Um Louis Em Minha Vida
3 3 – Gatinho ao telefone
Notas iniciais
Obrigada pela atenção, pela paciência, pela leitura, pela presença, enfim, BOA LEITURA !!!
;3
Capítulo 3
Gatinho ao telefone
Ah, não... mas isso é uma coisa inconsciente, automática, que o cérebro nem se dá ao trabalho de pensar para fazer, e de registrar que o fez.
O olho abre, e fecha.
E depois abre de novo.
E...
Ah, sim. O olho mesmo, de acordo com Harry e Liam. Um só. Azulzinho.
Tão lindinho.
Que até fez Harry ter palpitações incontroláveis, digo, inevitáveis, quando aquela piscadinha o atingiu, ameaçando-o na beira do perigo mais uma vez. Era tão indesmentível que acabava se tornando possível, veja só. E assim o coraçãozinho mais do que agitado do nosso pobre Harry não iria aguentar.
Como ele bem se lembrava daquela vez que...
Que... daquela amizade que...
Ai, espera!
Que, bom, ele percebeu o olhar do Liam. E quase implorou para que a lógica infalível daquela praga linda e discreta não o deixasse na mão justo agora, quando seu passado...
Espeeeera. Que diabos eu tô dizendo? O que passou tá passado, não tem nada que acordar. Hmmm... mas como sei que algum Harry diria...
Ou será que não?
Ah, vai lá Harry. Me atrapalhei aqui.
Aquele Liam. Pagava de confiante bem quando não devia, quando era para me dar ouvidos... Não presta. Não que eu fosse uma pessoa daquelas bem confiáveis para se ouvir, ou que sabe dar conselhos. Ah, talvez fosse por isso...
Mas era bem aquilo do gato mesmo.
Que a curiosidade o matou, e pá. Agora, concordemos: haja curiosidade para dar conta de sete vidas, porra. Daí o bicho tinha que ser burro mesmo.
E pior. Disso o Liam não tinha é nada. Até seguir conselho do professor Lewis ele seguia. Contra mim, ainda por cima, seu louvado e fiel melhor amigo.
Ah, valha-me Deus, deu de filosofar que já fiquei com fome. Nem pude comer direito hoje também. E tudo por culpa... Eu ia dizer do Liam, óbvio, mas acho que foi minha mesmo. Droga. E aquela incrível novidade caiu meio pesado em nós hoje... E o Liam, humpf, todo entregue! Como ele pôde...?!? Grrr.
Como se eu realmente me importasse que a culpa fosse minha, viu, né?
Como ele podia fazer aquilo comigo?!
Traíra.
Relaxei um pouco quando senti aquele friozinho gostoso vindo contra minha falta de roupa assim que abri a geladeira, só acabou que nem consegui olhar dentro dela direito.
É que meu celular começou a gritar loucamente e a espernear lá no outro cômodo. Puxei minha calça até onde a costura permitia, sem gerar nenhum incômodo – pelo contrário –, e me direcionei para a sala, onde eu me lembrava de ter largado as coisas da escola. Acho que, se eu demorasse mais, o troço ia começar a dançar embaixo da minha camiseta. Peguei-o e voltei para a cozinha.
Número desconhecido. Quem quer que fosse devia estar cansado de esperar, daí atendi enquanto pegava um copo.
Agora, eu juro. (JURO.)
Eu juro pela bunda do Louis (sim, não pude deixar de olhar) que eu não sei como o copo continuou na minha mão.
– É o Harry? – porque era o próprio.
– S-sim, quem é?
Só para confirmar.
– Como se você já não soubesse. – roubou as palavras da minha mente.
– Como você conseguiu o MEU telefone?
– Isso não vem ao caso. Se você se importasse mesmo, já teria desligado na minha cara.
Como eu não tinha pensado nisso antes?
Ah, é. Estava imaginando a carinha dele de quem não se importa, dando de ombros. Merda. Depois de tanto tempo, e ainda causava tanto impacto? Como faz?
– Agora nem se dê ao trabalho, Harry. – pude ouvir o sorriso no meu nome. – Não quero te fazer sofrer tendo que me atender de novo. – aguenta aí. Ele riu.
Convencido. Quase me deixava sem graça, hm.
– Então, como você está? Depois de fugir de mim assim... Com vergonha? O Liam foi tão atencioso comigo.
– Hm.
– Que foi, o gato comeu sua língua? – não, foi você mesmo, não percebeu? – Ou fui eu?
Ele lia mentes ou coisa assim?!
– Acho que sim. Deixa de ciúmes, vai.
– Tô começando a ficar com medo de pensar. – resmunguei.
