Um Homem De Família

1 Capítulo 1 - A mulher de sorriso meigo


Notas iniciais
É a primeira vez que decido postar uma fic em um site de tamanha expressão. Não sei se vocês vão gostar, mas espero que sim! Essa história surgiu na necessidade que eu tinha de ver o Alexander nessa situação. É um drama, eu sei.
Espero que gostem :)

AJ McLean caminhava calmamente pelas ruas de Los Angeles, já passavam da meia noite e era completamente anormal, uma pessoa andar àquela hora na rua, justamente na noite da véspera do Natal. A maioria das pessoas estava em casa, preocupando-se com a farta ceia e com os convidados, mas ele não.

Desde que sua mãe, Denise, faleceu, ele sentia-se sozinho, mas tentava mudar esse quadro com uma ou outra prostituta qualquer. Mas, naquele dia, definitivamente, não estava disposto àquilo.

Entrou em um pequeno bar e pediu uma garrafa de Jack Daniels – seu melhor amigo. – Não demorou muito e metade da garrafa já aquecia seu corpo frio, a sensação de liberdade que Jack lhe oferecia era completa, ele sentia-se bem com aquilo e esquecia por completo a sua solidão. Ele tinha tudo, dinheiro, fama, mulheres a qualquer momento, uma bela casa, empregados a seus pés... Tudo que um homem desejaria na vida.

“É” pensou “Foda-se a solidão, eu posso lidar com isso”, saiu do bar deixando uma generosa gorjeta para o homem que o atendeu. Ele continuou a andar pela rua observando as luzes que piscavam incansavelmente, aquilo só o fazia lembrar-se dos natais felizes que passava ao lado de sua querida mãe, sempre fora tão dependente dela, apesar de ter tudo que tinha.

Parou diante de uma loja de artigos para casa, ficou observando o porta-retrato peculiar, era um homem sorrindo sentando com duas crianças aparentemente felizes, além de uma bela morena que estava ao lado dele.

Talvez o álcool estivesse com o efeito um pouco mais avançado, pois naquele momento ele sentiu inveja daquele homem. Queria apenas o simples, uma boa mulher, que o amasse e respeitasse pelo que era e que não se importasse com a vida que ele levava.

Surpreendeu-se com aquele pensamento, o álcool não estava surtindo o efeito desejado. Ele? Pensar em casar? Não, definitivamente, não, não e não! Ter filho?! Puff, aquilo estava mais do que fora de cogitação. Mesmo assim, continuou a observar a foto, aquele homem era um burro, pelas feições, tinha cara de ser um homem rico, que podia ter todas as mulheres do mundo aos seus pés e ainda estava ali, com aquele sorriso bobo como se estivesse feliz.

“Panaca” murmurou um pouco alto demais e nem notou que da loja saia uma mulher, que usava óculos de grau e cabelos revoltos.

- Posso ajudá-lo com alguma coisa? – perguntou a moça com uma voz suave.

- Não... Eu só estava... – Ele parou de falar quando reconheceu quem estava na sua frente. – Rebecca? Rebecca Sparks? – Sua voz era de surpresa.

— Sim e você é... – Rebecca o avaliou um pouco. – Oh meu Deus, Alexander! – Ela até fez menção de abraçá-lo, mas parou no meio do caminho.

– Hey, vejo que você está ótimo!

- Você que está! – Ele sorriu mais abertamente.

Alexander e Rebecca tiveram um relacionamento logo no início da carreira dele, eram vizinhos e se conheceram quando por descuido, AJ quebrou a janela da casa da família dela jogando baseball com os amigos.

Sempre fora um relacionamento turbulento, e piorou depois que Alexander, tornou-se famoso com o grupo de amigos cantores. Rebecca nunca aceitou isso, nunca aceitou que ele passasse mais tempo distante dela do que com ela, embora quando estivessem juntos fosse algo muito explosivo.

Então vieram as traições, falatórios e todas as outras coisas, Becca, não conseguia suportar aquilo e terminou o relacionamento com ele, o que a moça não sabia é que a partir daquele momento, Alex prometera a si mesmo que nunca mais se apaixonaria por alguém, porque não valeria à pena.

Ele a amava da forma mais intensa e real, mas com o tempo o amor virou ódio, desprezo, saudade e necessidade. Foi difícil esquecer Rebecca, por isso que, a maioria dos seus relacionamentos, era roubada!

