Um Lugar Para Ficar
13 Capítulo 13 – Reação Inesperada
Notas iniciais
Não deixar o medo ficar, isso parecia uma excelente maneira de se livrar de assuntos mal resolvidos. De recomeçar. No entanto, não foi assim que funcionou para Rosalie. Uma enxurrada de lembranças ruins chegou a sua mente, sem pena. Tornando o momento uma agonia. Nenhum outro sentimento, por mais forte que fosse naquele momento, se igualou ao medo. Ela subitamente se afastou de Emmett, quebrando o beijo, dissolvendo a magia que fluía entre os dois. Muito nervosa. As mãos tremiam ao levá-las à boca, cobrindo os lábios, que formigavam.
Emmett a olhava, preocupado, não conseguia entender o que tinha feito de errado. Afinal, ela tinha gostado de seu beijo, não tinha? Tinha até retribuído. Não teria se enganado com algo tão importante.
E então as grandes mãos calejadas pela lida constante na fazenda estavam estendidas, tocando de leve nos cotovelos dela.
Rosalie tinha os olhos cheios de lágrimas, e por trás delas havia muita confusão. Quis desesperadamente fazer as coisas melhorarem. Quis secar suas lágrimas com os dedos, e segurá-la até seu coração acalmar o compasso e ela relaxar em meus braços como um passarinho. Era isso que ele queria fazer por Rosalie. Mas não o fez.
Ela relutou, com a voz enrolada, até que conseguiu falar.
– Eu não posso... – contradizendo as palavras ditas, suas mãos voltaram a encostar-se aos lábios muito lentamente. – Isso não deveria ter acontecido – e quando enfim voltou a falar parecia muito perturbada, passou por ele, sentindo a textura das mãos grandes ao deslizar na pele de seus braços, permitindo-a se afastar.
Enxergava através de lágrimas quando saiu correndo pela varanda lateral da grande casa de fazenda.
– Rose...? – Ele chamou seu nome com angustia. Tudo o que conseguia pensar era em arrependimento. Talvez tivesse se precipitado.
Ouvir a voz grave de Emmett chamando por seu nome na forma abreviada fez doer imenso seu coração. Porque, apesar de todo o medo de se envolver novamente, restava ainda esperança, mesmo que diminuta, e sentimentos puros em seu coração.
Continuou correndo, desviando das coisas que surgiam em seu caminho; como cadeiras de vime e brinquedos das crianças.
– Rose! Por favor, me desculpe. – Emmett ainda falava, no entanto, não estava mais parado. Estava indo atrás dela. Precisava fazer alguma coisa. Não podia simplesmente deixar as coisas assim.
Depois de dar a volta, Rosalie chegava à varanda a frente da casa.
– Me desculpe, não vai voltar se repetir...
Ela se atrapalhou com a porta de tela levando mais tempo que o habitual para entrar na casa. E quando conseguiu foi como uma rajada de vento; rápida e de uma única vez.
Lena não estava mais na sala ao lado da neta. Por outro lado, Garrett estava. Ela não soube qual das duas opções era pior. Não estava em condições de falar com ninguém naquele momento. Nada coerente sairia de sua boca, tinha certeza disso.
Garrett sorria por qualquer coisa que a mulher houvesse dito. Mas interromperam os risos ao perceber sua chegada abrupta. Notando rapidamente o quanto parecia perturbada.
– Acho que aconteceu alguma coisa – Garrett sussurrou à esposa. Kate imediatamente se mexeu ao seu lado, pronta para levanta e ir falar com ela. No entanto, Rosalie se apressou, com um pedido de desculpas, correndo na direção do corredor que levava aos quartos.
Kate estava de pé, ao lado da mesinha de centro, confusa, quando a porta voltou a ser aberta e Emmett passou por ela, trazendo no rosto um olhar agoniado.
– O que aconteceu? – pediu ao irmão, ainda com a mesma confusão de antes estampada no rosto.
– A Rose! Cadê a Rose? – ele falou por fim. Seu olhar indo de um lugar a outro na sala.
Kate se movimentou desviando dos móveis até parar de frente a ele.
– Ela passou para o quarto. E parecia bastante assustada. Que diabos aconteceu lá fora? Não consigo entender o que pode tê-la deixado daquele jeito.
– Nos beijamos – ele revelou sem pensar. – Quero dizer, eu a beijei. Mas acontece que ela retribuiu. Não foi forçado.
– Caramba, Emmett! – Kate se queixou. Muito embora lamentasse pelos dois. – Não percebe? Ela está com medo. Apavorada eu diria. Acabou de se libertar de um casamento tirano. Deixou pra trás, muito recentemente, a vida ao lado de um homem violento. Certamente lembrou de que, em algum momento daquela relação doentia, ele a beijou e fez juras de amor. Teve medo. Claro! Não quer que todo aquele inferno volte a se repetir.
