Um Jogo de Convivência - Revanche
5 Um Encontro pra esquecer da Revanche
Notas iniciais
Cheguei muito cedo ao shopping na manhã seguinte, sem conseguir conter a ansiedade de reencontrar a garota tão linda que dançou pelos meus sonhos, quando eu consegui dormir, na noite anterior. Eu só precisava ter certeza de que não a inventara... Afinal de contas, ela conseguira a proeza de me fazer ter iniciativa depois de muitos anos... Não era difícil se eu tivesse ficado muito bêbado e tivesse imaginado tudo...
— Gomen... – ela chegou correndo, me despertando de meus devaneios e parou ao meu lado, arfando. – Ficou esperando por muito tempo?
Eu sorri, balançando a cabeça negativamente, vendo-a recuperar o fôlego. Sereny abriu seu lindo sorriso, ajeitando a blusa e me olhando com seu encantador olhar predatório... Um arrepio subiu pela minha espinha, como se eu já tivesse sentido aquele olhar em mim, mas eu não tive tempo de refletir muito sobre isso, pois ela se atirou em meus braços e uniu seus lábios deliciosos aos meus, fazendo o chão e todo o resto do mundo desaparecer.
Ficamos em silêncio e eu não sabia o que fazer. Fazia realmente muito tempo que eu não saia com alguém, tinha esquecido como eu devia agir com ela.
— Então... O que quer fazer? – perguntei hesitante.
— Quer ver um filme? – ela sugeriu com seu sorriso lindo. – Disseram que o novo Homem de Ferro está muito bom!
— Homem de Ferro? – eu repeti surpreso e desconfiado. – Gosta de Homem de Ferro?
— Eu achei realmente fascinante o jeito como ele montou a armadura no primeiro. E a atuação do Robert Downey Jr. ficou incrivelmente compromissada! Ele conseguiu pegar a essência do Tony Stark dos quadrinhos! No começo, eu não gostei que ele não tinha nascido com o problema de coração, mas a versão dos estilhaços de granada alojados perto do coração dele foi válida! – Sereny disse com propriedade e eu arregalei os olhos.
— Conhece a história dos quadrinhos?
— Eu tenho dois anikis... – ela deu de ombros. – Aprendi a gostar de todos os tipos de filme de super-heróis, exceto X-MEN três... Nada me fez engolir tudo aquilo... – dei risada.
— Então, vamos ver Homem de Ferro dois! – passei o braço por sua cintura e fomos comprar nossas entradas. – Quer pipoca e refrigerante?
— Claro! – seu sorriso voltou a ofuscar minha visão. – Pipoca e refrigerante para dois?
Foi um filme incrível com uma companhia ainda melhor. Foi intrigante sair com uma garota que vibrava com as cenas de ação tanto quanto eu e que entendia as deixas dos HQs... Era como sair com um amigo que eu queria beijar... E como eu estava viciado naquela boquinha deliciosa...
— Eu adorei esse final! – Sereny exclamou fascinada e eu a apertei mais em meu peito.
— Gostou dele voando pra salvar a Pepper... – eu dei risada.
— Eu ainda sou uma garota, não sou? – ela deu de ombros.
— É verdade... Eu devia ter considerado isso... – dei risada e ela escondeu o rosto na curva do meu pescoço, arranhando minha pele com os dentes, me arrepiando inteiro e me fazendo gemer. – O que quer fazer agora? – perguntei ofegante.
— Hum... Aposto que consigo ganhar na corrida de carros! – ela me puxou pelo braço para o lugar dos jogos, me conduzindo para os controles de corrida de carros.
— Rá! Essa eu quero ver! Desde criança eu sempre ganhei de todo mundo! Qual você quer?
— Quero o carro vermelho! – Sereny disse animada como uma criança.
— Então, eu fico com o preto! – demos início à partida e ela era realmente boa na direção, mas meus anos de experiência em jogos como aquele conseguiram me deixar em primeiro lugar numa ultrapassagem arriscada perto da linha de chegada. – Ganhei!
— Ah, isso não foi justo! – ela fez um bico lindo. – De onde foi que você surgiu, Kouyou? – eu passei meus braços por sua cintura, beijando seu pescoço.
— Quer revanche? – sussurrei em seu ouvido.
— Hóquei de mesa! – dei risada, assentindo ao seu entusiasmo.
— O que você quiser, Ny-chan!
— Já estou assim no comando, é? – ela deu risada, jogando o disco pra mim e iniciando o jogo. – Vou repensar se quero usar esse tipo de poder para escolher os jogos ou fazer alguma coisa mais divertida...
