Um Jogo de Convivência - Revanche
7 Por que começar uma Revanche?
Notas iniciais
Acordei na manhã seguinte com a deliciosa sensação do corpinho da minha morena abraçado em mim. Permaneci em silêncio, de olhos fechados e a senti despertar, se movendo minimamente em meus braços para não me acordar. Estreitei os braços em torno dela, impedindo-a de sair.
— Eu te acordei? – ela perguntou baixinho, sua voz soando preocupada.
— Não... Eu já estava acordado... – arrumei-a em meus braços, colando nossos lábios. – Estava achando inacreditável que você não tivesse sido um sonho quando você começou a se mexer...
Sereny sorriu e ficou por cima de mim, unindo nossos lábios apaixonadamente e afagando meu rosto com doçura e meiguice.
— Você parecia querer ir a algum lugar... – eu disse baixinho.
— Eu preciso ir... Tenho aula... – ela disse manhosa, beijando meu peito.
— Não pode faltar hoje?
— Não posso... Meus pais foram viajar e eu só não fui com eles para não perder as aulas na faculdade... Agora, tenho que ir... – ela choramingou.
— Está sozinha e desprotegida em casa? – eu perguntei preocupado.
— Sozinha, sim... Desprotegida, não... – Sereny deu risada. – Meus irmãos tem ido me ver todos os dias pra ver se está tudo bem... Às vezes, até duas vezes por dia e me ligam o tempo inteiro, aqueles desesperados... Como se eu ainda fosse uma criança!
— Hum... E, você precisa ir agora?
— Eu preciso passar em casa... Trocar de roupa...
— Certo... – uni nossos lábios e me levantei. – Dá tempo de tomar um banho?
— Não precisa se levantar, Kou-chan... – ela disse manhosa, se levantando e se enroscando em meu corpo de uma maneira enlouquecedora.
— Eu quero... – enlacei sua cintura. – Quero ficar o máximo possível com você... Você permitiria?
Sereny sorriu e ficou na ponta dos pés para me beijar, passando seus braços pelo meu pescoço, se agarrando e se colando mais em mim.
— Como eu não permitiria se isso é o que eu mais quero? – ela sussurrou para mim.
— Então, o que acha de irmos para a sua casa, você se troca, eu te levo pra faculdade, você tem aula, depois a gente volta pra cá e... Bom, você sabe – dei risada, beijando seu pescoço e seu colo.
— Seu plano é muito bom... – ela gemeu.
Puxei-a para o banheiro e nós dois entramos embaixo da ducha quente, no banho mais maravilhoso da minha vida. Ela saiu enrolada na toalha e recolocou suas roupas, que eu tão empenhadamente retirei no dia anterior... Como era torturante vê-la se vestir... Peguei minhas roupas no armário e também me vesti.
— Nós podemos tomar café em algum lugar antes da sua aula? – eu perguntei, puxando-a pela cintura para sairmos, indo para o estacionamento e entrando no carro.
— Podemos – Sereny respondeu contente. – Tem um lugar que eu adoro lá perto! – eu sorri e afaguei seu rosto antes de dar a partida no carro. – Você vai ter ensaio hoje?
— Só amanhã... – respondi, dirigindo, os olhos nas ruas ainda pouco movimentadas. – O que acha de conhecer meus amigos?
— Conhecer seus amigos? – ela se surpreendeu. – Isso não exige um... Relacionamento mais complexo? – Sereny perguntou hesitante e eu dei risada de sua preocupação. – Eu nem consegui conhecer os amigos do meu aniki no sábado, na festa... Tinha tanta gente... – ela justificou.
— Bom... Exigir, exige... – eu comecei. – Mas, se você estiver muito preocupada... Não acho que nenhum deles vai cobrar um noivado... – ela deu risada.
— Se for assim... Não tem problema... Vou poder assistir ao ensaio de vocês? – seus olhos cor de chocolate ao leite brilharam incandescentes de felicidade.
— É claro! De que outra maneira eu poderia me mostrar pra você? Mas, faça o que fizer, não olhe para o outro guitarrista da banda! Eu tenho até medo de pensar o que poderia acontecer... – tentei afugentar os pensamentos ruins.
— Por quê? Ele é perigoso ou qualquer coisa do tipo?
— Perigoso? Não... Na verdade, não acho que conheço alguém melhor do que ele... Além de você, né? – sorri e afaguei seu rostinho corado. – Mas, nós viemos aprontando muito um com o outro e, apesar de eu estar apenas rebatendo tudo o que ele me devia... Ele pode estar arquitetando um contra-ataque duplo mortal... – Sereny deu risada.
— Vocês parecem muito amigos...
— Ele é um dos meus melhores amigos no mundo, só não conte isso pra ele... – dei risada.
— Não se preocupe, seu segredo está seguro comigo! – ela também riu. – Minha casa é aquela ali – a minha morena apontou para uma casinha amarela e branca na rua em que estávamos. – E... Parece que vai conhecer meu aniki... – sua voz saiu preocupada e eu gelei.
— Acha que tem problema? – perguntei receoso, olhando a moto preta estacionada na frente do jardim.
— Não... Acho que não... – nós dois saímos do carro e ela enlaçou os dedos da minha mão, caminhando para a entrada e destrancando a porta. – Aniki? Está aí?
— Você tem noção de como eu estava preocupado? – uma voz grossa veio do lugar de onde eu supunha ser a sala de estar. De onde eu conhecia aquela voz? – Eu estava quase ligando pra polícia! Pode me dizer onde você estava, sua irresponsavelzinha? – de trás de uma parede, bem diante de meus olhos, surgiu a figura enfurecida de Yuu, tão surpreso quanto eu estava. – Kouyou? – ele perguntou confuso. – O que faz aqui?
— Yuu é seu aniki? – eu perguntei para Sereny, que estava tão surpresa quanto nós dois.
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