– Mas eu seria incapaz de machucá-la.
– Claro que eu sei disso, meu irmão.
– Preciso falar com ela. Preciso me explicar, para que não sinta medo de mim.
Ele deu alguns passos e Kate entrou em sua frente mais uma vez, impedindo-o de seguir adiante.
– Agora não, Emmett. Definitivamente, não é o momento. Rose está apavorada.
– Por isso mesmo, eu preciso ir até lá falar com ela. – A irmã permaneceu firme em seu caminho. Ele suspirou. – Não posso correr o risco de ela partir com as crianças. Não vou me perdoar jamais se eles partirem por culpa do que fiz.
– Ela não vai fazer isso.
– Sim. Se estiver com medo, ela vai.
– Emmett, eu não sei se você notou, mas está tarde. Ela não vai a lugar algum uma hora dessas. Não com três crianças pequenas adormecidas. Antes de tudo, Rose é mãe. Não é louca de fazer isso.
– Mas nada impede que faça isso amanhã – ele relutou. – Preciso me explicar. Não conseguirei dormir se deixar as coisas como estão.
A irmã lhe afagou o braço. – Fique aqui. Deixe que eu vá até lá falar com ela.
– Eu vou junto – apressou-se em dizer.
– Não, você não vai. Tanto ela quanto você me parecem perturbados demais. Deixe-me cuidar disso.
Emmett abaixou o olhar, passando a mão na cabeça. E ao tornar olhá-la fez um pedido.
– Diga que me mudo para o celeiro, se quiser. Se isso a fizer se sentir melhor.
Kate rolou os olhos, antes de virar de costas para o irmão. Sabia que estava muito envolvido, e jamais permitiria que aquela pequena família voltasse a sofrer.
Emmett olhou para Garrett, a agonia em saber que Rosalie poderia deixar a fazenda com as crianças exercia maldades sobre seu coração. Sentou na poltrona, com cotovelos apoiados nos joelhos, a cabeça entre as mãos. Pensando que deveria ser ele a ir falar com ela. Mesmo que ainda Kate tivesse razão.
A meia-luz de um abajur, encostada à porta do quarto, Rosalie chorava baixinho.
Estremeceu ao sentir uma leve batida na madeira. Afastou-se, ficando de frente à porta fechada. Passou as mãos no rosto, afastando as lágrimas que se negavam a deixá-la. Lançou um olhar rápido as crianças adormecidas na cama antes de olhar pra porta outra vez.
– Rose, sou eu, a Kate. – Rosalie ouviu a voz da irmã dele, quase sussurrando. – Posso falar com você um instante? Juro não tomar muito do seu tempo.
Rose levou as mãos trêmulas à fechadura, girou a chave e a porta foi aberta muito devagar emitindo apenas um pequeno rangido.
Vendo-a melhor agora, Kate pode notar que tinha chorado. Mesmo assim, preferiu não mencionar isso.
– Pode vir até o quarto ao lado comigo? Não gostaria de acordar as crianças – se explicou.
Rosalie assentiu, muito embora não estivesse se sentindo disposta a falar sobre o que a atormentava. Passou para o corredor, fechando a porta devagar, outra vez evitando fazer muito barulho.
No quarto ao lado, o mesmo que Kate havia oferecido aos meninos quando chegaram à fazenda, cada uma sentou-se aos pés de uma cama de solteiro. E Kate logo começou a falar.
– Eu sei que não tenho nenhum direito de falar ou pedir qualquer coisa. Apenas venho em nome de meu irmão, que está lá na sala a ponto de enlouquecer, imaginando que você possa querer ir embora com as crianças.
Rose mexeu os dedos das mãos um no outro. Como nada disse, Kate tornou a falar.
– Ele até ofereceu se mudar para o celeiro, se isso te deixasse mais segura.
Pela primeira vez desde que Kate apareceu na porta de seu quarto e a convidou para conversar, Rosalie conseguiu formular uma frase completa e pô-la pra fora.
– Ele não precisa fazer isso. Essa é a casa dele.
– Claro que não precisa. Mas está disposto a fazer. E isso para que não se sinta ameaçada com sua presença. Ele fica perturbado só de pensar em você e as crianças na rua outra vez. Expostas a todo tipo de perigo.
– Eu nunca deveria ter aceitado vir com ele pra cá... Foi um erro.
– Claro que deveria. Precisavam de ajuda. E acredite ninguém cuidaria melhor de vocês que meu irmão.
– Estou confusa... E com medo, também – admitiu, com a voz embargada.
– É totalmente compreensivo que sinta medo. Só te peço que não tome nenhuma decisão precipitada. Pense que amanhã Enrico e Noah voltam a frequentar a escola... Vai ser muito bom pra eles. Vou entender se desejar partir porque não gostou ou não se adaptou a esse lugar. Mas, se for apenas medo, não faça isso Rose. Não existe lugar no mundo onde estariam mais seguros que aqui com a gente... Sua família a partir do momento que aceitou ajuda de um McCarty.
