Um Faraó em minha vida

4 Vida longa ao faraó


Notas iniciais
Oi pessoas, tô muito feliz com a interação de vocês, sinceramente nao esperava que a aceitação da história seria tão boa. Bom vou postar um capítulo por dia até domingo e depois teremos postagens fixas semanais. Ja respondo os comentários viu... É que posto pelo celular e responder comentário por ele é chato demais pois as vezes escrevo e quando vou postar a resposta ela some... Mas li todos e ate a noite pego um not emprestado pra responder.... Muito obrigado pelo carinho e boa leitura!

Capítulo 3

Vida Longa ao Faraó


Samanta espreguiçou-se na cama na manhã seguinte e desejou que o dia anterior não tivesse passado de um sonho esquisito, mas ao ver Cris ao lado, enfiada num saco de dormir, perdeu todas as esperanças. Olhou pro relógio e já passavam das dez, era sábado, mais só de pensar que o faraó recém despertado poderia ter ficado vagando livre pelas casa novamente, arrepiou cada fio de cabelo.

一 Cris acorda, vamos.

一 Me deixa dormir 一 respondeu a amiga se enfiando ainda mais no saco.

一 Levanta, vamos… temos que cuidar do bebezão de quase quatro mil anos… 一 falou abrindo o saco e puxando a amiga pelos pés.

Desceram as duas pelas escadas e se entreolharam ao ouvir miados de gato, avançaram rapidamente pelos degraus e viram cerca de dez gatos pulando sobre a mobília, enquanto o rapaz acariciava um deles.

一 Que é isso? Xó.. Xó…一 falou espantando os bichanos.

一 Ankhesenamon! 一 Protestou o faraó franzindo o rosto.

一 Acabou de fazer uma ofensa a deusa Bastet 一 disse Cris segurando o riso.

一 Fora! Fora! Fora! 一 falou espantado e correndo atrás dos bichanos fazendo-os escapar pelas janelas.

一 Ankhe! 一 novamente protestou com certo furor na voz tomando o braço dela com rispidez.

一 Calma Sam, sabia que um rei sírio venceu uma batalha lançando gatos em cima dos egípcios, eles não reagiram com medo de machucar os animaizinhos “sagrados”, ele era uma faraó já deve ter matado pessoas, melhor não irritá-lo. 一 falou cris e a amiga puxou o braço e espantou outro gato com a almofada.

一 Ankhesenamon! 一 gritou com ela furioso.

一 Eu me chamo Samantha 一 gritou já cara dele e este recuou. 一Essa é a minha casa e eu até gosto de gatos, mas eles estão destruindo o sofá e mijando por tudo, então você vai tirar cada um deles daqui agora! 一 ela falou e ele afastou-se até cair sentado no sofá com um semblante assustado.

一 Ela é dona de casa desde os doze anos. .Não é pessoal não, é meio biológico 一 sussurrou Cris ao rapaz que tomou um dos gatos na mão e levou até a porta.

一 Eu vou fazer o meu café e quero eles fora daqui! 一 gritou e foi para cozinha.

一 Linguagem de “mãe” deve ser universal, você pode não ter entendido uma palavra, mas sabe exatamente o que ela disse. Assustador. Melhor limpar isso aí 一 disse a garota se afastando para cozinha.

一 Você tá bem Sam? Eu nunca te vi gritar daquele jeito.

一 Ele está destruindo a minha casa e a minha vida. O meu pai sai por dias porque ele confia que eu vou manter tudo em ordem, e esse cara chegou, comeu toda comida e bebeu as garrafas de vinho que a minha mãe dava pro meu pai nos aniversário dele e agora o sofá que ela mandou reformar tá cheio de xixi de gato e 一 parou e caiu no choro.

一 Calma Sam, olha a gente lava o sofá da sua mãe. Vai ficar tudo bem 一 disse acariciando a cabeça da amiga 一 E você tem só dezesseis anos se não fizer besteira agora vai fazer quando? O seu pai vive fora e você nunca sequer deu uma festa, ele não vai te matar porque mentir que quebrou umas garrafas de vinho. Relaxa.

一 Tá 一 respirou fundo 一 Vamos no mercado comprar alguma coisa para comer.

一 Acho melhor a gente levar ele junto, fica aqui eu vou achar uma roupa para ele.

一 No armário do papai deve ter algo que sirva. Só não toca nos termos.

