Um Insuportável solitário
60 Capítulo 60 - Um bom lugar para relaxar
Notas iniciais
– Bom dia! — Digo ao descer a escada e ver toda minha família tomando café.
– Bom dia! — Eles dizem ao mesmo tempo e meu coração pela primeira vez bate em alegria e conforto.
Rapidamente vou para o meu lugar onde é entre minhas irmãs que estão devorando todo o seu café da manhã enquanto meu pai lê seu inseparável jornal, mamãe termina de colocar o suco na jarra para se juntar a nós, Guilherme mimando a Val que come de bom grado.
– O que estão pensando em fazer depois da escola? — Pede mamãe.
– Tenho que estudar para o teste! — Larisa revira os olhos.
– Eu vou fazer uma maquete! — Louise olha o celular distraída. — Por que?
– Por nada! — Mamãe dá de ombros.
– Estou livre de manhã! — digo e seus olhos caem sobre mim!
– Bicha sortuda! — Resmunga Larisa sem me olhar.
– E vocês? — Mamãe olha para Guilherme e Val.
– Estou atolado hoje, mãe. Desculpa. — Diz guilherme.
– Marquei de passar o dia com minha mãe já que tem alguns dias em que não a vejo! — Val faz um bico fofo em desculpa e mamãe sorri para ela.
Em seguida logo os lhos de minha mãe estão sobre meu pai que não está nem ai com a hora do Brasil. Mamãe espera pacientemente dois minutos até que ela faz alguns sons com a garganta como se tivesse coçando-a e papai apenas abaixa uma ponta do jornal e olha para ela.
– Hum? — Ele diz.
– E você? — Pede ela animada.
– Eu o que? — Ele volta a ler o jornal.
Mamãe bufa e revira os olhos se voltando para seu café fumegante.
Silencio.
– Ok. — Ele diz por fim fechando seu jornal. — O que está pensando em fazer hoje a tarde?
– Nada de mais. — Ela dá e ombros sem dar muita importância para ele.
E o restante do nosso café da manhã foi entre risadas quando papai tenta a todo custo tirar qualquer informação do programa de hoje a tarde e quando ele olha para o relógio logo grita dizendo que está na hora dele irem e é aquele mar de pessoas se levantando dizendo "já vou" ao mesmo tempo em que rouba alguma coisa da mesa até restarem eu e mamãe.
– Bem! — Ela suspira. — Vamos sair!
Ela se levanta e a sigo com o olhar.
– E para onde vamos? — Peço ficando de pé quando a vejo com sua bolsa em mãos.
– Vamos a um lugar em que eu deveria há muito tempo ter levado você e suas irmãs! — Ela sorri para mim.
Corro para o quarto e logo visto uma calça jeans e uma regata larga azul marinho e sapatilhas da mesma cor e encontr mamãe vestida parecida comigo, porem sua blusa é amarela.
– Vamos? — Pede animada.
– Vamos! — Sorrio.
O caminho até aonde estávamos indo era um pouco demorado, mas não muito. Passamos pela pequena cidade onde sempre acontecia as festas típicas, depois grandes e por fim mais morros como perto de nossa casa.
– Estamos perto da onde? — Peço quando vejo um enorme lago.
– Do meu muno particular! — Comenta mamãe animada quando entramos em uma estrada de barro.
– Papai sabe desse lugar?
– Sabe, mas veio apenas duas vezes! — Ela dá de ombros.
Olhando pela janela só vejo morro, morro verde do tipo daqueles filmes antigos que a mocinha vai começar a vida do zero e escolhe logo uma cidade onde não há nada além de morros e lagos? Bem desse tipo.
Assim que mamãe anuncia que chegamos, avisto uma pequena casa toda feita de madeira com um lago enorme a sua frente.
– Bonito! — Digo encantada.
– Venha! — Ela me chama quando sai do carro e a sigo.
– Que lugar maravilhoso! — Sussurro e paro ao seu lado.
– Não é? — Mamãe me abraça.
– Sei que Grécia é um lugar lindo, mas me identifico mais com esse aqui! — Comento e ela ri.
– Sabia que ia gostar, mas se viéssemos para cá, seu pai também viria. E não só ele como todo o resto.
Ela me olha, porém estou olhando o lago.
– Assim como o Maicon também! — Ela sussurra.
Meus olhos automaticamente se voltam para ela.