Suas últimas palavras levaram Rosalie ao choro. Kate levantou cortando o espaço que as separavam e foi sentar-se junto a ela. Passou o braço em seus ombros confortando-a mesmo que talvez não fosse o suficiente.
– Ninguém aqui no Recanto dos Ursos irá fazer mal a qualquer um de vocês. Por favor, Rose, reconsidere. Não volte a pensar essas coisas. Dê-se uma oportunidade, minha irmã querida.
– Obrigada... Muito obrigada – Rosalie agradeceu chorosa.
– Não chore mais. Chega disso. Agora vá descansar com seus filhos. E lembre-se de que amanhã eles terão o primeiro dia de aula na nova escola. Isso vai fazer muito bem a eles. E a você também.
Rosalie concordou com um movimento de cabeça, em seguida, se pôs de pé. Estava bem mais tranquila quando deixaram o quarto onde conversavam. Só não esperavam encontrar com Emmett no corredor, encostado à parede, esperando que a irmã deixasse o quarto.
Quis se esconder atrás da irmã dele, mas não tinha motivos pra isso. E, então, tomou coragem pra dizer.
– Você não precisa se mudar para o celeiro.
Emmett estendeu as mãos, agoniado, querendo tocá-la. Kate o impediu, pondo o braço no caminho, lançando um olhar de advertência.
– Não vá embora, Rose – ele pediu, e a dor em seus olhos era a prova do quanto queria que ficasse.
– Ela não vai – a irmã foi quem respondeu.
Aquele sorriso de covinhas, já tão conhecido por elas, chegou ao seu rosto.
– É verdade? – perguntou pra Rosalie.
– Sim – ela afirmou, reforçando em um gesto positivo com a cabeça.
O sorriso no rosto dele se tornou mais largo. Não disfarçava nenhum pouco a felicidade e o alívio que aquela única palavra acabou de lhe trazer.
– Boa noite, Emmett – disse ela.
Emmett sentiu que poderia gargalhar. – Boa noite, Rose.
Ela entrou no quarto, onde seus filhos dormiam, e fechou a porta novamente.
Emmett suspirou, em seguida, agarrou a irmã em um esmagador abraço de urso.
– Obrigado, Kate. Obrigado!
– Tá, tá, me solta. Chega dessa loucura. Rose não vai a lugar algum.
Ele fez como pediu, deixando-a livre de seus braços.
– Obrigado – voltou a dizer. – Não sei o que disse a ela. Só sei que foram as palavras certas.
– Vê se para de loucura e vai dormir – disse, ao passar por ele, retornando a sala onde acreditava Garrett ainda estar a sua espera.
O irmão foi para seu próprio quarto, muito aliviado por saber que Rosalie não estava pensando em deixar a Recanto dos Ursos aquela noite, nem pela manhã.
Algum tempo depois, como um adolescente vivendo o primeiro amor, passou um bilhete por baixo da porta do quarto dela. Dando uma leve batida antes de se afastar.
Rosalie estava prestes a se deitar, depois de ter trocado de roupa, pondo uma blusa de malha, que fazia a vez do pijama que não conseguira levar, quando viu o bilhete no chão, ao pé da porta. Foi até lá e o pegou, desdobrando devagar para não rasgar até saber o que dizia.
“Rose,
Me desculpe. Eu não queria, de forma alguma, que se sentisse como se sentiu. É possível que eu tenha me precipitado. Por isso não voltarei a beijá-la, a menos que algum dia me peça pra fazer isso. Peço que apenas continue confiando em mim e em minha família. Vou proteger você e as crianças como prometi, pra sempre. E sempre.
Seu amigo afobado, Emmett”.
O coração que a muito foi ferido, se enterneceu absorvendo a verdade contida naquelas palavras. Emmett era um bom homem. O problema era que ela tinha sido machucada demais, por tempo demais, física e psicologicamente.
Permitiu-se encostar o bilhete ao peito, perto do coração. Voltou olhar a porta fechada, imaginando se ele ainda estaria do outro lado. Ainda assim, não se atreveu verificar. Voltou pra cama e deitou-se ao lado dos filhos. Ajeitou o cobertor sobre eles, e, em seguida, repousou a cabeça no travesseiro. Guardou, por aquela noite, o bilhete embaixo do próprio travesseiro.
De olhos fechados, inevitavelmente, voltou a pensar no beijo, apesar de não ter desejado que se repetisse.
Naquela noite, Emmett não conseguiu dormir. Preocupado demais com o que ela pudesse estar pensando a seu respeito. Não achou de tudo ruim, pois sabia que se dormisse tinha grandes chances de reviver o passado em seus pesadelos.