Cris saiu e andou até a sala, onde Tutankhamon colocava o último gato pra fora. Foi até ele e o puxou pela mão até o quarto do dono da casa. Colocou o rapaz sentado na cama e se pôs a vasculhar o closet.

一 Muito grande, muito feio 一 falou passando os cabides 一 horrível, muito feio, muito, mas muito feio, nossa gente velha usa cada coisa. Olha só um jeans, se colocar um cinto acho que serve, agora uma camisa.

Escolheu as peças e entregou nas mãos dele que olhou para as roupas e estendeu novamente a ela.

一 É roupa de vestir 一 falou gesticulando 一 não pode usar esse uniforme do museu para sempre.

Ele abriu os braços e deixou as peças caírem no chão.

一 Peraí? Quer que eu te vista? Ta de zoeira? Olha só, eu sei que lá no Egito você devia ter gente até para limpar sua bunda, mas aqui é São Francisco, docinho. SE VIRA! 一 falou saindo o deixando sozinho no quarto.

Voltou a cozinha e serviu-se de uma caneca de café, minutos depois ele apareceu na porta da cozinha vestido com a calça jeans e a camiseta ao contrário.

一 Porque não ajudou ele? 一 Questionou Sam se encaminhando até o rapaz e o ajudando a tirar e recolocar a camiseta 一 Desculpa gritar daquele jeito, eu sei que não sabe o que tá fazendo, tudo isso deve ser muito estranho para você 一 disse.

一 Ele precisa de sapatos 一 falou Cris.

Terminaram de se arrumar e foram para garagem, Sam pegou as chaves da minivan antiga de sua mãe e se dirigiram ao supermercado. Pelos corredores o rapaz andava empolgado olhando para os lados e assim que viu Samantha pegar artigos das prateleiras e pôr no carrinho se pôs a fazer o mesmo.

一 Não 一 tomou o pacote da mão dele 一 eu faços as compras certo?

一 Não banque a mãe chata, ele é mais velho que você. 一 falou Cris.

一 Mas se comporta como uma criança de três anos. Eu só quero que isso acabe.

一 Tá, com a minha longa experiência em criação infantil, já que tenho três irmãos mais novos, o único jeito de manter uma criança quieta no supermercado é dando doce para ela 一 falou entregando um pacote gigante de Marshmallow nas mãos dele. 一 É comida.

O rapaz abriu o pacote e provou um, abriu um sorriso e enfiou mais dois na boca e continuou a segui — las pelos corredores. Terminaram as compras e se dirigiram ao caixa.

一 Bom dia Sam 一disse a atendente passando as compras 一 Olá Cris.

一 Como vai senhora Douglas? 一 questionou Sam com simpatia.

一 Bem. Com minha dor de coluna de sempre e esse rapaz bonito quem é? 一 perguntou apontando para Tutankhamon.

一 É… É… Meu primo, Tut 一 falou gaguejando.

一 Tut? Que nome estranho.一 disse a senhora desconfiada.

一 Ele é do Egito… veio passar uns dias com a gente 一 improvisou Sam.

一 Ah… Seu pai está em casa?

一 Sim, ele chegou hoje de manhã 一 mentiu.

一 Ah, mande um abraço para ele.

一 Claro.

Voltaram para casa e Clay já esperava na porta com o semblante fechado.

一 Onde se meteram? Achei que tinha acontecido alguma coisa.

一 Só fomos comprar comida 一 falou e Clay viu o rapaz sair do carro munido de sacos de Marshmallow.

一 Não deviam dar tanto doce para ele.

一 Leva para sua casa então e é bom que não seja alérgico a gatos 一 disse Sam abrindo a porta.

Adentraram a casa e enquanto guardava as compras, Clay relatava as suas descobertas as duas garotas.

一 Bom, descobri porque não conseguia encontrar essa pedra na internet. Simplesmente porque ela não é uma pedra ela, é o olho de Hórus.

一 Já não tinha dito isso.

一 Não eu disse que o amuleto é o olho de Hórus, mas essa pedra pode ser realmente o olho de Hórus. Quando Hórus lutou com Seth pelo trono do egito ele perdeu um olho e eu acho que pode ser isso. 一 falou mostrando o amuleto e as meninas olharam com descrença 一 Hórus era filho de Osíris e Ísis, Seth assassinou Osíris e Hórus lutou com Seth para vingar-se, os olhos de hórus representa o sol e a lua, durante a batalha Seth arrancou seu olho esquerdo, a lua.