– Quê?
– Nada não.
E ele riu. De novo. Eu tinha voz de palhaço ou o quê?
– Tá, você não me ligou só para ficar gastando dinheiro comigo, ou eu sou assim tão importante? – há! Eu ia dar a volta por cima, ele ia ver.
– É quase de graça, não faz diferença. – ao menos dessa vez o copo estava no balcão. Porque senão não teria mais copo, da raiva que surgiu em mim.
– Não faço diferença?! – vem atrás de mim, tá que demorou, mas veio, e ainda me diz que não faço diferença? O que merda ele tem na cabeça?
O único probleminha é que eu não sabia que era exatamente isso que ele queria.
– Oh... Vejo que sentiu minha falta. – se eu fosse um gato (burro), nesse exato momento, teria arranhado toda a minha cara. Tentei me controlar. – Calma, gatinho, não precisa se eriçar...
Eu falei que ele devia ler mentes, né? Agora só faltava brilhar.
– Gatinho, gatinho, nhenhenhé. Fala logo. Quero comer.
– Ui, arrepiei.
– Fala. Logo. Bicho imprestável.
– O gato aqui é você, espera.
Não. Eu não ia deixar barato. Ele podia deixar meu cérebro todo inozado (sabe, de dar nó), mas ele não ia sair ganhando... Tá, hoje acho que ia.
– Ah, aproveitando a sua fome e, apesar da sua falta de coragem, eu quero me convidar para comer com você, hmmm... Posso?
Ele ainda me atirava uma pergunta dessas? Se antes ele não tinha merda na cabeça, agora tem... Putz, eu sou pior que merda?
– Assim, para te ter no almoço amanhã, sabe. Não dá pra ficar sozinho lá no refeitório, e aquele bolinho de garotas todo é demais para eu comer, então... Contanto que você não saia correndo de novo.
Louis riu. Ele ia rir muito quando eu tivesse as mãos naquele pescoço dele, é!
– O Liam disse que tudo bem.
O Liam?! O Liam??????? O LIAM?
Com quem ele pensava que tava falando?!
– Você deixa, né? Até amanhã então! – e desligou na minha cara.
E depois eu é que fugia dele. Bufei. Nem fome eu tinha mais. Aquela perversão toda não era para mim. Até porque, eu tinha uma coisinha mais importante para resolver agora... Algo envolvendo um certo Payne, muito conhecido meu... Precisava me desatrapalhar um pouco.
E eu fui olhar para a geladeira, e, oh, ela estava aberta. Se bem que...
É, eu ainda podia comer.
Quase dei uma batida na porta por causa da pressa. Da minha própria casa, é. Minha, devo acrescentar, é maneira de falar. Graças à minha mãe ainda não sou eu quem paga as contas. Sorte a minha! (Melhor dizendo, azar o dela.)
Voltando. Minha camiseta me olhava lá do meu sofá, ao invés de estar me vestindo, como o Liam provavelmente iria me lembrar se estivesse aqui. Ah, é, mencionar esse nome me fez correr de novo, por um caminho já muito bem gravado.
E continuando. As portas deviam estar contra mim nesse dia. Porque nem a do apartamento dos Payne me aliviou da batida. Ela era mais dura do que eu lembrava. Qual é, depois de alguns andares de escada, ninguém freia assim do nada não. A pressa trai qualquer um mesmo.
O bom foi que nem precisei fazer escândalo para alguém atender a porta. A irmã dele, Ruth, se matou de susto, e me desculpei sem graça, voando pelo apartamento.
Dessa vez, eu parei antes da porta.
Digamos, eu abri ela antes de bater. Fosse de cara, fosse para manter a educação. Que eu sequer sabia onde estava, nessa altura do campeonato.
– Harry! – ele pulou de pé, deixando um livro qualquer de lado.
– Liaaaaaaaaaaaam. – abracei seu pescoço, sem me conter, quase o mandando de volta para a cama.
– Eita, garoto, que afobação toda é essa?
Como eu poderia dizer isso sem manchar muito a minha imagem, hmmm...
– Eu tô com medo! Vi uma assombração.
Liam me encarou, acho que na dúvida se era ou não uma piada.
Bom. Eu lá tinha alguma imagem para louvar?!
– É, na realidade, eu ouvi. O Louis me ligou.
Ficamos um pouco em silêncio, ele com certeza sem querer falar algo e se comprometer, hunf. Bobão. Ele me fez soltá-lo, e foi fechar a porta.
– Uma assombração...
– É, pois você com certeza está sendo legal comigo como foi antes, né, ignorando totalmente a existência de um reles passado em comum, haha.