Por volta das quatro da manhã, Rosalie estava acordada. Amy tinha chorado um pouco, por nenhum motivo que ela compreendesse, por isso velava seu sono. Foi nesse momento que ouviu passos no corredor, e apenas alguns minutos depois o barulho de uma porta sendo aberta. Pelo ranger das dobradiças imaginou que fosse a da cozinha.
Não se atreveu sequer deixar a cama. Não tinha ideia de quem poderia ser. Voltou a deitar a cabeça no travesseiro, com Amy sobre o peito, adormecendo novamente em poucos minutos.
Quando tornou acordar o dia já estava claro. O canto dos pássaros saudando a luz do sol, felizes, comunicando-se uns com os outros. Pouco antes tinha ouvido um galo cantar também.
Foi pra cozinha preparar a mamadeira de Amy, e encontrou Lena fazendo o café. O aroma estava de dar água na boca. A luz fraca do sol chegando ao cômodo pelas janelas abertas. A vida lá fora recomeçando.
Conversou com Lena enquanto preparava a mamadeira da filha, e acabou descobrindo que quem saíra de madrugada tinha sido Emmett. Ele havia deixado sobre a mesa da cozinha, pra avó, um bilhete.
Não pôde evitar se preocupar com ele. Mesmo Lena dizendo que era normal dele fazer isso. Desde muito pequeno costumava se isolar, e isso se intensificou depois da morte da mãe.
Quis saber do que a mãe dele morreu, e onde estava o pai, mas não teve coragem para entrar nesse assunto.
Lena disse também que Emmett costumava ir ocupar-se com os cavalos, e sair pra cavalgar aos primeiros raios de sol da manhã.
Tentou deixar a curiosidade de lado, e a preocupação, voltando para junto dos filhos. Deu mamadeira pra Amy e trocou sua fralda de xixi. Esperou mais uma hora para então acordar os meninos para irem se aprontar pra escola.
Depois que os filhos de Kate desocuparam o banheiro no fim do corredor foi à vez de dar banho nos seus.
Kate os levaria já que trabalha no mesmo prédio, como professora do terceiro ano.
Encontraram-se todos à mesa para o café da manhã. E não foi surpresa alguma quando seus filhos e os de Kate começaram perguntar por Emmett.
Pouco tempo depois se despia dos meninos em frente à casa. Os dois arrumadinhos com roupas que Kate havia lhes doado anteriormente.
– A mamãe não vai com vocês, porque Kate vai ficar na escola aí a mamãe não tem como voltar pra fazenda, a menos que faça isso andando.
– Então vamos com o Emmett, no carro dele – sugeriu Noah, inocente aos últimos acontecimentos.
– Emmett não está filho.
– Mas o carro dele está ali, ô – Enrico ajudou, mostrando onde estava estacionada a caminhonete preta.
– Isso é porque ele saiu a cavalo.
– Ah – os dois garotos lamentaram, deixando os ombros cederem com a mochila nas costas.
– Kate é legal, e a mamãe confia nela pra levar vocês à escola. Além do mais, ela é professora, vai estar o dia inteiro pertinho de vocês. Qualquer coisa que acontecer, os dois devem procurar por ela. Ela saberá o que fazer. – Enrico e Noah balançaram a cabeça concordando. – E, de forma alguma, saiam de lá com desconhecido. – Os garotos voltaram a concordar movendo a cabeça. – Se comportem. E, Noah, mamãe pôs outra roupinha em sua mochila para o caso de certo pintinho não segurar o xixi como deve.
Os dois se puseram a rir.
– Ai, ai, o pintinho segurar o xixi – repetiu Noah achando graça.
– Vocês dão risadas né, seus safadinhos.
Noah riu ainda mais.
– No final do dia estarei lá, esperando por vocês. Vou encontrar com Kate, ela vai me levar pra conhecer o lugar e as pessoas com quem irei trabalhar.
– E você vai ganhar dinheiro, mãezinha?
– Sim, meu amor.
– E vai poder ter o que quiser mamãe? – Enrico quis saber.
– Não exatamente, filho. Apenas o que estiver de acordo com o que ganharei a cada mês.
– Boa sorte, mamãe.
– Oh, minha vida, obrigada – disse abraçando-o. – Agora vão! Kate está esperando por vocês. Vão com ela, e lembrem-se que a mamãe está o tempo inteiro com vocês, no coração e na mente. – Ela deu um beijinho em cada um, e os conduziu até o carro vermelho, que já tinha a porta aberta esperando por eles. E os dois sentaram-se ao lado de Abby em sua cadeirinha, no banco de trás. Logan foi para o banco da frente.
Ambos tinham os olhinhos vidrados na mãe no momento em que Kate fechava a porta.
– Cuide deles – pediu chorosa.
– Não se preocupe Rose. A partir desse momento tenho quatro filhos ao invés de apenas dois.
– É que fico com medo com eles longe de mim – admitiu, com a voz embargada. – Tenho certeza de que Royce procura pela gente... Tenho medo que os encontre sem mim por perto...