一 Tá, linda explicação, mas agora, como mandamos o carinha de volta para tumba dele, antes que transforme a casa da Sam num abrigo de gatos? 一 Cris Indagou.

一 Isso, eu ainda não sei. 一 Disse e Tutankhamon largou os pacotes de marshmallow e tomou o amuleto das mãos. Colocou-o em seu pescoço e levantou-se da mesa, a pedra azul tornou-se dourada e ele caminhou na direção de Clay que afastou-se dois passos até ser encurralado contra a parede.

一 Meninas… o que ele vai fazer? 一 questionou o garoto apavorado.

O rapaz levantou a mão e tocou o ombro de Clay, cujo os olhos brilharam no mesmo tom dourado do cordão e em seguida desfaleceu sobre o chão.

一 Eu disse é como em “A Múmia”, ele vai matar a gente! 一 gritou Cris tomando a mão da amiga e afastando-se do rapaz. 一 Somos muito novas para morrer.

Ele caminhou até elas com seriedade no olhar e aproximou-se delas que tremiam de medo.

一 Então, este é o mundo dos mortos? 一 Questionou num inglês perfeito.

一 Ele fala? O que fez com nosso amigo? 一 perguntou Sam se aproximando do corpo desfalecido de Clay.

一 O servo vai ficar bem, apenas copiei as habilidades dessa língua estranha através do olho de Hórus 一 falou calmamente 一Não entendo porque o mundo dos mortos é tão esquisito, 一 olhou para os lados e se aproximou novamente de Sam 一 Não deveria ser assim. E este palácio é muito pequeno, embora eu goste das coisas que fazem barulho 一 falou apertando os botões do microondas 一 Mas bem, agora com meu amuleto, as coisas ficaram mais fáceis de ser entendidas, eu espero 一 disse e as garotas encaram uma a outra apáticas 一 onde estão suas jóias e porque se veste como uma serva qualquer? 一 falou tomando a mão de Samantha e voltando o olhar para Cris.

一 Serva, eu?

一 Eu não tenho jóias, tenho bijuterias e isso aqui não é o mundo dos mortos é uma cidadezinha chamada São francisco e fica nos Estados unidos da América. E pela milionésima vez, meu nome é Samantha!

一 Devem ter batido com seu coração quando cuidaram do seu corpo, sempre disse para trocarmos todos aqueles sacerdotes imprestáveis, mas você e sua diplomacia 一 falou pegando o saco de Marshmallow e enfiando um na boca.

一 Ah que legal você vai ter uma DR com uma múmia pirada 一 disse Cris.

一 Não deve falar sem a permissão de seus soberanos, serva 一 repreendeu o rapaz.

一 Eu vou mostrar para ele quem é a serva 一 falou arregaçando as mangas.

一 Espera, você não sabe que está morto há mais de três mil anos? 一 perguntou Samantha.

一 Ankhe, esqueceu nos despedimos há poucas semanas, eu sei que não queria que eu fosse para o Eufrates, e devia estar certa afinal, devo ter morrido por lá e… Espera… Eu posso ter morrido em batalha, mas como chegou antes de mim?

一 Meu nome é Samantha Walsh. Você morreu há mais de três mil anos, você era uma múmia no museu. Nós encontramos este amuleto numa caixa e ela quebrou, ficamos inconscientes e você estava lá.

一 Não faz sentido algum 一 disse ele sentando-se a cadeira com um olhar perdido 一 Tem certeza que não é Ankhesenamon?

一 Tenho. Eu saberia não acha?

一 Tem o rosto dela 一 disse baixando o olhar para a mesa pesaroso.

一 Acho que ele precisa de um tempo, eu vou ver o Clay一 disse ela a amiga.

一 Espere, já sei! Este é um dos testes de Anúbis, não é? 一 perguntou voltando o olhar para as garotas.

一 Viu até ele acha que isso tem cara de pegadinha 一 Cris observou.

一 O que tá acontecendo? 一 perguntou Clay levantando do chão com a mão na cabeça.

一 Levante-se servo e sirva-me vinho, preciso pensar.

一 Ele fala agora? 一 Clay olhou intrigado.

一 Não se preocupe, apenas copiei as suas habilidades linguísticas e as imagens de uns papiros muito bem desenhados, que guarda na tábua solta do piso no seu quarto, pois me pareceram instigantes. Agora sirva-me vinho 一 falou sentando-se a cadeira enquanto o rapaz enrubesceu.

一 Tem vinho aí?一 perguntou o garoto ainda confuso.

