirigiu sem controle pela cidade atrás do carro de Royce, derrubando lixeiras, assustando pessoas e animais. Avançando o sinal de trânsito quando preciso.

A saída da cidade estava sendo vigiada.

Acabou tendo de parar para abastecer. Estava uma pilha de nervos, agitado demais, indo de um lado a outro. Chutou uma lata de lixo num ato de fúria incontrolável.

Garrett recebeu um chamado no rádio. Em pouco tempo estava gritando para o cunhado:

— Emmett. Presta atenção, eles disseram que Royce pegou a estrada de terra próxima a saída da cidade. Com certeza está procurando um lugar para se esconder.

— Nós vamos encontrá-lo. Conheço um atalho – Emmett se precipitou, entrando no carro rápido demais, batendo a porta com força.

Novamente estava dirigindo, fazendo a poeira levantar ao pegar a estrada de terra.

[...]

Royce pegou a estrada de terra assim que percebeu que não conseguiria passar pelo bloqueio policial na saída da cidade. Percorreu quilômetros numa estrada irregular que fazia o caro sacolejar o tempo todo. Acabou chegando a um acampamento abandono no meio da mata. Duas cabanas decrépitas, com o teto encoberto de musgo, surgiram em seu campo de visão.

Estacionou o carro atrás de uma delas. Desafivelou o cinto, e forçou Rosalie retirar o dela. Saltou do carro imediatamente. Deu a volta e abriu a porta arrancando-a de lá dentro a força.

— Agora somos apenas nós dois – lembrou. E o sorriso, o maldito sorriso que causava medo, estava outra vez nos lábios dele. – Dá para acreditar. São todos uns babacas.

Seguiu pela trilha, arrastando Rosalie pelo braço, deixando as marcas de seus dedos na pele clara dela. Ela estava apavorada, ainda que tivesse aceitado ir com ele. Não fazia ideia de que lugar era aquele. Nem mesmo se alguém a encontraria. Estava à mercê das loucuras do marido violento.

Ela acabou tropeçando. Royce a puxou na direção dele. Os cabelos dela caíram no rosto. E ela tropeçou mais duas vezes a caminho da segunda cabana.

— Vamos ficar aqui por um tempo – ele avisou. – Uma hora eles vão cansar... – Usou a mão que levava a arma para empurrar a porta da segunda cabana. A porta rangeu e bateu na parede de madeira velha e escura, levantando poeira.

Teias de aranhas cruzavam o teto de um lado a outro. Rosalie olhou aquilo com horror. Ela e Enrico detestavam aranhas.

— Não podemos ficar aqui Royce – falou num tom de súplica. Lágrimas nos olhos, entregando o desespero. – Esse lugar está desmoronando.

— Cale a boca! – ele ordenou. E prendeu a arma ao cós da calça. Segurou o queixo dela com força, forçando os lábios contra os dela. – Caramba. – rosnou muito próximo ao rosto dela. Os olhos revelando descontrole. Rosalie sentiu cheiro de álcool e cigarro no hálito dele. – Senti tanto a sua falta – novamente ele estava falando. Então, como se lembrasse de algo, voltou a xingá-la. – Vadia! – Rosalie sentiu o rosto arder com a bofetada que recebeu. Marcas vermelhas tingiram a pele clara rapidamente. – Por que você fez isso? – Royce continuou. – Por que me deixou? Eu sempre dei tudo para você. Maldita miserável. Não era o bastante para você?

Rosalie sentiu mais uma bofetada lhe queimar o outro lado do rosto. Cambaleou para trás e suas costas atingiram a mesa de madeira empoeirada, com teias de aranhas embaixo dela.

Royce caminhou em sua direção. Medo, ela sentia muito medo. O corpo inteiro tremendo. Recuou, passando para detrás da mesa, na defensiva.

Royce sorriu para ela.

— Eu jurei que te encontraria – declarou. – Achou mesmo que fosse se livrar de mim? Você é tão fraca.

— Foi a America?

— Não faço a menor ideia de quem seja essa America.