– Pare de pensar nisso. Vai ficar tudo bem. Não farei diferença entre seus filhos e os meus. Cuidarei deles. Me manterei informada sobre tudo. – Kate afagou seu braço – Te encontro depois das três e quinze, na frente da escola, pra irmos resolver o assunto de seu emprego. Acredito que por esse horário Emmett já vai estar de volta, então, poderá levá-la até a cidade.
– Tudo bem – ela concordou.
– Até mais tarde, Rose. Fica bem. Nada de ficar pilhando. Eu vou cuidar de Enrico e Noah. Pode confiar em mim.
– Esse é o motivo de eu deixar que os levem; confio em você. Você também é mãe, sabe como me sinto em relação à segurança deles.
Kate entrou no carro. Rosalie se afastou quando ouviu o motor ganhar vida.
– Tchau tia, Rose – ela ouviu Abby falar.
– Tchau, princesa. Tenha um bom dia.
– Você também tia.
O carro se pôs em movimento. Rapidamente Enrico e Noah se moveram no banco, ficando de joelhos, olhando para ela através do vidro traseiro, com as mãozinhas espalmadas nele. Rosalie beijou a palma da mão antes de erguer na direção deles, abrindo e fechando, em um até logo sofrido.
Apenas quando o carro se distanciou o bastante, os dois voltaram a sentar-se e pôr o cinto de segurança. E a mãe pôde voltar pra varanda onde Lena a aguardava com Amy no colo.
Entre uma coisa e outra para fazer, as horas correram. Emmett não apareceu para o almoço, dessa forma apenas Lena, Rose e Amy sentaram-se à mesa.
O dia continuou seguindo seu curso, e nada de Emmett aparecer. A ideia de que algo pudesse ter lhe acontecido a preocupava. Mas também não podia deixar de se preocupar com o como chegaria à cidade no horário marcado para encontrar-se com Kate e as crianças.
Lena retornava da horta quando Rosalie encontrou com ela na varanda.
– Dona Lena, eu vou precisar ir até a cidade agora. Posso ajudá-la com qualquer outra coisa assim que voltar. – Estava com Amy no colo, e a sacola com as coisinhas dela e documentos pendurada no ombro.
– Emmett já apareceu?
– Não senhora. Mas não tem problema, irei a pé mesmo.
– De jeito nenhum – Lena se precipitou. – Não permitirei que vá sozinha pela estrada, ainda por cima levando um bebê no colo. De jeito nenhum. É longe, querida. Espere aqui que eu vou chamar o Scott, ele vai levá-la na caminhonete da fazenda. Não precisa ficar com medo, Scott é um bom rapaz. O conheço desde que nasceu. Os pais dele sempre trabalharam pra minha família.
Ela assentiu, embora não muito animada. Lena deixou a cesta de vime com hortaliças sobre a cadeira, voltando pelo mesmo caminho por onde tinha chegado.
Rosalie se pôs a descer os degraus à frente da casa, olhando de um lado para o outro. Pensando, por onde Emmett andava. Talvez não quisesse vê-la, por isso relutava em voltar pra casa. Mas ele tinha sido tão amável no bilhete que escrevera. Não fazia sentido estar se afastando dela assim.
Imaginou que talvez estivesse dando muito trabalho para aquela família.
Lena apareceu pela lateral esquerda da casa, acompanhada do rapaz que Rosalie já tinha visto outras vezes pela fazenda. Scott lembrava os cowboys que vira em filmes quando mais jovem. Alto, músculos bem trabalhados pela lida constante na fazenda, mas esguio. Sua forma de se vestir e o chapéu que parecia nunca deixar sua cabeça. Diferente de Emmett que usava chapéu apenas quando estava montando a cavalo ou trabalhando ao ar livre.
– Ele vai levá-la, querida – ouviu Lena esclarecer. – Qualquer coisa que precisar, pode falar com ele. Ele estará a sua inteira disposição.
– Senhora – Scott fez uma reverência, tocando na aba do chapéu de couro.
Rose abriu um sorriso educado em resposta a sua gentileza.
O rapaz caminhou, com aquele andar típico de cowboys, parando ao lado da caminhonete vermelha. Não era cabine dupla como a de Emmett, nem tão nova. Estava desgastada pelo uso frequente na fazenda. Imaginou que apenas os funcionários usavam para transportar material de trabalho.
– Por favor – disse ele, ao abrir a porta para que ela entrasse.
Rosalie se acomodou com a filha no colo, pondo a sacola ao lado do corpo, entre ela e Scott. Ele passou pela frente do carro e foi sentar-se no assento do motorista.
Enquanto o rapaz se preparava pra ligar o motor da velha caminhonete, tentou uma conversa com ele.
– Scott, eu posso te fazer uma pergunta?
– O que quiser senhora – respondeu concentrado no que estava fazendo.