一 Não vai dar vinho para ele! 一 disse Sam irritada se postando a frente do faraó 一 Olha só, se passaram mais de três mil anos, acidentalmente abrimos uma caixa e isso te trouxe para cá一 Pegou um livro de história e mostrou as figuras de sua tumba 一 Você precisa voltar pro passado, então faz essa magia logo.

O jovem olhou para o livro e correu os olhos pelos três pensativo.

一 Se o que diz for verdade, eu já deveria estar no mundo dos mortos há muito tempo. O olho de Hórus não devia estar comigo é passado de faraó para faraó, nosso dever é protegê-lo. Ele deveria ter sido passado ao meu sucessor 一 refletiu一 Quem assumiu o trono depois da minha morte? Não tive herdeiros 一 falou com certo pesar.

一 Os livros de história dizem que foi Ay, ele se casou com Ankhesenamon. 一 Explicou Clay 一 Tem muita coisa que quero te perguntar 一 completou o garoto empolgado.

一 Ankhesenamon… Ela deve ter escondido o olho, para impedir que Ay ficasse com ele. Nas mãos erradas pode causar o desequilíbrio cósmico, quem é o faraó agora?

一 Acho que não existem mais faraós, muita coisa mudou 一 falou Sam.

一 Isso não faz nenhum sentido, como posso ter morrido se tudo que lembro é de viver a minha vida? 一 parou e pensou 一 repetidas vezes… 一 sussurrou e olhou para as mãos e os pés 一 Não sei nem porque estou aqui, sempre soube dos poderes inimagináveis do olho, mas jamais o usei. Não se pode mexer com forças que desconhece.

一 Mas usou agora para ler a mente do Clay não é?

一 São coisas completamente diferentes. Copiar as habilidades linguísticas de um servo qualquer é apenas um feitiço que qualquer sacerdote poderia fazer com os ingredientes certos. Agora trazer alguém da morte é algo muito mais poderoso.

一 Que safados, agora entendi porque os faraós falavam e escreviam em dezenas de línguas quando a maioria da população não sabia escrever o próprio nome 一 falou Clay.

一 Seu faraó você podia ficar até segunda, e emprestar esse seu colar eu tenho prova de álgebra 一 comentou cris.

一 Cris!

一 Qual é podemos aproveitar um pouquinho a situação, quando teremos um amuleto mágico de novo?

O faraó acariciou o amuleto pensativo e afastou-se até uma das janelas, olhou pro lado de fora o gramado verde, carruagens estranhas passando na rua, pessoas em roupas esquisitas e barulho, muito barulho.

一 Coitado 一 suspirou Samantha.

一 Coitado porque? Ele foi o homem mais importante do mundo desde os nove anos de idade 一 disse Clay 一 E tem um amuleto que faz ele saber de qualquer coisa 一 sussurrou.

一 Vamos deixar ele um pouco sozinho. Falou Sam e o trio se dirigiu a sala.

Clay comentou sobre todos os mistérios que poderiam ser revelados através do faraó e dos enigmas humanos que o amuleto poderia desvendar e do quão magnífica seria aquela descoberta. No entanto Sam, não tinha a mesma opinião, lembrou-se das palavras do próprio garoto no museu, sobre o quão danoso a humanidade poderia ser aquela revelação.

一 Sim, tem razão. Acabaríamos mortos ou num centro de estudos da nasa enquanto o resto do mundo jogava bombas um nos outros para ver quem ficaria com o amuleto 一 refletiu o garoto sendo trazido a realidade.

一 Gente, olha 一 falou Cris apontando a TV, onde um grupo de repórteres e curiosos se reuniram na frente do museu municipal. Uma repórter de cabelos curtos falava sobre o roubo da múmia de Tutankhamon, ao lado dela o especialista que trouxe a exposição do Egito, tinha um semblante preocupado.

“ 一Então senhor Hawass a polícia ainda não tem suspeitas sobre o roubo da múmia e muitas pessoas estão especulando que seria mais um capítulo da lenda de Tutankhamon e sua maldição o que o senhor tem a dizer sobre isso?

一 Foi um roubo, provavelmente cometido por uma equipe altamente treinada, pois a polícia ainda não conseguiu evidências, mas pode ter certeza que não há uma múmia andando pela cidade 一 disse ele.

一 O senhor assumiu os cuidados da coleção a alguns meses, e a múmia até hoje havia sido retirada pouquíssimas vezes do Cairo, muitos dizem que foi uma imprudência enorme trazê-la pro museu de São Francisco o que tem a dizer sobre isso? 一 indagou a repórter.