Mulheres que só se interessavam pelo dinheiro e fama, Rebecca pensava diferente e enquanto namorados tiveram diversos atritos por causa disso. Alexander tornou-se egocêntrico, egoísta, vaidoso e viciado em álcool e droga, enquanto Rebecca seguia com uma vida simples e monótona, nada de muito especial.

Ele fitou a mulher a sua frente, completamente diferente daquela que ele tinha conhecido há tanto tempo. Os cabelos dela, que antes eram loiros, agora estavam ruivos, seus olhos continuavam com o mesmo brilho intenso e expressivo.

- Olá, boa noite! – uma voz masculina penetrou sua mente, tirando-o do transe.

- Ah! Michael esse é Alexander, Alexander esse é Michael, meu noivo. – A mulher fez as devidas apresentações.

Alexander observou a mão do rapaz moreno esticada, esperando por alguma reação dele, que depois de muito esforço retribuiu.

- Bom! – Começou a falar. – Preciso ir! – Disse com um sorriso sem graça no rosto. – Foi bom te encontrar, Rebecca e bem... Felicidades e um ótimo natal.

— Obrigada! – Ela agradeceu com um sorriso sincero e ao mesmo tempo intrigado. – Para você também. – Ele agradeceu com um aceno com a cabeça.

O álcool deveria estar mexendo com os seus nervos, ora estava bem, feliz com a vida que levava, ora sentia-se triste e solitário, e agora a única garota que amou de verdade, em toda sua vida, ia simplesmente casar e o pior... Parecia extremamente feliz sem ele.

Suspirou e olhou novamente para trás na esperança de vê-la e nem notou que se bateu com uma pequena senhora que carregava algumas sacolas de compras.

- Desculpa! – disse ele, abaixando-se para reunir as bolsas da mulher. – Eu estava distraído e não te vi! — Não se preocupe rapaz. – A mulher sorriu e com um olhar terno observou Alexander.

– Aquela moça... Você a ama?

Ele bufou! Como assim “se ele a amava”?! E claro que não a amava! Já tinha superado Rebecca a mais tempo do que imaginava.

— Claro que não! – respondeu rispidamente.

- Desculpa a pergunta não quis ofender, mas vi o jeito como a olhava... – A mulher continuou falando. – Novamente, desculpa a indelicadeza e gostaria de tomar um chá comigo?

Por aquela, Alex não esperava, tomar um chá? Àquela hora e com alguém que nunca vira?

– Acho melhor não. – Respondeu.

- Vamos lá! Vejo que está levemente alterado. – A mulher sorriu bondosamente, o que de alguma maneira, acalentou o coração dele.

- Um chá, não faz mal não é? – Concordou finalmente e segurando algumas bolsas a acompanhou até uma pequena casa que ficava a duas quadras dali.

O lugar era pequeno e cheio de coisas, pelo cheiro, lembrava lojas de ervas ou alguma coisa assim. Notou que era cheio de plantas e flores por todos os lugares. Ela pediu para que ele colocasse as sacolas em uma pequena mesa no canto da sala, ele o fez e logo ela reapareceu com duas xícaras de chá fumegante.

- Beba. – Ordenou. – Isso vai te ajudar.

Alex bebeu o liquido que esquentou ainda mais seu corpo, porém uma sensação de conforto e paz que o chá trouxera era algo novo, algo que ele não sentia há muito tempo. Sentou-se na cadeira e voltou a beber seu chá e sempre que fazia isso à sensação era maravilhosa, sentia-se tão bem que poderia ficar ali o resto da noite.

- Agora. – A mulher sentou-se frente a ele. – Conte-me como conheceu aquela moça! Estou realmente interessada em saber. – A mulher sorriu.

- É uma história longa e entediante.

- Então terei algo para animar a minha noite de Natal.

- Nós conhecemos quando éramos crianças, morávamos na mesma rua, estudávamos no mesmo colégio, parecia tudo como tinha que ser, até que um dia, começamos a sair juntos, estávamos juntos todo o tempo e daí para um namoro foi muito rápido. – Ele pausou antes de continuar.

- Quer dizer que agora você terá que viajar?! – perguntou a garota.

- Sim! – O rapaz estava com um sorriso maravilhado no rosto. – Vou conhecer cidades, países, culturas diferentes! TUDO!

