Um Guia de Amassos por James Sirius
6 Estudo de Caso — Demonstração
Notas iniciais
Fechando a porta atrás de si, ela se recostou na parede do corredor, sentindo-se péssima.
Supostamente, essa era a noite do pijama com as primas n’A Toca.
Ainda conseguia ouvir as risadas de Roxanne e os gritinhos histéricos de Molly, enquanto Dominique contava outra de suas histórias mirabolantes.
Descendo as escadas, encontrou Lily Luna sozinha, sentada no sofá.
— Já posso subir lá com vocês? — Resmungou ela, fazendo um bico infantil.
O complicado de ser a mais jovem era não poder participar de certas conversas. Rose considerava isso um privilégio.
— Acho que estão acabando. — Mentiu. — Onde está o seu irmão?
Lily deu de ombros.
— Deve estar no quarto dele com Fred.
Rose piscou. Albus com Fred?
— Ah, você está perguntando do Albus? Com vovô nos jardins.
Era estranho Lily pensar que ela estaria procurando por James Sirius e não pelo seu conhecido melhor amigo. Desistindo da companhia, subiu na dobra do telhado do terceiro piso. A noite parecia tão feliz, com a lua cheia iluminando a penumbra, que Rose desejava um pouco desse sentimento para si.
— Não sabia que mais alguém conhecia esse canto.
Virou-se rápido, observando a tempo James escalar as últimas telhas.
— Jay?
— Vamos ter que organizar os horários de visitação ou posso ficar?
Um pouco desajeitada, ela abriu espaço.
— Fique à vontade.
Acompanhando pelo canto do olho, Rose observava-o deitar, colocando as mãos atrás da cabeça.
Ela o imitou, fechando os olhos. Ficaram em silêncio por tanto tempo, que Rose assustou-se quando tornou a ouvir sua voz.
— Não tem lugar melhor no mundo para observar o Leão Menor que aqui...
— Leão Menor? Mas isso- não sabia que gostava de astronomia!
Na verdade, Rose não sabia quase nada do primo em geral.
— ‘Tá brincando? Meu nome vem de uma constelação, é quase uma obrigação minha — Ele dividiu o olhar divertido entre ela e o céu. — Veja, a Estrela de Barnard também dá para ver daqui. É a mais brilhante na esquerda.
Rose forçou os olhos.
— Não vejo diferença.
Ele tirou um objeto do bolso.
— Pegue. É um monóculo portátil. Com o tempo, você se acostuma e não precisa mais dele para enxergar as mais próximas.
E desse jeito, simples, ele a apresentou seu mundo. Pôde ver o Lince, a constelação de Sagitário, signo dele, e é claro, a constelação de Sirius.
Era um jeito apaixonado que ele explicava cada detalhe, contagiando-a por completo — nunca havia realmente achado graça na matéria em Hogwarts. Podia sentir o quanto aquilo era especial para ele, e o quanto o fazia feliz compartilhá-lo, e isso aqueceu Rose por dentro.
Ela observava mais uma vez agora a estrela Wolf-359.
— E você?
Rose parou.
— Eu o quê?
— O que veio fazer aqui em cima? Duvido que seja pelo mesmo motivo. Nem sabia onde ficava a Ursa Maior. — Zombou, cutucando-a de leve.
Ela suspirou.
— Precisava de um tempo longe das meninas.
Ele sorriu um pouco.
— Precisamos mesmo é de umas férias da Dominique.
— Não, é só... ando pensando no que você me disse. Sobre tentar de novo. Mas não quero me sentir pressionada, e é isso que sinto quando falo com elas.
James nada disse por um tempo. Rose, sentindo-se de certa forma exposta, sentou, envolvendo as pernas em um abraço, o queixo quase encostando nos joelhos.
— Podemos... tentar uma demonstração. — Ele disse finalmente, casual. — Você ficaria mais confortável para conhecer alguém. Seja quem for.
Os olhos de Rose imediatamente transformaram-se em duas bolas de tênis.
— Eu...
James ergueu os braços em rendição.
— Foi só uma ideia. Uma bem idiota, aparentemente.
— Não! — Cortou-o, rápido.
Ele levantou uma sobrancelha.
Ela tornou a falar, pigarreando, decidida. — Eu quero.
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