一 Acho que o Egito deixou um legado a ser compartilhado com toda a humanidade. Sem mais declarações. 一 falou e a jornalista se despediu-se.

一 Até que ele parece calmo para alguém que perdeu a múmia mais importante do mundo 一 observou Clay.

一 Quem não tá calma sou eu! Eles vão chamar especialistas vão achar nossas digitais! 一 Gritou Cris.

一 Eu uso luvas 一 disse Clay mostrando as mãos enluvadas.

一 Pensando bem, eu só toquei naquela pedra que virou milhoes de caquinhos.

一 Eu toquei no vidro que se despedaçou… 一 refletiu Sam 一 Droga! O extintor!

一 Droga Sam!

一 Ele ia morrer! 一 protestou ela.

一 Ele já estava morto. Vamos lá falar para ele voltar a ser uma múmia e quem sabe você só pega uns trinta anos de prisão 一 disse Cris 一 Ai meu Deus eu vou ter uma amiga detenta!

Voltaram para cozinha apressados e o rapaz ainda estava parado a olhar pela janela. Sam se aproximou e tocou levemente seu braço.

一 Senhor Faraó, você precisa voltar. Temos que te levar de volta pro museu. 一 Ela disse e ele voltou o olhar a ela.

一 Eu não quero voltar 一 retrucou no mesmo instante.

一 O que?! 一 os três falaram em coro.

一 Eu vi no seu livro, eu vou morrer sem nem ao menos deixar um herdeiro. 一 falou tomando o pacote de marshmallow.

一 Você foi um dos maiores faraós do Egito. Todo o mundo sabe quem você é 一 disse a garota.

一 E o que eu fiz? Que monumentos importantes construí além de minha própria tumba, quantas glórias conquistei pro Egito? Quantas batalhas venci?

一 Você deve ter vencido muitas batalhas 一 disse a jovem sem entender.

一 Não, meus soldados venceram. Quando acordei achei que estivesse no mundo dos mortos, sonhei com ele a vida inteira, onde finalmente eu poderia viver. Eu não esperava que fosse tão estranho como este, mas aqui é bonito e cheio coisas. Eu gosto daqui, gosto da comida em sacos, da caixa grande com pessoas pequenas dentro, tudo é colorido e bom, como disseram que o mundo dos mortos seria.

一 Mas, não é o seu mundo dos mortos e não é sua casa. Você é o faraó devia ter uma vida incrível! 一 afirmou Clay.

一 Fui corado com nove anos, porque mataram meu pai, pai que eu nem conheci. Ele enlouqueceu, deixou Tebas e fundou outra capital no meio do deserto levando a sua rainha e suas filhas, ele me deixou para trás, afinal eu era só um príncipe de uma esposa qualquer 一 falou com certa tristeza.

一 Os sacerdotes me coroaram ainda criança para poder restabelecer o país da bagunça que meu pai fez, mas eu nunca deixei de ser o filho do herege. Eu vivia doente, eles tramavam contra mim. E olhe agora, nunca me senti tão forte, eu nem preciso mais daquela bengala para caminhar, e vocês tem essa esponja doce deliciosa, para que eu ia querer voltar?一 falou enfiando outro Marshmallow na boca.

一 Os três se entreolharam pesarosos e desesperados sobre o que fariam.

一 E Ankhesenamon? Não sente falta dela 一 questionou Sam.

一 Não o suficiente para querer voltar.

一 Homens! 一 falou Cris 一 desde a antiguidade saindo para comprar cigarros. Olha só isso não é uma discussão, você vai voltar e ponto final, não vamos ir para cadeia por sua causa!

一 Não podem me obrigar e mesmo que pudessem, eu não sei como voltar 一 falou sentando-se à mesa 一 O faraó está com fome. Já podem me servir o almoço. 一 falou em tom de ordem.

一 Eu gostava mais dele quando ele não falava 一 confessou Cris.

Notas finais
Curiosidades Faraônicas: Para os antigos egípcios, o coração era o centro do pensamento, emoção e de todas as funções nervosas. Por pensarem que o coração era capaz de recordar todos os bons e maus atos feitos pelo o ser humano durante a vida, os antigos egípcios acreditavam que, no momento do julgamento, o coração era pesado contra uma pena. Se ele se mostrasse leve, o sujeito se revelaria virtuoso.