— Como?...

Rosalie foi incapaz de continuar. Então ele prosseguiu:

— Como te encontrei? Eu fiquei muito tempo pensando onde diabos você se enfiaria com três crianças pequenas. Por onde andei ninguém sabia nada de você. Você se deu bem, por um tempo. Esforcei-me lembrar do número do seu Seguro Social. – Rosalie apertou os olhos com desgosto. – Advinha? Eu lembrei. Com uma busca detalhada descobri muitas coisas; uma conta bancária. – Ele balançou a cabeça com deboche. – Um emprego. Cartões de crédito. Mas você não precisa de nada disso. Eu sempre fiz tudo por você – ele gritou. – Você agiu muito mal comigo.

Rosalie estava respirando arrastadamente, olhando-o, imaginando para onde correr.

— Por que na escola das crianças?

Royce coçou o couro cabeludo, movendo a cabeça de um modo estranho.

— Isso não estava nos meus planos – admitiu. – Estava passando, tinha acabado de chagar a cidade, quando os vi de carro com uma loura, ela estava indo abastecer. – Ele olhou no rosto de Rosalie. – Pensei que fosse você. Fiquei muito ansioso. Mas não era você e tinha outras duas crianças junto. – Ele voltou a sacudir a cabeça. – Eles foram até a escola e eu os segui. Esperei por muito tempo você aparecer, mas você não apareceu. Você sempre me dando trabalho.

— Você comoveu uma cidade inteira... Assustou muitas crianças que não tinham nada a ver com isso.

— Cale a boca. Cale a boca. – gritou. – Cale a merda dessa boca.

Rosalie arregalou os olhos vendo as veias no pescoço dele se levantarem. E a saliva saltando dos lábios.

— Eles são meus filhos. Você é minha mulher. Eu tinha de fazer isso. Você não me deu escolhas. Roubou eles de mim. Você me deixou. – Por um instante pareceu que ele iria chorar, mas, de repente, os gritos estavam de volta. – Sua vadia!

Ele derrubou uma das cadeiras empoeiradas. Rosalie pulou para trás e suas costas colidiram na parede da cabana, lhe causando dor.

— Por favor, Royce, não me machuque mais.

— Você escolheu ficar comigo – ele lembrou. – Sem aqueles moleques por perto, você é só minha agora.

— Você me obrigou a fazer isso.

— Seu maior erro foi querer ficar longe de mim.

Royce contornou a mesa parando na frente dela. Agarrou-a pelo braço, pressionando a região pélvica contra ela.

— Vamos nos divertir um pouquinho – rosnou próximo ao rosto dela.

— Não... – Rosalie choramingou. – Por favor, não... não.

Um rugido de fúria a obrigou fechar os olhos com força.

— Você foi pra cama com ele, não foi, sua vaca?!

Num gesto rápido e desesperado, Rosalie negou com a cabeça. Royce se afastou de repente e contornou a mesa. Rosalie se apoiou a parede da cabana, tentando controlar o medo. Royce começou a derrubar coisas no chão, cacarecos esquecidos na velha cabana há muito tempo.

Rosalie correu até a porta. Royce a derrubou com um puxão na roupa. Ela bateu com a cabeça e uma dor aguda a atingiu, a visão embaçou. Em pouco tempo a imagem ao redor escureceu.

— Levanta! – Royce bateu no rosto dela. – Vamos, levanta – Ela não respondeu. Ele a xingou outra vez. E bateu novamente no rosto dela. Rosalie piscou lentamente, atordoada. O enxergou, embaçado, se afastar e abrir a porta da cabana. Quis levantar, mas o corpo não obedeceu ao comando. Imaginou se o medo a impediu de se mover ou se algo pior havia lhe acontecido ao bater com a cabeça.

Não soube exatamente quanto tempo Royce ficou lá fora, mas, quando voltou, trazia cordas. Ela tentou permanecer de olhos abertos, mesmo assim, foi impossível. Tudo ao redor girava.

Notas finais
Espero que tenham curtido. Beijo grande Sill