Um Jogo de Convivência - Revanche
1 Uma Dose mais Pesada de Revanche
Notas iniciais
Eu me levantei preguiçoso e olhei para a manhã que nascia quente lá fora. Minha cabeça doía um pouco pelas doses de cerveja e vodka que eu tinha alternado na noite passada, numa pequena comemoração da banda.
Minha banda, o the GazettE, tinha se apresentado em uma das maiores casas de show de Tókio e tínhamos sido, sem maiores pretensões, um grande sucesso. Nossa gravadora já começava a nos projetar para uma turnê por todo o país.
Mas eu não tinha exagerado na bebida exatamente pelo meu entusiasmo depois do show, ou porque o guitarrista Uruha é realmente descontrolado com bebida. Não... Dessa vez eu tinha um propósito pra ter bebido tanto...
Já fazia um mês que o the GazettE tinha um novo guitarrista... Shiroyama Yuu, ou, como ele preferia ser chamado, Aoi. E ele era o cara mais sacana que eu já tinha conhecido...
Logo que entrou na banda, Aoi me provocou das maneiras mais ardilosas, sujas e baixas que eu cheguei a conhecer em minha vida... Mas nós tínhamos chegado a um pequeno acordo de que poderíamos ser grandes amigos no dia em que eu finalmente me sentisse vingado...
E eu tinha passado todo aquele mês pensando em como eu poderia fazer aquilo. Como eu me sentiria vingado a ponto de esquecer as coisas que ele me fez e ser amigo do moreno. Bom, na noite anterior, eu comecei a pôr em prática meu pequeno plano...
Flashback
Aoi estava sentado em um dos bancos do balcão de bebidas do bar, olhando divertido para os companheiros de banda que festejavam o grande show que fizeram. Uruha sentara-se ao seu lado, sem que o moreno percebesse sua aproximação, com um sorriso maligno nos lábios.
— Você bebe como a minha aneki... – o guitarrista loiro disse, dando risada e chamando a atenção do mais velho, que se virou para encará-lo.
— Infelizmente, você bebe como a minha imoto... – Yuu deu risada.
— Então, ela deve ser mais macho do que você, né?
— Gomen... Se eu não quero perder a razão bebendo desvairadamente, isso não faz de mim menoshomem, Kou!
— Não, faz de você gaymesmo... – o mais novo gargalhou, virando toda a sua cerveja na boca.
— Beber com prudência me torna gay... – Aoi revirou os olhos, dando risada. – Nós podemos testar essa sua teoria, se você quiser, Uruha... Você me mostra como um “macho de verdade” beberia e eu bebo moderadamente... Aquele que for violentado por um marmanjo “tão macho quanto” no beco atrás do bar é uma loira gostosa de cintas ligas, o que me diz?
— Eu digo que, realmente, gostaria de conhecer a sua imoto! – o moreno fechou a cara. – Se ela bebe como eu, deve ser mais divertido sair com ela...
— É melhor deixar de trazer a minha imoto para essa sua conversa de bar, Uruha!
— Ora, mas se foi você mesmo que falou nela! – o loiro fez uma cara inocente. – Vai, Yuu, larga de ser frouxo! Você nem vai dirigir hoje!
— Eu não preciso provar nada pra você... – o moreno deu de ombros.
— Ah... Eu já entendi... Você tem medo!
— Medo de quê?
— Medo de se tornar uma pessoa mais agradável bêbada do que sóbria...
— Não vai me convencer com esse seu truquezinho sórdido – Yuu deu uma risada sarcástica.
— Ah... Claro que não vou convencê-lo, Aoi-san... Não é essa a minha intenção... Eu só quero beber com meu grande amigo...
— Conta outra, Kouyou... – o loiro deu risada. – Acha que eu não sei o que você quer fazer?
— Não sei do que você está falando...
— Assim você me ofende, Kouyou! Eu sou mais inteligente do que você pensa...
— É sério? Quase me enganou...
— Eu estou há um mês vigiando minhas costas, só esperando você atacar... Não vai ser assim tão fácil...
— Eu só queria que você se soltasse um pouco... Parece nervoso com alguma coisa... Tenso... E, a minha experiência diz que cerveja não vai te ajudar nessa situação...
— Bom, eu não vou negar que você é o mais experiente com bebidas... – o mais velho zombou.
— O que foi que aconteceu? O que é que está preocupando tanto você?
— Não é nada, não, Kou... – o moreno levou seu copo à boca.
— A pressão do the GazettE está sendo muito pra você?
— Não...
— Então, me acompanhar está sendo difícil demais? – o loiro sorriu, presunçoso.
— Não, baka!
— Ah... Não tem conseguido nenhuma garota pra lhe fazer companhia ultimamente?