Rosalie riu um pouco de seu jeito concentrado.
– Você sabe onde Emmett está?
– Nas montanhas.
– Nas montanhas – ela repetiu, estranhando que alguém pudesse ficar por tanto tempo sozinho. A mesma coisa ele fazia quando pegava a estrada.
– O patrão tem seus próprios fantasmas.
– Pelo que Lena me disse, você está aqui há muito tempo, né?! Deve saber de muitas coisas, como o porquê de ele ser assim. Quando digo isso, me refiro a sua busca por isolamento. Ele parece buscar alívio, por alguma razão que desconheço.
– Me desculpe senhora, mas esse é um assunto que não me diz respeito. Não posso sair por aí falando da vida de meu patrão. Não me entenda mal... é só que...
– Sou eu quem te peço desculpas. Não deveria ter feito essa pergunta. Na verdade, nem tocado no assunto.
– Ele vai contar pra senhora, mais cedo ou mais tarde.
Rosalie concordou com um pequeno movimento de cabeça. Desejando que esse dia realmente chegasse a acontecer.
– Tudo o que posso dizer, é que o patrão é um bom homem.
– Obrigado, Scott. Mesmo.
[...]
Estavam em frente à escola, no estacionamento, quando Rosalie avistou Kate chegando com as crianças. Certamente havia reconhecido a caminhonete da fazenda.
Seus filhos pareciam felizes. Enrico estava de mãos dadas com Noah enquanto caminhavam com as mochilas nas costas, ao lado de Abby e Logan. A garotinha tão graciosa já com porte de uma pequena bailarina. A mochila cor-de-rosa nas costas. Os longos cabelos louros presos no mesmo rabo de cavalo de quando saiu de casa pela manhã.
Enrico e Noah apressaram-se assim que reconheceram a mãe. Rosalie estava saindo do carro com Amy no colo. E os viu desviar de outras crianças pelo caminho.
– Mamãe. Mamãe – Enrico repetia.
– Mãezinha. Mãezinha – e Noah também.
As mochilas nas costas dificultando a corrida. Correram ainda mais depressa ao vê-la se abaixar, segurando Amy com apenas um braço, deixando o outro livre para recebê-los.
Ao se aproximarem, os dois meninos laçaram-se a ela. Compartilhando o mesmo abraço. Beijando-a e sorrindo.
Kate ainda caminhava ao encontro deles. O olhar de admiração estava estampado em seu rosto.
– Tia, Rose! – Abby gritou, e correu para mais perto.
Rosalie a olhou, desviando o rosto dos beijos que recebia dos meninos, mandando um beijo pra ela.
– Mãezinha linda, que saudade! – Naoh comentou fazendo-a rir.
Enrico passou a mão no rosto da mãe, e voltou a beijá-la perto do olho.
Kate se aproximou, trazendo nos braços o material de seus alunos para corrigir em casa.
– Scott, você já pode voltar pra fazenda. Rose vai voltar comigo. Temos um lugar pra ir agora.
– Até logo, senhora – ele voltou a fazer a reverência, tocando na aba do chapéu.
– Meu irmão não está na fazenda?
– Ele ainda não voltou do passeio a cavalo – disse Scott.
– Isso não é bom – Kate resmungou quase que sussurrando. – Você já pode ir Scott. Daqui em diante, eu me responsabilizo por eles.
O rapaz anuiu.
Rosalie se pôs de pé com os meninos cercando-a. – Obrigada por ter me trazido até aqui, Scott – agradeceu.
– Foi um prazer, senhora.
Scott voltou para a caminhonete e, em pouco tempo, deixou o local.
– Ele foi muito educado, durante todo o trajeto da fazenda até aqui. Sua avó está certa, ele é um bom rapaz – Rosalie teceu um comentário.
– Ele é sim. Nós o conhecemos desde crianças. Venha, vou te apresentar a professora de Enrico e de Noah. Elas estão ali na porta se despedindo dos outros alunos.
– Vamos sim – Rosalie sorriu.
– A gente vai voltar pra escola, mãezinha?
– Não amor, Kate vai só levar a mamãe pra conhecer a professora de vocês.
– Tá bom.
Todos eles voltaram à entrada da escola, onde havia um amontoado de crianças se despedindo. Entre outras professoras estavam a de Noah e Enrico. Kate fez as apresentações preliminares. E ambas as professoras falaram sobre como as crianças se comportaram durante o dia. A senhora Ester Parker, uma senhora de quarenta e poucos anos, baixinha e de cabelos ruivos, disse que Noah já tinha feito amizades e era um garotinho bastante comunicativo. Já a senhorita Bridget Hill, professora de Enrico, uma jovem na mesma faixa estaria de Kate, porém morena, disse que era um garotinho muito na dele, mas que muito inteligente também.
