Um Insuportável solitário
63 Capítulo 63 - Um dia assim, eu quero todos os dias
Notas iniciais
A euforia não estava mais cabendo dentro do meu peito que batia acelerado, minha boca estava congelada em um sorriso estúpido e meus olhos encaravam o relógio a cada um segundo e a hora parecia que demorava ainda mais para passar.
Na cama eu me revirava a todo o momento, mesmo depois de meu pai ter nos dado boa noite e conversado um pouco como fazia quando éramos criança e isso me distraia e me dava aquele sono gostoso cheio de calma, mas hoje eu estava uma pilha de nervos. Desci para a cozinha a procura de algo que matasse um pouco a ansiedade que estava chegando em meu estômago e encontro Val atacando a geladeira na calada da noite e meu irmão sentado na cadeira com o rosto colado na mesa cheio de sono.
Se minha intenção era passar um pouco o tempo comendo ou conversando com Val, não deu muito jeito, pois a mesma foi se deitar, pois depois de comer lhe dava aquele sono pesado e assim meu irmão a seguiu parecendo um zumbi e eu fui para o quintal de trás onde a luz da Lua dava vida as sombras das arvores então meus olhos pousaram no celeiro e lembrei-me de meu cavalo.
Será que ele ainda estava lá? Muito tempo que não ando de cavalo.
E assim que entro no celeiro encontro meu lindo cavalo dormindo e me parte o coração de acordá-lo para satisfazer um capricho meu, então pego uma bicicleta velha de meu pai e saio andando pela escuridão da mata que eu conheço tão bem.
O vento em meus cabelos curtos é diferente quando eles eram grandes, hoje parece tudo mais amplo e leve. Algo que eu não enxergava em minha antiga vida.
Dou a volta no lago, pedalo ao lago do rio ainda sorrindo por dentro e sentindo meu coração bater como uma escola de samba. Para em qualquer lugar perto do rio apenas para poder respirar e molho as pontas dos pés e se não estivesse um pouco escuro eu entraria e só sairia na hora de me encontrar com ele.
E falando dele, meu coração bate acelerado outra vez que me dá vontade de correr e gritar seu nome e coisas indecifráveis e é exatamente isso que eu faço. Corro como uma louca, danço como uma minhoca no sal, chamo por seu nome mesmo sabendo que não obterei resposta até que começo a me cansar rapidamente e logo para com medo de ter outra crise.
Deito no chão e encaro o céu estrelado e a lua linda que consigo enxergar rosa.
Seria assim que as pessoas se sentem quando estão transbordando em amor?
Elas conseguem ver amor em tudo, ver todo o lado bom de todas as coisas e se sente confiante, amada, feliz sem medidas...
E com esses pensamentos vejo o sol nasce e sei que papai terá um ataque do coração ao penar que passei a noite com Maicon, então monto na bicicleta e dou meu tudo ao pedalar de volta para casa. Preciso vê-lo esta manhã.
– Alguém não dormiu essa noite? – Pede mamãe quando entro na cozinha. – Eita que sorrisão bonito! – Ela sorri igual a mim.
– Bom dia! – Digo eufórica. – Papai já está acordado?
– Está terminando de se arrumar no quarto.
Não espero ela dizer mais alguma coisa e corro para onde meu pai está e paro na porta quando o vejo diante do espelho ajeitando sua gravata.
– Bom dia! – Ele diz sorridente.
Cruzo minhas mãos a minha frente e mordo meus lábios nervosamente não contenho a ansiedade e divido meu peso entre uma perna e outra.
– O que foi? – Ele diz ao me olhar pelo espelho. – Que sorriso é esse? – Diz ao imitar meu sorriso. – Nome disso é Maicon?
Aceno com a cabeça exageradamente e mordo meus lábios com força ainda sorriso e corro até ele o abraçando.
– Até que ele é um cara legal! – Papai diz dando de ombros.
– Eu te amo, papai! – Sussurro e ele sorriso de lábios fechados.
– Mas que fique ciente de que você me pertence por toda a eternidade! — Ele alisa meus cabelos e beija minha testa. – Agora vá acordar suas irmãs, vou levá-las a empresa hoje antes de irem para a escola!
– Ok!
Corro até meu quarto e as encontro jogadas na cama e pulo na cama de Larisa que resmunga algo se cobrindo toa.
– Ahh! Vamos, acordem, acordem! – Grito animada e me jogo em sua cama caindo na gargalhada.
– ÓTIMO! – Grita Larisa mal humorada. – Agora vá pra sua cama, já acordei!
Ela continuar de baixo do cobertor e vou para cama de Alícia que me olha com a testa enrugada.
– Já vamos para Paris? – Pede ela sorrindo e pulando junto comigo em sua cama e nego com a cabeça. – O que então? – Ela para de pular e faz um bico de decepção.
– Vamos à empresa de papai hoje! Todo mundo! – Comento ainda pulando e sorrindo.
– Até você? – Larisa senta na cama nos olhando e concordo com a cabeça. – E você está feliz por isso? O mundo tá acabando mesmo!
– O que aconteceu com você? – Indaga Louise para mim.
– Nada! – Dou de ombros.
– Bom dia meninas! – Deseja papai na porta. – Vamos, não demorem.
E nos deixa a sós.
– Sério! – Larisa se levanta da cama. – Eu não sei o que está acontecendo nessa casa, mas seja lá o que esteja acontecendo que você não mude de humor!
– Fique despreocupada que nunca mais mudarei o meu humor! – Comento ao descer da cama ao ajeitar meus cabelos de frente pro espelho e começo a dançar uma música imaginária.
Entramos em silencio e todas me olham.
– Quem se arrumar por último arruma o quarto! – Grita Louise e corremos para nos preparar para mais um dia.
E como diria vovó; vocês perto do tio de vocês são piores do que furacões!
#partiuserfeliz
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