— Você está me provocando pra tirar minha concentração... – mordi o lábio quando ela fez uma defesa fantástica.
— Provocando, Kou-chan? Não, não... – Sereny atacou com fúria e fez um ponto que eu não pude defender. – Eu não preciso distrair você pra ganhar, porque eu sei jogar a sério...
— Impressionante... – sorri, retirando o disco e recomeçando a jogada.
Ela ganhou de mim de sete a cinco, me deixando impressionado e ainda mais fascinado. Era divertido sair com aquela garota!
— Eu gosto do empate – disse, puxando-a para mim novamente e a garota me deu um selinho. – Quer comer alguma coisa? Está com fome?
— Quero sim! Estou faminta! – caminhamos juntos para a praça de alimentação do shopping de mãos dadas. – O que você vai comer? – ela perguntou com meiguice.
Olhei para todos os restaurantes a nossa volta, indeciso. Tudo parecia muito gostoso de ser devorado e eu estava realmente com muita fome. Sereny passou seus braços por minha cintura, me abraçando com doçura.
— Você pode escolher... Eu como de tudo – acariciei suas mãos em minha barriga.
— Eu quero comer pizza... O que acha? – ela sugeriu e eu novamente me surpreendi, virando-me para encará-la assombrado. – O que foi? – ela perguntou assustada com minha expressão.
— Nada de salada? Água e trigo? – brinquei.
— Eca! Não... – ela deu risada. – Eu prefiro comer com moderação do que comer muito alguma coisa sem gosto!
— Você é fascinante, sabia?
— Esse é o meu truque!
— Você devia me contar isso?
— Não tem mais problema você saber... Você já caiu... – puxei seu rosto e colei nossos lábios.
— Tem toda razão! Você já me envolveu completamente... – confessei, conduzindo-a para uma das mesas. – Pizza de que você quer?
— Eu não sei... Quer dividir uma de quatro queijos?
— Ótima pedida! – me afastei e fiz nosso pedido na pizzaria. Em pouco tempo, já estávamos nos deliciando com a massa exageradamente coberta de queijo. Eu não desviava meus olhos de Sereny nem pra levar o garfo à boca. Era estranho ficar tão bestificado como eu estava, estranho me deixar encantar daquela maneira por ela e babar tão descaradamente. Eu gostava até mesmo do rubor delicado em suas bochechas por me perceber olhando-a daquela maneira.
— Eu queria poder ler seus pensamentos pra saber o que está em sua cabeça quando me olha desse jeito... – ela disse, quebrando o silêncio que tinha se instalado na mesa enquanto comíamos.
Aproximei minha cadeira da dela e enlacei sua cintura com o braço, puxei seu rosto gentilmente e uni nossos lábios apaixonadamente, aproveitando aquele gosto delicioso se espalhando por minha boca até que nosso ar se fizesse imprescindível...
— Eu estava pensando nisso... – disse ofegante e Sereny segurou meu rosto entre suas mãos, ainda de olhos fechados, deixando nossas testas coladas. – E, em como prolongar esse encontro ao máximo!
Ela sorriu afagando minhas bochechas e deslizando seus dedos até minha nuca, arranhando minha pele com as unhas. Peguei minha pizza e aproximei de seus lábios, vendo-a sorrir e morder. Eu dei risada.
— É bom fazer isso... – expliquei quando ela me olhou questionadora. – É bom fazer esse tipo de coisas de... Casais... – terminei sem jeito. – Sabe?
Sereny pegou sua pizza e também ofereceu para mim. E eu mordi como ela tinha feito.
— Sei... Sei muito bem... – ela deu risada. – Então... Teve alguma ideia?
— Ideia? – eu estranhei sua pergunta.
— Disse que queria prolongar esse encontro ao máximo... – ela explicou. – Alguma ideia? – Sereny passou os braços por meus ombros e mordeu delicadamente meu lábio inferior, roubando minha sanidade com doçura, antes de me beijar.
E parecia que, cada novo beijo era mais sério e intenso do que os anteriores.
— Eu tive uma... – disse ofegante, ainda de olhos fechados, deslizando meus lábios por sua pele macia, do pescoço até abaixo da orelha. – Mas, eu não sei se você vai aceitar... – sussurrei em seu ouvido e senti os braços dela se estreitarem em mim e sua respiração ofegante bater em minha nuca.
— O quê? – sua voz saiu fraca e arfante.
— Quer... Tomar café da manhã comigo? – me senti bobo e estúpido no instante em que terminei de proferir essas palavras, sentindo meu coração disparar e meu rosto queimar violentamente.
— Quero... – ela respondeu em um sussurro delicioso que me enlouqueceu.
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