Kate e as outras duas professoras trocaram algumas palavras sobre um assunto que Rosalie desconhecia. Logo depois todos se despediram. A essa altura a maioria das crianças já tinham partido com algum familiar, deixando assim o prédio vazio.
– Agora vamos resolver o assunto de seu emprego – comunicou Kate.
– Fica muito longe daqui?
– Não muito. Meu carro está bem ali. Vamos.
– Mãezinha aonde que a gente vai agora?
– Vamos falar com as pessoas que vão dar o emprego a mamãe. Eu falei pra vocês hoje cedo antes de virem pra escola com Kate.
– Tá bom.
– Depois vocês contam pra mamãe como foi o primeiro dia de aula na escola nova. Mamãe vai querer saber de tudo.
– Tudinho? – Enrico quis saber.
– Tudidinho – ela respondeu fazendo-os rir.
Logan e Abby disputaram uma corrida até o lado do estacionamento onde ficava estacionado o carro da mãe. Bastou perceber os amigos correndo, Enrico e Noah fizeram o mesmo. As mães permaneceram mais atrás os observando a todo instante, em uma caminhada tranquila.
[...]
Na casa onde Rosalie e seus filhos foram maltratados por tanto tempo, Royce se encontrava sozinho. Fato que se repetia desde que ela e as crianças partiram. Ele tinha uma garrafa de cerveja na mão, bebendo direto do gargalo, largado no sofá, com a tevê ligada, quando a campainha tocou.
A casa estava a cada dia se afundando na bagunçada. E sua vontade de encontrá-los crescia como um câncer.
Olhou sobre o ombro, após mais um gole de cerveja, os braços sobre o encosto do sofá. Ultimamente estava faltando muito no trabalho, inventando desculpas e mentiras, uma atrás da outra.
Tentou ignorar. Mas, fosse quem fosse, parecia que não iria desistir. Tomou mais um gole de sua cerveja antes de deixar a garrafa sobre a mesinha de centro abarrotada de garrafas vazias, de dias anteriores.
Emitiu sons de irritação a caminho da porta. Estava sem fazer a barba há dias. Porém já tinha se decidido por resolver isso o quanto antes. Passou as mãos nos cabelos tentando melhorar a aparência, o que não melhorou muito.
Abriu a porta deparando-se com uma jovem mulher, de cabelos negros e olhos gentis. Teve a certeza de nunca tê-la visto antes. Se amiga de Rosalie, ele desconhecia.
“Aquela desgraçada tinha amigos a minha revelia”, pensou de olho na mulher a sua frente.
– Boa tarde – a mulher se pronunciou.
– Se for uma dessas vendedoras chatas que passa de porta em porta oferecendo coisas, perdeu seu tempo. Não quero comprar nada.
– Meu nome é Dorothy. Sou professora de seu filho, Enrico, na escola primária.
Royce desviou o olhar por um instante, ficando ainda mais irritado com a visita surpresa. Olhou por baixo do braço, que se mantinha esticado apoiado no umbral da porta. Depois voltou olhar para Dorothy.
– Porque está aqui?
– Faz alguns dias que Enrico não aparece na escola. Estive falando com a professora de seu outro filho, Noah, e descobrir que ele também não aparece nas aulas.
“Então achou que poderia vir espionar nossas vidas”, pensou ele.
– Por isso resolvi vir até aqui. Queria saber se está tudo bem com as crianças.
– Sim. Eles estão bem – respondeu impaciente.
– Posso vê-los? Ou trocar algumas palavras com sua esposa?
– Não. Não pode – Royce quase gritou.
Dorothy recuou um passo. Royce logo notou seu erro, fazendo questão de corrigir, ou pelo menos tentar.
– Eles viajaram.
– Nessa época, quando as crianças deveriam estar na escola? – Dorothy não conseguia acreditar que uma mãe faria isso. Tirar os filhos da escola apenas pra viajar e, ainda por cima, não comunicar a ninguém na própria escola.
– Uma prima de minha esposa está muito doente, coitadinha – ele dissimulou. – Câncer, sabe? – Tentou se mostrar compreensivo. Dorothy moveu a cabeça ouvindo-o falar. –Teve que ir ficar com ela por alguns dias. O marido anda cabisbaixo e muito sobrecarregado. Os meninos pediram tanto pra ir junto que a mãe não conseguiu dizer não.
A professora tornou mover a cabeça. – Sei... – disse apenas por dizer, notando claramente o cheiro de álcool que exalava dele. Esticou-se tentando ver qualquer coisa dentro da casa, mas Royce bloqueou a porta com o corpo, eliminando qualquer chance sua.
– Quando eles voltam?
– Não foi decidido ainda. Vai depender de como as coisas ocorrerem por lá. Você sabe, esse tipo de coisa é imprevisível.
– Não tem um número de telefone que eu possa estar ligando? Gostaria muito de falar com sua esposa sobre as crianças. Não é bom que fiquem tanto tempo longe da escola.