- Mas, você vai passar muito tempo fora? – Os olhos dela estavam começando a ficar marejados.

— Ah, Becca! – Alex envolveu a namorada em um abraço caloroso. – Eu sempre vou voltar para você.

“Então, eu comecei a viajar o mundo com o grupo que fazia parte, nós passávamos mais tempo fora do que em casa e acho que isso foi desgastando nosso relacionamento; acho que ficamos juntos quase dez anos e chegou um tempo que aquela coisa toda de ficar longe dela, estava começando a me sufocar. Bem, você sabe... Homens têm necessidades e ela não estava lá então...”

“AJ MCLEAN TROCA BEIJOS ARDENTES COM UMA BELA MORENA EM BOATE” – Rebecca lia cada palavra da frase em voz alta, seu coração estava em pedaços e suas lágrimas já rolavam por seu rosto.

– É por isso que você nunca falou de mim para ninguém, AJ? É por isso que nunca quis me assumir como sua namorada? Ora, quem diria que o famoso AJ McLean namoraria uma pobretona como eu!

- Becca! Você está nervosa! Pare, por favor, me escute! – Alexander implorava.

- Escutar? Escutar o que? Você me dizer que não quis fazer isso, que estava bêbado demais para saber o que estava fazendo? QUAL SERÁ A SUA DESCULPA AGORA?! – A voz dela estava alta e descontrolada.

- Rebecca... – sussurrou ele.

- Admite Alexander. — Ok! Aconteceu, ok?! E eu tinha plena certeza do que estava fazendo... – gritava ele, estava zangado! Ela não compreendia a sua necessidade! E quando ele mais precisou, ela não estava lá. – Porque você não estava lá comigo! VOCÊ SE NEGOU A ESTAR COMIGO NESSA VIDA MALUCA QUE LEVO! PREFERE FICAR AQUI, NESSE INFERNO, NESSE MALDITO LUGAR! – Ele gritava a plenos pulmões. – EU PODERIA LHE DAR TUDO E O MELHOR! SABIA DISSO?

- Eu não faço questão alguma pela droga do seu dinheiro, Alexander! – Rebecca chorava copiosamente. – Eu só queria o seu amor.

“Naquela noite, ela me expulsou da casa dela e da vida dela, desde então, relacionamento para mim tem sido algo supérfluo, tenho meu dinheiro, posso pagar qualquer uma e só, mas agora à noite, eu senti algo que nunca tinha sentido. Ela vai casar sabe? Ela está feliz, tem um cara que a ama, e eu estou aqui em uma noite de natal, conversando com alguém que nunca vi na vida, pronto para viver a minha vida sem graça.”

Ele terminou de falar e terminou o seu chá, sentia que o efeito do álcool ia se esvaecendo aos poucos, e ele recobrava consciência do que acabou de dizer.

- Você é feliz? – perguntou a mulher.

- Porque eu não seria? Tenho tudo que preciso! Grana, mulheres com bom sexo a qualquer hora, uma carreira consolidada, se isso não for felicidade, não sei o que é?!

- Mas, e aqui? – a mulher apontou o peito dele e uma sensação estranha e desconhecida percorreu todo o seu corpo.

– Quais são os reais desejos do seu coração?

Aquilo o incomodou e ele sentiu uma vontade imensa de sair correndo dali, então segurou a mão da mulher e adiantou-se na despedida.

— Acho melhor eu ir! – Ele não permitiu que ela falasse nada até chegar a porta.

— Alexander... – Ela o chamou. – Cuidado com o que você deseja, às vezes pode tornar-se realidade.

A velha o olhava com aquele olhar terno de mais cedo, o poder das palavras dela penetraram seu coração e por um momento ele se perguntou se ela seria capaz de conhecer seus desejos mais secretos.

“Balela” resmungou sozinho ao sair do local. “Ninguém consegue ver o coração de ninguém”

Ele pegou um táxi que passou logo depois, chegando em casa, tomou um banho rápido tentando afastar as imagens que povoavam sua mente: Rebecca, Michael, a velha, o que ela disse...

Deitou-se na cama e adormeceu rapidamente, amanhã seria um novo dia.

Notas finais
Pronto.
Final do capítulo, mais uma vez espero que gostem.
Beijo e até a próxima.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.