— Uruha, vê se cala essa boca!
— É isso, não é? – o mais novo gargalhou, pedindo uma dose de vodka pra ele e pro amigo.
— Que eu me lembre bem, é você que está na seca há mais de seis meses...
— Yuu – Kouyou revirou os olhos. – Quando passam quatro meses, deixa de ser seca e vira um estado de espírito...
— Sei... – o mais velho deu risada, bebendo de seu copo distraído. – Continue repetindo isso pra si mesmo e talvez se convença...
— Você não está muito melhor do que eu...
— Engano seu, Uruha... Engano seu... Eu não tenho problema com mulheres... Se eu gosto de uma, não tem porque me sentir intimidado e não chegar nela... Você, por outro lado...
— E daí que eu não sei chegar em mulher? Eu tive duas anekis...
— Isso não é desculpa... Acha que meu aniki me ensinou alguma coisa do que eu sei?
— Não sou muito a favor do método de tentativa e erro, sabe? Quebrar a cara até acertar parece meio masoquista...
— Uruha, é uma mulher, não o bicho-papão! Você fala como se não tivesse o que é necessário... Não consigo entender como você consegue ser confiante no palco, levar as garotas à loucura e fora do palco agir como um menino gordinho e quatro olhos!
O guitarrista loiro ficou vermelho e virou seu copo na boca com fúria.
— Por acaso, eu toquei num ponto delicado? – Aoi deu risada. – Por acaso, você foi um menino gordinho e quatro olhos, Kou?
— Cala a boca! Não fala do que você não sabe! – o outro gargalhou.
— Pois eu acho que eu acertei qual é o motivo pra você ser tão inseguro com as mulheres... Não tem problema, Kou! O que você precisa é encontrar uma mulher mais segura!
— Cala essa boca! Já falei que não é pra você falar do que você não sabe, Yuu!
— Não é engraçado como você veio até aqui me embebedar pra me dar o troco e eu virei o jogo? – o mais velho brincou, provocando o outro e terminando novamente sua bebida.
— Se você não percebeu, já virou uns quatro copos de vodka... – o loiro indicou o copo vazio na mão do amigo, que fez uma expressão confusa e surpresa.
— Isso vai ser ruim amanhã...
Fim do Flashback
Eu terminei de me trocar e tomei uma xícara de café bem forte pra tentar diminuir um pouco a dor de cabeça que estava me deixando louco. Peguei as chaves do carro e me apressei a descer para o estacionamento do prédio e segui para a gravadora.
Subi até o andar do the GazettE e encontrei Kai, como sempre, arrumando as papeladas sobre os assuntos que discutiríamos naquela manhã.
— Ohayou, amigo – eu disse, num tom de voz baixo e o baterista deu risada.
— Ohayou! Conseguiu encontrar o caminho pra cá hoje? – me joguei no sofá, revirando os olhos.
— Não é comigo que deveria se preocupar, Kai... O Aoi bebeu bem mais do que eu ontem... E ele não é tão forte... – dei risada e isso fez minha cabeça latejar.
— É... Eu vi você induzindo-o a beber ontem... Pensei que tinham acabado com essa criancice!
— Não até eu me vingar pelas palhaçadas que ele aprontou comigo quando ele entrou na banda!
— Ah, isso é realmentemuito maduro, Uruha! – o moreninho revirou os olhos.
— Uruha não sendo maduro? – Reita entrou, gargalhando. – Que novidade...
— Cala a boca, Akira! – eu bufei, fechando a cara.
— Olha a agressividade! – Ruki entrou, também rindo. – Acordou de mau humor, foi?
Eu não tive tempo de responder, o guitarrista moreno entrou na sala, usando óculos escuros, com uma expressão cansada e sofrida.
— Ohayou – ele disse baixinho, se jogando no sofá e deitando a cabeça pra trás.
— Qual o problema, Yuu-chan? – eu me sentei ao seu lado, com um sorriso debochado. – Exagerou na bebida ontem?
— Por que você não vai se foder, Uruha? – o mais velho vociferou para mim. – Seu filho da puta, maldito! Minha cabeça está explodindo por sua culpa!
— Você é uma mulherzinha frouxa que não aguenta uns copos a mais e a culpa é minha? Diz aí quando foi que eu virei um copo de vodka na sua goela? – gargalhei sarcástico.
— Você entendeu o que eu quis dizer!
— Não, não entendi não! Você não é menor de idade... Na verdade, é o mais velho de nós dois e, portanto não é “influenciável”... Você mesmo disse que era mais inteligente do que eu pensava...
— Isso não vai ficar assim! – o moreno disse furioso pra mim e eu dei uma risada maligna, negando com a cabeça.
— É claro que não, Yuu... Eu estou só começando...
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