Royce tentava parecer tranquilo quando, na verdade, o que mais queria era enxotá-la de sua porta.
– Minha esposa não tem telefone celular. – Ele abriu um sorriso falso. – Nunca gostou apesar de eu dizer que deveria ter um, por causa das crianças. Iria facilitar muito, não acha?
A professora se pegou pensando; que pessoa não queria um celular. Ainda mais quando se tem filhos pequenos. Que requer sempre o dobro de cuidados. Algo útil em caso de emergência.
– Na casa dessa prima deve haver um telefone, não? Não pode me passar o número?
– Infelizmente, eu não posso. Teria que perguntar antes. Em todo caso, ela deve me ligar a qualquer momento. – Novamente outro riso falso. – Não consegue ficar muito tempo sem falar comigo, sabe como é.
Dorothy mexeu dentro da bolsa. Sem notar o olhar de ódio que Royce lançava a ela. Quando voltou olhá-lo, ele abriu o mesmo sorriso falso de antes.
– Vamos fazer o seguinte – disse ela. – Vou deixar meu número com você. Pede pra sua esposa me ligar.
Royce recebeu o cartão sem tirar o sorriso do rosto. – Passarei a ela o recado.
– Obrigada, senhor King. – Me desculpe por incomodá-lo.
– Não foi incomodo algum.
– Com licença. – E foi com essas palavras que Dorothy deu as costas pra ele, refazendo o caminho de volta ao carro estacionado próximo ao meio-fio.
Royce acenou ainda interpretando, fechando a porta assim que a viu entrar no veículo.
– Intrometida – resmungou, rasgando o cartão que Dorothy havia lhe entregado. – Vai procurar o que fazer ao invés de se meter onde não foi chamada. Se fosse minha mulher lhe cobria de pancada pra aprender não se meter onde não deve. – Essa conclusão o fez desejar que Rosalie estivesse ali, bem a sua frente, para espancá-la por dar motivos a terceiros baterem à sua porta. – Eu vou te encontrar Rosalie – falou sozinho, voltando para o sofá. – Vou te encontrar, sua desgraçada, nem que seja no inferno. Você e aqueles moleques miseráveis vão pagar por terem fugido de mim.
Pegou o porta-retratos com a foto dela na mesinha de centro entre as garrafas vazias de cervejas, se permitindo admirar sua beleza mais uma vez.
– Vai voltar pra mim – comentou de olhos fixos na fotografia –, porque se não for minha, não será de mais ninguém. – O porta-retratos foi lançado longe, vindo a ter seu vidro estilhaçado no chão.
Ainda na frente da casa, Dorothy foi abordada por uma senhora magra, de cabelos grisalhos que um dia já foram tão negros quanto à noite.
– É parente da moça que vive nesta casa? – perguntou.
– Não. Sou professora de um dos filhos do casal. Fiquei preocupada, nenhum deles aparece na escola já faz alguns dias.
– Eu também estou preocupada. Faz dias não vejo a mãe nem as crianças entrarem ou saírem da casa. Bem, as crianças nunca foram de brincar no jardim, e a mãe também não vinha muito aqui fora. Tenho impressão de que o marido não deixava.
– O que faz a senhora pensar assim?
A mulher de cabelos grisalhos se curvou aproximando-se mais da janela aberta do carro.
– As crianças choravam muito. Digo choravam porque faz dias, também, que não os ouço chorar. Dava pra ouvir os barulhos que vinha de lá. Até mesmo a mãe chorava, embora fosse um choro controlado, muito pouco se ouvia. Esse homem, o marido, nunca me inspirou confiança. Meu marido me orientou a não questionar, já que ela nunca demonstrou querer ou precisar de ajuda.
– Quando os viu pela última vez?
– Ah, como disse, tem alguns dias. Os vi pela janela de minha cozinha. As crianças choravam muito. A mãe perecia muito nervosa. Entraram no carro às pressas, e a forma como dirigia me deixou assustada.
– Ele me disse que a esposa foi visitar uma prima que está muito doente. Talvez por isso estivesse nervosa.
– Mas o carro já está de volta. Foram os policiais que trouxeram. Não sei o que disse pra eles, só sei que acreditaram.
– É tudo muito estranho mesmo. Os meninos costumavam faltar na escola, mas não tanto quanto dessa vez. E a mãe sempre ligava dando uma justificativa, por mais estranha que parecesse.
– Coisas estranhas sempre aconteceram nessa casa, senhorita. Temo pelo que possa ter acontecido aquela pobre moça e suas crianças. Sempre me pareceu uma boa mulher. E boa mãe.
– O senhor King ficou de me pôr em contato com ela.
– Eu gostaria de saber notícias dessa pobre moça e suas crianças.
– Se souber de algo, darei um jeito de falar com a senhora.
A mulher de cabelos grisalhos se afastou do carro. Dorothy enfim pôde seguir seu caminho.
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