– Reles. Se fosse assim você não se importaria.
Eu estava mesmo para cair nessa hoje. Ele podia não estar se lembrando de verdade daquele fato, porque senão não mostraria assim tanto conhecimento da minha humilde pessoa. Eu provavelmente não considerava dessa maneira, porém, modéstia à parte, escandalizar dramas era comigo mesmo.
– Sabe que ele disse algo bem parecido com isso, é.
Liam riu de mim, aquele palhaço. Rindo da desgraça alheia, achava que podia, é?
– E foi isso que te deixou com essa pressa toda?
Inclinei a cabeça. Acho que perdi alguma informação ali. Vai ver a conexão falhou.
– Sua camiseta tá do avesso.
– Ahh... Ops. – tirei a peça de roupa e a deixei em cima da escrivaninha, perto de uns cadernos. Não ia colocar ela agora de novo não, podia me dar ao luxo de ficar sem depois de correr tanto. (Eu merecia até medalha, ó!) Liam não ia se importar mesmo.
“Bem melhor.” Para a situação do meu corpinho, okay.
– É. Uma assombração que saltou do meu passado para interferir no meu futuro! Era o que faltava, bicha atrevida.
– Eu... eu ainda não entendi, Harry. – admitiu ele, com um sorrisinho nos lábios. Naqueles lábios.
Consegui segurar um seu burro, no último instante. Já disse que isso ele não é. Mesmo que estivesse parecendo um pouquinho... Tolo. Desentendido.
Esses, acho que era eu. Suspirei.
– Liam... Eu não sei como ele conseguiu meu telefone. Não sei como ele me encontrou, nem nada. Ele me intimidou totalmente com as frases bobas dele – fiz careta. Acho que foi bem feia, por sinal, porque ele quis rir. – e sempre adivinhando o que eu ia falar, ou o que eu tinha pensado... – dei uma fungada. E... – Ele me chamou de gatinho, Liam! Gatinho! E tava me fazendo de gatinho indefeso, ainda por cima! Socooorro. – me ajoelhei, quase começando a chorar.
Liam me puxou pra cima, antes de qualquer coisa, e me juntou naqueles braços, ain.
– Mas, Harry... o que tem de mais? Um novo amigo não vai me tirar de você.
Aham, justo ele que pode saber disso, tá bom. Não querendo ignorar as palavras fofinhas dele, retribui, mais apertado. O abraço.
Ele tava entendendo tudo trocado. De novo. Acho que devo rever minhas formas de comunicação, ando o confundindo demais ultimamente. Ou era uma nova burrice nascendo em mim ou a própria saindo de mim e indo para ele. Uh, essa segunda opção é bem interessante.
– Liam, não é com isso que eu tô me agoniando. Mas ele é o Louis, Liam, o Louis!
– Sim, Harry, isso eu entendi. E daí? O que isso tem a ver?
Grrrrrrrrrr. Como ele podia ser assim tão suplerfuamente superficial sobre um assunto tão sério do meu passado?
– O que tem a ver, meu Liamdo que não se toca das coisas... Louis não é bem, assim, um novo amigo.
– E...?
– E que ele é o mesmo Louis!
– Mesmo? – franziu as sobrancelhas. Mas, poxa vida, ele não podia não estar entendendo! E aí, sabe o que ele fez?
Riu. Uma risada tão gostosa que quase fui junto, só que não podia. Porque, ainda assim, era da minha cara. Da minha linda carinha! O bico tava ali de novo.
Então ele veio me abraçar, me reconfortando. Me fez virar e sentar na cama, ainda me abraçando, e sorrindo leve. Tão lindinho. Comecei a respirar, mais aliviado. Que bom, né, porque respirar é saudável de vez em quando...
– Ele vai não te fazer nada, Harry.
– E por que eu devo acreditar nisso?
– Porque sim. Deita aí, respira, e me conta direitinho do telefonema, enquanto eu vou me lembrando dos detalhes sórdidos do seu passado com ele. Mas... é ele mesmo?
– Sim! Eu fiquei surpreso... e confuso... e não era para ele ter ido falar com a gente direto, sei lá. – mais uma risadinha. Suspeito, hein.
Ah, claro, porque minhas ações não eram nadinha suspeitas, sei.
Óbvio que não, né.
Ajeitei o travesseiro, olhando para Liam, me esperando começar a contar. Ele me olhou de volta, aguardando. Daí pensei num piscar de olhos. Merda.
Desandei a falar o resto.
Notas finais
Obrigada, leitora linda! (Desculpa se for homem, e obrigada também!) E claro, não esqueça do review...
Volte sempre!
Beijos, Möps
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