– Escute, querida! — Ela alisa meus cabelos curtos e bagunçados. — Eu sei que é difícil quando passamos por algo complicado no amor. Mas quero que você entenda que eu e seu pai estamos aqui para te ajudar. Mesmo ele dando aqueles ataques de ciumes!
Sorrio e já começo a ficar com minha visão turva.
– Sabe. — Começa ela de novo. — Quando descobri que estava apaixonada pelo seu pai e que ele não ligava "chongas" para mim eu decidi partir! — Ela cruza seus dedos nos meus e me conduz para perto do lago. — Eu estava de coração partido e achava que ficar longe o bastante seria o suficiente para seguir em frente.
Ela me encara e beija-me a testa.
– Eu com sua idade tinha fugido de casa e agradeço por nenhum dos quatro fizerem isso comigo! — Ela coloca a mão livre no coração por alguns instantes e suspira. — Mas ficaria de coração partido em te ver na idade do amor com o coração partido por ter deixado quem ama aqui no Brasil!
Meu coração bate acelerado e tento não sorrir.
Será isso mesmo que eu quero? Será mesmo que meu ai vai deixar?
– Eu venho conversando com seu pai sobre essa hipótese. — Ela dá de ombros. — De vocês ficarem aqui no Brasil, mas Louise e Larisa querem desesperadamente ir para lá. — Ela dá uma leve risada e sorrio ao concordar com a cabeça. — É claro que ele quase teve um ataque do coração, deu aquele show todo de ter feito vocês com tanto amor, de ter trocado a frauda de vocês e tudo mais.
Ela suspira e deixa uma lagrima cair.
– Vamos aproveitar o passei mãe. — Digo baixinho e ela concorda com a cabeça e a abraço. — O que mais a senhora pode me amostrar?
Ficamos alguns minutos olhando o lago enquanto minha mãe me contava o que papai fazia quando veio aqui pela segunda vez. Ele pegou um barquinho e moveu céus e terras para que minha mãe entrasse no barco pelo simples fato dela ter medo de água. Não da água exatamente e sim de lagos de tantas vezes ter visto filmes de terror onde um casal apaixonado ia fazer amor no lago aparentemente tranquilo e do nada vinha um monstro ou um assassino e os matava.
Era assim que rodava a cabeça de minha mãe.
– Foi aqui que ele te pediu em casamento? — Peço e ela nega com a cabeça.
– Aqui foi as vezes que tentávamos fazer você e suas irmãs! — Ela ri e minhas bochechas coram. — Desculpe, querida. Não resisti.
– Tudo bem, só meio estranho conversar essas coisas assim... — Dou de ombros ao fazer uma leve careta. — Assim, tão na cara!
– É porque você não me conheceu na época em que eu e seu pai dividíamos o apartamento, eu era o terror! — Diz feliz ao lembrar do passado.
– E por que a senhora não é mais?
– Quando a gente casa, começa a viver a dois e depois em seis! — Ela ri e sorrio para ela. — Agente começa a ver o mundo de outra forma depois que temos filhos. Você vai entender! quem é durão, fala doa a quem does, vai pensar algumas vezes antes de fazer.
– Mas papai não mudou!
– Ele muda, depois volta ao normal. Nunca sei qual o humor verdadeiro de seu pai. — Ela alisa meus cabelos. — Agora venha ver uma coisa!
Ela segura mais uma vez em meus dedos e entramos na casa que por dentro não tem nenhum móvel a não ser telas algumas descobertas e outra escondidas por panos.
Meus dedos curiosos seguram a ponta de um e olho para minha mãe pedindo permissão e ela concorda com a cabeça e assim que tiro vejo o rosto de papai.
O lindo rosto de meu pai.
– São quadros que fiz em toda a minha vida e os que eu mais gosto eu não os vendo. — Ela diz baixinho atras de mim. — E esse fiz quando seu pai partiu meu coração, e essa foi a única forma de tê-lo perto de mim e me olhando todas as vezes em que eu o olhasse.
– A senhora pinta muito bem! — Encosto as pona de meus dedos sobre os olhos de papai e em seguida a boca e na bochecha.
Os cabelos loiros junto com os olhos caramelados de papai são o destaque, depois vem para o nariz arrebitado e a boca perfeita no queixo quadrado de homem. O deixando ainda mais bonito.
– Venha, tenho muitas outras coisas para te mostrar e quero assar um tempo com minha bolinha um! — Ela diz animada me puxando para a escada a nossa frente.
E la vamos nós em uma manhã só de garotas!
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